Como Proteger Você Mesmo e Seus Filhos Contra os Perigos à Saúde Associados aos Antibióticos Medicinais e Agrícolas

antibióticos

Resumo da matéria -

  • A doença da resistência aos antibióticos é a maior ameaça à saúde pública e a causa primária desta epidemia produzida pelo homem é o amplo uso indevido de antibióticos – tanto na medicina quanto na agricultura
  • Uma pesquisa realizada recentemente demonstrou que crianças cujas mães tomaram antibióticos durante a gravidez estavam mais propensas a desenvolver asma. Crianças predispostas à asma estavam duas vezes mais propensas a desenvolver asma se suas mães usaram antibióticos durante o terceiro trimestre, comparando-se com aquelas cujas mães não usaram antibióticos
  • Um criador de frangos demonstrou que mesmo a criação em larga escala de animais pode ser gerenciada sem a administração rotineira de antibióticos usando um medicamento à base de óleo de orégano e canela
  • Você pode ajudar a si mesmo(a) e a sua comunidade usando antibióticos somente se absolutamente necessário e comprando carne e outros alimentos orgânicos, livres de antibióticos. Compostos naturais com atividade antibiótica/antiviral incluem orégano, alho e Echinacea, que você pode tentar antes de partir para medicamentos
Tamanho da fonte:

Por Dr. Mercola

A questão do uso excessivo de antibióticos, tanto na medicina quanto na produção de alimentos, e as subsequentes ameaças à saúde humana, foram apresentadas em uma série de novos artigos publicados recentemente.

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), a resistência ao antibiótico é a principal ameaça à saúde pública, mundialmente, e a causa primária desta epidemia produzida pelo homem é o uso indevido de antibióticos.

Por exemplo, dados do ECDC mostram um significante aumento da resistência a antibióticos múltiplos contra Klebsiella pneumoniae e E. coli somente nos últimos quatro anos, afetando mais de um terço da UE.

De acordo com um relatório recente publicado pelo Medical News Today:

“Em diversos dos estados membros, entre 25 a 60 por cento da Klebsiella pneumoniae proveniente de infecções do fluxo sanguíneo mostram resistência combinada a antibióticos múltiplos...

Os dados do ECDC mostram que o consumo de carbapenêmicos, classe principal dos antibióticos de última linha, aumentou significativamente nos países da UE/ECO entre 2007 e 2010. O relatório sugere que isto mais provavelmente se deve ao aumento da resistência a múltiplos medicamentos em infecções Gram-negativas, como pneumonia, ou infecções do fluxo sanguíneo, que são geralmente tratadas com carbapenêmicos.”

Em um esforço para aumentar a conscientização, o Reino Unido emitiu um panfleto sobre o uso criterioso de antibióticos, estimulando os pacientes a não pedirem a seus médicos que receitem antibióticos para o tratamento de sintomas de resfriado e gripe, pois os antibióticos não funcionam em infecções causadas por vírus – eles funcionam somente em infecções causadas por bactérias.

Uso de Antibióticos Durante a Gravidez Associado à Asma em Crianças

Doenças resistentes a antibióticos não são o único perigo associado ao uso indevido destes medicamentos. A exposição excessiva a antibióticos também pesa na saúde gastrointestinal, podendo predispô-lo(a) a praticamente qualquer doença. Uma flora intestinal anormal pode, na verdade, ser fator contribuinte principal para o aumento de uma série de doenças e problemas infantis.

Por exemplo, uma pesquisa recentemente realizada na Dinamarca mostra que crianças cujas mães tomaram antibióticos durante a gravidez estavam mais propensas a desenvolver asma, comparando-se com aquelas cujas mães não tomaram antibióticos.

Levando outros fatores de risco em consideração, pesquisadores estimaram que crianças expostas a antibióticos estavam 17 por cento mais propensas a ser hospitalizadas por causa da asma antes dos cinco anos de idade.

Crianças que já estavam predispostas à asma (porque suas mães tinham o problema) estavam duas vezes mais propensas a desenvolver asma se suas mães usaram antibióticos durante o terceiro trimestre, comparando-se com aquelas cujas mães não usaram antibióticos.

Embora o estudo não possa nos dizer se a asma foi resultado dos antibióticos ou da infecção em si, o risco elevado de desenvolvimento de asma encontrado não suporta a teoria de que os probióticos – bactérias benéficas residentes no intestino, dizimadas pelos antibióticos – desempenham função no desenvolvimento da asma.

O co-autor Dr. Hans Bisgaard informou à Reuters Health:

“Especulamos que o uso de antibióticos pela mãe altera o equilíbrio das bactérias naturais, que são transmitidas ao recém-nascido, e que essas bactéria estando desequilibradas no início da vida impactam a maturação imunológica do recém-nascido.”

De fato, um dos pré-requisitos mais importantes para seu bebê recém-nascido é o estabelecimento de um trato gastrointestinal saudável. Independente da idade, seu intestino é sua primeira linha de defesa em termos de imunidade.

O bebê recebe sua primeira “vacinação” da flora intestinal a partir do canal vaginal da mãe durante o parto e é por isso que o uso de antibióticos pela mãe durante a gravidez pode predispor a criança à asma e a uma série de outras doenças, pois o antibiótico severamente rompe a microflora natural – nos intestinos e na vagina da mãe.  

É importante entender que se a flora da mãe não é normal, a flora de seu bebê também não será normal, pois quaisquer que sejam os organismos que vivem em sua vagina acabam cobrindo o organismo de seu bebê e revestindo seu trato intestinal.  

O Uso de Antibióticos Pode Predispor seu Bebê a GAPS

A introdução de flora não amiga pode predispor seu bebê a GAPS (Síndrome do Intestino e Psicologia, e também Síndrome do Intestino e Fisiologia). A GAPS pode causar efeitos muito danosos em longo prazo na saúde da criança, tanto neurologicamente quanto fisiologicamente.

Além de um risco elevado de desenvolvimento de asma e outras alergias, ela pode também aumentar o risco de deficiência no aprendizado e/ou comportamental, transtornos de humor, problemas gastrointestinais e transtornos autoimunes.

A GAPS pode até mesmo causar implicações profundas na epidemia de autismo. Taxas de autismo infantil são alarmantes, hoje 50 vezes maiores em algumas áreas do que há três décadas. Não surpreendentemente, há também uma epidemia de GAPS.

A Dra. Natasha Campbell-McBride é neurologista e neurocirurgiã que devotou anos de sua carreira estudando este fenômeno e como tratá-lo e preveni-lo. Ela está convencida de que a flora intestinal anormal está no cerne do problema e que a solução para deter o aumento das deficiências no espectro autista está na “cura e selagem” do intestino da criança.

Como resultado de sua pesquisa inovadora, a doutora desenvolveu um protocolo nutricional bastante eficaz para que isso aconteça. Para saber mais sobre o assunto, por favor, reveja meu artigo anterior How a Physician Cured Her Son's Autism (Como uma Médica Curou o Autismo de Seu Filho, somente em Inglês).

A Importância dos Alimentos Probióticos

A ampla deterioração da saúde intestinal das pessoas pode apontar para a mudança em nossa dieta moderna. Historicamente, pessoas regularmente consumiam uma ampla variedade de alimentos fermentados, que são naturalmente ricos em bactérias benéficas necessárias para uma saúde intestinal ótima. Alimentos fermentados são, portanto, o alicerce da dieta GAPS.

Idealmente, você vai querer incluir uma série de alimentos e bebidas cultivados em sua dieta, pois cada alimento inoculará seu intestino com uma variedade de diferentes microorganismos. Alimentos fermentados que você pode facilmente produzir são:

  • Vegetais fermentados
  • Chutneys
  • Condimentos, como salsa e maionese
  • Derivados lácteos cultivados, como iogurte, kefir e creme azedo
  • Peixe, como cavala e gravlax sueco

As bactérias benéficas nestes alimentos são também potentes desintoxicantes, capazes de eliminar uma ampla gama de toxinas e metais pesados. De acordo com o Dr. McBride, o Protocolo Nutricional GAPS restaura o sistema desintoxicante em cerca de 90 por cento das pessoas e os alimentos fermentados/cultivados são fundamentais neste processo de autocura.

Você não precisa consumir enormes quantidades. Apenas de um quarto a metade de uma xícara de vegetais fermentados ou alimento cultivado, como iogurte cru, por dia, é suficiente. A Kombucha, bebida fermentada, é outro grande aditivo em sua dieta.

A chave é a variedade. Quanto maior a variedade de alimentos fermentados e cultivados você incluir em sua dieta, melhor, pois cada alimento inoculará seu intestino com uma série de diferentes microorganismos. Lembre-se também de sempre ressemear seu intestino com probióticos sempre que estiver usando um antibiótico, consumindo alimentos fermentados ou consumindo um suplemento de alta qualidade de probióticos.

Na verdade, é mais fácil do que você pensa e você pode economizar muito dinheiro. É incomum encontrar um suplemento probiótico contendo mais de 10 bilhões de unidades formadoras de colônias. Porém, quando minha equipe testou vegetais fermentados produzidos por culturas iniciadoras de probióticos, estes tinham 10 trilhões de unidades formadoras de colônias de bactérias. Literalmente, uma porção de vegetal fermentado foi igual a uma garrafa inteira de probiótico de alta potência! Portanto, claramente você estará muito melhor usando alimentos fermentados.

Os Antibióticos São Realmente Necessários na Produção de Alimentos?

Como mencionado anteriormente, o uso excessivo de antibióticos ocorre não somente na medicina, mas também na produção de alimentos. Na verdade, o uso na agricultura conta com 80 por cento do uso de antibióticos nos EUA, portanto é fonte PRINCIPAL do consumo de antibióticos por humanos. Animais são geralmente alimentados com antibióticos em doses baixas para prevenção de doenças e promoção do crescimento, e estes antibióticos são transferidos a você através da carne e até mesmo através do esterco usado como fertilizante de culturas.

Proteger a saúde da flora intestinal e reduzir a propagação de bactérias resistentes a antibióticos são motivos significativos para certificar-se de estar consumindo apenas produtos provenientes de carnes e de animais alimentados no pasto, produzidos de forma orgânica.

Exemplo de Galinheiro CAFO Típico

Em uma história relacionada, um criador demonstrou que até mesmo a criação em larga escala de animais pode ser gerenciada sem a administração rotineira de antibióticos. O criador de frangos Scott Sechler, proprietário da Bell & Evans, informou ao New York Times como um velho medicamento à base de ervas mantém seu rebanho saudável:

“Durante os últimos três anos mais ou menos, suas galinhas consomem uma dieta especialmente produzida com óleo de orégano e um toque de canela. O Sr. Sechler jura que a mistura é uma forma de combater doenças bacterianas que assolam os produtores de carne e aves sem recorrer aos antibióticos, os quais alguns especialistas dizem ser prejudiciais a humanos que consomem a carne.  

Os produtos da Bell & Evans, baseada nesta cidade a cerca de 48 quilômetros a leste de Harrisburg, são livres de antibióticos há muito tempo, contribuindo para o sucesso financeiro da empresa, pois os consumidores demandam alimentos puros. Mas, o Sr. Sechler informa que nada do que ele usou como substituto no passado funcionou tão bem como o óleo de orégano.

‘Fico um pouco preocupado em pensar como vão interpretar-me falando sobre isso,’ diz ele. ‘Mas, acredito realmente estarmos indo muito bem por este caminho.’”

Curiosamente, o produto orégano que o Sr. Sechler usa foi testado em comparação com quatro medicamentos produzidos pela Bayer, comparando sua capacidade em controlar diarreia em porcos causada pela E.coli. O produto orégano, vendido sob nome By-O-Reg Plus, superou em desempenho todos os produtos da Bayer.

“‘Estranho, porém verdadeiro!’ Dr. Lucio Nisoli, gerente de produtos da Bayer, escreveu em seu relatório comentando sobre os testes. ‘Comparando com vários anti-infecciosos, com o Ropadiar, eu obtive resultados muito mais eficazes e rápidos. Ademais, os porcos tratados com Ropadiar pareciam mais saudáveis e não ficaram tão desidratados e desperdiçados,’” publicou o New York Times.

Diversos Compostos Naturais Possuem Atividade Antibiótica, sem os Efeitos Colaterais

Você pode ajudar a si mesmo(a) e a sua comunidade usando antibióticos somente quando absolutamente necessário e comprando carnes e outros produtos orgânicos, livres de antibióticos. Mesmo que o problema da resistência a antibióticos deva ser detido através de políticas públicas em nível nacional, quanto mais as pessoas envolverem-se pessoalmente com o não uso desnecessário de antibióticos, melhor.

Igualmente, para levar-nos de volta para onde começamos, por favor, certifique-se de evitar o uso desnecessário de antibióticos durante a gravidez. Nem toda infecção bacteriana precisa ser tratada com um medicamento. Primeiro, como medida preventiva versátil, você vai querer certificar-se de que seu nível de vitamina D esteja ideal durante o ano todo, especialmente durante a gravidez, juntamente com a vitamina K2.

Porém, existem também diversos compostos naturais que agem como antibióticos/antivirais de base ampla que você pode tentar antes, tais como:

  • Oreganol (óleo de orégano)
  • Alho
  • Echinacea
  • Mel de Manuka (para aplicação tópica)