O Que Acontece no seu Corpo Quando Você Fica sem Dormir?

jovem mulher sonolenta

Resumo da matéria -

  • Em curto prazo, a falta de sono promove um efeito imediato nos estados mental e emocional. Ao longo do tempo, sono ruim pode contribuir com uma série de problemas crônicos de saúde, tanto fisicamente quanto mentalmente
  • Ficar apenas uma noite sem dormir direito começa a prejudicar os movimentos físicos e o foco mental, como se você estivesse bêbado(a)
  • Sua habilidade em resolver problemas diminui a cada noite sem dormir direito estabelecendo paranoia, alucinações e psicose da privação do sono em apenas somente 24 horas sem dormir, imitando os sintomas de esquizofrenia
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Por Dr. Mercola

A falta de sono possui diversas ramificações, desde as menores até as maiores, dependendo do débito acumulado de sono.

Em curto prazo, a falta de sono tende a exercer um efeito imediato nos estados mental e emocional.

Ao longo do tempo, o sono ruim pode contribuir para uma série de problemas crônicos de saúde, variando desde obesidade e diabetes até problemas imunológicos e aumento do risco de desenvolvimento de câncer.

Além disso, aumenta seu risco de sofrer acidentes e erros ocupacionais.

Infelizmente, são poucas pessoas que dormem bem regularmente.

Parte do problema está em nossa propensão a usar iluminação artificial e dispositivos eletrônicos à noite, em combinação com exposição insuficiente à luz natural e brilhante do sol durante o dia.

Esta desconexão dos ciclos naturais dia e noite, atividade e sono, pode tornar-se problema crônico que o(a) faz sofrer constantemente para dormir bem.

Felizmente, a solução é simples e, se você seguir as recomendações mencionadas neste artigo, você terá grandes chances de restabelecer um padrão saudável de sono, sem o qual você simplesmente não pode ser idealmente saudável – mesmo que você faça todo o resto da maneira correta.

Uma Única Noite Sem Sono Pode Ter Graves Consequências

Conforme mostrado no vídeo acima, ficar uma única noite sem dormir direito começa a prejudicar os movimentos físicos e o foco mental, estado comparável a um nível de álcool no sangue de 0,10 por cento.

Essencialmente, se você não dorme bem, seu nível de deficiência fica igual ao de uma pessoa bêbada.

De acordo com pesquisadores, 24 horas sem dormir rompe as faculdades cognitivas de tal forma que você acaba ficando 4,5 vezes mais propenso a assinar uma confissão falsa.

No geral, você se torna mais suscetível a lembranças “sugeridas” e começa a ter problemas de discernimento da fonte da verdade de suas lembranças. Por exemplo, você pode confundir alguma coisa que você leu em algum lugar com uma experiência vivida.

De acordo com os autores deste estudo:

“Propomos que a privação do sono estabeleça o estágio da falsa confissão ao prejudicar as complexas habilidades de tomada de decisão – especificamente, a habilidade em antecipar riscos e consequências, inibir impulsos comportamentais e resistir a influências sugestivas. ”

Falta de Sono Associada à Navegação na Internet e Notas Ruins

Outra pesquisa realizada associou a falta de sono ao uso mais prolongado da internet, como navegação pelo Facebook em vez de estudar ou trabalhar. O motivo disto está novamente relacionado à cognição prejudicada e inabilidade de manter o foco, tornando-o(a) mais propenso(a) à distração.

Surpreendentemente, o desempenho acadêmico também sofre. Em um estudo realizado recentemente, quanto menos horas de sono estudantes do ensino médio reportaram, menores eram suas notas médias.

Como o Sono Influencia e Regula a Percepção Emocional

Dormir bem é também importante para a manutenção do equilíbrio emocional. A fadiga compromete a habilidade do cérebro em regular as emoções, tornando-o(a) mais propenso(a) a irritações, ansiedade e explosões emocionais injustificadas.

Uma pesquisa realizada recentemente também mostra que quando você não dormiu direito, você fica mais propenso(a) a reagir de forma exagerada a eventos neutros; você pode sentir-se provocado(a) quando não há de fato uma provocação e você pode perder a habilidade em distinguir o importante do não importante, o que pode resultar em preconceito e julgamento mal feito.

Ao relatar esta pesquisa, na qual participantes foram mantidos acordados durante uma noite inteira antes de realizar uma série de testes de imagem para medir as reações emocionais e níveis de concentração, o Medical News Today informou:

“(...)Eti Ben-Simon, que foi quem conduziu o experimento, acredita que a privação do sono pode universalmente prejudicar o julgamento, porém é mais provável que a falta de sono cause imagens neutras para provocar uma resposta emocional.

O segundo teste analisou os níveis de concentração. Participantes posicionados dentro de um escâner de fMRI tinham que completar uma tarefa que demandava sua atenção para pressionar um botão ou chave enquanto ignoravam figuras distrativas ao fundo com conteúdo emocional ou neutro...

Após somente uma noite sem dormir, os participantes ficavam distraídos com cada imagem (neutra e emocional), enquanto participantes bem descansados ficaram distraídos somente com as imagens emocionais.

O efeito foi indicado com mudança de atividade, ou o que o Professor Hendler chama de ‘alteração na especificidade emocional’ da amígdala – nódulo límbico principal responsável pelo processamento emocional no cérebro.”

O Que Acontece com o Organismo Após Duas ou Mais Noites sem Dormir?

Após 48 horas sem dormir, a entrada de oxigênio é reduzida e o poder anaeróbico é prejudicado, afetando o potencial atlético. Você pode também perder a coordenação e começar a esquecer palavras enquanto está conversando. A partir daí, as coisas só pioram.

Após a marca das 72 horas sem sono, a concentração é a que mais sofre e a agitação emocional e o batimento cardíaco aumentam. Suas chances de adormecer durante o dia aumentam e juntamente a isso, os riscos de sofrer um acidente. 

Em 2013, motoristas sonolentos causaram 72.000 acidentes de carro nos quais 800 americanos foram mortos, e 44.000 ficaram feridos. Suas habilidades em resolver problemas diminuem a cada noite sem dormir, e paranoia pode tornar-se um problema.

Em alguns casos, alucinações e psicose da privação do sono podem estabelecer-se – condição na qual você pode não conseguir mais interpretar a realidade. Uma pesquisa realizada recentemente sugere que a psicose pode ocorrer após 24 horas sem dormir, efetivamente imitando os sintomas observados em pessoas que sofrem de esquizofrenia. 

A Privação do Sono Reduz Suas Funções Imunológicas

Uma pesquisa pública no jornal Sleep relata que a privação do sono promove o mesmo efeito sobre o sistema imunológico que o estresse físico.

Pesquisadores mediram a contagem de células brancas no sangue em 15 pessoas que ficaram acordadas por 29 horas seguidas e concluíram que a contagem de células brancas aumentou durante a fase de privação do sono. Este é o mesmo tipo de resposta tipicamente observada quando se está doente ou estressado.

Em suma, independentemente de você estar estressado(a) fisicamente, doente ou carente de sono, seu sistema imunológico torna-se hiperativo e começa a produzir células brancas no sangue – primeira linha de defesa do organismo contra invasores como agentes infecciosos. Altos níveis de células brancas no sangue são tipicamente um sinal de doença.

Portanto, seu organismo reage à privação do sono da mesma forma que reage contra uma doença. Resultados de outro estudo realizado sugerem que o sono profundo desempenha papel especial no fortalecimento da memória imunológica de patógenos anteriormente encontrados de forma similar à retenção de memória de longo prazo.

Quando você está bem descansado(a), seu sistema imunológico é capaz de construir uma resposta muito mais rápida e eficaz quando um antígeno é encontrado uma segunda vez. Quando você fica carente de sono, seu organismo perde muito desta habilidade em responder rapidamente.

Infelizmente, o sono é um dos fatores mais negligenciados da saúde, no geral, e da função imunológica, em particular.

Dormir Mal Aumenta os Riscos de Desenvolver Diabetes Tipo 2

Uma série de estudos demonstrou que a falta de sono pode desempenhar papel significante na resistência à insulina e diabetes tipo 2. Em uma pesquisa realizada anteriormente, mulheres que dormiram cinco horas ou menos toda noite, estavam 34 por cento mais suscetíveis a desenvolver sintomas de diabetes do que mulheres que dormiram sete ou oito horas toda noite.

De acordo com pesquisa publicada nos Annals of Internal Medicine (Anais da Medicina Interna), após quatro noites com carência de sono (o tempo de sono foi menor que 4,5 horas por noite), a sensibilidade à insulina dos participantes do estudo ficou 16 por cento menor, enquanto a sensibilidade à insulina das células adiposas ficou 30 por cento menor, níveis antagônicos vistos em pessoas com diabetes e obesidade.

O autor sênior Matthew Brady, Ph.D., professor associado de Medicina da Universidade de Chicago, observou que:

“Isto é equivalente ao envelhecimento metabólico de uma pessoa em 10 a 20 anos devido a apenas quatro noites de restrição parcial de sono. Células adiposas precisam dormir e quando elas não dormem tempo suficiente, elas se tornam metabolicamente atordoadas.”

Similarmente, pesquisadores advertem que meninos adolescentes que ficam pouco tempo em sono lento estão em grande risco de desenvolver diabetes tipo 2. Sono lento é um estágio do sono associado a níveis reduzidos de cortisol (hormônio do estresse) e inflamações reduzidas. Conforme relatado pelo site MedicineNet.com:

“Meninos que perderam grande quantidade de sono lento entre a infância e a adolescência estavam em maior risco de desenvolvimento de resistência à insulina do que aqueles cujo total de sono lento permaneceu estável ao longo dos anos...

‘Em uma noite seguida à privação do sono, teremos significativamente tempo mais longo em sono lento para compensar a perda,’ diz o autor do estudo, Jordan Gaines. ‘Também sabemos que perdemos o sono lento mais rapidamente durante a adolescência precoce. Devido ao papel restaurador do sono lento, não ficamos surpresos ao descobrir que os processos metabólico e cognitivo [mental] foram afetados durante este período de desenvolvimento.’”

Os Diversos Perigos para a Saúde Promovidos Pela Privação do Sono

Além de impactar diretamente a função imunológica, outra explicação para os diversos efeitos prejudiciais causados pela privação do sono sobre a saúde é a “condução”, pelo sistema circadiano, dos ritmos da atividade biológica no nível celular. Estamos apenas começando a descobrir os processos biológicos que ocorrem durante o sono.

Por exemplo, durante o sono as células cerebrais encolhem em torno de 60 por cento, permitindo maior remoção de resíduo eficiente. Esta desintoxicação noturna do cérebro parece ser muito importante para a prevenção de demência e da doença de Alzheimer. O sono também está intrinsecamente associado a importantes níveis hormonais, incluindo melatonina, cuja produção é prejudicada pela falta de sono.

Isto é extremamente problemático, pois a melatonina inibe a proliferação de uma ampla gama de tipos de células cancerígenas e também dispara a apoptose de células cancerígenas (autodestruição).

A falta de sono também reduz os níveis do hormônio leptina que regula a gordura enquanto aumenta o hormônio da fome, a grelina. O aumento resultante na fome e no apetite pode facilmente levar à ingestão de alimentos em excesso e ao ganho de peso.

Em resumo, as várias rupturas provocadas pela falta de sono ocorrem em cascata em todo o organismo, e é por isso que dormir mal tende a piorar qualquer problema de saúde.  

Por exemplo, o sono interrompido ou prejudicado pode:

Contribuir para um estado pré-diabético,fazendo você sentir fome mesmo que você já tenha se alimentado, o que pode causar danos a seu peso.

Danificar seu cérebro impedindo a produção de novas células. A privação do sono pode aumentar os níveis de corticosterona (hormônio do estresse), resultando em menor produção de células novas no hipocampo.

Agravar ou torná-lo(a) mais suscetível a úlceras estomacais.

Aumentar a pressão arterial e aumentar o risco de sofrer problemas cardíacos.

Promover ou agravar doenças crônicas como: Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla (EM), distúrbios do trato gastrointestinal, doença renal e câncer.

Contribuir para o envelhecimento prematuro interferindo na produção do hormônio do crescimento, normalmente liberado pela glândula pituitária durante o sono profundo (e durante certos tipos de exercícios, tais como treinamento intervalado de alta intensidade).

Piorar a constipação.

Aumentar o risco de morte por qualquer causa.

Piorar as dificuldades comportamentais em crianças.

Aumentar o risco de desenvolvimento de depressão. Em um ensaio, 87 por cento dos pacientes com depressão que resolveram seu problema de insônia tiveram grande melhora na depressão com sintomas desaparecendo após oito semanas.

Alterar a expressão genética. Uma pesquisa realizada mostrou que quando as pessoas cortaram o sono de 7,5 para 6,5 horas por noite, houve aumento na expressão de genes associados a inflamações, excitabilidade imune, diabetes, risco de desenvolvimento de câncer e estresse.

Agravar dores crônicas. Em um estudo realizado, concluiu-se que sono ruim ou insuficiente é o indicador mais forte de dor em adultos acima de 50 anos.

Dicas para Melhorar os Hábitos de Sono

Pequenos ajustes na rotina diária e na área de dormir podem promover um sono ininterrupto e relaxante – e, consequentemente uma saúde melhor. Para uma diretriz ainda mais útil para melhorar o sono, por favor, reveja meus “33 Segredos para uma Boa Noite de Sono”.

Mesmo que você esteja com pouca carência de sono, eu o(a) estimulo a implantar algumas destas dicas hoje mesmo, pois um sono de alta qualidade é um dos fatores mais importantes para a saúde e qualidade de vida. Para saber de quantas horas de sonos você precisa para obter uma saúde ideal, um grupo de especialistas revisou mais de 300 estudos para determinar a quantidade ideal de horas de sono e concluiu que, como regra geral, a maioria dos adultos precisa de oito horas de sono por noite.