Dieta e Exercícios Podem Reduzir os Efeitos da Doença de Parkinson e Promover a Saúde Geral do Sistema Imunológico

Parkinson

Resumo da matéria -

  • A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico no qual neurônios produtores de dopamina, localizados em uma região do cérebro conhecida como substância negra e necessários para o movimento normal do corpo, começam a morrer
  • Um estudo recente sugere que exercícios podem ser benéficos, melhorando o equilíbrio, mobilidade e a qualidade de vida em geral dos portadores de Parkinson
  • Uma dieta cetogênica também pode ser útil, e o jejum já se mostrou eficiente na proteção contra alterações celulares associadas à doença de Parkinson
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Por Dr. Mercola

A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico no qual neurônios em células produtoras de dopamina, localizadas em uma região do cérebro conhecida como substância negra e necessárias para o movimento normal do corpo, começam a morrer.

Os sintomas, que tipicamente progridem com o tempo, incluem tremores, movimentos lentos, membros rígidos, postura encurvada, incapacidade de se movimentar, redução das expressões faciais e um andar arrastado.

A condição também pode causar depressão, demência, dificuldades na fala, mudanças de personalidade e problemas sexuais. No entanto, um estudo recente sugere que o exercício pode ser benéfico, melhorando o equilíbrio, a mobilidade e a qualidade de vida em geral.

Uma dieta cetogênica também pode ser útil, e o jejum mostrou ter um impacto geral positivo sobre o sistema imunológico e a atividade cerebral, ajudando na proteção contra alterações celulares associadas à doença de Parkinson.

Exercícios beneficiam os portadores de Parkinson

No estudo destacado, 231 pacientes com Parkinson foram divididos em dois grupos. Um dos grupos recebeu seu tratamento habitual enquanto o outro participou de sessões de 40 a 60 minutos de exercícios, três vezes por semana, durante seis meses. Entre os pacientes com sintomas mais leves da doença, aqueles que se exercitaram relataram uma redução de 70% nas quedas.

Segundo os autores:

“Um programa de exercícios voltado para o equilíbrio, força nas pernas e congelamento da marcha não reduziu as quedas, porém melhorou a saúde física e psicológica. As quedas foram reduzidas em pessoas com sintomas mais leves, mas não naquelas com sintomas severos da doença de Parkinson.”

Outras pesquisas demonstraram benefícios semelhantes. Por exemplo, um estudo realizado em 2012 mostrou que exercícios de baixa intensidade na esteira melhoraram a velocidade da marcha e que tanto exercícios de alta quanto de baixa intensidade melhoraram o condicionamento cardiovascular. Sem surpresa, exercícios de alongamento e resistência também mostraram melhorar a força muscular.

Outro estudo sueco, que durou 12 anos e incluiu quase 43.400 pessoas, concluiu que seis horas de exercício moderado semanalmente podem reduzir o risco de que se desenvolva a doença de Parkinson em 43%.

A origem tóxica do Parkinson

Parece haver uma influência marcante da toxicidade no desenvolvimento da doença de Parkinson, o que torna considerações alimentares ainda mais importantes. Quase uma dúzia de pesticidas comumente utilizados já foram associados ao Parkinson, sugerindo que o melhor a fazer é consumir o máximo possível de produtos orgânicos.

A doença de Parkinson ainda é classificada como idiopática, ou seja, não tem causa identificável. Mas uma das razões para o possível aumento do número de casos são as diversas toxinas ambientais que, hoje em dia, bombardeiam seu corpo diariamente, com a exposição a pesticidas tornando-se um fator de risco inegável.

Evitar a exposição a pesticidas — em sua casa, em sua comunidade e através dos alimentos que você come — é claramente importante para diminuir seu risco de desenvolver Parkinson, assim como reduzir sua exposição a toxinas ambientais de todos os tipos. Outro fator de risco ambiental importante e muitas vezes negligenciado são os amálgamas para preenchimento dentário, constituídos em 50% por mercúrio — uma neurotoxina conhecida.

O mercúrio se transforma em uma espécie de descarrilamento bioquímico no corpo, causando vazamentos das membranas celulares e inibindo enzimas fundamentais para a produção de energia e remoção de toxinas. A toxidade do mercúrio pode levar a grandes inflamações e doenças crônicas, como a doença de Parkinson.

O jejum ajuda a melhorar o sistema imunológico e a atividade cerebral

O jejum é conhecido por trazer uma série de benefícios para a saúde, incluindo perda de peso e melhora da sensibilidade à insulina e à leptina, mas uma nova pesquisa sugere que o jejum também ajuda a reforçar o funcionamento do sistema imunológico. Porém, se você está abaixo do peso, deve ser muito cuidadoso sobre implementar o jejum sem supervisão profissional. Segundo um dos coautores do estudo, Valter Longo, diretor do USC Longevity Institute:

“Quando você passa fome, o corpo tenta economizar energia, e uma das coisas que ele pode fazer para isso é reciclar várias células imunológicas desnecessárias, principalmente aquelas que podem estar danificadas. O que começamos a observar, tanto em nossos estudos com humanos quanto com animais, é que a contagem de glóbulos brancos diminui com o jejum prolongado. Então, quando você se alimenta novamente, as células sanguíneas voltam.”

Os glóbulos brancos são sua principal defesa contra doenças. Curiosamente, quando você jejua, um “interruptor regenerativo” é ligado, promovendo uma regeneração — com base nas células tronco — de seu sistema hematopoiético, o qual está envolvido na produção do sangue. Conforme relatado pelo jornal Medical Daily:

“Depois que os participantes do teste ficaram sem comida durante dois a quatro dias ao longo de seis meses, o sistema hematopoiético matou células imunológicas velhas e danificadas e gerou novas células. O sistema é composto pelos órgãos envolvidos na renovação sanguínea, o que leva os cientistas a acreditar que seus achados terão um grande impacto sobre um envelhecimento mais saudável…

A cada jejum, a diminuição de glóbulos brancos impulsionou a produção de novas células no sistema imunológico. Quando a enzima PKA foi reduzida juntamente com as células no processo de jejum, Longo e sua equipe perceberam que havia um interruptor sendo ligado. O interruptor possibilitava a criação de novas células e também reduzia os níveis de IGF-1, um hormônio relacionado ao envelhecimento, crescimento de tumores e risco de câncer.”

Além disso, existem pesquisas interessantes que indicam que o jejum intermitente também pode ter um impacto muito positivo sobre a atividade cerebral. Uma pesquisa realizada pelo Dr. Mark Mattson sugere que jejuar em dias alternados (restringindo a alimentação em dias de jejum a cerca de 600 calorias) tende a aumentar o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) em 50 a 400 por cento, dependendo da região cerebral.

O BDNF ativa células-tronco cerebrais para que se convertam em novos neurônios, ativando também várias outras substâncias químicas que promovem a saúde neural. Essa proteína também protege as células do cérebro de alterações associadas à doença de Parkinson e à de Alzheimer.

Seu corpo foi construído para ciclos periódicos de “banquete e fome”

Parte do que parece estar por trás de processos de adoecimento corporal é o fato de que comemos com muita frequência. Quando você está constantemente em “modo de banquete”, seu corpo renuncia a grande parte de sua “programação de reparo e rejuvenescimento” natural. O jejum periódico fornece uma série de benefícios para a saúde que a maioria das pessoas procura: desde a melhora da saúde cardiovascular e redução do risco de câncer ao reparo genético e longevidade.

Pesquisas recentes mostram que você pode obter a maioria, se não todos os benefícios da restrição calórica severa por meio do jejum intermitente, ou seja, um esquema alimentar no qual você faz suas refeições normalmente em alguns dias e reduz drasticamente as calorias em outros. Uma outra alternativa, que é minha favorita, é simplesmente restringir sua alimentação diária a um período específico, como um intervalo de oito horas.

Esse tipo de esquema alimentar é muito fácil de ser seguido quando seu corpo tiver trocado a queima de açúcar pela queima de gordura como fonte primária de combustível. Além disso, você não precisa ficar em regime de jejum por toda a vida. Quando sua resistência à insulina melhorar e você chegar ao peso normal, poderá começar a comer mais alimentos, pois terá reestabelecido a capacidade do seu corpo de queimar gordura para obter combustível.

Sua alimentação determina sua função metabólica

O problema para a maioria dos ocidentais, cuja alimentação costuma ser rica em açúcar e carboidratos, é que eles perderam a capacidade de queimar cetonas com eficiência. Se esse é o seu caso, os carboidratos estão sempre presentes e seu fígado não se lembra de como produzir cetonas, pois ele não precisa.

Sua máquina de queimar gordura está basicamente desligada… O triste é que, se você consome a comida típica americana, é provável que tenha perdido a capacidade de queimar gordura corporal, apesar de tê-la em enorme quantidade!

Eliminar o excesso de açúcar e grãos de sua alimentação ajudará a “retreinar” seu corpo para obter combustível através da queima de gordura. Normalmente, reduzir seus carboidratos para 30 a 40 gramas por dia, juntamente com uma quantidade apropriada de proteínas (cerca de um grama por quilo do peso corporal magro) é o suficiente para que seu cérebro fique “faminto” e entre em cetose.

Exercitar-se, principalmente durante o jejum, também é uma forma muito eficaz de ativar sua máquina de queimar gordura. Quanto mais constantes forem seus exercícios, mais eficiente seu corpo será para utilizar suas reservas de gordura para obter energia.

Estratégias que podem aumentar sua longevidade e que também ajudam a prevenir a doença de Parkinson

Um fator fundamental para uma vida longa e saudável é a otimização de sua sensibilidade à insulina e à leptina, e há motivos para que se acredite que isso também seja importante para prevenir distúrbios neurológicos como a doença de Parkinson. Exercícios, jejum intermitente e uma dieta rica em gorduras saudáveis, juntamente com uma baixa quantidade de carboidratos não vegetais e uma quantidade moderada de proteínas, podem provavelmente fazer muito para prevenir e tratar a doença de Parkinson e vários outros problemas de saúde. Fatores adicionais de estilo de vida que devem ser levados em consideração incluem os seguintes:

  • Comer alimentos orgânicos e integrais — De modo geral, você deve concentrar sua dieta em alimentos integrais e não processados, idealmente orgânicos, provenientes de fontes saudáveis, sustentáveis e preferencialmente locais. Para um maior benefício nutricional, coma uma boa porção de alimentos crus. Esse tipo de dieta otimizará naturalmente sua sinalização de insulina. O açúcar refinado e a frutose processada, em particular, podem agir como uma toxina quando consumidos em excesso, provocando diversos processos patológicos em seu corpo — incluindo resistência à insulina, diabetes, doenças cardiovasculares e inflamação sistêmica.
  • Desfrute de um programa abrangente de exercícios — Ainda que você tenha a melhor alimentação do mundo, ainda precisa se exercitar — e de forma eficaz — se deseja otimizar sua saúde. Você deve incluir exercícios de fortalecimento dos músculos do core, treino de força e o tipo certo de alongamento, bem como atividades de “explosão” de alta intensidade.
  • Otimize sua vitamina D — Pesquisadores relatam que há uma correlação entre níveis insuficientes de vitamina D e o desenvolvimento da doença de Parkinson precoce. O fator importante quando se trata de vitamina D é seu nível sérico, que idealmente deve estar entre 50-70 ng/ml o ano inteiro, e a única maneira de determinar esse valor é por meio de um exame de sangue. A exposição ao sol ou o bronzeamento artificial são os métodos preferenciais, mas um suplemento de vitamina D3 pode ser usado quando necessário.
  • Consuma bastante ômega-3 de origem animal — As gorduras ômega-3, como as encontradas no óleo de krill, desempenham um papel importante na proteção de suas células cerebrais. Elas agem em parte impedindo o enovelamento incorreto de uma proteína resultante de uma mutação genética em doenças neurodegenerativas como o Parkinson.
  • Evite o máximo possível de produtos químicos e toxinas — Isso inclui jogar fora itens tóxicos como produtos de limpeza doméstica, sabonetes, produtos de higiene pessoal, purificadores de ar, repelentes, pesticidas e inseticidas, apenas para citar alguns, e substituí-los por alternativas não tóxicas. Uma alimentação orgânica é a melhor maneira de limitar a exposição a pesticidas associados à doença de Parkinson. Evite também, sempre que possível, medicamentos prescritos em favor de abordagens mais naturais.