ômega 3

Resumo da matéria

  • Uma dieta enriquecida com gorduras ômega 3 pode ajudar na prevenção de osteoartrite e igualmente retardar sua progressão; benefícios foram percebidos tanto na cartilagem quanto no osso sob a cartilagem
  • Gorduras ômega 3 produzem compostos chamados resolvinas e protectinas, que ajudam na supressão da inflamação antes que ela possa causar grande dano aos tecidos
  • Diversos estudos publicados relatam a marcante eficácia da gordura ômega 3 de fonte animal encontrada no óleo de krill no combate a doenças relacionadas à inflamação, tais como a artrite
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A Pior Questão a Ignorar se Você tem Artrite

10 Agosto 2017 | 937 Visualizações |

Por Dr. Mercola

Se você sofre de osteoartrite, a cartilagem encontrada dentro das articulações é progressivamente danificada e o líquido sinovial que mantém as articulações lubrificadas e protegidas é tipicamente reduzido.

A dor e a rigidez na articulação que você sente é sinal de que os ossos estão em atrito uns com os outros, uma vez que a cartilagem e o líquido sinovial foram reduzidos e, se você não agir, elas podem piorar, até que você não tenha mais capacidade de desempenhar suas atividades diárias normais.

Se você está entre os milhões de pessoas que sofrem com osteoartrite ou deseja evitar ser uma delas, uma das ações mais simples e poderosas a ser realizadas é a adição de gorduras ômega 3 de fonte animal à dieta.

Gorduras Ômega 3 São Incrivelmente Importantes Para o Tratamento da Osteoartrite

De acordo com o último estudo realizado em animais, uma dieta enriquecida com gorduras ômega 3 reduziu a maior parte dos indicadores da doença entre cobaias suscetíveis ao desenvolvimento de osteoartrite. Isto incluiu alterações tanto na cartilagem quanto no osso subcondral e levou o pesquisador a observar fortes evidências de que as gorduras ômega 3 podem ajudar na prevenção da doença e igualmente retardar sua progressão em pessoas já diagnosticadas.

O impacto das gorduras ômega 3 sobre a saúde da articulação, artrite e inflamação é um tema de pesquisa ativo, pois este tipo de gordura é conhecido como produtor de compostos chamados resolvinas e protectinas que ajudam na supressão da inflamação antes que ela possa causar grande dano aos tecidos.

Diversos estudos foram publicados relatando a marcante eficácia da gordura ômega 3 de fonte animal encontrada no óleo de krill no combate a doenças relacionadas à inflamação, incluindo artrite. A seguir, três exemplos notáveis:

  • Um estudo realizado em 2007 pelo Journal of the American College of Nutrition (Jornal da Faculdade Americana de Nutrição) investigou a capacidade do óleo de krill em reduzir a inflamação. Pesquisadores concluíram que 300 mg de óleo de krill, diariamente, reduziram de forma significativa a inflamação, a dor, a rigidez e a debilitação funcional após 7 dias e, mais profundamente, após 14 dias.
  • Um estudo publicado no Jornal Americano de Gastroenterologia em 2005 mostrou resultados similares com relação à redução da inflamação e dos sintomas da artrite em pessoas que sofriam de artrite reumatoide e osteoartrite.
  • Um estudo sobre Avanços na Terapia concluiu que participantes com osteoartrite moderada a grave no quadril ou no joelho que receberam 1.500 mg de sulfato de glucosamina juntamente com 200 mg de ômega 3 tiveram maior redução na dor e menores sintomas de osteoartrite (rigidez matinal, dor nos quadris e nos joelhos) que os participantes que receberam apenas glucosamina.

Você É Deficiente em Gorduras Ômega 3?

Idealmente, todos nós precisamos focar em uma vida com altos níveis de ômega 3 para colher os benefícios que ele tem a nos oferecer, incluindo proteção contra artrite. No entanto, a dieta americana em geral é seriamente deficiente em gorduras ômega 3 de fonte animal, DHA e EPA, pois, com exceção de alguns tipos de peixes que eu não recomendo ingerir devido a questões de poluição, existem poucas fontes destas gorduras essenciais.

É possível medir o nível de gordura ômega 3 no sangue graças a uma pesquisa realizada pelo Dr. William Harris, professor pesquisador da Sanford Escola de Medicina na Dakota do Sul e especialista em gorduras ômega 3. A pesquisa realizada pelo Dr. Harris levou ao desenvolvimento de uma análise que mede o nível de ômega 3 no sangue denominado “índice ômega 3”.

Inclua uma Fonte de Ômega 3 de Origem Animal de Alta Qualidade

A maioria das pessoas hoje em dia é deficiente em gorduras ômega 3 e consome gorduras ômega 6 em demasia; este tipo de gordura é encontrado em óleos vegetais e alimentos processados. A proporção ideal está provavelmente próxima de 1:1, porém a proporção média das pessoas está mais próxima de 20:1, ou até mesmo 50:1 a favor do ômega 6.

Devido a este grave desequilíbrio, recomendo que você complemente sua dieta com uma fonte de gorduras ômega 3 de alta qualidade, enquanto simultaneamente reduz o consumo de ômega 6 para equilibrar esta proporção.

Existem fontes de gorduras ômega 3 tanto vegetais quanto animais e existem diferenças entre elas. Todas possuem diferentes proporções de três importantes ácidos graxos ômega 3—ALA, EPA e DHA. O DHA é o mais importante para o cérebro. O EPA é igualmente necessário para o cérebro, porém em menores quantidades.

Fontes vegetais de ômega 3 como linhaça, cânhamo e sementes de chia são ricas em ALA, porém pobres em EPA e DHA.  Embora o ALA seja um nutriente essencial, o ponto chave a ser lembrado é que a conversão do ALA em EPA e DHA, de longe mais essenciais, é tipicamente inibida pela delta 6 desaturase, enzima necessária para que o organismo converta o ALA em EPA e DHA de cadeias mais longas. Níveis altos de insulina prejudicam esta enzima. Portanto, a partir desta perspectiva, é importante incluir fontes de gorduras ômega 3 de fonte animal na dieta.

Os Três Tipos de Gordura Ômega 3 de Fonte Animal

Peixe: Em um mundo perfeito, você seria capaz de absorver toda a gordura ômega 3 necessária consumindo peixe. Infelizmente, a maior parte do nosso suprimento de peixe está, atualmente, tão contaminada com poluentes industriais e toxinas como mercúrio, PCBs, metais pesados e venenos radioativos, que simplesmente não posso mais recomendar o peixe como fonte.

No entanto, existem fornecedores como a Vital Choice, por exemplo, que pescam o peixe das áreas menos poluídas do mundo e ele claramente está menos contaminado.

Óleo de peixe: Eu costumava recomendar o consumo de óleo de peixe para melhorar a ingestão de gorduras ômega 3 e óleos de peixe de alta qualidade são certamente ótimos produtos com vários benefícios importantes para a saúde. Porém, o óleo de peixe possui fraco conteúdo de antioxidantes.

Esta é a maior desvantagem do óleo de peixe, porque conforme você aumenta o consumo de gorduras ômega 3 consumindo óleo de peixe, você, na verdade, aumenta a necessidade de proteção antioxidante.

Isto acontece porque o óleo de peixe é bastante perecível e a oxidação leva à formação de radicais livres não saudáveis. Portanto, os antioxidantes são necessários para garantir que o óleo de peixe não oxide e não se torne rançoso dentro do organismo. Portanto, você precisa consumir antioxidantes adicionais tanto para a saúde de forma geral quanto para a necessidade elevada de antioxidantes ao consumir óleo de peixe.

Óleo de Krill: Por último, mas certamente não menos importante, esta é minha opção preferida entre as gorduras ômega 3 de fonte animal. Acredito que o óleo de krill é superior ao óleo de peixe porque ele contém fosfolipídios que dramaticamente melhoram a absorção de DHA e EPA.

Ele igualmente possui um poderoso antioxidante chamado astaxantina e ômegas 3 ligados de forma que os mantêm protegidos contra oxidação.  Muitas marcas populares de óleo de peixe já estão oxidadas antes mesmo de você abrir o frasco. O óleo de krill é 48 vezes mais potente do que o óleo de peixe e contém vitamina E, vitamina A e vitamina D.

O krill é igualmente uma fonte de ômega 3 sustentável e ambientalmente amiga. O kril não é apenas a maior biomassa do mundo, como sua pesca é a mais regulada do planeta; são usados regulamentos internacionais restritos de pesca preventiva, revistos regularmente, para garantia da sustentabilidade.

Se Você tem Artrite, Você Precisa Saber Mais Sobre a Astaxantina

É provável que a astaxantina seja ainda mais poderosa na ajuda a pessoas com sintomas de artrite do que as gorduras ômega 3, pois este antioxidante é muito mais poderoso do que o betacaroteno, o alfa-tocoferol, o licopeno e a luteína, outros membros pertencentes à sua família química. Ela demonstra atividade MUITO FORTE como expelidora de radicais livres e ajuda na proteção das células, órgãos e tecidos do organismo contra dano oxidativo e inflamação.

Especificamente, a astaxantina é um antioxidante carotenoide produzido somente pela microalga Haematococcuspluvialis quando seu suprimento de água seca, forçando-a a proteger a si própria contra a radiação ultravioleta. É o mecanismo de sobrevivência da alga – a astaxantina serve como “campo de força” para proteger a alga contra a falta de nutrientes e/ou contra a luz solar intensa.

Existem apenas duas fontes conhecidas de astaxantina: a microalga que a produz e as criaturas marinhas que a consomem, tais como salmão, marisco e krill. Um dos motivos pelos quais eu recomendo o óleo de krill é por ele naturalmente conter astaxantina para proteger a si mesmo contra a oxidação. Adicionar o antioxidante astaxantina ao óleo de peixe reduz sua suscetibilidade à oxidação enquanto torna suas propriedades imunomoduladoras mais potentes, que é justamente a beleza do óleo de krill, que possui esta proteção natural embutida.

Porém, embora eu não recomende diversos suplementos, acredito que muitas pessoas possam desfrutar de até MAIS benefícios aumentando ainda mais os níveis de astaxantina, mesmo que você já esteja consumindo suplementos à base de óleo de krill. Se você quiser dar uma chance à astaxantina, recomendo uma dose diária de 8-10 mg.

Se você está em suplementação com óleo de krill, leve isto em consideração, pois diferentes produtos contendo krill possuem diferentes concentrações de astaxantina. Portanto verifique o rótulo.

A Artrite Não Precisa Ser uma Doença Debilitante

A osteoartrite pode ser uma doença extremamente dolorosa e debilitante. Perdendo peso, exercitando-se, mudando o estilo de vida e a dieta e usando medidas de alívio anti-inflamatório naturais, é potencialmente possível superar esta doença ou, pelo menos, significativamente reduzir a dor associada a ela.

Dieta Saudável: As taxas de artrite são mais de duas vezes mais altas em pessoas obesas do que em pessoas com peso normal, porque peso extra coloca mais pressão nas articulações.  Isto pode não somente levar à osteoartrite, como pode igualmente piorar a situação exponencialmente.

Portanto, se você sofre de artrite e está com sobrepeso ou está obeso (a), perder peso é essencial para o tratamento.

Exercícios: A maioria das pessoas tem pouco conhecimento sobre quão poderosos são os exercícios na preservação da densidade óssea e da função da articulação podendo prevenir e aliviar a osteoartrite conforme envelhecem.

A noção de que os exercícios são prejudiciais para as articulações é um equívoco; não existe qualquer evidência que suporte esta crença. Em vez disso, evidências apontam que os exercícios possuem impacto positivo sobre os tecidos das articulações – se você exercitar-se de forma suficiente para perder peso, ou manter um peso ideal, você pode, na verdade, reduzir os riscos de desenvolvimento de osteoartrite.

Minha forma de exercício mais recomendada é a de alta intensidade, e este programa pode ser usado por praticamente todo mundo. No entanto, se você já tem osteoartrite nos joelhos, você deverá incorporar exercícios que fortaleçam os músculos dos quadríceps na frente das coxas. E, em vez de correr ou fazer outro exercício de alto impacto, é melhor que você realize exercícios sem peso, tais como natação e ciclismo.

Pessoas com artrite devem ter cuidado para evitar atividades que possam agravar a dor nas articulações. Você deve evitar qualquer exercício que tensione uma articulação significativamente instável.

Vitamina D: Baixos níveis de vitamina D estão associados à perda de cartilagem nos joelhos e esta é uma das características da osteoartrite. A solução para garantir que os níveis de vitamina D estejam na faixa ideal é muito simples. Envolve análise dos níveis de vitamina D no sangue e, então, a melhora deles expondo-se ao sol ou fazendo bronzeamento artificial em uma cama de bronzeamento segura (camas de bronzeamento seguras possuem lastros eletrônicos e produzem menos raios UVA que o sol).

Como último recurso, você pode ingerir suplementos de vitamina D3; pesquisa realizada recentemente sugere que o adulto comum necessita 8.000 IU de vitamina D por dia para elevar os níveis dela acima de 40 ng/ml, que é o valor mínimo para a prevenção de doenças.

Se você precisa de um aliviador de dor, que é tipicamente um fator importante no tratamento da osteoartrite, pense adiante e com cuidado antes de escolher medicamentos anti-inflamatórios como os anti-inflamatórios não esteroides (NSAIDs) e analgésicos, como Tylenol. Os NSAIDs matam em torno de 30.000 pessoas por ano devido a úlceras hemorrágicas, e os medicamentos orais foram associados a diversos problemas incluindo insuficiência cardíaca -- Vioxx e Celebrex são exemplos clássicos destes perigos bastante reais.

Existem alternativas anti-inflamatórias disponíveis mais seguras e naturais, a saber:

  • Boswellia: Também conhecida como “boswellin” ou “olíbano Indiano”, esta erva indiana é um tratamento que acredito ser particularmente útil contra a inflamação artrítica e contra a dor associada a ela.
  • Ácido Hialurônico (AH): O ácido hialurônico é um componente chave da cartilagem, responsável pelo transporte de nutrientes para as células e pela remoção de resíduos.
  • Astaxantina: Conforme mencionado anteriormente, a astaxantina é um dos antioxidantes lipofílicos mais poderosos até então descobertos e é o pigmento carotenoide mais abundante encontrado em caranguejos, no salmão, na truta, no camarão e no krill. Estudos realizados concluíram que ela pode ajudar no suporte à saúde e à mobilidade das articulações.
  • Membrana da casca do ovo: Elastina, colágeno e glicosaminoglicanos são três nutrientes encontrados nas membranas das cascas de ovos, que podem ajudar no suporte à estabilidade e flexibilidade das articulações, proporcionando a elas o alicerce necessário para a formação da cartilagem.
  • Gengibre: Esta erva é anti-inflamatória e oferece alívio à dor e possui propriedades de colonização do estômago. O gengibre fresco funciona bem quando embebido em água fervente como chá ou ralado em suco vegetal.
  • Bromelaína: Esta enzima, encontrada em abacaxis, é um anti-inflamatório natural. Pode ser consumida na forma de suplemento, porém ingerir o abacaxi fresco pode ser igualmente útil.
  • Cetil miristoleato (CMO): Este óleo, encontrado em peixes e manteiga, age como “lubrificante das articulações” e como anti-inflamatório.
  • Óleos de prímula noturna, cassis e borragem: Estes óleos contêm o ácido graxo essencial chamado ácido gamalinolênico (AGL), útil no tratamento da dor causada pela artrite. É aceitável para várias pessoas consumi-los como suplemento, particularmente se você sofre de pele seca no inverno, pois isto é um forte indicador de deficiência destas gorduras. Eu prefiro o uso de suplementos de AGL provenientes do óleo de prímula, porém o óleo de borragem contém alta concentração de AGL, o que significa que você necessita de poucas cápsulas e ele tende a ser menos caro.
  • Creme de pimenta caiena: Também conhecido como creme de capsaicina, este condimento é proveniente de pimenta malagueta seca. Ele alivia a dor esgotando o organismo do suprimento de substância P, componente químico das células nervosas que transmitem sinais de dor ao cérebro.
Recursos e Referências
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