O Magnésio pode Reduzir o Risco de Desenvolver Diabetes?

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Por Dr. Mercola

Geralmente, o magnésio é principalmente considerado mineral importante para o coração e para os ossos, mas isso é um erro.

Os pesquisadores recentemente detectaram 3.751 locais de ligação do magnésio com as proteínas humanas, indicando que sua atuação na saúde e em doenças humanas pode ter sido amplamente subestimada.

O magnésio também é encontrado em mais de 300 enzimas diferentes no organismo, incluindo algumas que ajudam a regular o açúcar no sangue.

Este é um mecanismo pelo qual o magnésio pode manter a diabetes à distância - uma descoberta que vem conquistando crescente suporte científico.

O Magnésio Pode Reduzir seu Risco de Desenvolvimento de Diabetes

Foram feitos diversos estudos relevantes sobre a atuação do magnésio na manutenção do metabolismo em funcionamento de forma eficiente, especificamente em termos de sensibilidade à insulina, regulação da glicose e proteção contra a diabetes tipo 2.

Uma maior ingestão de magnésio reduz risco do metabolismo da glicose e da insulina ficar prejudicado e retarda a progressão da pré-diabetes para o diabetes em pessoas de meia-idade. Os pesquisadores declararam que:

"A ingestão de magnésio pode ser particularmente benéfica na compensação do risco de desenvolvimento de diabetes, se você tiver alto risco."

O Magnésio tem um Efeito Benéfico Sobre a Resistência à Insulina

Parte do benefício parece ser devido ao efeito do magnésio sobre a resistência à insulina. Para um estudo, participantes com excesso de peso com resistência à insulina receberam 365 mg de magnésio diariamente ou placebos. Após seis meses, aqueles que tomaram o magnésio apresentaram níveis mais baixos de açúcar no sangue em jejum e menor resistência à insulina do que o grupo de controle.

A resistência à insulina ocorre quando o organismo não pode usar a insulina corretamente, permitindo que seus níveis de açúcar no sangue fiquem excessivamente elevados. A resistência à insulina é um precursor da diabetes tipo 2, bem como um fator de risco de desenvolvimento de muitas outras doenças crônicas.

O mecanismo pelo qual o magnésio controla a homeostase da glicose e insulina parece envolver dois genes responsáveis pela homeostase de magnésio. O magnésio também é necessário para ativar a tirosina quinase, uma enzima que funciona como um interruptor "liga" ou "desliga" em muitas funções celulares e é necessária para o bom funcionamento de seus receptores de insulina.

Já está bem estabelecido que pessoas com resistência à insulina também experimentam um aumento da excreção de magnésio na urina, o que contribui ainda mais para a diminuição dos níveis de magnésio. Esta perda de magnésio parece ser secundária ao aumento da glicose urinária, o que aumenta a produção de urina.

Portanto, a ingestão inadequada de magnésio parece provocar um ciclo vicioso de baixos níveis de magnésio, níveis elevados de insulina e glicose e excesso de excreção de magnésio. Em outras palavras, quanto menor o nível de magnésio no organismo , menos capaz ele é de “retê-lo".

O Magnésio Não é Importante Apenas para a Prevenção da Diabetes

O magnésio é um mineral usado por cada órgão em seu corpo, especialmente seu coração, músculos e rins. Se você sofre de fadiga ou fraqueza inexplicada, ritmos cardíacos anormais, ou mesmo espasmos musculares e contrações nos olhos, baixos níveis de magnésio podem ser os culpados. Além disso, o magnésio é necessário para:

  • Ativar músculos e nervos
  • Criar energia no organismo ativando o trifosfato de adenosina (ATP)
  • Ajudar a digerir proteínas, carboidratos e gorduras
  • Servir como um componente essencial da síntese de RNA e DNA
  • Atuar como precursor de neurotransmissores como a serotonina.

A Dra. Dean estudou e escreveu sobre o magnésio por mais de 15 anos. A mais recente adição de seu livro, The Magnesium Miracle (O Milagre do Magnésio), saiu em 2014 e nele você pode aprender sobre 22 áreas médicas que a deficiência de magnésio desencadeia ou causa, todos os quais foram cientificamente comprovados. Isso inclui:

Ansiedade e ataques de pânico

Asma

Coágulos de sangue

Doenças intestinais

Cistite

Depressão

Desintoxicação

Diabetes

Fadiga

Doença cardíaca

Hipertensão

Hipoglicemia

Insônia

Doença renal

Doença hepática

Enxaqueca

Doenças musculoesqueléticas (fibromialgia, cólicas, dor nas costas crônica, etc.)

Problemas nervosos

Obstetrícia e ginecologia (TPM, infertilidade, pré-eclâmpsia)

Osteoporose

Síndrome de Raynaud

Cárie dentária

5 Fatores Associados a Baixos Níveis de Magnésio

  1. Consumo excessivo de refrigerante ou cafeína
  2. Menopausa
  3. Idade avançada (os adultos mais velhos são mais propensos à deficiência de magnésio porque a absorção diminui com a idade e os idosos são mais propensos à ingestão de medicamentos que podem interferir em sua absorção)
  4. Certos medicamentos, incluindo diuréticos, certos antibióticos (como gentamicina e tobramicina), corticosteroides (prednisona ou Deltasone), antiácidos e insulina
  5. Um sistema digestivo insalubre, que prejudica a capacidade do organismo de absorver magnésio (doença de Crohn, intestino com vazamento, etc.)

É Possível Obter Suficiente Quantidade de Magnésio Somente Através da Dieta?

Algas e legumes de folhas verdes, como o espinafre e a acelga podem ser excelentes fontes de magnésio, assim como alguns feijões, nozes e sementes, como sementes de abóbora, girassol e gergelim. Abacates também contêm magnésio.

Fazer suco de legumes é uma ótima opção para garantir que você esteja recebendo quantidade suficiente deles em sua dieta. No entanto, a maioria dos alimentos cultivados atualmente é deficiente em magnésio e outros minerais, portanto a obtenção de quantidade suficiente deles não é simplesmente uma questão de ingerir alimentos ricos em magnésio (embora isso também seja importante).

Herbicidas, como o glifosato, também atuam como quelantes, bloqueando efetivamente a absorção e a utilização de minerais em diversos alimentos cultivados hoje. Como resultado, pode ser bem difícil encontrar alimentos verdadeiramente ricos em magnésio.

Cozimento e processamento esgotam ainda mais o magnésio dos alimentos. Se você optar por um suplemento, lembre-se de que existe uma grande variedade de suplementos contendo magnésio no mercado, porque o magnésio deve estar ligado à outra substância. Simplesmente não existe um suplemento 100% de magnésio.

A substância utilizada em qualquer composto pode afetar a absorção e biodisponibilidade do magnésio, e pode fornecer benefícios à saúde ligeiramente diferentes ou direcionados. A tabela a seguir resume algumas das diferenças entre as várias formas.

O treonato de magnésio é provavelmente uma das melhores fontes, pois parece penetrar nas membranas celulares, incluindo sua mitocôndria, o que resulta em níveis de energia mais elevados. Além disso, ele também penetra na sua barreira hematoencefálica e parece fazer maravilhas para tratar e prevenir a demência e melhorar a memória.

Além de consumir um suplemento, outra maneira de melhorar o seu nível de magnésio é tomar regularmente banhos de sal de Epsom ou banhos de pés. O sal de Epsom é um sulfato de magnésio que pode ser absorvido pelo seu organismo através da pele. O óleo de magnésio também pode ser usado para aplicação tópica e absorção.

Qualquer que seja o suplemento que você escolher, certifique-se de evitar qualquer um que contenha estearato de magnésio, um aditivo comum, porém potencialmente perigoso.

O glicinato de magnésio é uma forma quelatada de magnésio que tende a fornecer os mais altos níveis de absorção e biodisponibilidade e normalmente é considerado ideal para aqueles que estão tentando corrigir uma deficiência

O óxido de magnésio é um tipo de magnésio não quelado, ligado a um ácido orgânico ou a um ácido graxo. Contém 60 por cento de magnésio e tem propriedades de amolecimento do bolo fecal

O cloreto de magnésio / lactato de magnésio contém apenas 12 por cento de magnésio, mas tem uma absorção melhor do que outros, como o óxido de magnésio, que contém cinco vezes mais magnésio

O sulfato de magnésio / hidróxido de magnésio (leite de magnésia) são normalmente utilizados como laxantes. Esteja ciente de que é fácil sofrer uma overdose com estes, portanto SOMENTE tome a dose indicada

O carbonato de magnésio, que tem propriedades antiácidas, contém 45% de magnésio

O taurato de magnésio contém uma combinação de magnésio e taurina, um aminoácido. Juntos, eles tendem a proporcionar um efeito calmante no organismo e mente

O citrato de magnésio é magnésio com ácido cítrico, com propriedades laxantes

O treonato de magnésio é um recente e emergente tipo de suplemento de magnésio que parece promissor, principalmente devido à sua capacidade superior de penetrar na membrana mitocondrial e pode ser o melhor suplemento de magnésio no mercado

O Magnésio Deve ser Adequadamente Equilibrado para se ter uma Saúde Ideal

Sempre que você estiver tomando magnésio, você também precisa tomar cálcio, vitamina D3 e vitamina K2, uma vez que todos eles trabalham sinergicamente entre si. Quantidades excessivas de cálcio sem o contrabalanceamento do magnésio, por exemplo, podem levar a um ataque cardíaco e morte súbita.

Se você tem muito cálcio e não suficiente magnésio, seus músculos tendem a entrar em espasmos, e isso provoca consequências, particularmente para o coração.

"O que acontece é que as funções muscular e nervosa, pelas quais o magnésio é responsável, são reduzidas. Se você não tem magnésio suficiente, seus músculos entrarão em espasmos. O cálcio faz com que os músculos se contraiam. Se você tivesse um equilíbrio, os músculos cumpririam com suas funções. Eles relaxam, contraem e desempenham sua função," explica a Dra. Dean.

Ao equilibrar cálcio e magnésio, mantenha em mente que estes devem ser equilibrados com vitaminas K2 e D. Esses quatro nutrientes realizam juntos uma dança intrincada, um apoiando o outro. A falta de equilíbrio entre esses nutrientes é o motivo pelo qual os suplementos de cálcio se tornaram associados a um aumento no risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, e por que algumas pessoas experimentam toxicidade de vitamina D.

Etapas Adicionais para Diminuir o Risco de Desenvolvimento de Diabetes Tipo 2

Troque os alimentos processados, todas as formas de açúcar, particularmente frutose, bem como todos os grãos, por alimentos integrais e frescos. Uma das principais razões para o fracasso no tratamento convencional da diabetes nos últimos 50 anos tem a ver com recomendações dietéticas bastante erradas.

A frutose, grãos e outros carboidratos amiláceos formados por açúcar são em grande parte responsáveis pelas reações adversas à insulina do organismo, e todos os açúcares e grãos - até grãos "saudáveis", mesmo aqueles orgânicos e integrais, precisam ser drasticamente reduzidos.

Se você tem resistência à insulina / leptina, tem diabetes, pressão alta, doenças cardíacas ou está com excesso de peso, seria importante limitar sua ingestão total de frutose a 15 gramas por dia até que sua resistência à insulina / leptina seja resolvida.

Os alimentos processados são a principal fonte de todos os culpados primários, incluindo o xarope de milho de alta frutose e outros açúcares, grãos processados, gorduras trans, adoçantes artificiais e outros aditivos sintéticos que podem agravar a disfunção metabólica. Além de frutose, a gordura trans (NÃO gordura saturada) aumenta o risco de diabetes, interferindo com seus receptores de insulina.

As gorduras saturadas saudáveis não fazem isso. Uma vez que você esteja cortando muita energia (carboidratos) da sua dieta ao reduzir açúcares e grãos, você precisa substituí-los por algo. A substituição ideal é uma combinação de:

Quantidade baixa a moderada de proteína de alta qualidade. Quantidades substanciais de proteína podem ser encontradas em carnes, peixes, ovos, produtos lácteos, legumes e nozes. Ao selecionar proteínas de origem animal, certifique-se de optar por carnes, ovos e produtos lácteos cultivados organicamente, de animais alimentados no pasto, para evitar possíveis complicações de saúde causadas por rações para animais geneticamente modificadas e pesticidas.

Gordura saudável de alta qualidade tanto quanto desejar (saturada e monoinsaturada). Para ter uma saúde ideal, a maioria das pessoas precisa que mais de 50 a 85 por cento de suas calorias diárias venham sob a forma de gorduras saudáveis. Boas fontes incluem coco e óleo de coco, abacates, manteiga, nozes e gorduras animais.

(Lembre-se, a gordura é elevada em calorias enquanto é pequena em termos de volume. Então, quando você olha para o seu prato, a maior porção deve ser a de legumes).

Exercite-se regularmente e intensamente. Estudos demonstraram que o exercício, mesmo sem perda de peso, aumenta a sensibilidade à insulina. O treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), que é um componente central do meu Programa de Peak Fitness, demonstrou melhorar a sensibilidade à insulina em até 24% em apenas quatro semanas.

Melhore seu índice de ômega-3 para ômega-6. A dieta ocidental atual tem muitas gorduras ômega-6 processadas e danificadas e muito pouco gordura ômega-3. As principais fontes de gorduras ômega-6 são o milho, a soja, canola, cártamo, amendoim e óleo de girassol (os dois primeiros tipicamente são geneticamente modificados, o que complica a questão).

A proporção ideal de ômega-6 para ômega-3 é de 1: 1. No entanto, a nossa relação deteriorou-se, ficando entre 20: 1 e 50: 1 a favor do ômega-6. Esta relação desequilibrada provoca consequências sérias para a saúde.

Para remediar isso, reduza o consumo de óleos vegetais (isto significa não cozinhar com eles e evitar alimentos processados) e aumente a sua ingestão de ômega-3 de origem animal, como o óleo de krill.

Mantenha níveis ideais de vitamina D durante todo o ano. As evidências apoiam fortemente a noção de que a vitamina D é altamente benéfica para a diabetes. A maneira ideal de aprimorar o nível de vitamina D é através da exposição regular ao sol, ou usando uma cama de bronzeamento de alta qualidade.

Como último recurso, considere fazer suplementação oral com monitoração regular de vitamina D para confirmar que você esteja recebendo vitamina D suficiente para fazer com que seus níveis de sangue fiquem na faixa terapêutica de 50-70 ng / ml.

Consiga um sono adequado de alta qualidade todas as noites. Ter um sono insuficiente parece aumentar o estresse e o açúcar no sangue, incentivando a resistência à insulina e a leptina e o ganho de peso.

Mantenha um peso corporal saudável. Se você incorporar as mudanças na dieta e no estilo de vida sugeridas acima, você melhorará muito sua sensibilidade à insulina e à leptina, e com o tempo você terá um peso corporal saudável.

Determinar o seu peso corporal ideal depende de uma variedade de fatores, incluindo altura, idade, nível de atividade geral e genética. Como orientação geral, você pode achar útil usar uma tabela de índice de tamanho de quadril para cintura.

Isso é muito melhor do que o IMC para avaliar se você pode ou não ter um problema de peso, já que o IMC não leva em consideração a musculatura nem a massa gordurosa intra-abdominal (gordura visceral perigosa que se acumula nos órgãos internos) que é um indicador potente da sensibilidade à leptina e de problemas de saúde associados a isso.

Incorpore jejum intermitente. Se você seguiu cuidadosamente as orientações de dieta e exercício e ainda assim não está fazendo progresso suficiente com relação ao peso ou saúde em geral, eu recomendo fortemente que você incorpore o jejum intermitente à dieta. Isso efetivamente imita os hábitos alimentares de nossos antepassados, que não tinham acesso a supermercados ou alimentos o tempo todo.

Aprimore a saúde intestinal. Seu intestino é um ecossistema vivo, cheio de bactérias boas e ruins. Múltiplos estudos demonstraram que as pessoas obesas têm diferentes bactérias intestinais às das pessoas magras.

Quanto mais bactérias boas você tiver, mais forte será o seu sistema imunológico e melhor seu corpo funcionará de forma geral. Felizmente, aprimorar a flora intestinal é relativamente fácil. Você pode replantar boas bactérias no seu corpo consumindo regularmente alimentos fermentados (como natto, queijo orgânico cru, miso e legumes fermentados).