20 de maio é o dia mundial das abelhas

dia mundial das abelhas

Resumo da matéria -

  • 20 de maio é o Dia Mundial das Abelhas, e seu objetivo é sensibilizar as pessoas sobre a importância das abelhas e outros insetos polinizadores para a ecologia e a sobrevivência humana. Neste artigo, também estão inclusas sugestões de como ajudar a preservar a população de abelhas de onde você mora
  • Existem entre 25.000 e 30.000 espécies diferentes de abelhas pelo mundo. Mais de 75% do cultivo de alimentos no mundo depende delas e de outros polinizadores, assim como 90% das plantas floríferas selvagens
  • O primeiro relatório do "Estado da Biodiversidade Mundial para a Alimentação e a Agricultura" adverte que a biodiversidade está diminuindo pelo mundo, ameaçando a produção global de comida e a sobrevivência humana
  • Pesquisadores da Universidade de Nova Hampshire advertem que houve um declínio drástico na população de 14 espécies de abelhas necessárias para a polinização de maçãs, mirtilos, oxicocos e outras frutas cultivadas no noroeste dos EUA
  • Pesquisadores também advertem que o inseticida Sivanto (flupiradifurona), cuja criadora Bayer CropScience afirma ser completamente inofensivo para as abelhas, na verdade, faz mal para as abelhas forrageadoras, causando comportamentos anormais, deficiências em suas coordenações motoras e aumento de suas taxas de mortalidade
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Por Dr. Mercola

Dois anos atrás, em dezembro de 2017, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que o dia 20 de maio seria o Dia Mundial das Abelhas. A decisão foi resultado de uma iniciativa criada em 2015 pela Associação Eslovena de Apicultores, empenhada em sensibilizar as pessoas sobre a importância das abelhas e outros insetos polinizadores, largamente ameaçados de extinção devido às atividades tóxicas da humanidade.

Como explicado pela ONU, o dia 20 de maio foi escolhido porque "coincide com o aniversário de Anton Janša, que, no século XVIII, foi pioneiro das técnicas modernas de apicultura no seu país natal, a Eslovênia, e elogiou as abelhas pela sua capacidade de trabalhar arduamente, sem exigirem muita atenção."

Apesar de as abelhas mamangava serem as mais conhecidas, existem entre 25.000 e 30.000 espécies diferentes de abelhas ao redor do mundo. Na página do Centro de Segurança Alimentar, você pode encontrar uma lista de algumas das espécies mais comuns, como as abelhas do suor, abelhas escavadoras, abelhas carpinteiras, abelhas cuckoo, abelhas de chifres longos e muitas outras.

Mais de 75% do cultivo de alimentos no mundo depende, parcial ou totalmente, dessas abelhas ou de outros polinizadores assim como 90% das plantas floríferas selvagens. Além do mais, nos últimos 50 anos, houve um aumento de 300% na quantidade de plantações que dependem da polinização.

Assim, "cuidar das abelhas e de outros polinizadores faz parte do combate à fome no mundo", disse a ONU. Também é importante proteger e manter a biodiversidade entre as espécies de abelhas para garantir a resiliência da agricultura.

Relatório sobre a biodiversidade global adverte sobre problemas nos próximos anos

O primeiro relatório do "Estado da Biodiversidade Mundial para a Alimentação e a Agricultura" pela Comissão de Recursos Genéticos para Agricultura e Alimentação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, publicado em abril de 2019, adverte que a biodiversidade está diminuindo pelo mundo, ameaçando a produção global de alimentos e a sobrevivência humana.

Todas as formas de vida, incluindo animais, plantas e micro-organismos necessários para o fornecimento de alimentos, ração, combustível e fibras, estão perdendo suas diversidades. A página worldbeeday.org relatou:

"De cerca de 6.000 espécies de plantas agrícolas, menos de 200 contribuem para a produção global de alimento, e 66% dessa produção é composta por apenas nove dessas espécies. A produção pecuária do mundo se baseia em aproximadamente 40 espécies de animais, dos quais apenas alguns fornecem a grande maioria dos produtos, sendo estes carne, leite e ovos.

A quantidade de pesca está sendo excedida pelos estoques de peixes por um terço, ao passo que mais da metade dos estoques já atingiu seus limites de sustentabilidade…

No encontro da Comissão de Recursos Genéticos para Agricultura e Alimentação da FAO, os países da região europeia propuseram que os resultados do relatório fossem incluídos na estratégia da biodiversidade, que está em desenvolvimento pela FAO.

Muitos países propuseram que cada nação responda às conclusões do relatório, incluindo suas respectivas descobertas e conteúdos de suas normas nacionais, legislações, programas e projetos da área de biodiversidade da agricultura, florestas e alimentação, de acordo com suas capacidades, mesmo que ainda haja uma necessidade urgente de formular novas medidas para a implementação das conclusões do relatório.

O relatório também será importante para a discussão sobre o panorama da biodiversidade global após 2020, como parte da Convenção sobre Diversidade Biológica, e para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pela Agenda 2030."

Outro relatório global sobre polinizadores, polinização e produção de alimentos, publicado em 2016 pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), descobriu que uma estimativa de 16% dos polinizadores vertebrados do planeta estão ameaçados de extinção, assim como 30% das espécies que vivem em ilhas. O vice-presidente da IPBES, Sir Robert Watson, disse:

"Polinizadores selvagens de certas regiões, principalmente as abelhas e as borboletas, estão sendo ameaçados por vários fatores. O declínio de suas espécies ocorre principalmente devido à mudanças na forma com que a terra é usada, com práticas intensas de agricultura e uso de inseticidas, com o aparecimento de espécies invasoras, doenças e pragas, além de mudanças climáticas."

Espécies de abelhas entram em declínio no noroeste dos EUA

De forma similar, pesquisadores da Universidade de Nova Hampshire advertem para um "declínio drástico" na população de 14 espécies de abelhas necessárias para a polinização de maçãs, mirtilos, oxicocos e outras plantas cultivadas no noroeste dos EUA. Sandra Rehan, professora de ciências biológicas, disse à página ScienceDaily:

"Nós sabemos que as abelhas silvestres estão sob grandes riscos de extinção. Essa descoberta nos revela informações sobre as espécies em declínio, além das já muito conhecidas abelhas mamangava.

Como essas espécies são muito importantes para a polinização das plantações, isso gera muita preocupação, pois pode comprometer tanto a produção de produtos importantes quanto o fornecimento de alimentos para a população.

Nós descobrimos que as espécies de abelhas silvestres que existiam em abundância no sul do país, em regiões próximas ao mar, estão em declínio. Porém, nas áreas mais montanhosas do norte, como as Montanhas Brancas, essa mesma espécie ainda persiste, o que nos mostra como as mudanças climáticas estão afetando certas populações, especialmente nas áreas costeiras."

Utilizando dados de museus de até 125 anos atrás (de 1891 até 2016), os pesquisadores analisaram a predominância de 119 espécies silvestres de abelhas nativas de Nova Hampshire, que se espalharam pelo nordeste dos EUA e por toda a América do Norte.

Foi descoberto que a população de catorze dessas espécies sofreu um declínio considerável, enquanto a população de oito espécies cresceu. Das 14 espécies em declínio, 13 são abelhas que fazem suas colônias em buracos no chão. No geral, tanto as espécies em declínio quanto as em crescimento têm migrado para o norte pelos últimos 125 anos, o que sugere que a razão das migrações são as mudanças climáticas.

Pesquisas mostram que inseticidas considerados "inofensivos" para abelhas causam danos em suas populações

Em notícias relacionadas, o inseticida Sivanto (flupiradifurona), cuja criadora Bayer CropScience afirma ser completamente inofensivo para as abelhas, pode não ser tão inofensivo assim. Uma investigação com duração de um ano feita pela Universidade da Califórnia (UC) San Diego, descobriu que os testes feitos pela Bayer não incluíram algumas formas de uso dos inseticidas que causam comportamentos anormais e aumentam a taxa de mortalidade das abelhas a eles expostas.

O Sivanto, desenvolvido para substituir os inseticidas neonicotinóides, conhecidos por contribuírem para a morte das abelhas, foi registrado para uso comercial em 2014 e atualmente está disponível em 30 países, incluindo os EUA e países na África, Ásia e Europa. Espera-se que outros 65 países aprovem o uso do Sivanto em breve.

Sua classificação como "inofensivo às abelhas" permite que o Sivanto seja pulverizado sobre plantações em épocas de florescimento, momento em que as abelhas forrageadoras estão em atividade. No entanto, de acordo com a investigação, o inseticida "pode, sim, causar várias ameaças às abelhas dependendo da estação, da idade das abelhas e do seu uso em conjunto com outros produtos químicos, como os fungicidas", afirmam os pesquisadores.

O vídeo acima demonstra os comportamentos anormais e deficiências na coordenação motora das abelhas expostas ao Sivanto. Os pesquisadores também disseram em um comunicado de imprensa:

"…demonstrou que, no pior caso, doses realistas do Sivanto, em conjunto com um fungicida comum, é capaz de prejudicar o comportamento e a sobrevivência das abelhas, dependendo da estação e de suas idades. As abelhas afetadas sofreram um aumento na sua taxa de mortalidade, se comparadas com grupos de controle observados sob condições normais, e apresentaram comportamentos anormais, incluindo falta de coordenação, hiperatividade e apatia."

Os inseticidas precisam ser avaliados de forma mais rigorosa

Embora as diretrizes oficiais de avaliação dos riscos dos inseticidas determinem que estes sejam testados em abelhas dentro de suas colmeias, os pesquisadores descobriram que as abelhas forrageiras são mais suscetíveis a danos, pois normalmente ficam mais expostas ao produto químico e por causa das suas idades. 

As abelhas mais jovens trabalham dentro da colônia, enquanto as abelhas mais velhas fazem a colheita do lado de fora da colmeia.

Os efeitos nocivos do Sivanto eram quatro vezes mais fortes nas abelhas forrageiras do que nas abelhas dentro da colmeia. Então é óbvio que o Sivanto ameaça a saúde da colônia inteira. Os danos causados também foram maiores em ambos os tipos de abelhas durante o verão, se comparados com a primavera.

"De acordo com os autores, esses testes que calculam apenas os efeitos letais dos inseticidas não são suficientes para avaliar a complexidade dos seus efeitos", disseram os pesquisadores. A pesquisadora chefe, Simone Tosi, que trabalha na ANSES, a Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional, comentou:

"Essa pesquisa representa um avanço para uma melhor compreensão dos riscos que os inseticidas causam às abelhas e ao meio ambiente. Nossos resultados destacam a importância da avaliação dos efeitos que os inseticidas causam nos animais, e demonstram que o sinergismo, a sazonalidade e a idade das abelhas são fatores importantes que influenciam o nível de toxicidade dos inseticidas."

James Nieh, professor de ciências biológicas na UC San Diego, acrescentou:

"Já que as diretrizes oficiais de avaliação dos riscos dos inseticidas exige testes limitados que verificam apenas superficialmente o comportamento das abelhas, sem considerar a influência de suas idades e da estação do ano, os resultados dessa pesquisa levantam preocupações quanto à segurança de vários outros inseticidas aprovados, não só o Sivanto.

A pesquisa também sugere que as avaliações dos riscos dos inseticidas devem ser aprimoradas para determinar os efeitos de outros inseticidas comuns sobre o comportamento e sobrevivência das abelhas… A ideia de que o Sivanto vai matar todas as coisas ruins, mas preservar todas as boas, é muito encantadora, mas requer cautela."

Como celebrar o Dia Mundial das Abelhas e protegê-las diariamente

Na página worldbeeday.org, é possível encontrar várias sugestões sobre como celebrar o Dia Mundial das Abelhas em escolas e jardins de infância, através de atividades didáticas. Por exemplo, as escolas são encorajadas a organizar visitas educativas a apicultores locais, proporcionando aprendizados para as crianças sobre as abelhas e as plantas produtoras de néctar, sobre a produção de mel e a instalação de uma colmeia.

Existem também várias medidas que você pode tomar individualmente para ajudar a proteger nossas polinizadoras, não somente no Dia Mundial das Abelhas, mas em todos os outros dias. Basta seguir essas sugestões publicadas pela worldbeeday.org:

Plante flores produtoras de néctar no seu jardim, quintal ou varanda para ajudar a alimentar as abelhas, e evite o uso de inseticidas e herbicidas tóxicos que possam ferir nossas polinizadoras! Se você possuir um sítio, grande ou pequeno, plante flores para encorajar a população de abelhas silvestres. O vídeo a seguir, filmado pelo Projeto Integrado de Polinização de Plantações, demonstra técnicas muito úteis de plantio.

Compre mel e outros produtos dos apicultores locais para estimular seus comércios.

Ensine seus filhos sobre a importância das abelhas e dos apicultores.

Instale uma colmeia.

Preserve os campos e plante flores silvestres no seu jardim, mas certifique-se de que as flores que você escolher sejam nativas do local onde mora. Plantas nativas de outras regiões não contribuem muito para a alimentação dos insetos locais, pois eles não são capazes de se adaptar e de se alimentar de qualquer alimento disponível. As plantas hibridizadas também não fornecem a nutrição adequada aos insetos e, por isso, podem ser consideradas como "alimentos processados".

Espere para aparar a grama dos pastos até que as plantas produtoras de néctar terminem de florescer, assim você não vai privar as abelhas dos nutrientes importantes.

Evite o uso de inseticidas e herbicidas tóxicos. E mesmo se utilizar produtos atóxicos, tenha o cuidado de utilizá-los somente com pouco ou nenhum vento, e de manhã bem cedo ou tarde da noite, períodos em que as abelhas não estão trabalhando fora das colmeias.

Plantas em florescimento e árvores que precisam de inseticidas devem ser cobertas antes de usar o produto, para evitar que as abelhas sejam atraídas.