Canábis para o Tratamento da Epilepsia e Mais

maconha medicinal

Resumo da matéria -

  • A canábis (cannabis) demonstrou não ser tóxica, e tem um perfil de segurança robusto
  • A canábis frequentemente funciona quando outras medicações falham, então ela não é apenas mais segura que medicamentos prescritos, mas as preparações de canábis também tendem a oferecer maior eficácia
  • Crianças com epilepsia podem frequentemente conseguir rápido alívio usando óleo de canábis; cerca de 25% experimentam uma redução significativa nas convulsões dentro de dias ou semanas
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Por Dr. Mercola

Muitos medicamentos são fabricados não porque há grande necessidade médica, mas porque há grande possibilidade de lucro.

Em muitos casos, terapias holísticas e remédios já existentes tomam o lugar de muitos produtos farmaceuticos sintéticos. A canábis é uma dessas terapias, e de acordo com a Dra. Gedde “é hora de fazer perguntas e olhar para uma forma diferente de pensar sobre essa planta”.

A Dra. Gedde é a proprietária e fundadora da Gedde Whole Health, localizada no Colorado, e do Clinicians' Institute of Cannabis Medicine.

“Eu na verdade nunca imaginei que estaria neste ramo”, ela diz. “Minha residência médica foi originalmente em patologia e pesquisa, e eu passei muitos anos no laboratório de pesquisa.

Meu PhD é em química biofísica junto com meu MD. Eu fiz meu treinamento em Stanford, e depois trabalhei na indústria farmacêutica. Eu não tinha ideia de que a canábis era na verdade remédio”.

Uma infinidade de pesquisas mostra que a maconha de fato é uma excelente promessa como planta medicinal, amplamente devido a seu conteúdo de canabidiol (CBD). Os canabinoides interagem com seu corpo por meio de receptores de canabinoides naturalmente existentes embutidos em membranas celulares através de seu corpo.

Há receptores de canabinoides em seu cérebro, pulmões, fígado, rins, sistema imunológico, e mais. Tanto as propriedades terapêuticas quanto as psicoativas da maconha ocorrem quando um canabinoide ativa um receptor de canabinoide.

Fundamentos da Canábis

A planta canábis contém canabidiol (CBD) e tetrahidocanabinol (THC). Ambos componentes possuem propriedades medicinais, mas enquanto o THC possui atividade psicoativa que pode fazer você sentir-se “embriagado”, o CBD não possui. A planta inteira também contém uma variedade de terpenos que também possuem propriedades medicinais.

Através da reprodução tradicional da planta e trocas de sementes, os cultivadores começaram a produzir canábis para uso medicinal que possuem níveis mais altos de CBD e mais baixos de THC. O Dr. Allan Frankel, especialista da Califórnia que trata pacientes com canábis medicinal, trabalha com uma variedade de cepas ricas em CBD.

O CBD é atualmente classificado como substância controlada Classificação 1, o que significa:

  • O medicamento ou outra substância possui um alto potencial de abuso
  • O medicamento ou outra substância não possui uso medicinal aceito atualmente em tratamento nos EUA
  • Há falta de segurança aceita para uso do medicamento ou outra substância sob supervisão médica

Não há dúvida de que o CBD precisa ser reclassificado, já que cada um destes três pontos está evidentemente errado.

“O lugar para argumentar, em minha opinião, seria em nível federal”, diz a Dra. Gedde. Defender a reclassificação da canábis. Ela está atualmente listada na Classificação I – substância muito perigosa. Para corresponder a seu real perfil de segurança e toxicidade, ela deveria estar numa classificação bem menor. Se ela fosse mudada, três coisas principais aconteceriam:

1 – Os médicos poderia prescrever canábis. Os médicos poderiam realmente ajudar seus pacientes a conseguir exatamente o que precisam sem o tipo de situação em que pacientes precisam encontrar sua própria fonte.

2- Médicos podem fazer pesquisa clínica real. Você não pode fazer um estudo humano aprovado com uma substância que o governo federal diz ser altamente perigosa. Não é permitido. Se ela for reclassificada, os médicos poderão então fazer pesquisa clínica real, que foi proibida.

3 – Poderíamos potencialmente ter cobertura de seguros para canábis, o que seria muito importante para pessoas poderem beneficiar-se dela.”

Ela também sugere conversar com os legisladores de seu estado. No momento, 32 estados têm maconha medicinal legalizada.

A conscientização está começando a aumentar, e muitos estão começando a reconhecer o valor medicinal da canábis. Até o US Surgeon General recentemente falou a favor damaconha medicinal.

A afirmação ecoa um sentimento crescente nas comunidades médicas e científicas de que os benefícios da maconha para a saúde não deveriam mais ser ignorados. Mas ainda há muitos obstáculos, e muitos estados ainda possuem leis rígidas contra seu uso — até em pacientes terminais.

Como a Canábis Compara-se aos Medicamentos Prescritos?

Uma variedade de medicamentos prescritos são bem conhecidos por ser perigosos. O analgésico Vioxx é um exemplo clássico que matou mais de 60.000 pessoas antes de ser retirado do mercado.

De acordo com a Dra. Gedde, a canábis é certamente muito mais segura que medicamentos prescritos, e há informações suficientes para compará-la com as toxicidades conhecidas de muitos medicamentos atualmente em uso. Isso inclui toxicidade para o fígado e rins, danos gastrointestinais, danos aos nervos e, claro, morte.

Além disso, o canabidiol e outros produtos da canábis frequentemente funcionam quando outras medicações falham, então eles não são apenas mais seguros, mas as preparações de canábis também tendem a oferecer maior eficácia.

Como observado pela Dra. Gedde.

“Há uma taxa de morte contínua pelo uso de remédios para dor prescritos. Então, mesmo prescritos, são altamente perigosos e propensos a abuso. Na medida em que medicações são usadas na população pediátrica para controlar convulsões, há também toxicidade aos órgãos. Muitos deles são muito sedativos.

As crianças tornam-se incapazes de funcionar ou realmente interagir por causa dos efeitos sedativos. Outras medicações possuem efeito colateral de fúria ou problemas comportamentais.

Fúria não provocada é realmente um efeito colateral conhecido de algumas das medicações anticonvulsivas. A canábis e em particular o canabidiol não têm nenhum desses problemas. Sem toxicidade. O principal efeito colateral do canabidiol é a sonolência.

Conforme uma criança acostuma-se a esse efeito, ele passa e a criança pode ficar muito alerta e funcional com o óleo de canábis uma vez que tenha sido ajustada a dose. Uma vez que se coloque um contra o outro, realmente não há comparação em termos de segurança.”

Canábis para Controle de Convulsões em Crianças

Na experiência da Dra. Gedde, cerca de 25% das crianças experimentam uma rápida redução nas convulsões quando tomam óleo de canábis — às vezes dentro de dias, ou semanas. Mas os resultados variam, e nem toda criança responderá bem imediatamente. Ela observa que algumas crianças são tão sensibilizadas a medicações que precisam começar com uma dose bem pequena, e esperar bastante tempo até que funcione.

“Estamos trabalhando na prática clínica os protocolos que parecem trazer os melhores benefícios o mais rápido possível para a maioria das crianças, mas descobrimos que algumas crianças alcançam resultados muito rapidamente. Para outras, leva mais tempo, até alguns meses”, ela diz.

Há informação limitada no uso de canábis em crianças para outros problemas além da epilepsia. No entanto, em janeiro de 2015, a Academia Americana de Pediatria (AAP) atualizou sua política sobre a maconha, reconhecendo que os canabinoides dela “podem atualmente ser uma opção para… crianças com doenças que limitam a vida ou condições severamente debilitantes e para quem terapias atuais são inadequadas”.

A principal objeção dos pediatras do Children's Hospital em Denver para usar o CBD em crianças — até para doenças como convulsões não controladas — é que não há estudos em crianças de potenciais danos no uso em longo prazo do CBD (canabidiol). Pode haver efeitos adversos do CBD e outros canabinoides em longo prazo que apenas descobriremos mais tarde.

“Este é um bom ponto em minha visão, e uma razão para não sugerir o uso de CBD como suplemento dietético ou como ‘tônico de saúde’ para crianças”, diz a Dra. Gedde. “Em minha visão, é importante pesar o uso de uma terapia, incluindo riscos potenciais desconhecidos, contra os riscos de uma doença descontrolada em si e outras terapias em uso.

Para muitos pacientes, até a informação incompleta sobre o CBD, pesando esses riscos incluindo efeitos tóxicos conhecidos de suas terapias atuais aponta que pelo menos um teste terapêutico com o CBD seja uma boa escolha”.

Potenciais Efeitos Colaterais da Canábis Medicinal

De acordo com a Dra. Gedde, o principal efeito colateral que a que você precisa atentar-se é a psicoatividade do THC, por exemplo, sua habilidade de deixar você “embriagado”. No entanto, ela também enfatiza que o THC realmente possui muitos benefícios medicinais valiosos, então dependendo do seu problema, você pode precisar de níveis mais altos ou mais baixos de THC.

Por exemplo, em pacientes que sofrem de dor severa, em que a percepção da dor causa grande desconforto, a psicoatividade do THC permite que o paciente mude a percepção da dor na mente e no corpo.

“Este é um exemplo no qual a psicoatividade é necessária, mas há outras áreas em que ela não é. A seleção do tipo de produto, os reais canabinoides nele, e o modo de uso é muito útil para lidar com esse efeito colateral”, ela diz.

“Além disso, e do tipo de desconforto que a psicoatividade excessiva [pode causar] se alguém receber demais, a canábis é muito segura. Não há mortes conhecidas ligadas a ela. Isso não pode ser dito sobre praticamente nada mais no planeta, incluindo água. Você pode ter uma overdose de água e morrer. Mas você não pode ter canábis suficiente no corpo para te matar.”

Educação é a Chave

Muitas pessoas perguntam como podem educar-se sobre a canábis, e a Dra. Gedde observa que pode ser uma proposição difícil apesar do fato de haver numerosas publicações revisadas por pares sobre os benefícios da canábis.

“A razão por que é difícil é que a preponderância dos fundos de pesquisa foi demonstrar danos relacionados à canábis como droga de abuso… Procure a pesquisa real que está lá no sistema endocanabinoide e as maneiras como a canábis tem ajudado as pessoas por séculos. E olhe para a história da prática médica; é daí que a informação começa a sair.”

Também ajuda olhar para a prática clínica atual, o que é possível em alguns estados, incluindo o Colorado, onde a canábis é seguramente e legalmente acessível. É aí que você pode aprender mais sobre dosagem apropriada, e os métodos de uso que se têm mostrado efetivos para uma gama de condições diferentes.

“A história sobre a maconha e canábis que nos tem sido contada é muito parcial”, ela diz, “e há muito mais para a história. Há muito benefício potencial ali.”

Uma fonte respeitável em que você pode encontrar pesquisas relacionadas ao uso da canábis é o cancer.gov. Esse é o site do governo americano sobre o câncer. Você também pode ler atentamente a literatura médica através do PubMed, que é uma fonte pública. O Journal of Pain, uma publicação da American Pain Society, tem uma longa lista de estudos sobre os efeitos de alívio da dor da canábis e certamente valeria a pena para qualquer um com dor crônica utilizar.

De acordo com o National Institute on Drug Abuse, que também tem informações relacionadas aos aspectos medicinais da maconha, testes clínicos e pré-clínicos estão a caminho de testar a maconha e vários extratos para o tratamento de uma série de doenças, incluindo doenças autoimunes como esclerose múltipla e doença de Alzheimer; inflamação; dor; e doenças mentais.

Para saber mais, eu também recomendo ouvir minha entrevista com o Dr. Frankel, na qual discutimos muitos dos benefícios medicinais da canábis.