Como Prevenir e Tratar Problemas Renais Através da Alimentação

Cor da urina

Resumo da matéria -

  • O funcionamento ruim dos rins está associado à diabetes, hipertensão e doença cardíaca. Entre os sinais comuns de problemas nos rins estão urina frequente, dificuldades para urinar e sede constante
  • O bom funcionamento dos rins é essencial para manter a homeostase no corpo, incluindo o nível de pH e o equilíbrio de eletrólitos; seus rins também produzem os hormônios que fazem glóbulos vermelhos e regulam a pressão arterial
  • A maioria consome três a cinco vezes mais proteínas do que o necessário e duas a quatro vezes mais frutose do que os níveis seguros.
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Por Dr. Mercola

Seus rins, dois órgãos em formato de feijão, encontram-se logo abaixo da caixa torácica nos dois lados da coluna vertebral. Em cima de cada rim ficam as glândulas suprarrenais. Todos os dias, os rins filtram até 140 litros de sangue e eliminam resíduos através da urina.

Um dos motivos por que você precisa beber água suficiente é para assegurar o funcionamento saudável dos rins. Na realidade, a desidratação crônica de baixo grau é uma das causas mais comuns de cálculo renal.

O funcionamento ruim dos rins também está associado a inúmeros problemas graves de saúde, como diabetes, hipertensão e doença cardíaca. Entre os sinais comuns de problemas renais estão:

  • Urinar com frequência
  • Dificuldades para urinar
  • Dor ou sensação de ardência ao urinar
  • Sede constante

O bom funcionamento renal é essencial para manter a homeostase no corpo, começando com a composição do sangue. Por exemplo, os rins são responsáveis por manter o nível adequado de pH e equilíbrio de eletrólitos (as relações de sódio, potássio e fosfato).

Eles também produzem os hormônios que fazem glóbulos vermelhos e aqueles que ajudam a regular a pressão arterial.

Fatores Alimentares que Ameaçam a Saúde dos Rins

Os resíduos removidos pelos rins e eliminados através da urina incluem ureia e ácido úrico, produzidos pela decomposição de proteínas e ácidos nucleicos respectivamente.

O consumo excessivo de proteínas aumenta a ureia, enquanto o ácido úrico é um subproduto do metabolismo da proteína e frutose. A frutose geralmente produz ácido úrico minutos após a ingestão.

A maioria consome três a cinco vezes mais proteínas do que precisa, e duas a quatro vezes (ou mais) frutose do que é considerado seguro. Esses dois fatores alimentares, sozinhos e principalmente em combinação, produzem grande estresse nos rins e promovem doença e pedras nos rins.

As pedras estão ligadas principalmente a uma alimentação rica em frutose processada e outros açúcares, já que o açúcar perturba a relação mineral do corpo interferindo na absorção de cálcio e magnésio. O ácido fosfórico do refrigerante também acidifica a urina, que promove a formação de pedras.

Os remédios analgésicos também são conhecidos por danificar os rins quando ingeridos em excesso e/ou durante longos períodos. Entre eles estão a aspirina, drogas anti-inflamatórias (AINEs), ibuprofeno, naproxeno e paracetamol — principalmente quando tomados juntamente com álcool, mesmo que a quantidade de álcool seja pequena.

Três Medidas Alimentares Para Proteger o Funcionamento dos Rins

  • Limite o consumo de proteínas para exatamente o que o corpo necessita. A ingestão ideal de proteínas fica em aproximadamente meio grama de proteína por 500 gramas de massa corporal magra, o que significa 40 a 70 gramas por dia para a grande maioria.
  • Diminua o consumo de frutose para 25 gramas por dia (cerca de 6 colheres de chá) ou menos (principalmente se você tem resistência à insulina/leptina)
  • Beba água pura. A simples troca das bebidas adoçadas (como refrigerantes e sucos de fruta) por água pode ajudar muito a melhorar o funcionamento dos rins e a saúde em geral.

Como Calcular sua Necessidade de Proteínas

Nesta fórmula, é necessário saber a sua massa magra primeiro. Para isso, subtraia o percentual de gordura corporal de 100. Por exemplo, se você tem 30% de gordura, então você tem 70% de massa magra.

Multiplique então essa porcentagem (nesse caso, 0,7) pelo peso atual para obter a massa magra em libras ou quilos. Por exemplo, se você pesa 170 libras, 0,7 multiplicado por 170 é igual a 119 libras de massa magra.

Usando a regra do "meio grama de proteína", você precisaria de 59,5 ou um pouco menos de 60 gramas de proteína por dia.

100 – % de gordura corporal = % de massa magra X peso atual X 0,5 g de proteína = total recomendado de proteínas em gramas

Exemplo: Uma pessoa que pesa 170 lb com 30% de massa gorda

100% do peso total – 30% de massa gorda = 70% de massa magra

0,70 X 170 = 119 X 0,5 = 60 gramas de proteína recomendadas

Como Converter os Requisitos Ideais de Proteína em Alimentos

Para saber se você está ingerindo muita proteína, basta calcular a massa magra conforme descrito acima, escrever tudo que você está comendo por alguns dias e calcular a quantidade diária de proteína de todas as fontes.

De novo, você está buscando meio grama de proteína por libra de massa magra, o que colocaria a maioria das pessoas na faixa de 40 a 70 gramas de proteína por dia. Se você está ingerindo bem mais do que isso, diminua a quantidade conforme necessário.

A tabela abaixo oferece uma ideia geral do teor de proteína de vários alimentos. Eu mesmo uso o Cronometer.com para inserir tudo que eu como e para calcular com atenção a necessidade de proteínas em gramas.

Carne vermelha, porco e aves têm, em média, 6 a 9 gramas de proteína por 28 gramas. 

A quantidade ideal para a maioria das pessoas seria uma porção de 85 gramas de carne (e não bifes de 250 ou 340 gramas!), o que fornece cerca de 18 a 27 gramas de proteína

Os ovos contêm cerca de 6 a 8 gramas por ovo. 

Portanto, uma omelete de dois ovos oferece cerca de 12 a 16 gramas de proteína. 

Se você acrescenta queijo, é preciso calcular aquela proteína também (verifique o rótulo do queijo)

As sementes e nozes contêm, em média, 4 a 8 gramas de proteína por um quarto de xícara

O feijão cozido tem, em média, 7 a 8 gramas por meia xícara

Os grãos cozidos têm, em média, 5 a 7 gramas por xícara

A maioria dos vegetais contém cerca de 1 a 2 gramas de proteína por 28 gramas

Doença Renal e/ou Pedras nos Rins

  • Pedras de estruvita: encontradas com maior frequência nas mulheres, são quase sempre o resultado de infecções do trato urinário
  • Pedras de cistina: representam uma porcentagem bem pequena dos cálculos renais. Elas surgem como resultado de um distúrbio hereditário que faz com que os rins excretem grandes quantidades de determinados aminoácidos (cistinúria)
  • Pedras de ácido úrico: são um subproduto do metabolismo de proteína e frutose e são encontradas geralmente com a gota. Reduzir o consumo de proteína e frutose é essencial para prevenir e tratar esses tipos de pedras. A ingestão de citrato de potássio (que reduz a acidez da urina e a excreção de cálcio na urina) também pode ajudar a prevenir as pedras de ácido úrico.
  • Pedras de oxalato de cálcio: são as mais comuns. Cerca de 80% dos cálculos renais são formados por cálcio e aproximadamente 80% deles são pedras de oxalato de cálcio. Geralmente, eles surgem como resultado da ingestão insuficiente de água e de fatores alimentares, como consumo excessivo de oxalato, proteínas e sal processado

O oxalato é encontrado em algumas frutas e vegetais, mas seu fígado produz grande parte dele. Se você apresenta pedras de oxalato, seu médico pode recomendar que evite alimentos ricos em oxalato. Além disso, certifique-se de ingerir quantidades suficientes de magnésio, pois o magnésio ajuda a evitar que o cálcio se combine ao oxalato e forme pedras.

Se você tem pedras de oxalato de cálcio, em vez de reduzir o consumo de cálcio seria melhor minimizar a quantidade de oxalatos no corpo. A soja e a cerveja são os principais culpados que devem ser evitados. Por motivos que não são claros, o suco de toranja mostrou aumentar o risco de cálculos renais, sendo assim, é melhor evitá-lo.

Outros alimentos com altos níveis de oxalato que seria bom evitar se você tiver pedras nos rins de oxalato de cálcio incluem:

Espinafre Ruibarbo Chocolate
Salsa Beterraba A maioria dos legumes, inclusive vagem
Trigo e outras farinhas à base de grãos Pimenta Nozes

Potássio e Saúde dos Rins

O potássio é um nutriente muito importante quando você tem uma doença renal. Por um lado, o potássio (um mineral e eletrólito) é essencial para que as células, tecidos e órgãos funcionem corretamente. Ele exerce um papel vital na saúde do coração, no funcionamento digestivo e muscular, na saúde óssea e muito mais.

Embora o potássio seja encontrado em vários alimentos consumidos normalmente nos Estados Unidos — como frutas, vegetais, produtos lácteos, salmão, sardinhas e nozes — somente 2% dos adultos americanos obtêm a quantidade diária recomendada de 4.700 miligramas.

Isso pode ser problemático porque o potássio precisa ser mantido no equilíbrio certo com o sódio no sangue. Se você consumir muito sódio, que é comum se você come muitos alimentos processados, você terá uma necessidade maior de potássio.

Outras pessoas com risco de apresentar potássio baixo (hipocalemia) são aquelas com síndromes crônicas de má absorção, como a doença de Crohn, ou aquelas que tomam medicamentos para o coração (principalmente diuréticos de alça). 

No entanto, qualquer pessoa com uma alimentação ruim (excesso de alimentos processados e quantidade insuficiente de alimentos frescos e integrais) tem risco em potencial de apresentar níveis inadequados de potássio.

Com tudo isso, se você tem uma deficiência renal grave, é preciso restringir o consumo de alimentos ricos em potássio. Por quê? Porque os rins são responsáveis por manter a quantidade certa de potássio no corpo e, quando eles não estão funcionando bem, os níveis podem ser elevados de forma excessiva.

Consumo Recomendado de Potássio Pode Variar

Se seus rins estão funcionando bem, a quantidade recomendada de potássio é cerca de 4.700 mg por dia, que também precisa ser equilibrada com sódio. Como regra geral, a relação entre potássio e sódio deve ser cerca de 5:1.

A maneira mais fácil de obter essa relação é comendo alimentos REAIS (muitas hortaliças frescas), de preferência cultivadas localmente e de modo orgânico para garantir o teor ideal de nutrientes.

Esse tipo de alimentação integral oferece quantidades bem maiores de potássio em relação ao sódio, enquanto a ingestão de alimentos processados é praticamente certa que fornece uma relação desequilibrada. Os sucos de hortaliças também são uma excelente opção para garantir a quantidade suficiente de potássio.

Superalimentos Bons Para os Rins

Pimentão vermelho: pobre em potássio, rico em vitaminas A, B6, C, ácido fólico e fibras Cereja: rica em antioxidantes e substâncias fitoquímicas
Repolho: pobre em potássio, rico em vitaminas C e K, e em fibras e substâncias fitoquímicas que protegem contra os danos causados por radicais livres Uva vermelha e roxa: rica em antioxidantes; a pele é principalmente rica em resveratrol
Couve-flor: rica em vitamina C, ácido fólico e fibras Melancia: rica em água, com propriedades diuréticas, permite que você produza mais urina para eliminar as toxinas
Alho: propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e anticoagulantes Suco de limão: ajuda a reduzir a formação de cálculo renal
Cebola: pobre em potássio, rica em antioxidantes, principalmente quercetina, com propriedades naturais anti-histamínicas Sementes de abóbora: ricas em antioxidantes, vitaminas e minerais, principalmente magnésio, que ajuda a reduzir o risco de cálculos renais
Maçã: rica em fibras, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios. O vinagre de cidra de maçã orgânico é bom para prevenir os cálculos renais Couve-de-folhas: pobre em potássio, boa fonte de vitaminas A e C, rica em ferro, este último importante para a saúde dos rins. Várias pessoas com doença renal também apresentam deficiência de ferro
Frutas vermelhas,como mirtilo, framboesa e morango Batata-doce: rica em betacaroteno, vitaminas A e C e fibras, além de ser uma boa fonte de B6 e potássio

Plantas que Limpam os Rins

Gengibre: elimina as toxinas do sangue e dos rins

Trevo-vermelho: diurético que estimula a remoção de resíduos dos rins

Cúrcuma: possui propriedades antissépticas e anti-inflamatórias que ajudam a prevenir e tratar infecções e inflamações nos rins

Quebra-pedra: usada na América do Sul para romper os cálculos renais

Dente-de-leão: diurético natural que ajuda a fortalecer os rins e aliviar problemas do trato urinário

Raiz de hortênsia: remédio dos índios americanos para pedras nos rins

Urtiga: diurético natural que ajuda a purificar o sangue e tratar infecções do trato urinário; também é rica em ferro, tornando-a benéfica para a produção de sangue

Raiz de uva-de-urso: ajuda a tratar problemas urinários e da bexiga

Raiz de marshmallow: diurético natural que ajuda a tratar infecções do trato urinário, cálculos renais e infecções da bexiga

Erva de Joe Pye (Eupatorium Purpureum): remédio indígena para a saúde do trato urinário e dos rins

Zimbro: melhora o funcionamento renal e ajuda a tratar infecções do trato urinário e pedras nos rins e/ou na vesícula. 

Evite a baga de zimbro se você tem uma infecção renal e/ou está grávida. Além disso, não tome continuamente por mais de quatro semanas

Raiz de solidago: remédio dos índios americanos usado tradicionalmente para dar suporte à saúde do trato urinário e dos rins

Raiz de milefólio: diurético natural com propriedades antissépticas e anti-inflamatórias; bom para infecções do trato urinário