Associação Americana do Coração mostra-se Ultrapassada com Aconselhamento Nutricional Sobre o Óleo de Coco dos Anos 1960

óleo de coco fresco

Resumo da matéria -

  • De acordo com o mais recente comunicado da Associação Americana do Coração (AHA, da sigla em inglês), gorduras saturadas como manteiga e óleo de coco devem ser evitadas para reduzir o risco de doenças cardíacas
  • Substituir as gorduras saturadas por gorduras poliinsaturadas como margarina e óleo vegetal pode reduzir o risco de doenças cardíacas em até 30%, quase o mesmo que as estatinas, afirma a AHA
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Por Dr. Mercola

Há bem mais que meio século, grande parte das autoridades de saúde e a mídia alertaram que as gorduras saturadas são prejudiciais à saúde e levam à obesidade, colesterol alto e doenças cardíacas. A Associação Americana do Coração (AHA, da sigla em inglês) começou a encorajar a restrição da gordura em geral — e das gorduras saturadas em particular — na alimentação já em 1961.

Se você tem acompanhado as notícias ultimamente, terá visto manchetes em destaque declarando que o óleo de coco é perigoso e que você deve trocar a manteiga pela margarina para proteger a saúde do seu coração! Como isso é possível? É semelhante à teoria da Terra plana que inexplicavelmente ganhou força apesar das provas claras e indiscutíveis de que vivemos em uma esfera planetária.

Muitos ficaram confusos e perplexos com a ofensiva da AHA pela margarina, e não é de se estranhar. Não vamos esquecer que criar dúvidas é uma das principais estratégias usadas pela indústria para atrasar uma mudança.

Essa campanha pela margarina também acontece convenientemente sincronizada com notícias sobre uma vacina para baixar o colesterol — uma estratégia que seria desnecessária se as pessoas consumissem apenas gorduras saturadas saudáveis, como óleo de coco e manteiga, e eliminassem os alimentos processados e o açúcar.

A AHA emite um alerta

De acordo com a recomendação mais recente da AHA, gorduras saturadas como manteiga e óleo de coco devem ser evitadas para reduzir o risco de doenças cardíacas. Substituir essas gorduras por gorduras poliinsaturadas como margarina e óleo vegetal pode reduzir o risco de doenças cardíacas em até 30%, quase o mesmo que as estatinas, afirma a AHA.

Essa recomendação foi enviada a cardiologistas de todo o mundo, não apenas aos dos EUA. Em geral, a AHA recomenda restringir o consumo de gordura saturada a 6% das calorias diárias ou menos. De acordo com o Daily Mail:

"Os cientistas analisaram todas as evidências disponíveis sobre o assunto e descobriram que a gordura saturada — como a encontrada na manteiga, leite integral, creme de leite, óleo de palma, óleo de coco, carne bovina e suína — estava ligada a um risco maior de doenças cardíacas.

Substituí-la por gordura poliinsaturada — encontrada em pastas para pão e óleos vegetais — ou óleos monoinsaturados encontrados no azeite de oliva, abacate e nozes — reduz o risco de problemas cardíacos. O estudo… reforça o conselho do NHS (Instituto Nacional de Saúde dos EUA) para reduzir a gordura saturada da dieta.

O autor principal, o professor Frank Sacks, da Escola de Saúde Pública de Harvard, disse: 'Queremos esclarecer por que pesquisas científicas bem conduzidas apoiam esmagadoramente a restrição da gordura saturada na dieta para a prevenção de doenças do coração e dos vasos sanguíneos. A gordura saturada aumenta o LDL — o colesterol ruim, uma das principais causas de placas que obstruem as artérias e doenças cardiovasculares'…

Os autores, no entanto, alertaram que nem todas as margarinas e pastas para pão são saudáveis. Eles observaram que alguns tipos de margarina com 'gorduras trans' — um tipo de gordura que aumenta o prazo de validade — na verdade aumentam o risco de doenças cardíacas”.

Em que evidências a AHA baseia sua recomendação?

Como a AHA chegou à conclusão de que eles estavam certos sobre a gordura saturada há 60 anos e continuam certos? Em suma, escolhendo apenas os dados que davam suporte à sua visão ultrapassada. Como observado pelo escritor científico americano Gary Taubes em sua extensa refutação à recomendação da AHA:

“ [A] AHA conclui que, até o momento, apenas quatro ensaios clínicos foram realizados com metodologia suficientemente confiável para permitir que eles avaliassem o valor da substituição de AGSs por AGPIs (na prática, a substituição de gorduras animais [por] óleos vegetais) e conclui que tal substituição reduzirá os infartos em 30 por cento...

Esses quatro ensaios clínicos são os que restaram depois que os especialistas da AHA investigaram sistematicamente os outros e encontraram razões para rejeitar todos aqueles que não relataram esse grande efeito positivo, incluindo um número significativo que sugeria o contrário…

Assim eles fizeram com cada estudo, exceto os quatro, incluindo entre os rejeitados os maiores ensaios clínicos já realizados: o Minnesota Coronary Survey, o Sydney Heart Study e, mais notavelmente, o Women's Health Initiative, o maior e mais caro ensaio clínico da história. Todos resultaram em evidências que refutaram a hipótese. Todos foram rejeitados na análise".

Em 2013, a AHA divulgou um relatório afirmando que "a evidência mais forte possível" sustentava a recomendação de substituir a gordura saturada por gorduras poliinsaturadas (AGPIs). Isso apesar do fato de que diversas metanálises, produzidas por pesquisadores independentes, concluíram que a evidência para a restrição das gorduras saturadas era fraca ou inexistente.

A última recomendação revela como a AHA pôde concluir que eles tinham a "evidência mais forte possível". Naquela ocasião, como agora, eles encontraram metodicamente justificativas para simplesmente excluir a evidência contrária. Tudo o que restou — naquela ocasião e agora — foi um pequeno número de estudos que apoiam sua visão preconcebida do que eles acham que a verdade deveria ser.

Os estudos incluídos na recomendação da AHA são baseados em ciência ultrapassada

Você ficaria surpreso ao descobrir que os quatro estudos que atenderam aos critérios datam dos anos 1960 e início dos anos 1970? Faz sentido, não, já que esses anos foram o período em que o mito do baixo consumo de gordura nasceu e se estabeleceu. O problema é que a ciência nutricional deu passos significativos desde então.

Como observado por Taubes, um dos estudos incluídos foi o Oslo Diet-Heart Study, publicado em 1970, no qual 412 pacientes que haviam sofrido um infarto ou tinham alto risco de desenvolver uma doença cardíaca foram separados aleatoriamente em dois grupos: um dos grupos recebeu uma dieta com baixo teor de gorduras saturadas e alto teor de AGPI juntamente com "instrução e supervisão" contínua a longo prazo, enquanto o outro grupo podia consumir o que desejasse e não recebeu qualquer aconselhamento nutricional.

Taubes afirma que ficou tão curioso sobre esse estudo que comprou uma monografia publicada pelo autor original. Nela, o autor descreve mais detalhadamente como conduziu seu ensaio clínico. Curiosamente, a monografia revela que o consumo de açúcar no grupo tratado foi de apenas cerca de 50 gramas por dia — quantidade que Taubes estima que deva ser cerca da metade do consumo per capita na Noruega naquela época, com base em dados extrapolados.

Recomendações contra o consumo de gorduras saturadas foram seguidas com resultados desastrosos

Desde a década de 1950, quando o consumo de óleos vegetais começou a ser recomendado para substituir gorduras saturadas como a manteiga, as pessoas passaram a seguir zelosamente esse conselho, levando a um aumento drástico do consumo de óleo vegetal. O consumo de óleo de soja, por exemplo, aumentou em 600% (10.000% em relação a 1900), enquanto o consumo de manteiga, sebo e banha caiu pela metade. O consumo de açúcar também subiu drasticamente.

Infelizmente, em vez de se tornarem mais saudáveis que nunca, as pessoas só ficaram mais obesas e doentes. As taxas de doenças cardíacas não melhoraram, embora as pessoas tenham seguido o que a AHA sugere ser uma dieta saudável para o coração. O bom senso nos diz que, se o conselho da AHA não funcionou durante os últimos 65 anos, é improvável que comece a funcionar agora.

Não é surpresa que os alimentos fritos estejam associados a um aumento do risco de morte. Mais recentemente foi descoberto que comer batatas fritas mais de duas vezes por semana dobra o risco de morte de uma pessoa em comparação a nunca comer batatas fritas. Pesquisas em animais e humanos também mostraram que os óleos vegetais promovem:

  • Obesidade e gordura no fígado
  • Letargia e sintomas pré-diabéticos
  • Dor crônica/síndromes de dor idiopática (o que significa dor sem causa aparente)
  • Enxaqueca
  • Doença de Crohn e colite ulcerativa

O argumento do colesterol

  • Um estudo recente publicado na revista médica britânica The BMJ reanalisou dados do Minnesota Coronary Experiment (MCE), estudo realizado entre 1968 e 1973, após o acesso a dados não publicados anteriormente. O MCE foi um estudo duplo-cego, randomizado e controlado para avaliar se a substituição da gordura saturada por óleo vegetal (rico em ácido linoleico) reduziria os níveis de colesterol e, assim, as doenças cardíacas e mortes relacionadas.

Curiosamente, embora o grupo tratado tivesse reduzido significativamente seu colesterol, não foi observado qualquer benefício sobre a mortalidade. De fato, para cada 30 miligramas por decilitro (mg/dL) de redução do colesterol sérico, o risco de morte aumentou em 22%. A troca da gordura saturada por óleo vegetal também não teve efeito sobre as taxas de aterosclerose ou infartos.

  • A AHA também não leva o número de partículas de LDL em consideração. Existem partículas grandes e macias de LDL e outras pequenas e densas. Não tínhamos essa informação nos anos 1960, mas temos certeza disso agora.

O óleo de coco é saudável ou não?

A resposta curta é sim, o óleo de coco é saudável. Ele fornece gordura de boa qualidade, que é importante para uma boa saúde. Além disso, ele ajuda no funcionamento da tireoide, normaliza a função da insulina e da leptina, estimula o metabolismo e fornece um combustível excelente e prontamente disponível para o corpo ao substituir os carboidratos (os quais você deve evitar se deseja perder peso).

Um benefício muito importante do óleo de coco está relacionado ao fato de que as cetonas que o fígado produz a partir dele são o combustível preferido pelo corpo, principalmente pelo coração e pelo cérebro, e podem ser essenciais para a prevenção de doenças cardíacas e do Alzheimer. Trata-se realmente de um ingrediente saudável que deve estar na cozinha de todas as pessoas.

O óleo de coco contém triglicerídeos de cadeia média (TCM), e o menor tamanho de suas partículas os ajuda a penetrar mais facilmente nas membranas celulares. No entanto, o óleo TCM possui uma concentração muito maior dessas cadeias de gordura mais curtas, que são convertidas em cetonas de forma mais eficiente; o C8 ou ácido caprílico tem a melhor capacidade de se converter em cetonas.

Os TCMs não exigem enzimas especiais e podem ser utilizados de forma mais eficaz pelo corpo, colocando, assim, menos pressão sobre o sistema digestivo. Normalmente, uma gordura que entra no corpo precisa ser emulsionada com a bílis da vesícula biliar para ser quebrada e adequadamente absorvida. Por isso, as gorduras de cadeia longa acabam frequentemente sendo armazenadas nas células adiposas.

No entanto, o corpo trata os TCMs de outra maneira. Os TCMs contornam a bile e o processo de armazenamento de gordura e vão diretamente para o fígado, onde são convertidos em cetonas. O fígado libera rapidamente as cetonas na corrente sanguínea, onde elas são transportadas pelo corpo para serem utilizadas como combustível.

Por serem imediatamente convertidos em energia em vez de serem armazenados como gordura, os TCMs estimulam o metabolismo corporal e ajudam a promover a perda de peso.

O óleo de coco promove a saúde da tireoide

Parte dos benefícios à saúde do óleo de coco também está relacionada ao seu impacto benéfico sobre a tireoide. Ao contrário de muitos outros óleos, o óleo de coco não interfere na conversão do T4 em T3, um processo que deve ocorrer para a produção de enzimas necessárias para a conversão de gorduras em energia.

Parte dos motivos para que os óleos vegetais processados sejam tão prejudiciais à tireoide é que eles se oxidam rapidamente e se tornam rançosos, o que impede que os ácidos graxos sejam depositados nas células, prejudicando assim a conversão de T4 em T3. Isso é um sintoma do hipotireoidismo. O óleo de coco é uma gordura saturada e, portanto, muito estável e não suscetível à oxidação.

O fato de que ele não se torna rançoso ajuda a estimular a função da tireoide. Eliminar os óleos vegetais processados da dieta e substituí-los por óleo de coco pode, com o tempo, ajudar a reconstruir as membranas celulares do fígado (onde grande parte da conversão dos hormônios da tireoide ocorre) e aumentar a produção de enzimas. Isso ajudará a promover a conversão dos hormônios T4 em T3.

A gordura mais comum no óleo de coco é o ácido láurico, muitas vezes considerado uma gordura "milagrosa" por suas propriedades únicas de promoção da saúde. O corpo converte o ácido láurico em monolaurina, que possui propriedades antivirais, antibacterianas e antiprotozoárias. Problemas na tireoide muitas vezes têm origem em uma inflamação crônica, que o ácido láurico do óleo de coco pode ajudar a suprimir.

Para a obtenção de todos os benefícios para a saúde e perda de peso propiciados pelo óleo de coco, geralmente recomendo, para adultos, 2 a 3 1/2 colheres de sopa por dia.

A AHA estava errada na década de 1960 e ainda está errada

A doença cardíaca é causada primariamente pela inflamação crônica, a qual é provocada por quantidades excessivas de ômega-6 (ômega-6 desbalanceado em relação ao ômega-3), gorduras trans perigosas, óleos vegetais processados e excesso de açúcar na alimentação.

As gorduras saturadas, por outro lado, foram repetidamente absolvidas, com estudos que mostram que elas não contribuem para as doenças cardíacas e são, na verdade, uma fonte muito importante de combustível para o corpo.

Certamente, é difícil admitir que você errou durante mais de 65 anos. Admitir tal coisa pode prejudicar a reputação de uma organização. Mas, ao tentar fazer o tempo voltar para 1960 e promover o consumo de margarina e óleos vegetais em vez de manteiga e óleo de coco, a AHA está se mostrando obsoleta.

Essa recomendação é, a meu ver, profissionalmente irresponsável. É completamente irracional em face da ciência nutricional moderna. Com isso, a AHA colocou-se em uma situação complicada, da qual não pode sair sem virar toda a organização de cabeça para baixo. Como observado por Dave Asprey, fundador do site Bulletproof.com,

"A campanha da AHA é contraproducente porque milhões de pessoas já sabem que adicionar gorduras saturadas não danificadas a suas dietas as fazem se sentir melhor. Elas conseguem sentir a diferença em sua energia, vê-la no espelho e medi-la em seu exame de sangue"…