Como a Música Ajuda a Desbloquear Recordações e a Melhorar a Qualidade de Vida de Pacientes com Demência

cuidador tocando música

Resumo da matéria -

  • A música ativa diversas áreas do cérebro, incluindo a amígdala, que está envolvida no processamento da emoção e no córtex pré-frontal medial, envolvido na recuperação de recordações de longo e curto prazo
  • Pacientes com demência que escutam sua música favorita precisam de menos medicação psicotrópica para controlar seu comportamento
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Por Dr. Mercola

A música é uma forma poderosa de comunicação. Ela transmite emoção - muitas vezes de modo muito mais eficaz do que palavras em si.

Quando você ouve música, muitas áreas do seu cérebro se iluminam, incluindo o seu núcleo accumbens, parte do seu cérebro que libera a dopamina química do bem estar e está envolvida na formação das expectativas. 

A amígdala, que está envolvida no processamento da emoção, e o córtex pré-frontal, que torna possível a tomada de decisão abstrata, também são ativados.

Alguns hormônios também são liberados. A oxitocina, por exemplo, hormônio de ligação liberado durante as interações com seus entes queridos, é liberado quando as pessoas cantam juntas.

Muitos biólogos evolucionários acreditam que a música foi fundamental para nossa capacidade de funcionar como seres humanos e para manter grandes comunidades de pessoas, pois a música é capaz de produzir oxitocina, ou seja, unindo e compartilhando emoções, em grande escala.

Ao longo da última década, pesquisadores que investigaram tratamentos para demência e Alzheimer descobriram os benefícios da música como terapia.

Listas de Músicas Personalizadas Melhoram o Comportamento e Reduzem o Uso de Medicamentos

Para avaliar os efeitos do tipo de terapia com música apresentada em "Alive Inside" (Vivo por Dentro), pesquisadores implantaram o programa “Music & Memory” (Música e Memória) em 98 lares de idosos e compararam os resultados com 98 lares de idosos sem o programa.

Os pontos avaliados foram a descontinuação de medicamentos antipsicóticos e/ou contra ansiedade, redução do comportamento disruptivo e melhora do humor. Concluiu-se que pacientes com demência que ouviram música personalizada, de acordo com suas preferências musicais, na verdade, precisaram menos medicamentos psicotrópicos para controlar seu comportamento.

Ao longo de seis meses:

  • Mais de 20 por cento dos pacientes que receberam terapia musical foram capazes de interromper a medicação antipsicótica, em comparação com uma média de 17,6 por cento antes da implantação do programa. Em lares de idosos sem o programa de música, as taxas de descontinuação permaneceram estáveis
  • A proporção de residentes que apresentaram redução nos problemas de comportamento relacionados à demência aumentou de 51% para 57%; problemas de comportamento no grupo de comparação permaneceram inalterados

Conforme reportado pela Reuters:

“O programa com música individualizado projetado para lares de idosos ... não melhorou os problemas de humor, mas os pacientes que ouviram música adaptada aos seus gostos e recordações precisaram de menos medicação contra ansiedade e antipsicóticos, concluíram os pesquisadores.”

Como a Música Ajuda na Reativação da Memória

Alguns dos benefícios da música parecem estar enraizados na sua familiaridade. Ou seja, a música favorita de uma pessoa, ou músicas que estão associadas a eventos importantes, podem desencadear uma lembrança da letra da música, o evento relacionado a ela e até mesmo os sentimentos e experiência vividos com ela.

A razão para isso é que a música ativa fortemente as regiões do cérebro envolvidas na memória, como a amígdala - em certo sentido, desbloqueando as recordações em torno ou associadas a essa música em particular.

A música também ativa o córtex pré-frontal medial, uma região cerebral atrás da sua testa que acredita-se estar envolvida seletivamente na recuperação de recordações de longo e curto prazo.

Esta é uma das últimas áreas cerebrais a atrofiar nos pacientes com Alzheimer o que ajuda a explicar porque a música pode ajudar na reativação de lembranças, mesmo em pacientes com doença de Alzheimer, que é a forma mais grave de demência.

Conforme observado pelo Dr. Petr Janata, professor associado de psicologia do Centro Davis da Mente e Cérebro da Universidade da Califórnia (UC), e que mapeou a atividade cerebral dos participantes enquanto escutavam música:

“O que parece acontecer é que uma peça de música familiar serve como uma trilha sonora para um filme mental que começa a rodar na nossa cabeça. Ele chama as recordações de uma determinada pessoa ou lugar, e você pode de repente ver o rosto dessa pessoa no olho da sua mente … Agora podemos ver a associação entre essas duas coisas - a música e as memórias.”

Recuperando um Senso de Identidade

A lembrança da música também pode ajudar a ressuscitar o sentimento de identidade do paciente com demência e ajudá-lo a se reconectar com os membros de sua família através de memórias compartilhadas.

O sucesso da técnica depende do que a equipe de enfermagem pode descobrir com relação às preferências musicais de um paciente, e é por isso que você pode querer perguntar agora a seus parentes idosos sobre suas músicas favoritas (ou transmitir as suas para seus cuidadores) apenas para o caso disto ser necessário.

Também depende do interesse de uma pessoa pela música ao longo da vida. Você não precisa ser excessivamente musical para apreciar a música emocionalmente, como praticamente todos fazem, mas, como observado no World Journal of Psychiatry (Jornal Mundial de Psiquiatria):

“A terapia da música não seria apropriada para uma pessoa que não tivesse apreciação por música antes do início da deficiência cognitiva. Espera-se uma correlação positiva entre o grau de significância que a música teve na vida da pessoa antes do início da demência e a eficácia da intervenção.”

Música e Cérebro

Novas pesquisas sugerem que a música pode ser uma intervenção eficaz sem medicamentos para outras doenças neurológicas que não envolvem demência. Além de ativar as áreas envolvidas na memória, a música também ativa regiões do cérebro que controlam o movimento - descoberta que levou a música a ser usada para ajudar pessoas com doenças como Parkinson, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral e outros distúrbios neurológicos.

Pessoas que normalmente não conseguem controlar seus movimentos, de repente, se veem capazes de acompanhar o ritmo de uma música e dançar. A música parece fornecer um ritmo externo que ignora os sinais que funcionam mal no cérebro.

O Auge da Medicina Psicocardiográfica

Frequências sonoras são o sistema de comunicação interno do cérebro. Frequências diferentes ativam diferentes regiões do cérebro, afetando assim neurotransmissores e hormônios. Quando se trata de memória, ao tocar áreas de seu cérebro associadas a emoções e memória, a música pode atuar como uma porta dos fundos para ajudá-lo (a) a acessar eventos passados que, de outra forma, estariam perdidos.

Se você é um cuidador de alguém com demência, criar uma lista de músicas personalizada para ele ou ela é uma maneira simples de ajudá-lo (a) a se reconectar com o mundo exterior e sentir-se novamente ele (a) mesmo (a) por um momento.

Em maior escala, se você tiver um ente querido em uma casa de repouso, você pode querer sugerir que eles considerem o uso de listas de música individualizadas para todos os seus moradores.

Outras Estratégias para Ajudar a Prevenir a Demência e a Doença de Alzheimer

É importante perceber que a demência, incluindo a doença de Alzheimer, é em grande parte uma doença evitável, baseada nas suas escolhas de estilo de vida para melhorar a função mitocondrial. Esta é uma boa notícia, pois coloca o poder em suas mãos.

Considerando a falta de tratamentos efetivos, a prevenção desta doença se torna algo vital.

Consuma Alimentos de Verdade, Idealmente Orgânicos

Evite alimentos processados de todos os tipos, pois eles contêm uma série de ingredientes prejudiciais ao cérebro, incluindo açúcar refinado, frutose processada, grãos (principalmente glúten), óleos vegetais, ingredientes geneticamente modificados e pesticidas como o glifosato (herbicida considerado pior do que o DDT, que já foi associado ao desenvolvimento da doença de Alzheimer).

Idealmente, você deve manter seus níveis de açúcar adicionais no mínimo e sua frutose total abaixo de 25 gramas por dia, ou até 15 gramas por dia, se você já apresentar resistência à insulina/leptina ou a quaisquer distúrbios relacionados. Optar por produtos orgânicos irá ajudá-lo a evitar pesticidas sintéticos e herbicidas.

A maioria das pessoas se beneficiará com uma dieta sem glúten, pois o glúten torna seu intestino mais permeável, o que permite que as proteínas entrem em sua corrente sanguínea onde elas sensibilizam o sistema imunológico e promovem inflamação e autoimunidade que atuam no desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Substitua os Carboidratos Refinados por Gorduras Saudáveis

Seu cérebro não precisa de carboidratos e açúcares; as gorduras saudáveis, como as gorduras animais saturadas e o ômega-3 de origem animal são muito mais importantes para uma função cerebral aprimorada.

Gorduras saudáveis a se adicionar à sua dieta são abacates, manteiga, gemas de ovos orgânicos de animais alimentados no pasto, cocos e óleo de coco, carnes de animais alimentados com capim e nozes cruas como pecã e macadâmia.

Evite todas as gorduras trans ou gorduras hidrogenadas que foram modificadas de forma a ampliar sua longevidade na prateleira do mercado. Isso inclui margarina, óleos vegetais e vários tipos de manteiga semelhantes. Ao contrário da crença popular, o combustível ideal para seu cérebro não é a glicose e sim as cetonas.

As cetonas são o que o organismo produz quando converte gordura em energia. Os triglicerídeos de cadeia média (MCT) encontrados no óleo de coco e óleo MCT são uma ótima fonte de corpos cetônicos. Certifique-se também de obter gorduras ômega-3 de origem animal o suficiente.

Uma alta ingestão de ácidos graxos ômega-3 EPA e DHA ajudam a evitar o dano celular causado pela doença de Alzheimer, diminuindo assim sua progressão e reduzindo seu risco de desenvolvimento do distúrbio.

Aprimore sua Flora Intestinal

Para isso, evite alimentos processados, antibióticos e produtos antibacterianos, água fluorada e clorada, e certifique-se de consumir alimentos tradicionalmente fermentados e cultivados, juntamente com um probiótico de alta qualidade, se necessário.

Jejum Intermitente

O jejum intermitente é uma poderosa ferramenta para fazer com que seu organismo lembre-se de como é queimar gordura e reparar a resistência à insulina/leptina, que é o principal fator contribuinte para a doença de Alzheimer.

Mova-se Regularmente e Consistentemente ao Longo do Dia

Sugeriu-se que o exercício pode desencadear uma mudança na forma como a proteína amiloide precursora é metabolizada, diminuindo assim o início e a progressão da doença de Alzheimer. Exercícios também aumentam os níveis da proteína PGC-1 alfa.

Pesquisa realizada demonstrou que pessoas com Alzheimer têm menos PGC-1 alfa em seus cérebros e as células que contêm mais proteínas produzem menos proteína tóxica amiloide associada à doença de Alzheimer.

Aprimore seus Níveis de Magnésio

Uma pesquisa preliminar sugeriu fortemente uma redução nos sintomas de Alzheimer com níveis elevados de magnésio no cérebro. Infelizmente, a maioria dos suplementos de magnésio não ultrapassa os níveis sanguíneos do cérebro, mas um novo produto, o treonato de magnésio, parece conseguir isso e parece promissor para o tratamento desta doença e pode ser superior às outras formas.

Exponha-se Prudentemente à Luz Solar

Pesquisas demonstraram que pessoas que vivem em latitudes do norte possuem taxas mais altas de morte por demência e doença de Alzheimer do que aqueles que vivem em áreas mais ensolaradas, sugerindo que a vitamina D e/ou a exposição solar são fatores importantes.

Possuir suficiente vitamina D é imperativo para o bom funcionamento do seu sistema imunológico para que ele combata a inflamação associada à doença de Alzheimer. Se você não conseguir obter quantidades suficientes de exposição ao sol, certifique-se de consumir diariamente um suplemento de vitamina D3 para fazer com que seu nível no sangue seja de pelo menos 40 a 60 ng / ml. Isso geralmente refere-se a cerca de 8.000 unidades de vitamina D para a maioria dos adultos.

Dito isto, é importante reconhecer que a exposição ao sol é importante por razões não relacionadas à vitamina D. Seu cérebro responde à luz infravermelha próxima da luz solar em um processo chamado pfotobiomodulação.

Evite e Elimine o Mercúrio do Organismo

Os preenchimentos de amálgama dentário são uma das principais fontes de toxicidade de metais pesados; no entanto, você deve estar saudável antes de removê-los.

Depois de ter-se ajustado à dieta descrita no meu plano de nutrição aprimorado, você pode seguir o protocolo de desintoxicação de mercúrio e, em seguida, encontrar um dentista biológico para remover seus amálgamas.

Evite e Elimine o Alumínio do Organismo

Fontes comuns de alumínio incluem antitranspirantes, panelas antiaderentes e adjuvantes de vacinas. Há alguns indícios de que certas águas minerais com alto teor de ácido silícico podem ajudar seu corpo a eliminar o alumínio.

Evite Estatinas e Medicamentos Anticolinérgicos

Medicamentos que bloqueiam a acetilcolina, neurotransmissor do sistema nervoso, demonstraram aumentar seu risco de desenvolvimento de demência. Esses medicamentos incluem certos analgésicos noturnos, anti-histamínicos, auxiliares para o sono, certos antidepressivos, medicamentos para controlar a incontinência e certos analgésicos narcóticos.

As estatinas são particularmente problemáticas porque suprimem a síntese do colesterol, esgotam o cérebro de coenzima Q10, vitamina K2 e precursores de neurotransmissores e evitam a entrega adequada de ácidos graxos essenciais e antioxidantes lipossolúveis ao seu cérebro, inibindo a produção do transportador indispensável biomolécula conhecida como lipoproteína de baixa densidade.

Limite a Exposição a Campos Eletromagnéticos não Nativos (celulares, roteadores Wi-Fi e modems)

A patologia primária por trás do dano do celular não está especificamente relacionada aos tumores cerebrais, nem mesmo ao câncer. O perigo real reside no dano causado pelos peroxinitritos de espécies de nitrogênio reativo.

O aumento de peroxinitritos causados pela exposição ao celular afetará suas mitocôndrias e seu cérebro é o órgão que contém a maior quantidade de mitocôndrias em todo o organismo.

O aumento da geração de peroxinitrito também foi associado a níveis aumentados de inflamação sistêmica, provocando tempestades de citoquinas, disfunção hormonal autônoma e disfunção mitocondrial.

O peroxinitrito é um íon estrutural instável produzido em seu organismo após o óxido nítrico ser exposto ao superóxido, e este processo químico complexo começa com a exposição a radiações de micro-ondas de baixa frequência do seu celular, Wi-Fi e torres de celular.

Desafie sua Mente Diariamente

O estímulo mental, especialmente o aprendizado de algo novo, como tocar um instrumento ou aprender um novo idioma, está associado a um menor risco de desenvolvimento de demência e Alzheimer. Pesquisadores suspeitam que o desafio mental ajuda a desenvolver seu cérebro, tornando-o menos suscetível às lesões associadas à doença de Alzheimer.