Ômega 3

Resumo da matéria

  • As gorduras ômega 3 e ômega 6 devem ser equilibradas na sua alimentação, mas em vez da relação ideal de 1:1, temos visto 1:16 a favor de ômega 6 nos últimos 100 anos.
  • Os estudos mostram uma ligação entre o consumo de gorduras ômega 3 e menor desenvolvimento de tecido adiposo e perda de peso.
  • A manutenção da mistura certa de gorduras ômega saudáveis na sua alimentação é essencial para impedir o ganho de peso excessivo.
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Ômega Para Solucionar a Obesidade: Como a Gordura Certa Combate a Gordura

12 Dezembro 2016 | 1,622 Visualizações |


Por Dr. Mercola

Das mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, um grande número está acima do peso ou obeso. Isso acontece até mesmo em países considerados subdesenvolvidos ou muito remotos. (Afinal, os “arcos dourados” do McDonald's podem ser encontrados em El Salvador, República Tcheca e até mesmo na Sibéria.)

De fato, o periódico Open Heart publicou que, com base no índice de massa corporal (IMC), 1,5 bilhão de pessoas estão acima do peso e 500 milhões delas são classificadas como obesas. E o pior, é uma estatística crescente.

O Dr. Artemis Simopoulos, fundador do Centro de Genética, Nutrição e Saúde, uma organização educacional sem fins lucrativos no Distrito de Columbia, juntamente com James DiNicolantonio, Pharm.D., do Saint Luke's Mid America Heart Institute em Kansas, escreveu o editorial.

Simopoulos afirmou que as diretrizes nutricionais voltadas para o consumo de calorias "falharam enormemente nos últimos 30 anos”.

“Desde 1980, há vários estudos sobre as causas e o controle da obesidade, inclusive estudos comportamentais, estudos de atividades físicas, estudos nutricionais que vão desde alimentações ricas em proteínas com poucos carboidratos e gorduras até alimentações ricas em carboidratos com poucas calorias e drogas para o tratamento da obesidade…

Porém, apesar desses esforços, a população americana continua ganhando peso e situações semelhantes são vistas em outros países, tanto nos países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.

Nos países em desenvolvimento, a obesidade coexiste com indivíduos desnutridos e subnutridos. Até agora, nenhum país foi capaz de prevenir o sobrepeso e a obesidade ou manter a perda de peso de seu povo”.

O relatório observou que o equilíbrio da relação entre gorduras ômega 3 e ômega 6 pode prevenir a obesidade. Essas gorduras foram equilibradas naturalmente na alimentação humana há milhares de anos.

Os médicos sustentam que não é a disparidade entre o consumo de alimentos e a energia despendida que causa a obesidade; o problema é a maneira que as pessoas veem o que é benéfico como alimento e o que não é.

Obesidade: Uma Epidemia Mundial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que quando a gordura em excesso do corpo é grave o suficiente para prejudicar a saúde da pessoa isso é considerado obesidade, doença que foi declarada como uma epidemia em 1977.

Em 2008, o Centro americano de controle e prevenção de doenças (CDC) estimava que a epidemia da obesidade englobasse cerca de um terço dos adultos em todo o mundo.

Um estudo observou:

“O enorme número de complicações provenientes da obesidade não só causa sofrimento humano, como também determina os custos econômicos crescentes associados à obesidade.

Dependendo do modelo matemático usado para estimar os custos, eles variam entre 6% e 16% dos custos totais com saúde nos Estados Unidos. Devido à prevalência cada vez maior da obesidade, esses custos devem aumentar”.

A mesma análise observou que a obesidade:

  • Já foi uma doença associada aos ricos, mas agora é maior entre os grupos socioeconômicos mais baixos e minorias, como os afro-americanos, hispânicos e americanos nativos
  • Subiu de 5% a 15% entre 1970 e 2000 no que diz respeito à prevalência da obesidade em crianças
  • É vista mais nos homens que nas mulheres; 41% e 28%, respectivamente, mas as mulheres estão mais aptas a serem extremamente obesas
  • Está implicada em problemas como a diabetes tipo 2, doença cardíaca coronária, hipertensão, câncer e morte prematura

Ômega 3 e Ômega 6 — Qual é a Diferença?

As gorduras ômega são mencionadas em diversas embalagens de alimentos, algumas anunciando a quantidade contida em uma porção, mas várias pessoas não pensam se é ômega "3" ou "6". O que esses consumidores não percebem é que a diferença entre as gorduras ômega 3 e ômega 6 faz toda a diferença no mundo.

Essas duas fontes de gordura devem ter quantidades idênticas na alimentação de uma pessoa. Por quê? Porque o equilíbrio de gorduras ômega é crucial para os hormônios envolvidos na estabilidade do açúcar no sangue, saúde do sistema nervoso e supressão do apetite.

Além disso, é necessário um equilíbrio para que os bebês recém-nascidos se desenvolvam normalmente e para que os bebês que são amamentados obtenham a nutrição necessária par evitar doenças crônicas no futuro.

Mas isto é o que aconteceu no modo como o alimento é consumido: a relação ideal de 1:1 no consumo dessas duas gorduras essenciais inclinou a balança para uma relação bastante alterada de 16:1 a favor das gorduras ômega 6, segundo outro estudo escrito por Simopoulus, publicado em Nutrients em março de 2016.

O consumo excessivo de ômega 6 pode causar dois dos problemas prejudiciais à saúde de maior prevalência: multiplicação de tecido adiposo e inflamação crônica, que são dois dos maiores indicadores de obesidade.

Os pontos negativos desses dois problemas incluem doença cardíaca, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e câncer.

Por outro lado, os estudos mostram uma conexão entre o consumo de gorduras ômega 3 e uma queda no desenvolvimento de tecido adiposo, juntamente com aumentos na gordura marrom benéfica e perda de peso.

As pesquisas indicam que determinados grupos de pessoas tendem a ter mais gordura marrom do que outros, especialmente:

  • As pessoas magras têm mais gordura marrom do que as pessoas obesas
  • As pessoas mais jovens têm mais gordura marrom do que as pessoas mais velhas
  • As pessoas com níveis de açúcar normais no sangue têm mais gordura marrom do que as pessoas com nível alto de açúcar no sangue

Simopoulos e DiNicolantonio acreditam que esses são sinais de que o sistema tem sido guiado por nutricionistas ignorantes por muito tempo, e que todo o sistema de alimentação precisa de uma importante revisão.

Ômegas 3 Essenciais: Onde se Encontram e o Que Fazem

As gorduras ômega 3 são ácidos graxos poli-insaturados (AGPs) conhecidos como essenciais porque não podem ser sintetizados pelo corpo em quantidades suficientes para a saúde. Os três tipos mais importantes são:

  • Ácido alfalinolênico (ALA)
  • Ácido eicosapentaenoico (EPA)
  • Ácido docosahexaenoico (DHA)

As fontes de ALA incluem verduras folhosas, nozes, linhaça, sementes e óleos vegetais.

Os alimentos ricos em EPA e DHA são peixes gordurosos, como o salmão selvagem do Alasca, suplementos de óleo de peixe e/ou óleo de krill, ou, como explica outro estudo, através da “conversão de ácido alfalinoleico em DHA ou EPA, embora a evidência implique que a taxa de conversão seja baixa”.

O motivo por que as gorduras ômega 3 são importantes na alimentação é devido aos seus inúmeros e amplos benefícios. Entre eles estão:

  • Menor risco de doença cardíaca coronária
  • Possível prevenção e tratamento de outros problemas cardíacos
  • Possível queda em alguns tipos de doenças mentais
  • Menos doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide
  • Menor resistência à insulina

Obesidade, Saciedade e a Função do Cérebro

Algo que é importante compreender é que o apetite e o quanto você sente que precisa comer é amplamente controlado pelo cérebro; especificamente, as informações sobre o pH, o tamanho do estômago (estiramento gástrico) e como os alimentos são metabolizados são determinados não tanto pelo estômago como pelo cérebro, processados na medula, hipotálamo, amígdala e tálamo

Embora o trato gastrointestinal secrete hormônios que ajudam a controlar a quantidade e vezes que o alimento é ingerido, a “secreção colecistocinina é um sinal de saciedade do cérebro e a secreção grelina atua no hipotálamo para estimular a alimentação”, explica o estudo. No entanto:

“Um hormônio importante na regulação do apetite e do metabolismo é a leptina, que é liberada pelo tecido adiposo. A quantidade de leptina no corpo aumenta com a massa de gordura maior e diminui com a redução da massa de gordura”.

A leptina atua no hipotálamo para inibir os efeitos orexigênicos (aumento de apetite) e ativar os efeitos anorexigênicos (redução do apetite) que indicam saciedade. As pessoas obesas têm altos níveis de leptina e baixos níveis de resposta à sinalização de leptina.

Esse é um distúrbio conhecido como resistência à leptina. A definição curta de resistência à leptina é: você não sabe quando está satisfeito.

É fácil pressupor que as pessoas ficam acima do peso ou obesas porque comem muito e se exercitam pouco, mas pesquisas relativamente recentes mostram que está tudo intrinsecamente ligado à ingestão de açúcar, bem como de grãos, que precisa ser reduzida drasticamente, juntamente com as gorduras ruins.

Um fato pouco conhecido é que as pessoas não ganham grandes quantidades de peso sem primeiro ficarem resistentes à leptina.

O açúcar de mesa já é ruim o suficiente, mas o xarope de milho rico em frutose (HFCS) presente no refrigerante, em frutas enlatadas, sucos de fruta, cereais, molhos para salada e alimentos processados de todos os tipos pode ser realmente devastador ao seu sistema. Ele é metabolizado de modo diferente e não só evita que seu corpo queime gordura como também estimula o ganho de peso.

É fundamental que você comece a restringir o consumo de frutose e açúcar. Como você para esse círculo vicioso sem fim? Em primeiro lugar, verifique os rótulos dos alimentos que você compra para evitar comprar itens que contenham xarope de milho rico em frutose.

Para obter um guia completo de orientação, consulte o Infográfico de excesso de frutose.

A regra geral é comer até 25 gramas de frutose por dia ou 15 gramas de frutose por dia se você tem problemas de resistência à insulina/leptina.

Além disso, passar a usar o adoçante natural stevia (em vez de adoçantes artificiais prejudiciais à saúde, como o aspartame, sucralose ou sacarina) seria uma grande melhoria para o seu índice glicêmico. Porém, se você estiver acima do peso, o melhor é evitar todos os tipos de adoçante, inclusive stevia.

Tome cuidado pois os adoçantes são um grande risco na comprometida indústria de fabricação alimentícia hoje em dia. Existe um motivo por que esse é um negócio multibilionário.

De Volta ao Jardim: Como Incorporar o Equilíbrio

Há milhares de anos, as pessoas comiam alimentos de origem vegetal e animal que eram reais e limpos (ao contrário do uso de drogas para corrigir problemas de uma alimentação prejudicial à saúde).

Somente nas últimas décadas que esses alimentos básicos e necessários passaram a ser processados no mínimo de sua vida útil, geralmente para prolongar a validade ou para implicar no menor custo possível aos fabricantes.

O editorial da Open Heart comentou:

“Sabemos que aconteceram grandes mudanças no abastecimento alimentar nos últimos 100 anos, quando a tecnologia de alimentos e a agricultura moderna levaram à enorme produção de óleos vegetais ricos em ácidos graxos ω 6 [ômega 6], e alteraram as rações animais de pasto para grãos, aumentando assim a quantidade de ácidos graxos ω 6 no nível de AL (de óleos) e ácido araquidônico (AA) (de carne, ovos, laticínios).

Isso resultou em enormes quantidades de ácidos graxos ω 6 no abastecimento alimentar pela primeira vez na história da humanidade”.

A máquina de fabricação alimentar, em conformidade com as regras governamentais que alegam que sua intenção é garantir cidadãos “mais saudáveis”, tem ajudado a deixar a pessoas mais doentes e gordas.

O estudo exigiu a volta para um teor mais alto de ômega 3 no abastecimento alimentar e uma queda simultânea de ômega 6. Como?

Uma maneira é trocando os óleos de cozinha (e sabendo a diferença) e reduzindo o excesso de carnes de operações de alimentação de animais em confinamento (CAFO) da alimentação comum e substituindo-as por peixes saudáveis ou carnes de animais alimentados com pasto, que são mais ricos em ômega 3.

Um ponto interessante destacado pelos autores do estudo foi que conforme o grupo de pessoas, as gorduras são metabolizadas de modo diferente, o que torna algumas delas mais suscetíveis aos riscos associados ao excesso de ômega 6. Eles escreveram:

"A evidência científica para equilibrar a relação de ômega 6 e ômega 3 é ampla e necessária para o crescimento e desenvolvimento normal, prevenção e tratamento da obesidade e de comorbidades como a diabetes, doença cardiovascular e câncer".

Os médicos concluíram que o equilíbrio pode ser colocado em prática se mais estudos investigarem o modo como os nutrientes são metabolizados e como funcionam os genes.

Consumo de Gorduras Ômega 3 Provoca Perda de Peso e Muito Mais

Respaldado por mais de um estudo, um dos pontos mais convincentes destacado no artigo da Open Heart foi que as gorduras ômega 3 “reduzem o desenvolvimento de tecido adiposo [outro termo para gordura] e provocam a perda de peso”. O ômega 3 também:

“…produz mediadores lipídicos — resolvinas, protectinas e maresinas — que são neuroprotetores e levam à solução da inflamação. Além disso, os ácidos graxos ω 3 [ômega 3] provocam maior oxidação de ácido graxo e biogênese mitocondrial.

O estudo de nutrientes de Simopoulus sobre a relação de ômega 3 e ômega 6 explica:

“As células de mamíferos não podem converter os ácidos graxos ômega 6 em ômega 3 porque elas não têm a enzima de conversão, o ômega 3 desaturase. Os ácidos graxos ômega 6 e ômega 3 não são interconversíveis, são distintos de modo metabólico e funcional e geralmente apresentam importantes efeitos fisiológicos contrários, portanto, seu equilíbrio na alimentação é importante.

Quando os seres humanos ingerem peixe ou óleo de peixe, o EPA e o DHA da alimentação substituem parcialmente os ácidos graxos ômega 6, principalmente AA, nas membranas de provavelmente todas as células…”

Um estudo mostrou que 96% das lesões pulmonares e de Lúpus eritematoso sistêmico (LES) desenvolvidas a partir da exposição à sílica cristalina foram interrompidas pela gordura ômega 3 DHA. Várias pessoas equiparam as gorduras ômega 3 ao óleo de peixe, mas você deve saber que existem outras opções (inclusive comer peixes como sardinhas e anchovas).

Se você está buscando uma forma de suplemento de ômega 3 de origem animal, no entanto, considere o óleo de krill em vez do óleo de peixe.

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