Novo iPhone perde entrada para fones de ouvido


iphone 7

Resumo da matéria -

  • O iPhone mais novo da Apple, geração 7, com perfil mais fino, incrível resistência à água e melhor qualidade do som, não apresenta uma entrada padrão para fones de ouvido
  • A partir do iPhone 6, as letras miúdas no material impresso da Apple orientam que para reduzir a exposição à energia de radiofrequência, os usuários devem optar por alternativas que mantenham as mãos livres, como viva-voz interno, fones de ouvido ou acessórios semelhantes.
  • Um estudo informou que os limites atuais de segurança pública de exposição à radiofrequência são inadequados para proteger a saúde pública. Um especialista disse que levará várias gerações até sabermos o verdadeiro impacto ambiental e biológico causado por isso
  • Câncer de cérebro e coração, tumores malignos, função reprodutora, desenvolvimento fetal e danos aos tecidos são alguns dos impactos negativos causados pela energia de radiofrequência e campos eletromagnéticos
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Por Dr. Mercola

A Apple acaba de anunciar que sua mais nova invenção, o iPhone 7, com perfil mais fino, incrível resistência à água e melhor qualidade do som, não apresenta uma entrada padrão para fones de ouvido.

No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a radiofrequência (RF) e os campos eletromagnéticos (EMF) associados ao uso do telefone sem fio como possíveis fatores carcinogênicos para os humanos (também chamados de causadores de câncer), com potencial de "maior risco de glioma, um tipo maligno de câncer cerebral". O relatório foi emitido em 2011.

A página de Aviso Legal da Apple sugere que "Para reduzir a exposição à energia de radiofrequência, os usuários devem optar por alternativas que mantenham as mãos livres, como viva-voz interno, os fones de ouvido fornecidos ou outros acessórios semelhantes.

Leve (seu celular) a pelo menos 5 milímetros de distância do corpo para garantir que os níveis de exposição fiquem na faixa de teste ou abaixo dela".

No entanto, os novos fones AirPods sem fio (acessório especial à venda) colocam basicamente o transceptor de rádio nos seus ouvidos.

O problema com essa recomendação é que os fones de ouvido sem fio aumentam a distância entre o telefone e sua cabeça, mas você está simplesmente trocando um aparelho de radiofrequência por outro, afirmou a CNN.

"A radiofrequência de qualquer aparelho sem fio — um telefone celular, fones de ouvido Bluetooth ou um roteador sem fio — emite radiação não-ionizante. Esses aparelhos não são tão perigosos quanto os que emitem radiação ionizante, como as máquinas de raios X, mas alguns especialistas preferem ser cautelosos com eles mesmo assim.

O Programa Nacional de Toxicologia (NTP) concluiu recentemente seu "maior e mais complexo" estudo de dois anos sobre os possíveis perigos do uso do telefone celular. Eles descobriram que a exposição à radiofrequência e campos eletromagnéticos aumenta os tumores cerebrais nos ratos e camundongos e, mais importante ainda, nos humanos, informou um artigo do periódico Scientific American.

Jerry Phillips, bioquímico e diretor do Centro de Ciência Excel da Universidade do Colorado, afirmou em um artigo complementar que os sinais de radiofrequência podem interagir com tecidos vivos. As crianças e as mulheres grávidas que os utilizam são particularmente vulneráveis.

"Como a potência gerada pelos telefones celulares era baixa o suficiente, sempre se supôs que a energia seria insuficiente para a produção de calor — e sem a produção de calor, não haveria qualquer efeito biológico nos usuários".

Uso do telefone celular em todo o mundo e por que ele é um problema

O chefe do departamento de neurocirurgia no Centro Médico Cedars-Sinai em Los Angeles, Dr. Keith Black, observou que um dos aspectos mais preocupantes do uso do telefone celular é que levará pelo menos várias gerações até sabermos o verdadeiro impacto ambiental e biológico da exposição a esses aparelhos.

Em 2014, o número oficial de aparelhos celulares no mundo todo era maior do que a população.

O número registrado naquele ano era 7,2 bilhões. Os especialistas projetam a geração de uma receita em telefones celulares no valor de US$ 77 bilhões até 2017. Quase dois terços dos adultos americanos possuem um telefone celular.

Alguns "especialistas" acham que não há motivo para preocupação porque eles veem somente os efeitos térmicos dos telefones e como o corpo absorve a energia da radiofrequência. O setor garante que os níveis de energia são muito baixos para aquecer os tecidos, conforme medição da Taxa de Absorção Específica (SAR), portanto não deve haver consequências biológicas resultantes do uso do telefone celular.

A recomendação para os compradores de telefone celular é comparar as classificações e escolher um com uma taxa SAR mais baixa. As classificações SAR podem ser consideradas inválidas uma vez que levam em conta apenas o calor da radiação que penetra na cabeça. A energia das ondas do telefone celular, a modulação do sinal ou os campos magnéticos criados pelas baterias não são levados em conta.

E os telefones celulares carregados nos bolsos da camisa e calça ou presos em bonés e cintos? A reportagem da CNN sobre o novo iPhone 7 da Apple, além dos possíveis impactos nos usuários, citou a avaliação de Black:

"O que a radiação de micro-ondas faz, em termos simples, é semelhante ao que acontece com a comida nos fornos de micro-ondas, basicamente é cozinhar o cérebro.

Portanto, além de levar ao desenvolvimento de câncer e tumores, pode haver vários outros efeitos, como na função de memória cognitiva, já que os lobos temporais da memória ficam onde seguramos nossos telefones celulares".

Preocupações com a radiação do telefone celular

O setor sem fio chama a radiação das rádios FM e dos fornos de micro-ondas de "não-ionizante". Mas, quando você usa o telefone celular para fazer uma ligação, enviar mensagens ou acessar dados, a primeira coisa que seu telefone faz é enviar ondas de radiofrequência da antena para as torres de celular próximas e depois receber ondas de radiofrequência de volta à antena.

A maioria das pessoas segura os telefones celulares próximos à orelha, enviando cerca de 70% da energia da antena diretamente para dentro da cabeça.

Você deve segurar o telefone o mais longe possível do corpo, principalmente durante a conexão inicial, quando ocorre a troca da maior parte de energia, e, sempre que possível, usar a função viva-voz ou um fone de ouvido seguro.

Talvez você pergunte: por que os fabricantes de telefone celular não nos falam essas coisas? A verdade triste e extremamente irritante é que quase 75% dos estudos que afirmam que não há efeitos tóxicos no uso do telefone celular foram financiados pelo setor militar ou setor sem fio.

Dos estudos independentes realizados sobre o assunto, 67% não estavam ligados ao setor que, deve-se registrar, estava avaliado em cerca de US$ 171 bilhões na última avaliação.

Órgãos governamentais opinam sobre a exposição à radiação e campos eletromagnéticos

Em maio, o Departamento americano de saúde e serviços humanos (HHS) divulgou um "relatório parcial" sobre os possíveis perigos da radiação de radiofrequência do telefone celular com base nos experimentos com ratos e camundongos. Os resultados estarão abertos para avaliação de especialistas e comentários até o final de 2017. Resposta da CNN:

"A CNN não costuma opinar sobre estudos com animais, pois os resultados geralmente não refletem o que ocorre com humanos.

No entanto, esses tumores raros, agressivos [e] malignos vistos nos ratos machos são exatamente os mesmos tumores encontrados em estudos epidemiológicos com pessoas que usavam o telefone celular pelo maior período de tempo possível".

A CNN citou a Dra. Devra Davis, fundadora e presidente do Fundo de Saúde Ambiental e professora convidada na Universidade Hebraica de Jerusalém, que afirma:

"O motivo por que eles divulgaram uma reportagem parcial foi porque o cientista sênior que liderava o estudo percebeu como esses resultados eram extraordinariamente importantes. Não existe nenhuma outra substância que eu conheça que tenha apresentado resultados como esses no Programa Nacional de Toxicologia". 

O FDA (Federal Drug Administration) diz que se há risco de exposição à radiofrequência com o uso dos telefones celulares — "e nesse momento não sabemos se há" — ele provavelmente é muito pequeno. Mas se as pessoas ainda estão preocupadas, elas devem passar menos tempo no telefone e usar a função viva-voz ou fones de ouvido com fio. Porém Davis revela de modo astuto:

"Meu entendimento é de que a geração atual de telefones contém mais medidores de aceleração sofisticados que indicam quando o telefone é segurado ao lado da cabeça e colocam o telefone no menor modo de energia possível para poupar bateria e reduzir a exposição [à radiofrequência] do cérebro ou corpo, indicando o reconhecimento da necessidade de reduzir as exposições diretas das pessoas". 

O que diz o setor sem fio sobre a energia de radiofrequência em comparação aos estudos

Segundo a CNN, a Associação do Setor de Telefonia Celular (CTIA) "questiona amplamente" a ideia de que a energia de radiofrequência cause algum tipo de dano aos usuários de telefones celulares.

Seguindo esse caminho, o setor adere à afirmação de que "o consenso científico, com base nas evidências avaliadas por especialistas dos Estados Unidos e de vários outros países, indica que os aparelhos sem fio não representam um risco à saúde pública de adultos ou crianças". 

Ele também aconselha as pessoas preocupadas a adotarem maior distância entre seu corpo e a fonte de radiofrequência, usando, por exemplo, um aparelho que mantém as mãos livres e reduzindo o "tempo de conversa".

O Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental enviou um estudo mostrando que nos experimentos com camundongos, a exposição total do corpo à radiação do telefone celular pode causar câncer no cérebro e no coração.

E, em uma análise combinada de estudos caso-controle, o Oncology Reports descobriu um risco maior de tumores cerebrais entre as pessoas que usavam muito os telefones celulares e telefones sem fio.

Outro estudo concluiu que a exposição a campos eletromagnéticos é capaz de alterar a função reprodutiva, homeostase celular, função endócrina e desenvolvimento fetal em animais, assim como o início do desenvolvimento embrionário e sucesso da gestação.

Em experimentos com animais, os efeitos adversos sobre a função reprodutiva dependeram da frequência, intensidade da onda e tempo de exposição.

O título de outro estudo explica muito bem: "Danos ao sistema imunológico causados por campos eletromagnéticos — uma possível causa subjacente de danos celulares e redução no reparo de tecidos, podendo levar a doenças e deficiências". A conclusão foi que "os limites atuais de segurança pública são inadequados para proteger a saúde pública".

Problemas na energia das ondas, inclusive micro-ondas

A Comissão Federal de Comunicações (FCC) publicou alguns mitos relacionados à exposição a micro-ondas de rádio, mas acrescentou que:

"Diversas declarações de porta-vozes do setor afirmam que 'não se sabe o suficiente' sobre essas exposições para identificar o risco ou que há evidências 'insuficientes' ou 'incompletas' sobre esses riscos ou que 'não há consenso científico' sobre esse risco. Isso implica que não há muitas informações científicas sobre o assunto. Mas, na verdade, existem muitas pesquisas que documentam os efeitos biológicos adversos dos baixos níveis de exposição à radiofrequência".

Uma das histórias mais interessantes foi publicada no periódico BioMed Central em 2012, sobre a embaixada americana na Rússia, inundada pela radiação de um transmissor de micro-ondas colocado no teto de um prédio próximo entre 1953 e 1978.

Os pesquisadores médicos russos, segundo a FCC, relataram sintomas como dor de cabeça, fadiga, tontura, anormalidades cardiovasculares, distúrbios do sono, depressão, irritabilidade e deficiência de memória.

"A equipe exposta da embaixada sofreu, estatisticamente, inúmeros problemas, entre eles: depressão, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de memória, problemas auditivos, problemas cutâneos, problemas vasculares e outros problemas de saúde. A incidência de sintomas aumentou muito com os anos acumulados de exposição".

A ampla gama de sintomas levou finalmente a uma investigação conduzida pelo Dr. A.M. Lilienfield, um epidemiologista na Universidade Johns Hopkins.

"As anormalidades encontradas nesse estudo constrangeram o governo americano, uma vez que os níveis de exposição enfrentados pela equipe da embaixada dentro do prédio eram...drasticamente mais baixos que aqueles descritos pelas normas americanas de segurança na exposição a micro-ondas. Parece que as conclusões do estudo foram alteradas para atenuar os resultados anormais".

Em 2001, a cidade de La Ñora, na Espanha, com 1.900 habitantes, tinha uma torre de telefonia celular GSM (Sistema Global para Comunicações Móveis). Um questionário, preenchido pelos moradores, continha 25 problemas de saúde que eles chamavam de "síndrome da radiofrequência" ou "doença das micro-ondas".

Os sintomas incluíam baixa concentração, irritabilidade, náusea, fadiga e tontura. Problemas semelhantes foram observados na Noruega em 1998, na França em 2002 e na área habitada ao redor de uma torre de telefonia celular em Shebeen El-Kom, no Egito. Habitantes da Áustria, Cypress e Bavária sofreram problemas semelhantes.

Assumindo a responsabilidade: tenha cuidado com aparelhos sem fio

O mínimo que se deve ter é cuidado ao usar telefones celulares: jamais leve o telefone celular "em" você, guarde-o no bolso da camisa ou tampouco o segure com a mão enquanto caminha ou dirige. Não use babás eletrônicas com fio ou deixe as crianças brincarem com telefones celulares que irradiam energia, pois as consequências biológicas já foram documentadas.

Use um fone de ouvido que mantenha o telefone o mais longe possível da cabeça e use telefones com fio sempre que possível. Questionada sobre o que se pode extrair dos estudos sobre o uso com cautela, a Phillips concluiu:

"Se você olhar todas as pesquisas que estão sendo realizadas sobre esse assunto, todas são de fora dos Estados Unidos. As pessoas querem acreditar que sua tecnologia é segura. Eu acredito. Eu adoraria acreditar, mas eu sei bem como é".