O orgão de regulamentações de comidas e remédios Americano (FDA) admite que a maioria dos protetores solares provavelmente não é segura

Mulher aplicando protetor solar na mão

Resumo da matéria -

  • O orgão de regulamentação de comidas e remédios Food and Drug Administration (FDA) está propondo novas regulamentações para garantir a segurança e eficácia dos protetores solares nos Estados Unidos
  • Dos 16 ingredientes ativos dos protetores solares comercializados nos EUA, apenas dois — óxido de zinco e dióxido de titânio sem nanopartículas — foram considerados seguros para uso humano pelo FDA
  • O FDA admite que faltam dados científicos para os 12 ingredientes ativos na lista dos protetores solares e pede que a indústria forneça mais dados para uma “avaliação rigorosa” de todos os ingredientes ativos no mercado
  • Um dos 12 ingredientes ativos que o FDA considerou inseguro é a oxibenzona, encontrada em cerca de 70% dos protetores solares. Evidências sugerem que a oxibenzona perturba o sistema endócrino; essa substância é conhecida por dizimar recifes de corais e prejudicar a vida marinha
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Primeiramente, deixe-me esclarecer que o protetor solar é usado de forma excessiva. Existem circunstâncias nas quais é inteligente e apropriado usar o protetor solar, mas esses casos são poucos e distantes entre si. Na maior parte do tempo, é melhor evitar o protetor solar e lançar mão da exposição sensível ao sol. Saia do sol ou vista mais roupas no momento em que sua pele começar a ficar rosada.

Tendo estabelecido essa base, o orgão de regulamentações de comidas e remédios Americano, Food and Drug Administration (FDA), recentemente propôs novas regulamentações para “garantir a segurança e eficácia dos protetores solares”. Se promulgadas, essas regulamentações podem causar uma verdadeira transformação no setor de proteção solar como um todo.

É importante ressaltar, como observei em várias ocasiões, que, de todos os ingredientes ativos usados em protetores solares no mercado norte-americano, apenas dois — óxido de zinco e dióxido de titânio sem nanopartículas — foram considerados seguros para uso humano pelo FDA.

Sim, eu sei o que você deve estar pensando. Será que você pode mesmo confiar no FDA? De fato, é uma agência cativa, essencialmente controlada pela própria indústria que tenta regular. No entanto, parece que não há segundos interesses aqui, e acho que, desta vez, eles acertaram.

Em sua proposta, o FDA admite que não possui dados científicos suficientes para tirar qualquer conclusão sobre a segurança de 12 dos 16 ingredientes ativos da lista dos protetores solares, e pede que a indústria forneça mais dados para realizar uma “avaliação rigorosa” de todos os ingredientes ativos no mercado.

Dois dos 16 ingredientes — ácido para-aminobenzóico (PABA) e salicilato de trolamina — foram considerados inseguros, ou não são reconhecidos como seguros, e não se encontram em uso, segundo o FDA.

A proposta também inclui amplas atualizações das exigências de rotulagem, bem como alterações relacionadas ao FPS. Para este último, o FDA quer que os protetores solares com FPS 15 ou superior ofereçam proteção de amplo espectro contra os raios UVA e UVB, não apenas UVB, como é atualmente o caso.

Existem evidências de toxicidade para vários ingredientes do protetor solar

Um dos 12 ingredientes ativos que o FDA considerou inseguro é a oxibenzona, encontrada em cerca de 70% dos protetores solares. Além disso, estudos mostram que essa substância química perturba o sistema endócrino e está associada à redução da contagem de espermatozóides em homens e endometriose em mulheres.

Uma pesquisa dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças mostra que 96% da população norte-americana apresenta oxibenzona no corpo, o que comprova como as pessoas estão usando protetor solar em excesso.

De fato, o uso diário do protetor solar é uma das razões citadas pelo FDA para a necessidade de atualizar as regulamentações de segurança. As pessoas estão usando muito mais protetor solar hoje em dia e, por isso, a exposição a ingredientes potencialmente perigosos é muito mais preocupante do que em décadas passadas.

A oxibenzona também é letal para certas criaturas marinhas, incluindo ovos de límulos (um tipo de caranguejo), e pesquisadores advertem que o uso generalizado dos protetores solares que contêm oxibenzona representa uma séria ameaça aos recifes de corais e à vida marinha.

Esse efeito foi o que levou os legisladores havaianos a proibir a venda de protetores solares que continham oxibenzona e octinoxato, ambos ligados a graves danos aos corais.

Muitos ingredientes do protetor solar afetam o sistema endócrino

Mas a oxibenzona não é o único ingrediente a perturbar o sistema endócrino. Pelo menos oito outros ingredientes ativos dos protetores solares são suspeitos de desregular o sistema endócrino.

De acordo com um recente estudo dinamarquês, 13 de 29 substâncias químicas presentes nos protetores solares (45%) permitidos nos EUA e/ou na União Europeia têm a capacidade de reduzir a fertilidade masculina, afetando a sinalização de cálcio no esperma através de um efeito parcialmente semelhante à progesterona.

Dessas 13 substâncias, oito têm uso aprovado nos EUA. E incluem:

Avobenzona

Homosalato

Antranilato de metila

Octissalato (também conhecido como salicilato de octila)

Octinoxato (Metoxicinamato de octila)

Octocrileno

Oxibenzona (também chamada de benzofenona-3)

Padimato O

Esses compostos químicos também podem ser encontrados em maquiagens, hidratantes e protetores labiais com proteção solar. "Esses resultados são preocupantes e, em parte, podem explicar por que a infertilidade inexplicada é tão prevalente", disse o pesquisador sênior Niels Skakkebaek, professor da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e pesquisador do Hospital Universitário de Copenhague.

Muitos protetores solares também contêm vitamina A e/ou seus derivados, retinol e palmitato de retinila, substâncias associadas ao aumento do risco de câncer de pele por acelerarem a velocidade com que as células malignas se desenvolvem e se propagam.

Alguns ingredientes do protetor solar também são neurotóxicos

Pesquisadores também alertam que alguns ingredientes dos protetores solares são neurotóxicos e colocam a saúde cerebral em risco. Os autores do estudo observam que, como os protetores solares precisam ser aplicados em quantidades consideráveis em todo o corpo, os cálculos sugerem que a quantidade total de absorção de um determinado composto, numa única aplicação, possa chegar a 200 mg.

De acordo com o estudo acima, outros estudos também mostram que tais substâncias são encontradas no sangue, na urina e no leite materno após a aplicação do protetor solar, em alguns casos, em menos de duas horas.

Os ingredientes que, segundo o estudo, apresentaram efeitos neurotóxicos incluem:

Metoxicinamato de octila — diminui a atividade motora em ratos fêmeas e altera a liberação de uma séries de neurotransmissores diferentes.

Benzofenona-3 (oxibenzona) — diminui a viabilidade celular dos neurônios e aumenta os genes relacionados ao estrogênio em animais machos.

Benzofenona-4

4-metilbenzilideno cânfora — diminuiu a viabilidade celular e comprometeeu o desenvolvimento em animais de laboratório.

3-benzilideno cânfora

Octocrileno — prejudica a expressão de genes relacionados ao desenvolvimento e metabolismo cerebrais.

Os autores também ressaltam que a aplicação simultânea de repelentes de insetos, como o DEET (N,N-dimetil-meta-toluamida), aumenta a penetração dos compostos, multiplicando, assim, seu potencial de toxicidade.

Evite os protetores solares com nanopartículas

A maioria das partículas em nanoescala (partículas microscópicas com menos de 100 nanômetros) encontradas nos protetores solares norte-americanos são de dióxido de titânio ou óxido de zinco. Embora esses sejam os dois únicos ingredientes considerados seguros, essa segurança não se estende às versões em nanopartículas.

Faz quase 10 anos que os norte-americanos usam esses dois ingredientes no protetor solar FPS 50. Provavelmente é por isso que o protetor solar norte-americano ficou em 1º lugar dois anos atrás no ranking criado pelo Environmental Working Group.

Pesquisas com animais revelam que as nanopartículas inaladas podem chegar a todas as áreas do trato respiratório e, como os pulmões têm dificuldade em liberar pequenas partículas, elas podem passar pela corrente sanguínea. Outros estudos comprovam que algumas nanopartículas conseguem atravessar a barreira hematoencefálica.

Quando conseguem entrar nos pulmões ou penetrar na pele, as nanopartículas assumem o potencial de causar danos generalizados a células e órgãos, ao sistema imunológico, ao sistema nervoso, ao coração e ao cérebro. O FDA já havia expressado sua preocupação de que a inalação desses produtos fosse arriscada, especialmente para as crianças, e, em 2014, o Consumer Reports aconselhou os pais a evitar os protetores solares em spray até que órgão terminasse de avaliar os produtos.

Reduza o risco de queimaduras solares com 'protetores solares internos'

Embora a recomendação de que se evite o sol dê a impressão de que toda e qualquer exposição solar seja perigosa, o maior fator de risco do câncer de pele é a queimadura, que se trata de um processo inflamatório que danifica a pele. A exposição sensível ao sol é, na verdade, um componente de vital importância para a saúde, já que seu corpo produz vitamina D em resposta à luz UVB que chega à sua pele.

É importante, portanto, manter um equilíbrio: você deve expor grandes porções de pele (sem protetor solar) à luz do sol regularmente (idealmente todos os dias), tendo muito cuidado para evitar queimaduras solares.

Além de proteger o corpo antes de se queimar, você pode reduzir o risco de queimaduras através do consumo de frutas e vegetais ricos em antioxidantes e/ou da suplementação com astaxantina. Este último se mostrou um protetor solar interno bastante eficaz, que protege sua pele dos danos da radiação UV.

Além de vários depoimentos e evidências anedóticas, estudos científicos mensuraram esses efeitos protetores da pele. Em um estudo, indivíduos que tomaram 4 mg de astaxantina por dia, durante duas semanas, apresentaram um aumento considerável na quantidade de tempo necessária para que a radiação UV causasse vermelhidão na pele. Estudos em animais deram mais evidência aos efeitos da astaxantina como filtro solar interno:

  • Em um estudo, foram administradas vária combinações de astaxantina, beta-caroteno e retinol a ratos durante quatro meses. A astaxantina foi substancialmente eficaz na prevenção do fotoenvelhecimento da pele após a radiação UV, conforme medido pelos marcadores de dano da pele.
  • Um estudo com ratos descobriu que a astaxantina é 100 vezes mais forte do que o beta-caroteno e 1.000 vezes mais forte do que a luteína na prevenção do estresse oxidativo induzido pela luz UVA.
  • Em 2002, o Journal of Dermatological Science publicou um estudo no qual constatava que a astaxantina é capaz de proteger contra alterações no DNA humano induzidas pela exposição à luz UVA.

Como escolher um protetor solar mais seguro

Com todos os protetores solares no mercado, como saber qual é seguro? A importante é lembrar que existem apenas dois ingredientes nos protetores solares que são considerados seguros — o óxido de zinco e o dióxido de titânio — e que eles não devem vir em nanopartículas.

A opção mais segura é uma loção ou creme com óxido de zinco, pois é estável à luz do sol e fornece a melhor proteção contra os raios UVA. A segunda melhor opção é o dióxido de titânio. Confira se o produto não contém nanopartículas e se oferece proteção tanto UVA como UVB.

Tenha em mente que o FPS protege apenas dos raios UVB (mas se as regras propostas pela FDA forem implementadas, qualquer FPS 15 ou superior deve oferece proteção UVA e UVB), que são os raios dentro do espectro ultravioleta que permitem que sua pele produza vitamina D.

Os raios mais perigosos, em termos de danos à pele e câncer, são os raios UVA. Evite filtros solares com FPS acima de 50. Embora não seja propriamente nocivo, o FPS mais alto tende a oferecer uma falsa sensação de segurança, encorajando você a permanecer no sol por mais tempo do que deveria.

Outras dicas de exposição ao sol

Eu recomendo passar algum tempo no sol regularmente — idealmente todos os dias. A luz do sol oferece benefícios substanciais para a saúde, desde que você tome algumas precauções para se proteger da superexposição. Aqui estão minhas cinco melhores dicas para quem vai tomar sol:

1. Dê ao seu corpo a chance de produzir vitamina D antes de aplicar protetor solar. Exponha grandes quantidades de pele (pelo menos 40% do seu corpo) à luz solar por curtos períodos diários. A otimização dos níveis de vitamina D pode reduzir o risco de muitos cânceres internos e até diminuir o risco de melanoma.

2. Tome sol apenas o suficiente para sua pele ficar ligeiramente rosada. Proteja seu rosto do sol usando um chapéu ou um protetor solar seguro, pois a pele facial é fina e mais propensa aos danos causados pelo sol, como é o caso das rugas prematuras.

3. Quando precisar passar longos períodos no sol, cubra-se com roupas, um chapéu ou sombra (pode ser natural ou de uma sombrinha ou guarda-chuva). Depois de otimizar a produção de vitamina D diária, você pode aplicar um protetor solar seguro, embora as roupas sejam a opção mais segura para prevenir queimaduras e danos solares.

Tenha em mente que, para que o protetor solar seja eficaz, você deve aplicar grandes quantidades em todas as áreas expostas da sua pele. Isso significa que o produto não deve desencadear alergias e tem que oferecer boa proteção contra os raios UVA e UVB. Também não deve ser absorvido pela pele, pois o protetor solar mais eficaz atua como uma barreira tópica.

4. Considere o uso de um "protetor solar interno", como a astaxantina, para se proteger ainda mais do sol. Normalmente, é preciso várias semanas de suplementação diária para deixar os tecidos do corpo saturados a ponto de fornecer proteção. A astaxantina também pode ser aplicada topicamente, e é por isso que agora está sendo adicionada à formulação de diversos protetores solares.