Documentário Examina Como o Estresse Mata



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Por Dr. Mercola

"O estresse não é um estado de espírito ... ele é mensurável e perigoso, e os humanos não conseguem encontrar o botão de desligar." 

Estas palavras de advertência provêm do renomado autor e premiado neurobiologista Robert Sapolsky no documentário Stress: Portrait of a Killer (Estresse: O Retrato de um Assassino).

O filme, produzido em conjunto pela National Geographic e a Universidade de Stanford, onde o Dr. Sapolsky é professor e acadêmico, mostra o quão perigoso o estresse prolongado pode ser.

À medida que evoluímos, a resposta ao estresse salvou nossas vidas ao nos permitir fugir de predadores ou abater presas.  

Mas hoje, estamos ativando a mesma reação "salva-vidas" para lidar com um preço de R$ 4 por galão de gasolina, com o medo de falar em público, com chefes difíceis e engarrafamentos - e temos dificuldade em desligar isso.

Estar constantemente sob resposta ao estresse pode lhe deixar sob o efeito de hormônios corrosivos o tempo todo.

Este filme mostra o impacto que o estresse tem sobre o organismo, como ele pode encolher seu cérebro, adicionar gordura à sua barriga e até mesmo desfazer seus cromossomos.

Compreender como o estresse funciona pode ajudá-lo a descobrir maneiras de combatê-lo e reduzir seus impactos negativos sobre a saúde.

O que Macaco Vê, Macaco Faz

O Dr. Sapolsky aprendeu muitas coisas relacionadas à resposta ao estresse humano e seus efeitos sobre o organismo estudando primatas na África.

Todos os anos, ele passa algumas semanas na região selvagem do Quênia estudando sociedades de babuínos que possuem distúrbio social e psicológico intraespecífico que imita o estresse do homem moderno.

Ele monitora seus níveis de hormônio adrenal, nomeadamente a adrenalina (epinefrina) e glicocorticoides (como o cortisol).

O fato de os babuínos viverem em comunidades com estruturas hierárquicas levou o Dr. Sapolsky a uma de suas descobertas mais profundas: o estresse do babuíno está relacionado à hierarquia ou posição social.

Quanto maior a posição de um babuíno, menor é o estresse que ele experimenta. Quanto mais baixa for sua posição, maior é o estresse. Mais importante ainda, o Dr. Sapolsky descobriu que os mais "pobres" do mundo dos babuínos tinham uma maior frequência cardíaca e pressão sanguínea do que os "ricos".

As artérias nos macacos "pobres" ficavam repletas de placas, restringindo o fluxo sanguíneo e aumentando o risco de ataque cardíaco. Esta foi a primeira vez que o estresse foi cientificamente associado à deterioração da saúde em primatas selvagens. Na verdade, o mesmo vale para outros primatas - por exemplo, nós!

Taxas de Mortalidade Seguem um Gradiente Social

O professor Sir Michael Marmot realizou um estudo sobre o estresse por 40 anos onde acompanhou 18 mil homens ocupando vários cargos no Serviço Civil Britânico. Suas descobertas coincidem com o que Sapolsky descobriu nos babuínos: quanto maior for sua condição social, menor será o risco de doenças relacionadas ao estresse.

Marmot descobriu que os homens nas classes de emprego mais baixas eram muito mais propensos à morte prematura do que os homens nas classes mais altas - de fato, há um "gradiente social" para a mortalidade. Estudos subsequentes envolvendo mulheres mostraram resultados semelhantes. Mas por que isso acontece?

O que sua condição social tem a ver com o estresse?

Tudo Gira ao Redor do seu Ponto de Controle

O Dr. Sapolsky explica como o distúrbio psicológico pode ativar a resposta ao estresse neste pequeno vídeo (somente em inglês). Se o link não funcionar, você pode acessá-lo no site da Universidade de Stanford (clique em "Related to this Story" na coluna da direita, depois na guia "More on Stress"). Sapolsky explica como você fica mais vulnerável ao estresse se os seguintes fatores forem verdadeiros:

  • Você sente que não tem controle
  • Você não está recebendo nenhuma informação preditiva (quão difícil o desafio será, quanto tempo vai durar, etc.)
  • Você sente que não há uma saída
  • Você interpreta que as coisas só pioram
  • Você não tem um "ombro no qual chorar" (por exemplo, falta de afiliação ou suporte social).

Como os babuínos, as pessoas no topo da pirâmide social sentem um maior senso de controle porque são eles que dão as ordens, além de possuírem mais conexões e recursos sociais à sua disposição. Isso resulta em menos estresse, o que, a longo prazo, se traduz em menores taxas de doença. 

O estresse também está intimamente relacionado com a experiência do prazer, relacionado à ligação da dopamina aos receptores de prazer no cérebro. Os cérebros dos “primatas CEOs" ficam intensamente iluminados em tomografias por emissão de pósitrons, enquanto que os cérebros de macacos subordinados não fazem isso, indicando que a vida é menos prazerosa para os subordinados.

Como os primatas, as pessoas de nível socioeconômico inferior parecem sentir menos prazer em suas vidas. Talvez seja por isso que a terapia do riso seja tão eficaz!

Você é um Viciado em Estresse?

O paradoxo aqui é que os seres humanos tornaram-se cada vez mais viciados em estresse. Existe um "estresse bom" (eustress) e um "estresse ruim" (distress), você vivencia certas experiências estressantes como desagradáveis e procura evitá-las, mas há outras que você busca viver porque são divertidas.

Por exemplo, fazer snowboard, paraquedismo, ir a montanhas-russas e ver filmes assustadores são experiências que podem acionar o seu interruptor de empolgação - e seu organismo responde a esses estresses da mesma maneira como se um tigre estivesse perseguindo você. 

Seus músculos se tencionam, seu coração bate forte, sua respiração aumenta e seu organismo para todos os processos não essenciais. Isso pode ser agradavelmente emocionante, e para alguns bastante viciante. Talvez você conheça alguém a quem você descreveria como um "viciado em adrenalina". Essa empolgação é simplesmente a renúncia de um pouco de controle em um ambiente que parece seguro.

Mas quando você está nesse estado de excitação aumentado o tempo todo, o estresse cobra o preço através do organismo – sem que você perceba o estresse como "bom" ou "ruim."

O Estresse Danifica seu Cérebro e Adiciona Centímetros à sua Cintura

A ciência estabeleceu que o estresse pode desencadear doenças cardiovasculares, mas você sabia que também pode desencadear ganho de peso - do pior tipo? O aumento de peso induzido por estresse geralmente envolve aumento da gordura visceral, que é a gordura mais perigosa para o organismo acumular e aumenta seu risco cardiovascular.

O estresse altera a forma como a gordura é depositada devido a hormônios específicos e outros produtos químicos que seu corpo produz quando você está estressado.

O estresse prolongado também pode danificar suas células cerebrais e fazer você perder a capacidade de lembrar coisas. As células cerebrais de ratos estressados são dramaticamente menores, especialmente na área do hipocampo, que é a área da aprendizagem e da memória.

O estresse interrompe seus sistemas neuroendócrinos e imunológicos e parece desencadear um processo degenerativo no cérebro que pode resultar em doença de Alzheimer.

O estresse também pode acelerar o envelhecimento encurtando seus telômeros, as estruturas genéticas protetoras que regulam a idade das células. Nas palavras da Dra. Lissa Rankin, autora de Mind Over Medicine (Mente sobre a Medicina):

"Nosso organismo sabe como consertar proteínas quebradas, matar células cancerosas, retardar o envelhecimento e combater a infecção. Eles até sabem como curar úlceras, fazer as lesões cutâneas desaparecer e consertar ossos quebrados! Mas aqui está o principal - esses mecanismos naturais de autorreparação não funcionam se você estiver estressado!"

De acordo com o Dr. Sapolsky, os seguintes são os problemas de saúde mais comuns causados ou agravados pelo estresse:

Doença cardiovascular

Hipertensão

Depressão

Ansiedade

Disfunção sexual

Infertilidade e ciclos irregulares

Resfriados frequentes

Insônia e fadiga

Problema de concentração

Perda de memória

Alterações do apetite

Problemas digestivos e disbiose

O Cortisol Pode ser um Importante Desafio para a Saúde

O hormônio do estresse cortisol, liberado pelas glândulas suprarrenais como parte da resposta de "luta ou fuga”, é o principal hormônio que regula muitos aspectos da resposta do seu organismo ao estresse. No entanto, os níveis de cortisol estão tipicamente elevados em todos os lugares da cultura atual, em detrimento da saúde mental e física.

O impacto que o estresse está promovendo sobre a sociedade como um todo é tão profundo que a Psychology Today chama o cortisol de "Inimigo Público Número Um:"

Por exemplo, níveis elevados de cortisol são um potencial desencadeador de doenças mentais e resiliência reduzida, especialmente entre adolescentes.

Os efeitos sociais promovidos pelo estresse não tratado são alarmantemente evidentes no noticiário noturno, com crescentes episódios de bullying, suicídios e tiroteios em massa, que são lamentáveis, porém exemplos extremos do que acontece quando as pessoas não conseguem lidar direito com o estresse.

Quando você possui ferramentas eficazes de redução do estresse, você e seus filhos ficam mental e fisicamente mais saudáveis, mais resistentes e menos propensos à depressão, a doenças ou à violência.

É Hora de Fazer uma Reabilitação de Cortisol?

Os babuínos de Sapolsky provam que o estresse não é inevitável. Você pode mudar seu ambiente e suas respostas. E à medida que você aprende a diminuir efetivamente seu nível de estresse, seu cortisol se estabilizará, sua pressão arterial vai cair e sua saúde irá melhorar em quase todos os sentidos.

É importante perceber que o controle do estresse não é algo que você deixa para fazer no fim de semana - ele precisa ser feito diariamente, porque o estresse também se manifesta diariamente. Existem muitas técnicas diferentes de redução do estresse, e o que funciona para você pode não funcionar para outro.

Uma pessoa pode gostar de fazer meditação, mas outro pode se sentir mais calmo, limpando a casa! O controle do estresse é uma coisa altamente individual, e a última coisa que você quer fazer é se estressar com uma atividade que supostamente deveria eliminar o estresse. Você terá de encontrar o que funciona melhor para você.

Claro, fazer boas escolhas alimentares irá apoiar a sua saúde geral e aumentar a sua resiliência.

Certifique-se de dormir adequadamente, uma vez que a privação do sono prejudica drasticamente a capacidade do seu organismo em lidar com o estresse. Várias outras abordagens para o controle de estresse são sugeridas na tabela a seguir.

Atividade física regular

Meditação: Tomar 10 minutos para sentar-se calmamente, por exemplo, durante o intervalo do trabalho, pode ajudar a diminuir seus sentimentos de estresse e ansiedade

Treinamento de consciência plena e respiratório

Ioga: os benefícios para a saúde decorrentes da prática regular da ioga demonstraram diminuir o estresse, melhorar o sono e a função imune, e reduzir os desejos por alimentos, entre outras coisas

Conexões sociais

Risos e leveza

Passe algum tempo na natureza

Música

Divirta-se mais

EFT: Técnicas de Libertação Emocional

Algumas das Ferramentas mais Poderosas para Controlar o Estresse

Quando se trata de gerenciar o estresse, as Técnicas de Libertação Emocional (Emotional Freedom Techniques-EFT) merecem uma atenção especial. As EFT são um grupo de técnicas de psicologia da energia que envolvem o toque em vários pontos de acupressão do corpo enquanto foca-se e faz-se verbalizações específicas sobre o problema em questão, neste caso, o estresse.

Como a acupuntura, as EFT baseiam-se no fato de seu corpo ser um sistema elétrico e que a energia vital flui ao longo de canais invisíveis conhecidos como meridianos. Quando você está estressado, ansioso, traumatizado ou doente, seu fluxo de energia pode ficar bloqueado, onde as EFT podem ajudar na reversão - sem as agulhas usadas na acupuntura!

As EFT demonstraram cientificamente ser capazes de acalmar seu sistema nervoso central e reduzir significativamente os níveis de cortisol. Em 2012, um estudo triplo cego realizado pelo Dr. Dawson Church (que pode ser creditado pela maioria das pesquisas atuais sobre as EFT Clínica) descobriu que as EFT reduziram os níveis de cortisol e os sintomas de angústia psicológica em 24% - mais do que qualquer outra intervenção testada.

Os toques podem ajudar o corpo a reparar a "cicatrização" emocional e a reprogramar a maneira como ele responde aos agentes estressores. Já que estes agentes estressores estão frequentemente associados a queixas físicas, muitas pessoas descobrem que a dor e outros sintomas físicos irão melhorar ou desaparecer completamente.

Existem muitos tipos de EFT, mas a EFT clínica é aquela com a qual tenho a maior experiência e é a melhor estabelecida e melhor apoiada pela pesquisa científica.

Embora os conceitos básicos da EFT possam ser aprendidos com bastante facilidade, para questões graves, eu recomendo que você procure a ajuda de um praticante de EFT qualificado. Há uma arte nestas técnicas e ter um guia especializado ajudando você - alguém que passou anos treinando essas habilidades - acelerará seu progresso.

Trabalhar com um especialista também impedirá que você conclua falsamente que as EFT não funcionam, quando você simplesmente precisa de um pouco de treinamento e apoio, especialmente se você estiver trabalhando com questões mais profundas, como trauma ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Como os babuínos de Sapolsky mostraram, o estresse desempenha um papel extremamente significativo na sua saúde geral. Quanto melhor você conseguir controlar o estresse diariamente, melhor será a sua saúde.