Pesticidas em frutas e hortaliças

Resumo da matéria

  • O morango encabeça a lista de produtos mais contaminados por pesticidas, com 98 por cento das amostras testadas contendo, pelo menos, um resíduo perceptível de pesticida.
  • Entre as frutas e hortaliças altamente contaminadas estão a maçã, a nectarina, o pêssego e o aipo.
  • Consumir alimentos orgânicos é uma das melhores maneiras de reduzir a carga de pesticidas no seu corpo.
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Quais Frutas e Hortaliças Recebem a Maior Quantidade de Pesticidas?

3 Janeiro 2017 | 2,549 Visualizações |

Por Dr. Mercola

Ao colocar morangos em sua vitamina da manhã ou consumí-los em um lanche rápido, opte pelos orgânicos. Em uma análise feita pelo Environmental Working Group (EWG) com 48 frutas e hortaliças, o morango ganhou a alcunha suspeita de ser o mais contaminado com resíduos de pesticida.

Ele desbancou a maçã (a principal criminosa do ano passado) e descobriu-se que o morango está contaminado em quase todos os lugares, com 98 por cento das amostras contendo pelo menos um resíduo de pesticida.

Muito provavelmente não é nenhuma surpresa que os produtos da agricultura tradicional podem estar contaminados com pesticidas, mas a quantidade que os atinge varia muito, dependendo da lavoura.

Como a maioria das pessoas costuma escolher quais frutas e hortaliças comprarão orgânicas, saber quais itens sofrem maior contaminação ajuda a priorizar os alimentos a serem comprados em sua forma orgânica e quais podem ser comprados na forma tradicional.

O Consumo de Morangos Pode Gerar Exposição a Dezenas de Pesticidas

O morango é uma das frutas mais populares nos Estados Unidos.

O americano em média consome cerca de 3,6 quilos de morangos por ano "e, com eles, dezenas de pesticidas, inclusive componentes químicos que foram associados ao câncer e a lesões reprodutivas ou que foram banidos na Europa", afirmaram Bill Walker e Sonya Lunder, da EWG, em uma de suas declarações.

O EWG utilizou informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (U.S. Department of Agriculture, USDA), que descobriu que os morangos analisados em 2009 e 2014 continham quase seis pesticidas diferentes, enquanto todos os outros produtos continham menos de dois por amostra.

De acordo com as informações da Califórnia, em 2014 cerca de 336 quilos de pesticidas foram aplicados por hectare nas plantações de morangos no estado. Faça a comparação com o milho, que é encharcado com cerca de 5,6 quilos de pesticidas por hectare e é considerado uma cultura que recebe muito pesticida.

Os Pesticidas Usados no Morango Podem Causar Distúrbios Hormonais e Câncer

Quais tipos de pesticidas são usados no morango? De acordo com o EWG:

  • Carbendazim, um fungicida banido da União Europeia que causa distúrbios hormonais
  • Bifentrina, um inseticida indicado pelas autoridades da Califórnia como possível cancerígeno em humanos
  • Malation, uma toxina que ataca o sistema nervoso e que a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (International Agency for Cancer Research) classifica também como provável cancerígeno em humanos.

A análise do EWG revelou que 40 por cento dos morangos examinados continham resíduos de 10 ou mais pesticidas (uma amostra chegou a apresentar 17 resíduos de pesticidas diferentes).

Sabe-se também que os produtores de morango utilizam 60 pesticidas diferentes em suas plantações de morangos. Sempre que possível, opte pelos morangos orgânicos e, melhor ainda, plante-os você mesmo.

Os morangos são de fácil cultivo e, como bônus, são vivazes e retornam todos os anos na maioria dos climas. Além disso, ao cultivá-los você mesmo, você terá a satisfação de colher seu próprio presente de verão.

Conforme observado pelo EWG, o morango tornou-se apenas recentemente disponível durante todo o ano.

"Os morangos frescos eram antes um presente sazonal disponível em quantidade limitada durante poucos meses da primavera e do verão.

Nas décadas recentes, a maior utilização de pesticidas e outros métodos de cultivo com ajuda química baratearam o morango, permitindo a disponibilidade durante todo o ano, enquanto as campanhas ativas de marketing estimularam o consumo".

As Frutas e Hortaliças Mais e Menos Contaminadas por Pesticidas

Com exceção do morango, que venceu a maçã na briga pelo primeiro lugar, a lista "A Dúzia Suja" do EWG para 2016, com as frutas e hortaliças mais contaminadas por pesticidas, ficou muito parecida com a do ano passado.

O mesmo ocorreu com a lista feita por eles com os "15 Limpos", que são os produtos que tendem a conter muito poucos resíduos de pesticidas.

A análise do EWG combina seis medidas de contaminação diferentes, para chegar a uma pontuação composta para todos os tipos de produtos. Veja os resultados abaixo:

A Dúzia Suja do EWG para 2016 (compre orgânicos)

  • Morango
  • Maçã
  • Nectarina
  • Pêssego
  • Aipo
  • Uva
  • Cereja
  • Espinafre
  • Tomate
  • Pimentão
  • Tomate cereja
  • Pepino

Os 15 Limpos do EWG para 2015 (ok para o consumo tradicional)

  • Abacate
  • Milho doce
  • Abacaxi
  • Repolho
  • Ervilha em vagem (congelada)
  • Cebola
  • Aspargos
  • Manga
  • Mamão
  • Kiwi
  • Berinjela
  • Melão
  • Toranja
  • Melão Cantalupo
  • Couve-flor

Os Limites Toleráveis de Pesticidas nos Estados Unidos São Permissivos Demais

A maioria das amostras analisadas enquadrou-se dentro dos limites legais para resíduos de pesticidas.

Por exemplo, apenas cinco amostras dos morangos analisados excederam o nível de tolerância definido pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (U.S. Environmental Protection Agency, EPA).

Este é o limite máximo permitido para cada pesticida nos produtos.

Infelizmente, o fato de os níveis de pesticida ficarem abaixo do nível de tolerância não significa que são seguros para consumo. Conforme observado pelo EWG:

"Algumas pessoas compararam as tolerâncias de pesticidas a um limite de velocidade de 800 km/h. Se as leis de trânsito forem frouxas a ponto de impossibilitar a infração, ninguém estará seguro".

Por exemplo, não há limite legal sobre o número de pesticidas diferentes permitido nos alimentos. O efeito desses coquetéis de produtos químicos é desconhecido, mas a preocupação é justificada, especialmente porque os adultos, bem como as crianças, são expostos a pequenas doses durante toda a vida.

Os níveis de tolerância também não levam em consideração pesquisas mais recentes, que demonstram que esses produtos químicos podem ser tóxicos em quantidades bem baixas. O estudo CHAMACOS está entre os que mostram que pequenas quantidades de pesticidas podem ser prejudiciais.

Algumas das crianças nascidas em Salinas Valley, Califórnia, uma das mecas da agricultura, passaram por acompanhamento até a idade de 12 anos para uma análise sobre o impacto dos pesticidas no desenvolvimento.

A exposição das mães aos organofosfatos durante a gravidez foi associada a:

  • Menor duração da gravidez
  • Reflexos neonatais ruins
  • Baixo QI e funcionamento cognitivo ruim nas crianças
  • Maior risco de problemas de atenção nas crianças

Os Resíduos do Glifosato Ainda São um Mistério

O glifosato, ingrediente ativo do herbicida da Monsanto chamado Roundup, é o produto químico mais usado na agricultura em todos os tempos.

No entanto, não se sabe exatamente a quantidade de glifosato presente na alimentação, porque o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos não analisa os alimentos.

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (U.S. Food and Drug Administration, FDA) anunciou em fevereiro de 2016 que deve iniciar os testes de glifosato.

No entanto, uma análise encomendada pelas organizações Moms Across America e Sustainable Pulse sugeriu que o consumo de alimentos geneticamente modificados e não orgânicos (os principais candidatos a receber a pulverização com Roundup) está associado aos níveis mais altos de glifosato no corpo.

O The Detox Project explicou:

"Descobriu-se que os níveis de glifosato na urina são muito mais elevados em pessoas que ingeriram alimentos não orgânicos do que em pessoas que ingeriram principalmente alimentos orgânicos.

Os portadores de doenças crônicas apresentaram resíduos de glifosato muito maiores na urina do que as pessoas saudáveis.

Em uma outra análise detalhada, o glifosato foi encontrado na urina de vacas, humanos e coelhos. A vacas mantidas em áreas sem a presença de transgênicos apresentaram concentrações muito menores de glifosato na urina do que as mantidas nos sistemas pecuários convencionais".

O Consumo de Orgânicos Reduz os Níveis de Pesticida Presentes no Corpo

De acordo com as informações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (U.S. Centers for Disease Control and Prevention, CDC), mais de 75 por cento da população dos Estados Unidos apresenta níveis perceptíveis de pesticidas com organofosfato na urina e, salvo no caso dos agricultores, a alimentação é uma das vias mais prováveis de exposição.

O consumo de orgânicos é uma das melhores maneiras de reduzir a carga total dos pesticidas no seu corpo.

O maior estudo do gênero revelou que as pessoas que "sempre ou quase sempre" consomem alimentos orgânicos apresentaram níveis de resíduos de pesticidas cerca de 65 por cento menores, em comparação àquelas que consomem pelo menos um pouco de produtos orgânicos.

A pesquisa descobriu também que a produção orgânica continha, em média, 18 vezes menos resíduos de pesticidas do que a produção tradicional.

Dito isso, é preciso considerar que nem todo mundo têm acesso a uma grande variedade de produtos orgânicos que podem, muitas vezes, custar mais caro do que os tradicionais.

Lembre-se que é melhor consumir hortaliças, mesmo as não orgânicas, do que não consumí-las de forma alguma. No entanto, se precisar dar prioridade a algumas delas, consulte a lista A Dúzia Suja e compre a forma orgânica dos produtos que constarem na lista.

Se for comprar nas feiras livres, o que recomendo fortemente, consulte diretamente o agricultor sobre a utilização de pesticidas.

É possível encontrar produtos que, apesar de não serem certificados como orgânicos, podem conter uma carga menor de pesticidas do que os produtos tradicionais, dependendo do agricultor .

Assim, caso não consiga encontrar produtos orgânicos, procure um agricultor da região que tenha deixado de usar pesticidas (ou que utilize esses produtos químicos em quantidades mínimas).

Finalmente, se você sabe que foi exposto aos pesticidas, consuma alimentos fermentados como, por exemplo, o kimchi. A bactéria do ácido lático formada durante a fermentação do kimchi pode ajudar o corpo a destruir os pesticidas.

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