A Capsaicina Pode de Fato Ajudar no Combate ao Câncer?


pimenta-malagueta vermelha

Resumo da matéria -

  • O câncer de mama é o tipo de câncer mais diagnosticado e possui quatro tipos diferentes, sendo que o mais agressivo é conhecido como triplo-negativo.
  • Pesquisas concluíram que a capsaicina encontrada nas pimentas-malaguetas, molécula responsável pela sensação picante na boca, pode reduzir a velocidade do crescimento das células cancerosas e aumentar a taxa de eliminação das células cancerosas triplo-negativas.
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Por Dr. Mercola

Estima-se que os cinco tipos de câncer mais diagnosticados sejam os de mama, pulmão, próstata, colorretal e melanoma (câncer de pele), nesta ordem.

A conexão entre a obesidade e o câncer e o alto número de receptores de insulina em células cancerosas faz com que uma dieta rica em açúcar e carboidratos represente um risco significativo para o desenvolvimento do câncer.

Um estudo realizado recentemente no Texas MD Anderson Câncer Center (Centro de Pesquisas sobre o Câncer MD Anderson no Texas - EUA) demonstrou uma ligação importante entre o açúcar e alguns tipos de câncer, especialmente o câncer de mama.

De acordo com estimativas, o câncer de mama será o tipo de câncer mais diagnosticado entre todos em 2017 e a quantidade de açúcar consumido na dieta padrão ocidental continua crescendo, portanto é importante avaliar suas opções nutricionais para reduzir o risco e aumentar as chances de um tratamento bem sucedido.

Curiosamente, um estudo realizado recentemente na Universidade Ruhr na Alemanha identificou o efeito positivo da molécula picante da pimenta-malagueta contra algumas das mais agressivas formas de câncer de mama.

Nem Todos os Tipos de Câncer de Mama são Iguais

Independente de raça ou etnia, o câncer de mama é o tipo de câncer mais diagnosticado. No entanto, com recentes avanços na identificação de marcadores genéticos em células cancerosas, cientistas têm sido capazes de classificar diferentes tipos de câncer de mama e igualmente formular protocolos para tratamentos mais efetivos.

Embora seja apresentado como doença única, o câncer de mama é classificado conforme o local em que é encontrado e o tipo de célula no tumor. A localização do tumor é importante tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento (se está localizado nos dutos ou nos lóbulos do tecido mamário), se está nas paredes ou se tornou invasivo, e a situação reprodutiva da mulher.

Marcadores biológicos também são usados para avaliar opções de tratamento e prognóstico. Estes marcadores incluem os tipos Luminal A, Luminal B, triplo-negativo e HER2. O mais agressivo desses subtipos é a célula triplo-negativa. O nome é derivado de células tumorais sendo a progesterona, o estrógeno e o HER2 receptores negativos.

Dentro do subtipo triplo-negativo, há vários outros subconjuntos. Entre 15% e 20% de todos os cânceres de mama diagnosticados são triplo-negativos, com tendência a ocorrer mais frequentemente entre mulheres jovens e mulheres afro-americanas.

A maioria dos cânceres desenvolvidos em mulheres com mutação genética BRCA1 é tanto o triplo-negativo como o basal. Uma pesquisa realizada recentemente testou este subtipo mais agressivo de câncer de mama, tumores triplo-negativos, tipo basal.

As Células Cancerosas Sucumbem à Capsaicina

O ingrediente ativo da pimenta-malagueta é a capsaicina, que é a substância que faz sua boca “queimar” e que dá à pimenta o odor pungente. De acordo com pesquisas realizadas recentemente, a capsaicina também inibe o crescimento de células cancerosas na mama.

Usando as células agressivas triplo-negativas do câncer de mama, pesquisadores conduziram experimentos para a determinação do efeito da capsaicina nas células cancerosas.
A equipe primeiramente confirmou a presença de receptores olfativos nas células cancerosas chamados Canais Receptores de Potencial Transitório (TRPV1), que são normalmente ativados pela capsaicina e o odor de brisa do mar fresca. Em seguida, ativaram estas células receptoras adicionando a capsaicina às culturas celulares de várias horas até vários dias.

Como resultado, as células tumorais começaram a multiplicar-se de forma muito mais lenta e começaram a morrer em larga escala. As células sobreviventes também perderam a capacidade de mover-se rapidamente e reduziram sua capacidade de levar à metástase ou desenvolver crescimento secundário longe do local primário.

Estudos realizados no passado demonstraram a atividade antiproliferativa da capsaicina, porém a base molecular promotora da morte da célula não havia sido identificada.
Pesquisas existentes também sugeriram que os canais receptores de potencial transitório (TRP) desempenhavam um importante papel influenciador no crescimento da célula cancerosa.

Um daqueles canais receptores era olfativo, o TRPV1.

O objetivo deste último estudo era investigar como a expressão dos canais TRP no tecido do câncer de mama poderia influenciar o crescimento da célula, e como ela pode ser usada nos protocolos de tratamento. A Dr. Lea Weber, coautora do estudo, comentou:

"Neste estudo, objetivamos identificar os canais TRP em diferentes subtipos de câncer de mama e investigar o efeito do ligante TRPV1 na progressão desse tipo de câncer.

Até onde sabemos, nenhum estudo conduziu pesquisa comparativa em larga escala dos perfis da expressão dos canais TRP nas linhas celulares do câncer de mama.

Em nossas experiências, foi observada uma redução significativa na proliferação celular após o estímulo da capsaicina. Este resultado foi ao encontro dos resultados de outros cientistas que demonstraram um decréscimo significativo na taxa de crescimento celular do câncer de mama MCF-7, devido ao estímulo da capsaicina."

A Combinação do Gengibre com a Pimenta-Malagueta Pode Promover a Atividade Anticancerígena

Enquanto a capsaicina em si é uma molécula poderosa, se combinada com o 6-gingerol encontrado na raiz do gengibre cru torna-se ainda mais importante para sua saúde. Em um estudo realizado recentemente, pesquisadores descobriram que ratos suscetíveis ao câncer de pulmão tiveram uma redução no diagnóstico quando alimentados com uma combinação dos ingredientes capsaicina e 6-gingerol.

Juntas, as duas substâncias tiveram um aumento na capacidade de ligar-se a um receptor responsável pelo crescimento da célula tumoral. Esta capacidade reduziu o potencial para o desenvolvimento do câncer de pulmão nas cobaias.

Ao longo do estudo, os pesquisadores alimentaram um grupo de animais somente com capsaicina, outro grupo somente com o 6-gingerol e um terceiro grupo com uma combinação de ambos os ingredientes.

Enquanto estavam sob observação, todos os ratos que receberam a capsaicina desenvolveram tumores no pulmão, metade dos ratos que receberam o 6-gingerol desenvolveu tumores no pulmão, porém somente 20% dos ratos que receberam a combinação desenvolveram o câncer.

No entanto, mesmo sozinhos, tanto o gengibre como a capsaicina possuem efeitos poderosos para a saúde. O gengibre possui um longo histórico como calmante de náuseas relacionadas a cirurgias, enjôos matinais e quimioterapia.

As propriedades anti-inflamatórias têm promovido alívio a várias pessoas contra a dor da osteoartrite. Como o gengibre também aumenta a mobilidade do trato gastrointestinal, ele tem sido usado no tratamento de indigestão crônica.

Redução significativa da dor associada às disfunções menstruais, redução dos níveis de colesterol e melhora da função cerebral são outros benefícios associados ao gengibre.
A capsaicina também possui uma longa lista de benefícios incluindo a inibição da transmissão da dor que pode ajudar a prevenir dores de cabeça e inflamações no corpo.

A pimenta-malagueta também possui mais vitamina C que a laranja, auxiliando o sistema imunológico.

As Influências da Dieta e da Nutrição Sobre o Câncer

Após sua luta contra o câncer, o Dr. Gary Fettke percebeu a influência da nutrição sobre o câncer e a importância da dieta rica em gorduras saudáveis e pobre em net carbs (carboidrato total menos fibra, por exemplo carboidratos sem fibra).

Neste vídeo, Fettke explica o modelo metabólico do câncer e como você pode usar este conhecimento para prevenir crescimentos anormais e ajudar a tratar aqueles que já ocorreram.

Simplesmente mencionando, cientistas pensavam que defeitos genéticos eram tipicamente os responsáveis pelo desenvolvimento do câncer. No entanto, estas mudanças, na verdade, acontecem após a ocorrência de um dano mitocondrial. Esta disfunção está no âmago de todas as doenças, colocando a mitocôndria no centro de qualquer estratégia de bem-estar ou prevenção de doenças.

A mitocôndria produz energia de forma aeróbica na célula. Na presença do oxigênio, as células cancerosas produzem ácido lático em excesso, normalmente produzido na atividade anaeróbica. Chamada de Efeito Warburg em homenagem ao Dr. Otto Warburg, esta atividade indica que as células cancerosas são alimentadas pelo açúcar e não são capazes de usar gordura como combustível.
Células normais possuem flexibilidade para usar tanto o açúcar como as gorduras, porém as células cancerosas são limitadas principalmente ao açúcar.

Uma vez que o câncer pode ser classificado, de forma precisa, como uma doença metabólica mitocondrial, a boa notícia é que você pode aprimorar a função mitocondrial através de escolhas de estilo de vida, reduzindo, assim, o potencial de desenvolvimento de câncer ou, ainda, para aumentar a possibilidade de sucesso do tratamento.

O processo inflamatório é o principal condutor da doença e vários dos principais culpados para o aumento desta resposta são as gorduras poli-insaturadas (PUFAs), as gorduras trans, os ingredientes artificiais e o açúcar em todas as formas, incluindo grãos refinados e xarope de milho com alta frutose.

Com a redução no consumo de net carbs, você reduz os processos inflamatórios e quando a inflamação desaparece, seu organismo pode ser curado.

O câncer necessita da glicose como combustível e da matéria-prima das células adjacentes para continuar a crescer. O processo que o câncer usa para invadir o tecido adjacente é conhecido como Efeito Warburg Reverso, dependente da geração de peróxido de hidrogênio disparada pelos radicais livres do oxigênio e pela água.

Fettke explica estes processos no vídeo apresentado. A compreensão destes conceitos apresenta um novo protocolo de prevenção do câncer e estratégias de tratamento.

Estratégias que Podem Prevenir o Câncer (table)

Consuma Alimentos Frescos
Evite alimentos processados e açúcar para evitar alimentar as células cancerosas. Limite ou elimine óleos PUFA e gorduras trans. Limite a quantidade de proteína para 1 grama por quilo de massa magra, aumente o consumo de vegetais orgânicos frescos (consumo de antioxidantes) para combater os danos causados por radicais livres e aumente as fontes de gordura orgânica de alta qualidade como abacate, manteiga natural, sementes, castanhas e casca de cacau.

Pare de Comer, Pelo Menos, Três Horas Antes de Ir para a Cama
Há evidências claras que demonstram que alimentar suas mitocôndrias no momento em que elas não precisam de alimento aumenta o vazamento de um grande número de elétrons que liberam formas de oxigênio reativo (radicais livres), danificando as mitocôndrias e eventualmente o DNA nuclear.

Melhore seu Nível de Vitamina D
A Vitamina D influencia virtualmente cada célula de seu organismo e é um dos mais potentes combatentes naturais do câncer. A Vitamina D é capaz de invadir as células cancerosas e desencadear a apoptose (morte da célula). A Vitamina D trabalha de forma sinergética com todos os tratamentos de câncer que conheço sem efeitos colaterais.

Limite o Consumo de Proteína
Para simplificar a reação, usada no metabolismo da proteína, acredito ser importante limitar a quantidade de proteína para 1 grama de proteína por quilo de massa magra. Isto significa, grosseiramente, 40 a 70 gramas de proteína por dia para a maioria das pessoas.

Mantenha um Peso Saudável
Isto acontecerá naturalmente quando você começar a consumir uma dieta pobre em carboidratos e rica em gorduras saudáveis e incluir uma rotina consistente de exercícios. É importante perder excesso de gordura corporal porque a gordura produz estrógeno e a obesidade está associada a altas taxas de desenvolvimento de câncer.

Faça Exercícios Regularmente
Uma das principais razões de o exercício funcionar na redução do desenvolvimento de câncer é porque ele reduz seus níveis de insulina e regula seus receptores de leptina – duas maneiras poderosas de prevenir inflamações e o crescimento de células cancerosas. A apoptose (morte programada da célula) é desencadeada com o exercício, promovendo a morte das células cancerosas.

O exercício pode também ajudar na redução dos níveis de estrogênio, o que explica seu potente combate ao receptor positivo do estrogênio do câncer de mama. O exercício também aumenta a criação de mitocôndrias, essenciais no combate ao câncer.

Melhore a Sensibilidade do Receptor de Insulina e Leptina
A melhor e mais eficiente maneira de ativar a sensibilidade do receptor de insulina e de leptina é evitar o açúcar e grãos e restringir o consumo de carboidratos sem fibra para menos de 100 gramas por dia, e incluir exercícios regulares à rotina, especialmente treinos intervalados de alta intensidade.

Elimine Produtos de Soja não Fermentados
A soja não fermentada é rica em estrogênios vegetais, ou fitoestrogênios, também conhecidos como isoflavonas. Em alguns estudos, a soja funcionou juntamente com o estrogênio humano aumentando a proliferação do câncer de mama, o que aumenta as chances de mutações e células cancerosas.

Equilibre a Proporção de Ômega-3 e Ômega-6 em 1:1
Inclua bastante gordura ômega-3 de alta qualidade de origem animal em sua dieta diária consumindo peixe não-tóxico de alta qualidade ou através de suplementos de óleo de krill de alta qualidade. A dieta padrão americana tende a ser rica em gorduras ômega-6 e precisa ser equilibrada com gorduras ômega-3 para reduzir o potencial risco de desenvolvimento de câncer

Inclua Cúrcuma na Dieta
Este é o princípio ativo do açafrão e, em altas concentrações, pode ser um adjunto bastante útil no tratamento do câncer. Por exemplo, a curcumina demonstrou grande potencial terapêutico na prevenção da metástase no câncer de mama.

Evite Álcool
Limite ou elimine o álcool por ser conhecido como carcinógeno.

Evite Campos Eletromagnéticos
Limite a exposição a campos eletromagnéticos (EMF) em seu quarto retirando telefones celulares e cobertores elétricos e mantendo o despertador do outro lado do quarto.

Evite Terapia de Reposição Hormonal Sintética
Especialmente se você possui outros fatores de risco de desenvolvimento de câncer de mama, a reposição hormonal sintética pode aumentar esse risco. Vários tipos diferentes de câncer de mama são receptores positivos de estrogênio. De acordo com um estudo publicado na Revista do Instituto Nacional do Câncer, as taxas de câncer de mama para mulheres reduziram consecutivamente com a redução no uso da terapia de reposição hormonal.

Se você tiver sintomas excessivos de menopausa, você pode considerar a terapia de reposição hormonal bioidêntica no lugar da sintética, usando hormônios molecularmente idênticos aos que seu corpo produz e não causa danos em seu sistema. É uma alternativa muito mais segura.

Evite BPA, Ftalatos e Outros Xenoestrogênios
Estes compostos possuem produtos químicos parecidos com os estrogênios e foram associados a riscos mais altos de desenvolvimento de câncer de mama.

Certifique-se de não Ser Deficiente em Iodo
Há evidências claras da associação da deficiência de iodo com certas formas de câncer. Dr. David Brownstein, autor do livro: "Iodine: Why You Need it, Why You Can't Live Without it," (Iodo: por que você precisa dele, por que você não pode viver sem ele), é um defensor do iodo contra o câncer de mama.

Ele tem, de fato, propriedades anticancerígenas potentes e tem demonstrado provocar a morte de células cancerosas de mama e de tireoide. Para outras informações, recomendo a leitura do livro do Dr. Brownstein.

Reduza o Cozimento da Carne e Evite a Queima

O carvão ou a carne cozida no fogo têm associação com o aumento do risco de desenvolvimento de câncer de mama. A acrilamida – um carcinógeno que surge quando alimentos ricos em amido são cozidos, assados ou fritos – também demonstrou ser causador do aumento do risco de desenvolvimento de câncer.
+ Recursos e Referências