Empatia: Cuidar dos Outros é Bom para Você

Empatia

Resumo da matéria -

  • A empatia possui bases complexas neurológicas que controlam a forma como nossos cérebros nos ajudam a preocupar-nos com outras pessoas
  • Os seres humanos possuem "neurônios espelhos" que reagem às emoções dos outros e as reproduzem; sugeriu-se que um déficit nos receptores dos neurônios espelhos pode ser uma explicação para o narcisismo e comportamentos neuróticos
  • Praticar a empatia pode ajudá-lo a aliviar o estresse, fortalecer seus relacionamentos e ter uma vida profissional mais satisfatória
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Por Dr. Mercola

A empatia, capacidade de colocar-se nos sapatos de outra pessoa, por assim dizer, e entender seus sentimentos e pontos de vista, é um traço de caráter que pode beneficiar a sociedade e os indivíduos de diversas maneiras.

Identificou-se que o treinamento da empatia reduziu os níveis de estresse entre estudantes de medicina que passam por intensos confrontos emocionais com pacientes, por exemplo.

Enquanto muitos pais tentam incutir qualidades empáticas em seus filhos, há cada vez mais pesquisas demonstrando que a empatia tem raízes neurológicas profundas nos seres humanos.

Um dos primeiros sinais de que a empatia pode estar enraizada em todos nós ocorreu em 1848, quando um capataz chamado Phineas Gage trabalhando em um projeto de construção ferroviária sofreu um acidente onde uma barra de ferro atravessou seu crânio.

Ele sobreviveu, mas não sem mudanças marcantes em sua personalidade. Seus amigos, familiares e médicos o descreveram como rude e arrogante após o acidente.

O Lado Neurológico da Empatia

O termo empatia só começaria a ser usado seis décadas após o acidente de Gage, mas o que o acidente essencialmente tirou do capataz foi sua capacidade de sentir empatia.

Em 1994, pesquisadores conseguiram medir o crânio de Gage e usaram técnicas modernas de neuroimagem para recriar o acidente e determinar seus efeitos no seu cérebro.

“O dano envolveu os córtices pré-frontais esquerdo e direito em um padrão que, conforme confirmado pelos parceiros contemporâneos de Gage, causa um defeito na tomada de decisão racional e no processamento da emoção ", concluíram os pesquisadores.

Verificou-se que ocorreu uma lesão no córtex pré-frontal ventromedial (vMPFC), que é uma das 10 regiões cerebrais que hoje sabemos estar envolvidas na empatia.

Em seu livro "Zero Degrees of Empathy" (Zero Graus de Empatia), Simon Baron-Cohen, professor de psicologia do desenvolvimento na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descreve os complexos fundamentos neurológicos da empatia, revelando as várias maneiras pelas quais nossos cérebros nos ajudam a preocupar-nos com outras pessoas:

  • O córtex frontal medial foi associado à cognição social, que permite que as pessoas façam parte de um grupo social e processem informações sobre outros
  • O giro frontal inferior (GFI) pode estar envolvido no reconhecimento das emoções nos rostos
  • Maior atividade no GFI quando as pessoas observam expressões emocionais está associada a pontuações mais altas na escala do quociente de empatia
  • A amígdala também está envolvida nas emoções, incluindo a capacidade de reconhecer o medo no rosto de alguém
  • Os neurônios no córtex cingulado anterior caudal (CACC) "acendem" quando você sofre ou quando observa alguém com dor

Os seres humanos também possuem "neurônios espelho" que, segundo a revista Psychology Today, "reagem às emoções expressas por outros e depois as reproduzem". Sugeriu-se que um déficit nos receptores dos neurônios espelhos seria uma explicação para o narcisismo e comportamentos e pensamentos neuróticos.

Apesar deste conhecimento, a Medical News Today informou que o psicólogo clínico britânico Simon Baron-Cohen disse: "Ainda sabemos muito pouco sobre as diferenças individuais da empatia ... Precisaremos de uma pesquisa experimental refinada para resolver esses enigmas.”

Por que é Benéfico Praticar a Empatia

Além do alívio do estresse, por que é tão importante ser empático? Chad Fowler, Diretor de Tecnologia da 6Wunderkinder, fabricante do aplicativo móvel Wunderlist, compartilhou as seguintes razões pelas quais ele acredita que sua habilidade mais importante é a empatia:

É mais provável que você trate as pessoas com as quais você se preocupa da maneira que elas desejam que você as trate.

Você entenderá melhor as necessidades das pessoas ao seu redor.

Você entenderá mais claramente a percepção que você cria sobre os outros com suas palavras e ações.

Você entenderá as partes não ditas da sua comunicação com os outros.

Você vai entender melhor as necessidades de seus clientes no trabalho.

Você terá menos problemas para lidar com conflitos interpessoais tanto em casa como no trabalho.

Você poderá prever com mais precisão as ações e reações das pessoas com as quais você interage.

Você aprenderá como motivar as pessoas ao seu redor.

Você irá convencer os outros do seu ponto de vista mais eficazmente.

Você experimentará o mundo em maior resolução conforme você percebe as coisas através não só da sua perspectiva, mas das perspectivas daqueles que o rodeiam.

Você achará mais fácil lidar com a negatividade dos outros se você puder entender melhor suas motivações e medos.

No entanto, as pessoas tendem a sentir-se mais empáticas com aqueles que elas percebem ser os mais vulneráveis. Em um estudo realizado, os sentimentos empáticos eram mais elevados em relação a uma criança, um cachorrinho e um cão adulto do que em relação a um homem adulto.

No entanto há uma boa razão para reformular a maneira como você pode compartimentar os sentimentos empáticos, pois eles têm o potencial para fazer o bem em um número infinito de cenários. Entre dentistas e seus pacientes, por exemplo, a empatia melhorou a comunicação e a experiência odontológica tanto para o paciente como para o profissional.

Pesquisadores descobriram que a empatia foi positivamente associada à adesão ao tratamento, à satisfação do paciente e à diminuição da ansiedade dental, sentimentos que parecem ecoar entre os profissionais médicos.

Entre adolescentes, a empatia pode caminhar de mãos dadas com o sucesso no futuro, de acordo com o conselheiro profissional licenciado Ugo Uche:

“Adolescentes que são empáticos tendem a ser mais motivados por objetivos e eles obtêm sucesso intencional em seus estudos acadêmicos, não porque buscam ter boas notas, mas na maioria das questões, seu objetivo é entender o assunto da matéria e utilizar o conhecimento como uma de suas ferramentas que se expandem cada vez mais…

Adolescentes que são mais empáticos aceitam de forma muito melhor os erros, porque há pouco ego envolvido em suas tarefas, e os fracassos, embora decepcionantes, raramente são vistos como erros, mas sim como uma experiência de aprendizagem sobre uma abordagem que não funciona para a tarefa sendo cumprida.”

Diferentes Tipos de Empatia

A empatia possui três variedades diferentes, e cada um de nós possui diferentes níveis de cada tipo que combinam-se para influenciar nossas vidas pessoais e profissionais.

O Dr. Ronald E. Riggio, professor de liderança e psicologia organizacional do Instituto Henry R. Kravis, e ex-diretor do Instituto de Liderança da Kravis no Claremont McKenna College, explicou cada tipo de forma breve:

  1. Empatia cognitiva: Este tipo permite compreender a perspectiva de outras pessoas e imaginar o que seria andar nos sapatos delas.
  2. Empatia emocional: Às vezes chamada de empatia social, isso permite que você literalmente sinta o estado emocional de outra pessoa.
  3. Preocupação Empática: Isso descreve não só reconhecer e sentir-se em sintonia com o estado emocional de outra pessoa, mas também demonstrar preocupação apropriada ou tentar ajudá-la como resultado disso.

É comum que uma pessoa tenha um alto nível em um tipo de empatia e menor em outros, com efeitos variados. Riggio descreveu um estudo no qual trabalhou onde enfermeiras de cuidados paliativos apresentavam melhores resultados quando possuíam preocupação empática, mas pior quando elas tinham empatia emocional.

“Supomos que se as enfermeiras de hospícios sentissem a dor de seus pacientes (e a angústia dos membros da família também), isso as tornavam menos capazes de fazer seu trabalho que era proporcionar conforto ao paciente e à família porque elas tinham de lidar com suas próprias emoções" escreveu Riggio.

Ao ajustar suas próprias habilidades empáticas, você pode fazer notas mentais sobre quando talvez você deva demonstrar uma preocupação mais empática em vez de empatia emocional e vice-versa. O psicólogo Daniel Goleman (que está por trás da teoria da inteligência emocional) afirmou que possuir os três tipos de empatia é a chave para fortalecer seus relacionamentos.

Você Pode Aprender a ser Mais Empático

Já que todos nós estamos empolgados para sentir empatia, você pode treinar a ser mais empático, mesmo quando trata-se de estranhos.

A falta de empatia é responsável por muitos conflitos humanos, particularmente aqueles que ocorrem entre pessoas de diferentes nacionalidades e culturas. Um estudo realizado pela Universidade de Zurique demonstrou, no entanto, que mesmo algumas experiências positivas com um estranho aumentam as respostas empáticas do cérebro em relação a elas.

Os participantes foram divididos em dois grupos (membros do grupo e membros fora do grupo) e receberam choques na parte de trás das mãos. Outros participantes do estudo tiveram a opção de pagar dinheiro para que outra pessoa pudesse evitar a experiência dolorosa.

Quando uma pessoa recebeu a ajuda de um estranho, eles tiveram uma resposta cerebral aumentada de empatia em relação a essa pessoa. De acordo com os pesquisadores, "Surpreendentemente, poucas experiências positivas de aprendizado são suficientes para aumentar a empatia.”

Além de fazer um esforço para compartilhar experiências positivas com as pessoas ao seu redor, você pode desenvolver sua empatia simplesmente ouvindo atentamente quando as pessoas falam.

Isso inclui esperar até que elas tenham terminado de falar para formular sua resposta e responder, bem como considerar as motivações daquele que está falando, o que está por trás daquilo que ele está dizendo e depois responder com perguntas que deem seguimento para ampliar sua compreensão sobre a conversa. Outros passos que você pode tomar para tornar-se mais empático são:

Considere um desentendimento atual com um membro da família, amigo ou colega de trabalho. Tente imaginar o argumento pelo lado deles e reconheça se eles têm argumentos válidos, boas intenções ou motivações positivas que você não percebeu anteriormente.

Leia mais ficção. Ler ficção literária mostrou aumentar a habilidade conhecida como teoria da mente, que é a capacidade de compreender os estados mentais dos outros e mostrar uma maior empatia.

Observe e maravilhe-se. Fowler recomenda uma atividade que ele chama de "observe e maravilhe-se", que você pode experimentar praticamente em qualquer lugar:

“Esqueça o celular. Em vez de verificar o Twitter ou ler artigos enquanto aguarda o trem ou está preso em um engarrafamento, olhe as pessoas ao seu redor e imagine quem elas podem ser, o que elas podem estar pensando e sentindo, e para onde elas estão tentando ir naquele momento.

Elas estão frustradas? Felizes? Cantando? Olhando para seus telefones? Elas vivem aqui ou são de fora da cidade? Elas tiveram um bom dia? Tente realmente perguntar-se e importar-se.”

Se você não está realmente certo (a) de quando você deve tentar usar suas habilidades empáticas, o Dr. Guy Winch, sugere que os melhores momentos são todos os momentos em que você deseja entender alguém melhor, quando você está tendo um desentendimento improdutivo com o seu parceiro ou quando você quer acalmar seu temperamento ou se conectar melhor com as emoções de um ente querido.

A empatia também entra em jogo quando você precisa reclamar de forma eficaz.

“A empatia vem mais naturalmente para alguns do que para os outros", diz Winch. "No entanto, ao tomar tempo para visualizar como é a situação para a outra pessoa e nos imaginar em seu lugar, obteremos informações valiosas e forjaremos conexões mais profundas com aqueles que nos rodeiam.”