Tratamento Psoríase

Resumo da matéria

  • Embora a psoríase pareça ser um problema de pele, ela é, na realidade, uma doença autoimune
  • A exposição periódica da pele afetada à luz solar e o aumento dos níveis de vitamina D são um dos melhores tratamentos para a psoríase
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Por que o tratamento de psoríase custa bilhões de dólares

9 Agosto 2016 | 41,162 Visualizações |

Por Dr. Mercola

A psoríase é uma doença crônica do sistema imunológico que faz com que as células se acumulem na superfície da pele, provocando manchas vermelhas, espessas e escamosas que coçam muito e doem às vezes.

Um novo estudo publicado no JAMA Dermatology revelou que os custos diretos de saúde relacionados ao tratamento de psoríase chegam a 63 bilhões de dólares ao ano apenas nos Estados Unidos, imagine no mundo todo. Há também os custos indiretos (como perda das horas de trabalho) de até 35 bilhões de dólares e mais 35 bilhões de dólares associados a problemas de saúde relacionados, como doença cardíaca e depressão.

A psoríase é mais do que um problema cutâneo superficial

Embora a psoríase pareça ser um problema de pele, ela é, na realidade, uma doença autoimune. Parte da reação ocorre quando um tipo de glóbulo branco chamado célula T ataca, por engano, células cutâneas saudáveis.

Essas células T superativas acionam então outras respostas imunológicas que, em conjunto, aceleram o ciclo de desenvolvimento das células cutâneas, fazendo com que se movam para a camada mais externa da pele em questão de dias, em vez de semanas.

Como a pele morta não pode ser removida suficientemente rápido, ela forma as manchas espessas características da psoríase. Em até 60% das pessoas com psoríase, o problema causa grave impacto no seu dia a dia.

A pele pode ficar tão inflamada que racha e sangra. Até 30% das pessoas que sofrem com isso também desenvolvem artrite psoriática, que pode causar danos de deterioração às articulações.

As pessoas com psoríase também têm maior risco de desenvolver várias outras doenças crônicas, como problemas nos olhos, diabetes tipo 2, pressão alta e doenças cardíacas. E ainda há os reflexos psicológicos.

Aqueles que não estão familiarizados com a psoríase podem vê-la como uma erupção contagiosa, e, como consequência, as pessoas com essa doença podem ser isoladas e excluídas socialmente. As pessoas com psoríase geralmente sofrem de depressão, baixa autoestima, isolamento social e problemas no trabalho, que podem levar a uma renda menor.

A vitamina D é crucial para doenças autoimunes, como a psoríase

Se você tem psoríase, é fundamental examinar os níveis de vitamina D e mantê-los na faixa terapêutica de 50-70 ng/ml durante todo o ano. A vitamina D é um potente modulador imunológico, muito importante na prevenção de doenças autoimunes.

Segundo um estudo, “a vitamina D pode ter importantes efeitos imunomoduladores na psoríase”, mas, infelizmente, 80% dos pacientes no inverno, e 50% no verão, tinham deficiência de vitamina D.

Fala-se que a vitamina D afeta a psoríase em vários níveis, ela ajuda regular o desenvolvimento e a diferenciação de queratinócitos (célula cutânea) e influencia as funções imunológicas dos linfócitos T e outras células. A vitamina D também inibe as células T citotóxicas e a atividade celular naturalmente destruidora, ajudando a regular o desenvolvimento das células cutâneas.

Na realidade, são usados como tratamento tópico para a psoríase não só derivados da vitamina D; a fototerapia também é um tipo preferido de tratamento.

Existe pelo menos um relatório publicado de um tipo específico de psoríase induzido por droga, resolvido após a administração de altas doses de vitamina D3 para tratar a deficiência de vitamina D.

Os tratamentos existentes com medicamentos para a psoríase são caros e arriscados. A NPR acompanhou um homem com psoríase que havia tomado diversos medicamentos para a doença, inclusive drogas experimentais, e ainda estava sofrendo.

Um dos remédios, o Raptiva, foi retirado do mercado devido ao aumento no risco de infecções cerebrais mortais. O outro, Stelara, funcionou, mas somente por cinco anos, quando os sintomas voltaram. Nesses cinco anos, ele informou que o custo com medicamentos chegou a 250.000 dólares.

Um dos tratamentos mais comuns para a psoríase é a droga psoraleno combinada à exposição à luz UV (conhecida como PUVA). O psoraleno deixa sua pele mais sensível à luz UV, mas é geralmente combinada à exposição a raios UVA. Os raios UVA são do tipo associado a danos à pele, enquanto a luz UVB faz com que sua pele produza vitamina D.

Aumente os níveis de vitamina D se você tem psoríase

Geralmente, o melhor tratamento da psoríase é a exposição à luz solar para melhorar os níveis de vitamina D. Você não precisa visitar um dermatologista, você mesmo pode fazê-lo. 

Se o profissional falar abertamente contra esta ideia isso poderá ser oneroso para você. Em 2004, o Dr. Michael Holick publicou o livro The UV Advantage (O benefício UV), no qual ele incentivava os leitores a se exporem ao sol.

Naquela época, ele era professor de dermatologia devido ao trabalho que estava fazendo com a vitamina D ativa no tratamento da psoríase. Na realidade, ele havia recebido o Prêmio Americano em Pesquisa de Psoríase da Associação Americana de Dermatologia – uma premiação de alto prestígio.

"Como resultado, eu estava no departamento de dermatologia, continuando o trabalho nas pesquisas de psoríase. Mas assim que comecei a recomendar a exposição ao sol para obter vitamina D, o que vai contra a mensagem da Academia Americana de Dermatologia, me pediram que eu voltasse a ser professor de dermatologia em 2004...

A Academia Americana de Dermatologia ainda recomenda: você jamais deve se expor a raios solares diretos em toda a sua vida".

Isso é altamente ilógico, uma vez que as pesquisas mostram como a vitamina D é benéfica para a psoríase. A exposição solar funciona, em parte, porque os raios UV da luz solar e certos tipos de luz artificial matam as células T ativadas na sua pele.

Isso desacelera a renovação celular e reduz a escamação e inflamação da pele.

A exposição adequada à luz solar ajudará a situar os níveis de vitamina D dentro da faixa terapêutica, oferecendo também benefícios adicionais à saúde. Provavelmente, não é coincidência que as pessoas com psoríase, geralmente com deficiência de vitamina D, têm um risco maior de doenças crônicas, como doenças cardíacas e síndrome metabólica – também associadas à baixa vitamina D.

Baixa vitamina D associada ao mal de Parkinson e câncer

As pessoas com psoríase tem risco maior de apresentar mal de Parkinson, uma vez que a doença também está associada à deficiência de vitamina D. Segundo um estudo:

“Os níveis plasmáticos da vitamina D derivada dos alimentos e da luz solar estão correlacionados inversamente ao risco de mal de Parkinson (MP) … As descobertas indicam que os níveis baixos de vitamina D no MP não são simplesmente o resultado de menor mobilidade”.

Pesquisas apresentadas no Simpósio de Câncer Gastrointestinal 2015 em São Francisco também revelaram que níveis mais altos de vitamina D estão associados à maior taxa de sobrevivência em pessoas com câncer colorretal avançado. 

Nesse estudo, os indivíduos com os níveis mais altos de vitamina D tinham uma média de 27,5 ng/mL, muito abaixo da faixa ideal de 50-70 ng/mL. As teorias que associam a deficiência de vitamina D ao câncer foram testadas e confirmadas em mais de 200 estudos epidemiológicos e a compreensão de sua base fisiológica deriva de mais de 2.500 estudos em laboratório.

Um estudo particularmente notável foi realizado por Joan Lappe e Robert Heaney em 2007. Um grupo de mulheres na menopausa recebeu vitamina D suficiente e elevou seus níveis séricos para 40 ng/ml. Essas mulheres tiveram 77% de redução na incidência de todos os cânceres, todas elas, depois de apenas quatro anos (e, novamente, 40 ng/ml é um nível relativamente modesto). 

Até agora, os cientistas identificaram quase 3.000 genes influenciados pelo nível de vitamina D, e um grupo de pesquisa importante e em desenvolvimento mostra que a vitamina D é fundamental para a saúde ideal e prevenção contra doenças.

Já verificou seu nível de vitamina D recentemente?

Embora o nível ideal de saúde geral fique entre 50 e 70 ng/ml, ao tratar doenças crônicas como o câncer, doenças cardíacas e autoimunes (ou seja, psoríase) e/ou doenças neurológicas, o nível ideal deve ficar entre 70 e100 ng/ml, cerca de duas vezes o nível geralmente considerado “normal”.

vitamin d levels
Referências de faixas de níveis

É importante observar que a deficiência de vitamina D é comum em todo o mundo, até mesmo em áreas onde você suspeitaria que a maioria das pessoas se expõem bastante ao sol. Um estudo recente realizado na Índia revelou que 69% das 37.000 pessoas examinadas em todo o país apresentavam deficiência de vitamina D (em ou abaixo de 20 ng/ml) e outras 15% tinham níveis insuficientes (20-30 ng/ml).

Os homens com idades entre 31 e 60 e as mulheres entre 16 e 30 anos apresentaram o maior risco de deficiência de vitamina D, e os idosos também têm alto risco.

O método ideal para aumentar os níveis de vitamina D é através da exposição aos raios UVB. Também é possível usar um suplemento oral de vitamina D3. A GrassrootsHealth tem um gráfico útil que mostra a dose média necessária para os adultos terem níveis saudáveis de vitamina D com base no primeiro ponto de medição.

Vários especialistas concordam que 35 UIs de vitamina D por 450 gramas de peso corporal podem ser usados como estimativa da dose ideal, mas é necessário testar e monitorar seus níveis para ter certeza.

Se estiver tomando um suplemento de vitamina D, lembre-se também de K2 e magnésio

Se você optar tomar um suplemento, certifique-se de tomar vitamina D3 — e não a D2 sintética — e tome vitamina K2 e magnésio juntamente com ele. A vitamina D é solúvel em gordura, então, se você ingerir algum tipo de gordura saudável com ela isso ajudará a melhorar a absorção. A função biológica da vitamina K2 é direcionar o cálcio para as áreas certas do corpo, pois, sem as quantidades suficientes, o cálcio pode se acumular em regiões como artérias e tecidos moles. Isso pode causar a calcificação, levando ao enrijecimento das artérias — um efeito colateral que se pensava anteriormente ser causado pela toxicidade da vitamina D. Sabemos que a calcificação inadequada, na verdade, acontece mais devido à falta de K2 do que simplesmente ao excesso de vitamina D.

O magnésio também é importante tanto para a função adequada do cálcio quanto para a atividade da vitamina D já que ela transforma a vitamina D em sua forma ativa. O magnésio também aciona a atividade enzimática que ajuda seu corpo a usar a vitamina D.

Na verdade, todas as enzimas que metabolizam a vitamina D exigem magnésio para funcionar. Assim como as vitaminas D e K2, a deficiência de magnésio também é comum e se você a tem e toma suplemento de cálcio, pode piorar a situação.

Vitamina A, zinco e boro são outros fatores secundários importantes que interagem com a vitamina D. Com a ingestão de suplementos, pode ser fácil criar relações desequilibradas, portanto, sempre é melhor obter esses nutrientes a partir de uma alimentação orgânica e boa exposição ao sol.

Entre as fontes alimentares de magnésio estão os vegetais marinhos, como a laminária, palmaria palmata e nori. As hortaliças também podem ser uma boa fonte. Quanto aos suplementos, o citrato de magnésio e o treonato de magnésio estão entre os melhores.

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