Níveis Elevados de Açúcar no Sangue Podem Influenciar no Crescimento do Câncer

Nível Elevado de Açúcar no Sangue

Resumo da matéria -

  • A obesidade pode promover o câncer através de vários mecanismos diferentes, incluindo disfunção mitocondrial, excesso de comida, excesso de açúcar na sua dieta, inflamação crônica e superprodução de certas proteínas e hormônios
  • Estudo: pacientes com câncer diagnosticados com diabetes tipo 2 foram 23 por cento mais propensos a terem recebido um diagnóstico de câncer durante a década anterior ao diagnóstico de diabetes em comparação aos não-diabéticos
  • Pesquisas anteriores mostraram que aqueles com prediabetes têm um risco 15 por cento maior de desenvolver câncer, especialmente câncer de fígado, estômago, pâncreas, mama e endométrio
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Por Dr. Mercola

O fato de açúcar e obesidade estarem ligados a um maior risco de câncer agora está tornando-se bem reconhecido. A obesidade também tem sido associada a um risco maior de morte por todas as causas.

Em média, o excesso de peso pode reduzir sua expectativa de vida em cerca de um ano, enquanto que ser moderadamente obeso pode resultar em uma redução de três anos do seu tempo de vida.

Aqueles com um peso normal tinham a maior expectativa de vida e o menor risco de morrer antes dos 70 anos de idade.

Considerando fatos como estes, não é surpreendente que o peso financeiro do consumo excessivo de açúcar também seja grande.

De acordo com um estudo 2013 feito pelo Credit Suisse Research Institute “Sugar: Consumption at a Crossroads” (Açúcar: Consumo em uma encruzilhada), tanto quanto 40 por cento das despesas de saúde são para tratar doenças diretamente relacionadas ao excesso de consumo de açúcar, e isso inclui obesidade, diabetes e câncer.

Portanto, os alimentos processados açucarados podem ser baratos na hora de pagar, mas eles cobram um preço alto mais adiante.

A Dieta Pode Influenciar o seu Risco de Câncer de Diversas Formas

Sua dieta desempenha um papel crucial quando se trata de obesidade e problemas de saúde relacionados, como a elevação do açúcar no sangue, resistência à insulina e câncer. Pesquisas sugerem que a obesidade pode promover o câncer através de vários mecanismos diferentes.

Um dos principais mecanismos pelos quais o açúcar promove câncer e outras doenças crônicas é ao causar a disfunção mitocondrial. O açúcar não é um combustível ideal para o seu corpo porque ele queima de forma “suja”, criando espécies de oxigênio muito mais reativas (Reactive Oxygen Species -ROS) do que a gordura quando é metabolizado.

Como resultado, quantidades excessivas de radicais livres são geradas quando você come açúcar em excesso, o que, por sua vez, provoca danos ao DNA mitocondrial e nuclear, juntamente com o comprometimento da membrana celular e proteínas.

Portanto, ao contrário do que é ensinado convencionalmente, defeitos genéticos nucleares não causam câncer. Em vez disso, o dano mitocondrial ocorre primeiro, e isso desencadeia mutações genéticas nucleares.

Uma pesquisa demonstrou que o excesso de calor crônico em geral tem um efeito semelhante, pois ele coloca estresse no retículo endoplasmático (RE), a rede membranosa encontrada dentro das mitocôndrias das suas células.

Quando o RE recebe mais nutrientes do que pode processar, ele sinaliza a célula para reduzir a sensibilidade dos receptores de insulina na superfície da célula.

Assim, continuamente comer mais do que o seu corpo realmente precisa promove a resistência à insulina pelo simples fato de que suas células estão estressadas pelo trabalho adicional colocado sobre elas pelo excesso de nutrientes. A resistência à insulina, por sua vez, é o cerne da maioria das doenças crônicas, incluindo o câncer.

O Açúcar é um dos Principais Contribuintes para o Câncer

A maior parte das pessoas que comem demais também tende a comer muitos alimentos repletos de açúcar, o que promove níveis elevados de açúcar no sangue e resistência à insulina. Portanto, o excesso de alimentos açucarados equivale a um golpe duplo em termos de risco de câncer, em comparação com o excesso de comida integral e não processada.

Na verdade, pesquisas recentes identificaram o açúcar como sendo o principal contribuinte para o aumento mundial do câncer. De acordo com um relatório sobre o fardo mundial do câncer, publicado em 2014, a obesidade é responsável por cerca de 500 mil casos de câncer em todo o mundo a cada ano.

O motivo disso é que as células cancerosas são alimentadas principalmente pela queima anaeróbica de açúcar. Sem açúcar, a maioria das células cancerosas simplesmente não tem a flexibilidade metabólica para sobreviver.

As células normais e saudáveis ​​possuem flexibilidade metabólica para adaptarem-se de usar glicose a usar corpos cetônicos de gorduras dietéticas. A maioria das células cancerosas carece dessa habilidade, então, quando você reduz os carboidratos líquidos (carboidratos totais menos fibra), você efetivamente mata de fome o câncer. É por isso que a cetose nutricional parece ser tão eficaz contra o câncer.

De acordo com pesquisas recentes do Centro de câncer MD Anderson da Universidade do Texas, o açúcar refinado não só aumenta significativamente seu risco de câncer de mama; ele também aumenta o risco de que os tumores espalhem-se para outros órgãos.

Foi principalmente a frutose refinada no xarope de milho de alta frutose (High-Fructose Corn Syrup -HFCS) encontrada na maioria dos alimentos processados e bebidas a responsável pelos tumores mamários e a metástase.

A Pré-diabetes Também Aumenta seu Risco de Câncer

Ambas as descobertas tendem a fortalecer a pesquisa anterior que demonstrou que mesmo a pré-diabetes é um fator de risco para o câncer. Mais de 1 em cada 3 pessoas com 20 anos ou mais tem pré-diabetes, uma doença na qual seus níveis de glicose (açúcar no sangue) são mais elevados do que o normal, mas ainda não altos o suficiente para ser diagnosticados como diabetes completa.

Daqueles com pré-diabetes, de 15 a 30 por cento desenvolverão diabetes tipo 2 dentro de cinco anos.

Uma meta-análise publicada em 2014, que incluiu dados de cerca de 900.000 pessoas revelou que aqueles com pré-diabetes têm um risco 15 por cento maior de câncer, especialmente câncer de fígado, estômago, pâncreas, mama e endométrio.

Outras pesquisas demonstraram que as pessoas com os maiores níveis de insulina no momento em que foram diagnosticadas com câncer aumentaram significativamente os riscos de recorrência do câncer, bem como estavam em um maior risco de serem diagnosticados com uma forma particularmente agressiva de câncer.

Do meu ponto de vista, essas descobertas não são nada surpreendentes e são precisamente o que você poderia prever se você compreender o mecanismo da maioria dos cânceres, que são essencialmente alimentados por um metabolismo que é impulsionado pelo açúcar (glicose), gerando cargas de radicais livres desnecessárias e prejudiciais em oposição à queima limpa de gorduras de alta qualidade que geram muito menos ROS.

Como o Jejum Pode Beneficiar Pacientes com Câncer

O jejum é outra estratégia que ajuda a reverter a obesidade e a otimizar a função mitocondrial, e também pode oferecer esperança na luta contra o câncer.

Na verdade, um grupo de pesquisa está investigando a possibilidade de fazer o jejum intermitente ser aprovado pela US Food and Drug Administration (FDA) como uma terapia complementar para pacientes com câncer.

O Dr.Valter Longo publicou uma série de estudos sobre o jejum e seu impacto no câncer. Sua pesquisa mais recente, publicada na revista Cancer Cell, descobriu que jejuar durante a quimioterapia aumenta a atividade das células T que matam o câncer, melhorando assim a eficácia da quimioterapia.

De acordo com Longo: “O maior fator que expõe as células cancerosas às células T é o efeito sobre a enzima heme oxigenase-1, que normalmente está em níveis elevados nas células cancerosas. O jejum reduz os níveis de oxigenase e dá origem a uma série de mudanças que incluem o aumento das células T citotóxicas que matam tumores”.

O que Comer para Ter uma Saúde Otimizada e Prevenir-se Contra o Câncer

Do meu ponto de vista, ignorar a dieta como uma ferramenta de prevenção do câncer é, na melhor das hipóteses, imprudente. Estou convencido de que a maioria dos cânceres pode ser prevenida ​​através de uma nutrição adequada.

Evitar exposições tóxicas (como pesticidas) é outro fator importante, e essa é uma das razões pelas quais recomendo comer alimentos orgânicos, especialmente carnes de animais alimentados com grama ou pasto e produtos de origem animal, sempre que possível.

Não tenha nenhuma ilusão em relação a isso, a PRIMEIRA coisa que você deve fazer se quiser prevenir ou tratar o câncer se você tiver resistência à insulina ou a leptina é cortar todas as formas de açúcar/frutose e carboidratos da sua dieta. Este passo otimizará as vias de sinalização que, de outra forma, poderiam contribuir para a transformação maligna.

Lembre-se de que o aspecto fundamental que deve ser tratado é o defeito mitocondrial metabólico discutido anteriormente, e isso envolve a redução radical dos carboidratos líquidos (não fibrosos) em sua dieta e sua substituição por gorduras de alta qualidade.

Moderar seu consumo de proteína e ficar atento à qualidade da proteína também é importante, uma vez que a proteína em excesso também pode desencadear o crescimento do câncer.

Então, em resumo, para ter uma saúde otimizada, você precisa de quantidades suficientes de carboidratos, gorduras e proteínas. No entanto, existem carboidratos saudáveis ​​e insalubres.

O mesmo pode ser dito sobre a gordura e proteína. A partir da minha analise da biologia molecular necessária para otimizar a função mitocondrial, pode ser aconselhável buscar fazer uma dieta com as seguintes proporções de nutrientes:

Gorduras saudáveis, 75 a 85 por cento de suas calorias totais. As gorduras não saturadas e saturadas benéficas incluem azeitonas e azeite, coco e óleo de coco, manteiga feita a partir de leite cru orgânico vindo de animais alimentados com grama, nozes cruas, como a macadâmia e noz pecã, sementes como gergelim preto, cominho preto, sementes de abóbora e cânhamo, abacate, carnes vindas de animais alimentados com grama, banha e sebo, ghee (manteiga clarificada), manteiga de cacau cru, gemas de ovos orgânicos de animais alimentados com pasto, gorduras ômega-3 de origem animal e pequenos peixes gordurosos como sardinhas e anchovas.

As gorduras nocivas que contribuem para a doença são principalmente gorduras trans e óleos vegetais ômega-6 poliinsaturados altamente refinados (PUFAs). Lembre-se de que a glicose é um combustível inerentemente “sujo”, pois gera muito mais ROS do que a queima de gordura. Mas para queimar gordura, suas células devem ser saudáveis e normais. As células cancerosas não têm a flexibilidade metabólica para queimar gordura e é por isso que uma dieta rica em gorduras saudáveis parece ser uma estratégia eficaz contra o câncer.

Quando você muda da queima de glicose como combustível primário para queimar gordura como combustível, as células cancerígenas irão ter dificuldades para manter-se vivas, já que a maioria de suas mitocôndrias são disfuncionais e não podem usar oxigênio para queimar combustível. Ao mesmo tempo, as células saudáveis recebem um combustível ideal e preferido, que reduz o dano oxidativo e otimiza a função mitocondrial. O efeito desta soma é que as células saudáveis começam a desenvolver-se enquanto as células cancerosas “morrem de fome”.

Carboidratos, 8 a 15 por cento das suas calorias diárias. Busque ter o dobro de carboidratos de fibra como carboidratos não fibra (líquidos). Isso significa que se seus carboidratos totais serão 10 por cento das suas calorias diárias, com pelo menos metade disso tendo de ser fibra. A fibra tem uma série de outros benefícios para a saúde, incluindo o controle de peso e uma redução do risco para certos tipos de câncer.

Eu pessoalmente acredito que a maioria iria beneficiar-se de reduzir os carboidratos líquidos (não apenas a frutose) para menos de 100 gramas (g) por dia e manter a ingestão total de frutose em um máximo de 25 g por dia de todas as fontes. Se você possui resistência à insulina, você fará bem em fazer seu limite superior de frutose ser a 15 g por dia.

Os pacientes com câncer provavelmente seriam mais bem servidos por limites ainda mais rígidos. Ao reduzir a quantidade de carboidratos líquidos que você come, você realizará quatro coisas que resultarão na redução da inflamação e estimulação do crescimento do câncer. Você irá:

Baixar seu nível sérico de glicose

Reduzir o seu nível mTOR

Reduzir o seu nível de insulina

Reduzir o fator de crescimento insulina-1 (IGF-1, um hormônio potente que atua na glândula pituitária para induzir efeitos metabólicos e endócrinos, incluindo crescimento celular e replicação. Níveis elevados de IGF-1 estão associados a câncer de mama e outros).

Normalmente, mantenho meus carboidratos líquidos em cerca de 50 a 60 g por dia. Isso pode parecer muito complicado. A maneira mais fácil de diminuir drasticamente seu consumo de açúcar e frutose é passar a consumir somente alimentos de verdade, já que a grande maioria do açúcar e frutose adicionados que você consome vem por parte de alimentos processados.

Excelentes fontes de carboidratos ricos em fibra que você pode comer abundantemente incluem sementes de chia, bagas, nozes cruas, couve-flor, raízes e tubérculos, como cebolas e batatas-doces, vagens, ervilhas, brócolis, couves-de-bruxelas e casca de sementes de psílio.

Proteína, 7 a 10 por cento de suas calorias totais. A qualidade é importante, então procure usar carnes e produtos de animais alimentados com pasto que sejam de alta qualidade. Como regra geral, recomendo limitar a sua proteína a 0,5 g de proteína por quilo de massa corporal magra, o que para a maioria das pessoas é de 40 a 70 g de proteína por dia - para estimar seus requisitos de proteína, primeiro determine sua massa corporal magra.

Subtraia sua porcentagem de gordura corporal de 100. Por exemplo, se você tem 20 por cento de gordura corporal, então você tem 80% de massa corporal magra. Basta multiplicar essa porcentagem pelo seu peso atual para obter sua massa corporal magra em libras ou quilos.

Mais uma vez, a razão pela qual você deve limitar a ingestão de proteínas é que as quantidades excessivas têm um efeito estimulante na via mTOR, que desempenha um papel importante em muitas doenças, incluindo o câncer. Quando você reduz a proteína ao que seu corpo precisa para reparos e manutenção celular, o mTOR permanece inibido, o que ajuda a minimizar suas chances de crescimento cancerígeno.