Vinho tinto e chocolate

Resumo da matéria

  • Ao testar altas doses de resveratrol, cientistas descobriram que pessoas com Alzheimer suave experimentaram encolhimento do cérebro, até encontrarem uma determinada molécula que pode ser responsável pela redução da inflamação do cérebro
  • O resveratrol, composto encontrado no vinho tinto, na framboesa e no chocolate, parece retardar a interferência dos problemas cognitivos em pacientes com Alzheimer reparando as barreiras hematoencefálicas “permeáveis” e estabilizando a função mitocondrial
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Relação do Resveratrol com o Retardamento do Alzheimer

3 Agosto 2017 | 1,459 Visualizações |
Edição: Português

Por Dr. Mercola

O que a romã, a casca da uva e o cacau puro têm em comum? Se você pensou que são todos alimentos vegetais, você está certo(a), porém se você soubesse também que eles contêm um poderoso antioxidante chamado resveratrol, você ganharia uma medalha de ouro!

O resveratrol é um polifenol liberado por vegetais que os ajuda a resistir aos danos causados por determinados fatores, tais como bactérias, excesso de iluminação ultravioleta ou lesões causadas por pulgões ou outros microorganismos.

O incrível é que quando você consome alimentos que contêm este composto, você igualmente pode experimentar benefícios similares.

O resveratrol foi tema de análise realizada por cientistas em todo o mundo estudando seu efeito sobre a doença de Alzheimer, a qual atualmente afeta alguém a cada 66 segundos.

A Doença de Alzheimer Está Aumentando

A maioria das pessoas conhece o Alzheimer como uma doença causadora da perda de memória. Em seu estágio inicial, ela se manifesta em pequenas formas, como o esquecimento de datas importantes ou onde as coisas estão; mais tarde, o lançamento do talão de cheques torna-se um desafio incrivelmente frustrante.

Pacientes em estágio mais avançado do Alzheimer fazem confusão com a data atual e onde estão e têm dificuldade em discernir palavras e distâncias. Acompanhar uma conversa pode tornar-se difícil para eles. Progressivamente, seu humor e personalidade sofrem alterações. Um relatório da Associação para Alzheimer revelou o seguinte:

“O número de pessoas convivendo com a doença de Alzheimer está crescendo, e crescendo rapidamente. Dos 5,4 milhões de americanos com Alzheimer, estima-se que 5,2 milhões de pessoas têm 65 anos ou mais e, aproximadamente 200.000 pessoas têm menos de 65 anos de idade (surgimento precoce do Alzheimer).” 

Como e por que isto acontece tem sido teorizado por anos, porém a medicina tem sido capaz apenas de tratar os sistemas em vez de descobrir a causa principal.

Uma das desvantagens em humanos é que, quando consumido, o resveratrol rapidamente metaboliza e é eliminado, evitando que o organismo adquira seus benefícios. O site da Associação para o Alzheimer igualmente declara:

“O Alzheimer é a única doença entre as 10 causas principais de morte nos Estados Unidos que não pode ser evitada, curada ou até mesmo retardada.”

Porém em descobertas científicas recentes, altas doses de resveratrol administradas a pessoas com Alzheimer leve a moderado pareceram retardar os sintomas ou interrompê-los completamente.

Os resultados foram apresentados na Conferência Internacional da Associação para o Alzheimer, em Toronto, em Julho de 2016, promovendo “um quadro mais amplo” do possível funcionamento do resveratrol.

Estudo Inicial: Altas Doses de Resveratrol Podem Ser Promissoras para Pacientes com Alzheimer

Em 2015, o jornal Neurology (Neurologia) publicou um estudo realizado durante um ano – o maior ensaio clínico realizado nos Estados Unidos sobre altas doses de resveratrol — com 119 pessoas com Alzheimer leve a moderado. O principal investigador, Dr. R. Scott Turner, informou que um dos objetivos era verificar se altas doses de resveratrol eram seguras em longo prazo.

Metade das pessoas participantes teve administrado um placebo; a outra metade resveratrol, começando com 500 miligramas (mg) por dia e terminando com doses de 1.000 mg por dia.

Cientistas já sabiam que doenças relacionadas à idade em animais podiam ser reduzidas com restrição calórica e que o resveratrol poderia imitar a restrição calórica através de meios de liberação das mesmas proteínas sirtuínas as quais, acreditava-se, desempenham função na regulagem da função mitocondrial do músculo esquelético.

O consumo restrito de calorias é conhecido por alterar os genes relacionados à longevidade retardando o processo de envelhecimento em minhocas, ratos e peixes, porém há evidências de que ele proporciona o mesmo efeito em humanos. Conforme relatado pelo Georgetown University Medical Center (GUMC), onde a pesquisa foi realizada:

“Os pesquisadores estudaram o resveratrol porque ele ativa proteínas chamadas sirtuínas, as mesmas proteínas ativadas pela restrição calórica.

O maior fator de risco para o desenvolvimento do Alzheimer é o envelhecimento e estudos realizados com animais concluíram que a maioria das doenças relacionadas à idade – incluindo Alzheimer — pode ser evitada ou retardada através da restrição calórica em longo prazo (consumo de dois terços do consumo calórico normal).”

Conforme a demência aumenta, uma proteína conhecida como beta-amiloide40 (Abeta40) enfraquece. Pesquisadores descobriram que o grupo do resveratrol mostrou níveis mais altos de proteínas beta-amiloide no fluido cefalorraquidiano e a perda de volume do cérebro aumentou com o tratamento feito com o resveratrol comparando-se com o placebo. De acordo com um relatório da CNN:

“Embora o acúmulo de beta-amiloide no cérebro seja uma característica da doença de Alzheimer, os pacientes, na verdade, demonstram níveis mais baixos desta proteína fora do cérebro. O resultado de um estudo sugere que o resveratrol pode ajudar a mudar o equilíbrio do beta-amiloide acumulado no cérebro para proteína circulante no organismo.”

Portanto, quando os cientistas examinaram MRIs do cérebro de pacientes, antes e depois do estudo, descobriram que as pessoas no grupo do resveratrol perderam mais volume do cérebro do que as pessoas no grupo do placebo. Eles supuseram que os tratamentos reduziram a inflamação do cérebro comum em pacientes com Alzheimer.

Estes resultados foram considerados “paradoxais” e “confusos”, produzindo uma transição para um estudo de acompanhamento.

Novos Resultados: Inflamação Versus Resveratrol

Turner foi o investigador líder em um segundo ensaio sobre resveratrol, trabalhando junto com o Dr. Charbel Moussa, diretor de pesquisa clínica e científica na GUMC. Neste novo ensaio clínico, 19 pessoas tiveram administradas altas doses de resveratrol, equivalente a 1.000 garrafas de vinho tinto e outras 19 pessoas tiveram administrado um placebo.

Uma das principais metas dos cientistas era investigar níveis de metaloproteinase-9 da matriz (MMP-9), moléculas encontradas no fluido cefalorraquidiano (CSF) de pacientes com Alzheimer. Efetivamente, os testes mostraram que o número caiu 50 por cento comparando-se com o grupo do placebo. O Medical News Today observou:

“Isto é bastante significativo, pois a MMP-9 é reduzida quando a sirtuína1 (uma das proteínas associadas à restrição calórica) é ativada. Sabe-se que altos níveis de MMP-9 causam uma quebra na barreira hematoencefálica – um bloqueio que normalmente evita que proteínas e outras moléculas entrem no cérebro.

Ademais, a equipe concluiu que o resveratrol aumentou os níveis de compostos associados à resposta imune ‘adaptativa’ de longo prazo; isto sugere um envolvimento das células inflamatórias residentes no cérebro. Este tipo de reação degrada e remove as proteínas neurotóxicas.”

Além da inflamação no cérebro, pacientes com Alzheimer ficam comprometidos com a inflamação do tecido nervoso, associada a neurônios degradados e subsequente declínio cognitivo causado pelas moléculas MMP-9. No entanto, o resveratrol parece agir como um tipo de guardião, impedindo que as moléculas imunes prejudiciais invadam o cérebro.

Cientistas informaram que uma redução similar da inflamação do cérebro foi observada por cientistas com o uso de medicamentos em pacientes com esclerose múltipla, outra doença cerebral caracterizada por grande inflamação.

Embora altas doses de resveratrol tenham causado náusea, diarreia e ganho ou perda leve de peso em alguns participantes do estudo, pesquisadores informaram que os suplementos não causaram qualquer outro efeito colateral.

Além de encontrar uma função mais significativa da inflamação em relação ao Alzheimer, cientistas expressaram entusiasmo com relação aos efeitos anti-inflamatórios mensuráveis do resveratrol e planejam novas investigações.

Benefícios Mitocondriais do Resveratrol

Várias revisões descreveram outros benefícios do resveratrol para a saúde. O jornal Nature (Natureza) informou que o resveratrol melhora a saúde e a taxa de sobrevivência de ratos em dieta super calórica, possivelmente revelando uma opção de tratamento para doenças relacionadas à obesidade e ao envelhecimento.

Outra revisão mostrou que o resveratrol melhorou as mitocôndrias, pequenos e vitais motores de quase todas as células, produzindo mais de 90 por cento da corrente energética do organismo e protegeu contra doenças metabólicas, obesidade induzida pela dieta e resistência à insulina. A proteção mitocondrial via resveratrol foi discutida em outro estudo, o qual observou:

“As taxas de mortalidade específicas da idade por doenças cardíacas, infarto, complicações relacionadas ao diabetes, doença de Alzheimer e câncer aumentam exponencialmente com o envelhecimento.

Evidências (suportam) a teoria de que os efeitos protetores mitocondriais do resveratrol fundamentam sua ação anti-idade podendo prevenir/retardar o desenvolvimento de doenças relacionadas à idade no sistema cardiovascular e outros órgãos.”

O resveratrol demonstrou melhorar a função mitocondrial e protegê-la contra doenças metabólicas por causa de sua habilidade em ativar SIRT1 e PGC-1alfa, condutor primário da biogênese mitocondrial. A Science Direct observou o potencial anti-idade e as propriedades antidiabéticas do resveratrol via Sirt1, essencialmente recarregando as mitocôndrias. De acordo com uma revisão feita dos estudos pré-clínicos de prevenção de câncer humano:

“O Resveratrol é conhecido por seus efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes potentes e pela inibição da agregação plaquetária e do crescimento de uma variedade de células cancerígenas.

Suas potenciais atividades quimiopreventivas e quimioterapêuticas foram demonstradas nos três estágios da carcinogênese (início, promoção e progressão), tanto na carcinogênese de pele induzida quimicamente como na induzida via UVB em ratos, assim como em diversos modelos murinos em câncer humano.

Evidências de diversos estudos in vitro e in vivo confirmaram sua habilidade em modular vários alvos e sinalizar caminhos”. Outro estudo usou ratos para demonstrar que a PGC-1α evita a formação e acumulação de lactato nos músculos.

Alertas com Relação à Obtenção do Resveratrol a Partir de sua Dieta

Uma pouco conhecida, porém poderosa fonte de resveratrol é o chá de itadori, uma tradicional solução de erva usada no Japão e na China para doenças cardíacas e infarto. Tanto o chá de itadori quanto o vinho tinto contêm altas concentrações de resveratrol.

Porém, se você está pensando em aumentar o consumo de vinho tinto para aproveitar os benefícios do resveratrol, tenha em mente que o álcool pode danificar o cérebro e outros órgãos, portanto é contraintuitivo bebê-lo para ajudar o cérebro.

Por estar o resveratrol mais concentrado na casca de uvas e as uvas muscadine possuírem casca grossa, esta é uma fonte mais adequada. No entanto, uvas são ricas em açúcar (frutose) e devem ser consumidas com moderação, tornando difícil a obtenção de quantidades terapêuticas de resveratrol através delas.

O consumo excessivo de frutose foi associado à síndrome metabólica, efeitos adversos do sistema endócrino, danos nos rins e câncer pancreático, citando somente alguns problemas.

Minha recomendação com relação ao consumo de frutose é uma média de 25 gramas por dia, incluindo todas as frutas. No entanto, se você tem problema com resistência à insulina, pressão alta, doenças cardiovasculares ou câncer, o consumo de frutose deve ser cortado para 15 gramas.

Entenda, também, que a Monsanto conseguiu produzir uvas usadas para fazer vinho orgânico. Estudos igualmente mostraram que o vinho pode conter altos níveis de arsênio e carcinogênicos. Mesmo sem esses fatores, ele estressa o fígado e aumenta os níveis de insulina, o que pode levar a uma ampla gama de problemas cardíacos e doenças graves.

Even Turner, que ajudou na autoria do estudo, admitiu que uma taça de vinho tinto por dia pode ajudar em casos de Alzheimer suave, porém advertiu: “Não mais que isso.”

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