Estratégias para Prevenir a Hipertensão

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Pressão alta

Por Dr. Mercola

O que causa a hipertensão?

Uma das principais causas subjacentes da pressão alta está relacionada à produção excessiva de insulina e leptina no corpo em resposta a uma alimentação rica em carboidratos e alimentos processados.

Conforme os níveis de insulina e leptina aumentam, a pressão arterial sobe. Níveis elevados de ácido úrico também estão significativamente associados à hipertensão, portanto, qualquer programa para combater a pressão alta precisa ajudar a normalizar tanto a sensibilidade à insulina quanto o nível de ácido úrico.

Acontece que, ao eliminar o excesso de açúcar/frutose de sua alimentação, você pode combater os três problemas de uma só vez. Outras estratégias de tratamento que discutirei a seguir também tendem a ter esse efeito. Mas, primeiramente, vamos analisar alguns dos aspectos básicos sobre o que é a pressão alta, como avaliar o risco de hipertensão relacionado à obesidade e por que os medicamentos não são a solução ideal.

Como está sua pressão arterial?

Quando a pressão arterial é medida, são dados dois números. O número mais alto ou primeiro número é a leitura da pressão arterial sistólica. O número mais baixo ou segundo número é a pressão diastólica.

Exemplo: 120/80 = 120 de pressão arterial sistólica e 80 de pressão arterial diastólica.

A pressão sistólica é a pressão mais alta nas artérias. Ela ocorre quando os ventrículos se contraem no início do ciclo cardíaco. A pressão diastólica refere-se à pressão arterial mais baixa e ocorre durante a fase de repouso do ciclo cardíaco.

Idealmente, sua pressão arterial deve ser de cerca de 120/80, sem medicação. Se você tem mais de 60 anos, sua pressão sistólica é o mais importante fator de risco cardiovascular. Se você tem menos de 60 anos e não possui outros fatores de risco consideráveis para doenças cardiovasculares, acredita-se que sua pressão diastólica seja um fator de risco mais importante.

Classificação da pressão arterial

Pressão sistólica (mmHg)

Pressão diastólica (mmHg)

Normal

<120

<80

Pré-hipertensão

120-139

80-89

Hipertensão estágio 1

140-159

90-99

Hipertensão estágio 2

≥160

≥100

Hipertensão primária versus hipertensão secundária

A hipertensão também é classificada como primária ou secundária. A primeira se aplica a cerca de 90-95% das pessoas com pressão alta, e embora as autoridades médicas convencionais afirmem que a causa é idiopática ou desconhecida, a hipertensão primária (também conhecida como hipertensão essencial) está mais que provavelmente ligada à resistência à insulina/leptina.

A hipertensão secundária se aplica aos cinco a 10% restantes, cujo aumento da pressão arterial é causado por doença hepática crônica. As recomendações revisadas sobre pressão arterial publicadas no final do ano passado enfatizam quando e como os médicos devem tratar a pressão alta.

Pacientes pré-hipertensos não devem ser tratados com medicamentos para baixar a pressão; em vez disso, devem ser encorajados a fazer mudanças apropriadas em seu estilo de vida para combater sua condição.

Se você tem entre 18 e 59 anos de idade e não tem problemas de saúde graves, ou se tem 60 anos ou mais e tem diabetes e/ou doença renal crônica, a medicina convencional acredita que um tratamento com medicamentos é recomendado se sua pressão arterial for igual ou superior a 140/90.

Para pessoas com mais de 60 anos sem diabetes ou doença renal crônica, tais autoridades sugerem postergar o tratamento medicamentoso até que a pressão esteja acima de 150/90.

Como evitar um falso diagnóstico de hipertensão

Para evitar um falso diagnóstico de hipertensão, tenha em mente que a leitura de sua pressão arterial pode variar significativamente de um dia para o outro e até mesmo de uma hora para outra, portanto, não reaja exageradamente se receber uma leitura alta uma vez ou outra.

É quando a pressão arterial permanece consistentemente ou cronicamente elevada que problemas de saúde significativos podem ocorrer. As seguintes variáveis também podem afetar a validade da leitura de sua pressão arterial:

  • Tamanho incorreto da braçadeira do aparelho — Se você é obeso, fazer a leitura da pressão arterial com uma braçadeira de tamanho "médio" pode levar a um valor falsamente elevado.
  • Posição incorreta do braço — Se sua pressão arterial for medida com seu braço paralelo ao corpo, a leitura pode ser até 10% maior que o valor real. A pressão arterial deve sempre ser medida com o braço em ângulo reto com o corpo.
  • Nervosismo — A "hipertensão do jaleco branco" é um termo usado quando a leitura da pressão arterial é alta por causa de estresse ou medo associado a médicos ou idas ao hospital.

Utilização da relação cintura-quadril para avaliar seu risco de hipertensão

Pesquisas sugerem que o tamanho de sua cintura pode ser uma medida eficaz para avaliar o risco de hipertensão relacionada à obesidade. Se você tem uma relação cintura-quadril elevada, ou seja, se você tem mais gordura em volta da cintura que nos quadris, você pode ter maior risco de hipertensão relacionada à obesidade.

Certas composições corporais tendem de fato a aumentar o risco de doenças crônicas, e já foi repetidamente demonstrado que centímetros extras em torno do tronco aumentam o risco cardiovascular. O tamanho de sua cintura também é um poderoso indicador de sua sensibilidade à insulina, uma vez que os estudos mostram claramente que medir o tamanho de sua cintura é uma das formas mais poderosas de predizer seu risco de diabetes.

Para calcular sua relação cintura-quadril, meça a circunferência de seus quadris na parte mais larga, passando pelas nádegas, e sua cintura na menor circunferência de sua cintura natural, logo acima do umbigo. Em seguida, divida a medida de sua cintura pela do quadril para obter a relação.

Critérios da relação cintura-quadril

Rigidez arterial associada à hipertensão arterial e deficiência de vitamina D

De acordo com pesquisadores noruegueses, a rigidez arterial (aterosclerose) é um fator determinante para a pressão alta e representa "um alvo terapêutico importante" para o tratamento.

Eles descobriram que, à medida que o sangue sai do coração, células da parede da aorta conhecidas como barorreceptores sentem a carga de pressão e enviam um sinal para que o sistema nervoso aumente ou diminua a pressão. No entanto, quanto mais rígidas estiverem as artérias, mais insensíveis e menos eficientes no envio dos sinais apropriados os barorreceptores se tornam.

Como resultado, o corpo não recebe o sinal para diminuir a pressão nas artérias. "’Isso vai contra os modelos existentes, que normalmente explicam a pressão alta em termos de uma função renal defeituosa’, disse Klas Pettersen, pesquisador da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida e autor principal do estudo."

Tome vitamina D para relaxar suas artérias e melhorar sua pressão arterial

A deficiência de vitamina D e o consumo de gordura trans podem levar à rigidez das artérias. A deficiência de vitamina D parece estar relacionada tanto à rigidez arterial quanto à hipertensão. Cada célula do corpo possui uma biblioteca de DNA que contém as informações necessárias para que ela reaja a virtualmente qualquer tipo de estímulo que possa encontrar, e a chave mestra para entrar nessa biblioteca é a vitamina D ativada.

É por isso que a vitamina D atua em tantos tecidos diferentes e afeta um número tão grande de diferentes doenças e problemas de saúde, incluindo as doenças cardíacas. De acordo com pesquisadores do Emory/Georgia Tech Predictive Health Institute, ainda que você seja considerado, no geral, "saudável", se tiver deficiência de vitamina D, suas artérias são provavelmente mais rígidas do que deveriam ser e sua pressão arterial pode estar alta porque seus vasos sanguíneos são incapazes de relaxar.

No estudo conduzido por eles, ter menos que 20 nanogramas por mililitro (ng/ml) foi considerado um estado de deficiência que eleva o risco de hipertensão. Menos que 30 ng/ml foi considerado insuficiente.

Expor a pele nua à luz solar afeta a pressão arterial por meio de diversos mecanismos, incluindo os seguintes:

  • A exposição ao sol faz o corpo produzir vitamina D. A falta de luz solar reduz as reservas de vitamina D e aumenta a produção de hormônio paratireoideo, o que aumenta a pressão arterial.
  • A deficiência de vitamina D também foi associada à resistência à insulina e à síndrome metabólica, um conjunto de problemas de saúde que pode incluir resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e triglicérides, obesidade e pressão alta.
  • A exposição ao sol aumenta o nível de óxido nítrico na pele. Isso dilata os vasos sanguíneos, reduzindo assim a pressão arterial.
  • A vitamina D também é um inibidor negativo do sistema renina-angiotensina (SRA) do corpo, que regula a pressão arterial.
  • Além disso, acredita-se que a exposição aos raios UV cause a liberação de endorfinas, substâncias químicas do cérebro que produzem sentimentos de euforia e alívio da dor. As endorfinas aliviam naturalmente o estresse, e o controle do estresse é um fator importante no tratamento da hipertensão.

Cinco importantes estratégias de estilo de vida para reduzir sua pressão arterial

Tudo bem, hora de chegar ao âmago da questão sobre como normalizar sua pressão arterial. Como mencionado anteriormente, a hipertensão arterial está tipicamente associada à resistência à insulina, que resulta de uma dieta com açúcar em excesso.

Conforme seu nível de insulina aumenta, o mesmo acontece com sua pressão arterial. A insulina armazena o magnésio, mas se seus receptores de insulina estiverem com baixa sensibilidade e suas células se tornarem resistentes a ela, você não consegue armazenar magnésio, que passa a sair do corpo na urina.

O magnésio armazenado em suas células relaxa os músculos. Se seu nível de magnésio estiver muito baixo, seus vasos sanguíneos irão se contrair em vez de relaxarem, e essa constrição aumenta sua pressão arterial.

O consumo de gordura trans é outro fator alimentar. Sabe-se atualmente que ela causa aterosclerose (endurecimento das artérias), algo que os pesquisadores agora apontam como outro foco do tratamento da hipertensão. Portanto, evite todas as gorduras trans ou hidrogenadas que foram modificadas para prolongar seu prazo de validade.

Isso inclui a margarina, óleos vegetais e vários produtos semelhantes à manteiga. Se sua pressão arterial está alta, você precisa restaurar sua sensibilidade à insulina e à leptina, e as cinco estratégias a seguir estão entre as mais eficazes para fazê-lo:

1. Evitar alimentos processados (por serem ricos em açúcar/frutose, grãos, gordura trans e outras gorduras danificadas).

2. O jejum intermitente é uma das formas mais eficazes que encontrei para normalizar a sensibilidade à insulina/leptina. Não é uma dieta em termos convencionais, mas sim uma maneira de programar sua alimentação de modo a promover o uso eficiente de energia.

3. Fazer dos alimentos integrais, idealmente orgânicos, o foco de sua alimentação.

4. Trocar carboidratos por gordura saudável. Fontes de gorduras saudáveis a serem incluídas em sua alimentação incluem:

Abacate

Manteiga feita com leite cru orgânico de animais alimentados com grama

Laticínios crus

Gemas de ovos caipiras orgânicos

Coco e óleo de coco

Óleos não aquecidos de nozes orgânicas

Nozes cruas, como noz-pecã e macadâmia, que são pobres em proteínas e ricas em gorduras saudáveis

Carnes de animais alimentados com grama ou de aves alimentadas com pasto

5. Exercitar-se regularmente. Como uma observação adicional, recomendo que você se treine para respirar pelo nariz durante o exercício, uma vez que respirar pela boca ao se exercitar pode elevar seu ritmo cardíaco e pressão arterial, o que algumas vezes resulta em fadiga e tontura.

A frutose faz com que a pressão arterial dispare

Se você está procurando controlar a pressão alta sem usar medicamentos, recomendo fortemente que seu primeiro passo seja eliminar todos os grãos e açúcares, particularmente a frutose, de sua alimentação até que seu peso e sua pressão arterial tenham se normalizado. Se você tem pressão alta, comer açúcar e grãos — incluindo qualquer tipo de pão, macarrão, milho, batata ou arroz — fará com que seus níveis de insulina e leptina, bem como sua pressão arterial, permaneçam elevados.

Foi descoberto em um estudo realizado em 2010 que aqueles que consumiam 74 gramas ou mais de frutose por dia (o equivalente a cerca de 2,5 bebidas açucaradas) tinham um risco 77% maior de ter níveis de pressão arterial de 160/100 mmHg (hipertensão estágio 2). Consumir 74 gramas ou mais de frutose por dia também aumentou o risco de uma leitura de pressão arterial de 135/85 em 26% e uma leitura de 140/90 em 30%.

Uma análise mais recente das pesquisas disponíveis, reportada pela revista Time sob o eloquente título “Sugar Goes Straight to Your Blood Pressure" (O açúcar vai direto para a sua pressão arterial, em tradução livre), concluiu que substâncias açucaradas fazem sua pressão arterial disparar independentemente de seu peso, embora comer muito açúcar geralmente cause ganho de peso, o que também contribui para a hipertensão (como discutido acima).

A frutose também eleva o ácido úrico, que aumenta a pressão arterial ao inibir o óxido nítrico nos vasos sanguíneos. (O ácido úrico é um subproduto do metabolismo da frutose. De fato, a frutose normalmente gera ácido úrico em poucos minutos após a ingestão.) O óxido nítrico ajuda os vasos a manter sua elasticidade, de modo que sua supressão leva ao aumento da pressão arterial.

Altos níveis de ácido úrico já foram há muito tempo associados à gota, mas estudos recentes revelam sua relação com diversos problemas de saúde mais sérios, incluindo hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, doença hepática gordurosa e doença renal.

+ Recursos e Referências