Doença de Alzheimer — sim, ela pode ser prevenida!

Prevenção de Alzheimer

Resumo da matéria -

  • Como não existe uma cura convencional para o Alzheimer, a prevenção é fundamental se você quer ficar fora da estatística dessa doença. As evidências indicam o estilo de vida, principalmente a dieta, como o fator que causa a demência
  • Evitar gorduras e consumir carboidratos em excesso está no cerne da epidemia do Alzheimer
  • O risco da doença é duplicado nas pessoas com diabetes tipo 2. O Alzheimer já foi até apelidado de "diabetes tipo 3", uma vez que a doença inclui um tipo de insulina produzida pelo cérebro
  • A doença cardíaca também aumenta o risco de demência, já que a rigidez arterial está associada ao acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, uma característica da doença de Alzheimer
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Por Dr. Mercola

Estima-se que 5,4 milhões de pessoas tenham a doença de Alzheimer, uma forma grave de demência, e centenas de milhares mais podem sofrer de um subtipo diagnosticado erroneamente, chamado de Alzheimer "que não afeta o hipocampo", segundo descobertas recentes.

Conforme abordado pela Dra. Danielle Ofri em um blog recente do New York Times, perder a consciência e, junto com ela, a personalidade e a dignidade, é uma ideia aterrorizante. Para piorar ainda mais, vários médicos evitam falar da demência — seja com colegas ou com pacientes.

Os motivos são muitos. A Dra. Ofri sugere que o Alzheimer ataca o núcleo emocional de vários médicos, cujas carreiras dependem da estabilidade e do funcionamento de suas próprias mentes e inteligência. Em poucas palavras, é muito assustador falar disso.

No entanto, eu discordo veementemente de seu comentário sobre a falta de estratégias para evitar ou modificar o curso do Alzheimer. Embora sejam poucos os exames de diagnóstico precoce e quase inexistentes os tratamentos bem-sucedidos, as evidências mostram que há muita esperança quando se trata de prevenção!

É exatamente por isso que os médicos precisam dar início ao programa e começar a orientar seus pacientes para estilos de vida mais saudáveis em vez de cair na armadilha de pensar que a situação é desesperançosa e que seus pacientes são vítimas indefesas.

Doenças cardíacas podem aumentar a chance de desenvolver Alzheimer

Acredito firmemente que como não existe uma cura convencional, agora ou em um futuro próximo, a prevenção é fundamental se você quer ficar fora da estatística do Alzheimer.

O ideal seria que os médicos começassem a aconselhar os pacientes de 20 e 30 anos sobre estratégias de estilos de vida que ajudem na saúde do coração e do cérebro durante toda a vida. Com isso, veríamos provavelmente uma grande mudança na estatística do Alzheimer nessa geração.

Tal como estão, as evidências indicam o estilo de vida, principalmente a dieta, como o fator que causa a demência Existem também várias conexões entre o Alzheimer e outras doenças relacionadas à alimentação, como diabetes e doenças cardíacas, o que sugere que TODAS essas doenças podem ser prevenidas com os mesmos meios.

Por exemplo, uma pesquisa anterior sugere que os diabéticos tem risco duas vezes maior de desenvolver a doença de Alzheimer. A doença de Alzheimer foi até apelidada temporariamente de "diabetes tipo 3" em 2005, quando os pesquisadores descobriram que o cérebro produz insulina, necessária para a sobrevivência das células cerebrais.

Eles descobriram que uma proteína tóxica chamada ADDL elimina os receptores de insulina das células nervosas, fazendo com que esses neurônios fiquem resistentes à insulina, e, à medida que as ADDLs se acumulam, a memória começa a se deteriorar. Uma pesquisa recente também indica que as doenças cardíacas aumentam as chances de desenvolver Alzheimer.

Como prevenir a doença de Alzheimer — um neurologista dá sua opinião

No ano passado e em março deste ano, entrevistei o Dr. David Perlmutter, autor do best-seller do New York TimesGrain Brain. Na minha opinião, o Dr. Perlmutter é provavelmente o principal neurologista de medicina integrativa nos Estados Unidos, e sua recomendação é clara: O Alzheimer pode ser prevenido com a alimentação certa. 

Depois de passar anos tratando os sintomas neurológicos das pessoas, ele ficou cada vez mais frustrado com a falta de capacidade da sua profissão de chegar até a causa básica. Essa frustração acabou levando-o a investigar o papel da nutrição, e ele se convenceu de que a disfunção cerebral está enraizada em nossa dieta moderna rica em grãos. Segundo o Dr. Perlmutter:

"[O Alzheimer] é uma doença que pode ser prevenida. Fico surpreso que ninguém esteja falando sobre o fato de que tantos desses problemas neurológicos devastadores possam, na realidade, ser modificados com base em suas escolhas de estilo de vida... 

O que já descobrimos de concreto até agora, basicamente, é que as dietas ricas em açúcar e carboidratos e as dietas semelhantes com baixo teor de gordura são devastadoras para o cérebro. Quando você tem uma dieta com carboidratos, você está criando o caminho para a doença de Alzheimer.

Quero ser muito claro sobre isso. Os carboidratos alimentares levam ao mal de Alzheimer. É uma declaração forte, mas também poderosa quando percebemos que podemos controlar a nossa dieta. Controlamos as nossas escolhas, seja a favor de gorduras ou carboidratos".

Seu livro, Grain Brain, mostra como e por que os açúcares e carboidratos destroem o cérebro, e como comer para ter saúde neurológica. Ele lembra a pesquisa da Mayo Clinic que revela que as dietas ricas em carboidratos estão associadas a um risco 89% maior de demência, enquanto as dietas ricas em gordura estão associadas a um risco 44% menor.

Essa combinação de pouquíssimo açúcar e carboidratos, juntamente com quantidades mais altas de gorduras saudáveis, é CRUCIAL para tratar não só do Alzheimer, mas também do diabetes e de doenças cardíacas.

Todos esses problemas estão enraizados na resistência à insulina e à leptina, e a resposta alimentar é idêntica para todos eles. Entender isso pode facilitar sua vida, já que não será preciso memorizar o que se pode ou não fazer para cada doença que você busca evitar.
Em vez disso, o que você precisa fazer é mudar para uma mentalidade voltada para melhorar a saúde. A prevenção de doenças começa então a ser um "efeito colateral" favorável.

Alzheimer está diretamente relacionado a níveis elevados de açúcar no sangue

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine em agosto de 2013 mostra que até mesmo um leve aumento do açúcar no sangue (aproximadamente 105 ou 110) está associado ao risco elevado de demência.

O Dr. Perlmutter acredita que é muito importante que os médicos conheçam essa conexão e que parem de subestimar os riscos associados até mesmo ao leve aumento de açúcar no sangue.

Então qual é o nível ideal de açúcar no sangue em jejum?

O Dr. Perlmutter sugere que qualquer nível acima de 92 ou 93 é muito alto. Ele acredita que o nível ideal em jejum seja cerca de 70-85, sendo 95 o nível máximo. Se o nível de açúcar no sangue em jejum for acima de 95 mg/dl, é hora de cuidar de sua dieta para baixá-lo.
Se você está adaptado à queima de gorduras, não há motivos para evitar níveis abaixo de 70, uma vez que seu corpo consegue recorrer à gordura corporal como fonte de energia. Segundo o Dr. Perlmutter:

"Essa ideia de que seu corpo precisa de açúcar é bem antiga. A gordura, principalmente as cetonas, que seu corpo produz ao metabolizar a gordura, é chamada agora de "supercombustível do cérebro".

Existe até mesmo um produto farmacêutico, um alimento médico que se pode receitar, que aumenta o nível de cetonas ou gordura no fluxo sanguíneo dos pacientes, oferecido agora como um tratamento para a doença de Alzheimer. Quem imaginava? A questão é que o cérebro adora queimar gordura. É isso que temos que fazer..."

A importância das gorduras saturadas para o funcionamento saudável do cérebro

A dieta de nossos ancestrais era muito alta em gorduras saturadas e praticamente sem nenhum carboidrato não vegetal. Hoje, não só ingerimos quantidades enormes de carboidratos, mas eles também são refinados e altamente processados. Na última década, também passamos a consumir açúcar e grãos geneticamente modificados (beterraba e milho transgênico).

Para aumentar ainda mais o estrago, nos últimos 60 anos, autoridades médicas tradicionais alertaram que as gorduras saturadas causam doenças cardíacas e devem ser altamente restringidas. 

Essa fobia inapropriada de gorduras teve, sem dúvida nenhuma, um papel importante no aumento drástico de demência e outras doenças neurológicas, pois o cérebro não pode funcionar corretamente sem gorduras! O tipo de gordura que você come faz toda a diferença.

Você deve evitar todas as gorduras trans ou gorduras hidrogenadas que foram modificadas de modo a estender sua longevidade na prateleira do supermercado. Entre elas estão a margarina, óleos vegetais e várias pastas parecidas com manteiga. Entre as fontes de gorduras saudáveis a serem incluídas na sua dieta estão:

Abacates

Manteiga feita de leite orgânico de vacas alimentadas com pasto

Laticínios crus

Gemas de ovos orgânicos

Coco e óleo de coco (o óleo de coco mostra ser, na realidade, uma promessa como tratamento eficaz do Alzheimer)

Óleos de nozes orgânicas sem aquecimento

Nozes cruas, como macadâmia e pecã, com baixo teor de proteína e alto teor de gorduras saudáveis

Carnes de animais ou aves alimentados com pasto

Outras recomendações alimentares

A seguir um resumo simples de estratégias relacionadas à alimentação que ajudarão a melhorar o funcionamento do cérebro e a evitar o Alzheimer:

  • Evite açúcar e frutose refinada. O ideal é que você reduza ao máximo os níveis de açúcar e mantenha a frutose total abaixo de 25 gramas por dia, ou até 15 gramas por dia se você tiver resistência à insulina/leptina ou algum transtorno relacionado.
  • Evite o glúten e a caseína (principalmente o trigo e laticínios pasteurizados, mas não a gordura de laticínios, como a manteiga). Pesquisas mostram que a barreira hematoencefálica é afetada negativamente pelo glúten. O glúten também torna o seu intestino mais permeável, o que permite que as proteínas entrem no seu fluxo sanguíneo, lugar onde não pertencem. Isso sensibiliza o sistema imunológico e causa inflamação e autoimunidade, as quais exercem um papel no desenvolvimento do Alzheimer.
  • Melhore sua flora intestinal ingerindo regularmente alimentos fermentados ou tomando um suplemento probiótico de alta potência e alta qualidade.
  • Aumente o consumo de todas as gorduras saudáveis, inclusive ômega 3 de origem animal. As gorduras que promovem a saúde que seu cérebro precisa para o funcionamento ideal estão listadas a seguir. Além disso, certifique-se de ingerir quantidades suficientes de gorduras ômega 3 de origem animal, como o óleo de krill.

    (Recomendo evitar a maioria dos peixes porque embora eles tenham naturalmente alto teor de ômega 3, a maioria está gravemente contaminada com mercúrio agora.) A alta ingestão dos ácidos graxos EPA e DHA da família ômega 3 ajuda a evitar danos celulares causados pela doença de Alzheimer, desacelerando seu avanço e reduzindo o risco de desenvolver a doença.
  • Reduza o consumo total de calorias e/ou faça o jejum intermitente. As cetonas são mobilizadas toda vez que você substitui os carboidratos por óleo de coco e outras fontes de gorduras saudáveis. Conforme mencionado acima, o jejum intermitente é uma ferramenta poderosa para acionar a memória do corpo de como queimar gordura e reparar a resistência à insulina/leptina que também é um fator contribuinte para o Alzheimer.
  • Aumente seus níveis de magnésio. Existem pesquisas preliminares incríveis que indicam uma redução nos sintomas do Alzheimer com níveis maiores de magnésio no cérebro. Infelizmente, a maioria dos suplementos de magnésio não supera os níveis sanguíneos no cérebro, mas um novo, o treonato de magnésio, parece ser uma promessa no tratamento futuro desse problema, podendo ser superior a outras formas.
  • Tenha uma alimentação nutritiva, rica em ácido fólico. As hortaliças, sem dúvida alguma, são a melhor fonte de ácido fólico, e todos nós devemos comer boas quantidades de vegetais crus e frescos todos os dias. Evite suplementos de ácido fólico, que são a versão sintética inferior do ácido fólico natural.