Como ginkgo biloba combate a acne

ginkgo biloba

Resumo da matéria -

  • Embora tenham sido feitos extratos das folhas desidratadas do ginkgo biloba, os extratos das sementes ou "nozes" se provaram uma solução tópica eficiente devido à presença de vários compostos antibacterianos
  • Tradicionalmente, o ginkgo biloba tem sido usado contra parasitas intestinais, artrite e frieiras, mas estudos têm verificado sua eficiência na melhora da visão, função sexual, zumbido e ansiedade
  • Um pesquisador encontrou uma cópia de um texto médico antigo e descobriu um preparo feito com as sementes de ginkgo que é recomendado como antibacteriano, o que formou uma base para novos estudos
  • Dentre seis tipos de patógenos que causam infecção de pele e tecidos moles, o crescimento de três, incluindo um comum em hospitais (MRSA) e outro conhecido por causar acne, foram inibidos pelo composto
  • Terpenóides, glicosídeos flavonóides e proantocianidinas são os responsáveis pelos efeitos do ginkgo biloba sobre a saúde do cérebro, assim como o composto conhecido como ácido ginkgólico
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Por Dr. Mercola

Durante décadas, os defensores do ginkgo biloba atestam sua capacidade de aguçar a memória e melhorar a função cerebral geral. Novas pesquisas expandiram esses atributos com evidências que demonstram que o antigo composto chinês tem outros valores: Embora tenham sido feitos extratos das folhas desidratadas do ginkgo biloba, os extratos das sementes ou "nozes" se provaram uma solução tópica eficiente no combate à acne.

O que os cientistas descobriram sobre o ginkgo biloba até o momento já faz com que se destaque de outras árvores por vários motivos. O ginkgo biloba também é conhecido como "fóssil vivo" Incrivelmente resistente, suas folhas únicas em forma de leque se espalham em um atraente dossel de sombra.

Como a árvore mais antiga da Terra, vários outros atributos impressionantes incluem sua capacidade de crescer até 36 metros e viver mais de 1.000 anos. De fato, algumas árvores que crescem na China têm mais de 2.500 anos de idade. Também conhecida como árvore "cabelo de dama", o nome ginkgo tem um significado intrigante, como a palavra japonesa "gin" significa "prata" e "kyo" se traduz como "damasco".

O fruto, ou, mais precisamente, a "semente nua" da gimnosperma não fica dentro da fruta madura como as plantas com flores (angiospermas). Ele se assemelha ao damasco, mas, ao contrário dos damascos, os frutos de ginkgo biloba não são atraentes e nem devem ser ingeridos. Seu odor já foi comparado a meias de ginástica malcheirosas ou mesmo vômito, e os compostos nas sementes são considerados tóxicos.

Apesar disso, seus suplementos estão entre os mais populares do mercado e tipicamente são vendidos em comprimidos, cápsulas ou extratos líquidos. O Medical News Today explica:

"Os extratos de ginkgo biloba, tipicamente feitos da folha da árvore, estão presentes como ingredientes insubstituíveis de suplementos à base de ervas. Porém, embora estudos experimentais tenham sugerido que o ginkgo biloba possa tratar várias condições, de depressão até Alzheimer ou diabetes, sua real eficácia e segurança ainda são debatidas."

Ginkgo biloba como tratamento para manchas na pele

Usos tradicionais incluem o ginkgo biloba como tratamento para parasitas intestinais, artrite e frieiras, que podem ser descritas como coceira, bolhas e manchas vermelhas causadas pela inflamação de pequenos vasos sanguíneos em resposta ao frio, mas não ao congelamento do ar, podendo estar relacionadas à síndrome de Raynaud.

Na procura por novas soluções para lidar com infecções de pele devido a patógenos bacterianos, Xinyi Huang, pesquisadora da Universidade Emory, em Atlanta, juntamente com seus colegas, examinaram folhas de ginkgo biloba para verificar os resultados de um texto escrito pelo antigo pesquisador Li Shi-Zhen, por volta de 1590 d.C.

Conhecido como Ben Cao Gang Mu e elogiado como Matéria Médica Chinesa, um preparo feito a partir de sementes de ginkgo biloba foi recomendado como antibacteriano. Huang, cuja experiência inicial com o ginkgo biloba veio da ingestão de sementes ou nozes, descreveu o gosto da sopa cantonesa como "realmente distinto, um pouco amargo, mas também doce".

Ela queria fazer seus próprios experimentos. De acordo com o Medical News Today:

"Em testes de laboratório que eles conduziram em 12 cepas diferentes de bactérias ... Usando análise estatística, Huang e seus colegas também observaram uma correlação positiva entre as propriedades antimicrobianas das sementes de ginkgo biloba e a riqueza de uma substância chamada ácido ginkgólico C15:1".

O trabalho dos cientistas, publicado na Frontiers in Microbiology, envolveu testes com as folhas, sementes e nozes, bem como sementes não maturadas, ramos e outros extratos de plantas em seis patógenos conhecidos por causar infecções da pele e de tecidos moles (IPTMs). Alguns desses patógenos, inclusive, podem ser uma ameaça à vida. Vários deles foram inibidos, incluindo:

  • Staphylococcus aureus, comum e ocasionalmente responsável por MRSA resistente a medicamentos
  • Cutibacterium acnes, que pode causar acne vulgar, blefarite, caspa e psoríase
  • Streptococcus pyogenes, que pode causar impetigo, erisipela e fasceíte necrotizante

Os métodos de extração utilizados (maceração com etanol, sonicação com água, decocção de água e infusão de óleo) demonstraram uma influência na eficácia, que também muda de acordo com a parte da planta que é utilizada.

A maceração de etanol nas sementes se provou a combinação mais eficiente. No entanto, os pesquisadores também observaram que o ácido ginkgólico pode ter desempenhado um papel importante no efeito inibitório do ginkgo biloba sobre as bactérias ruins.

Estudos demonstram o benefício do ginkgo biloba para o seu cérebro

Quais são os ingredientes ativos do ginkgo biloba? De acordo com estudos, os extratos de folhas e sementes contêm terpenóides, glicosídeos de flavonóis (principalmente quercetina e catequina) e proantocianidinas, que são considerados responsáveis pelos efeitos farmacológicos.

Ginkgolides e bilobalides são terpenóides exclusivos do ginkgo biloba, já que a espécie é a única sobrevivente da família Ginkgoaceae. De acordo com estudos em animais, o ginkgo biloba como um todo exibiu mecanismos importantes que podem explicar alguns dos resultados terapêuticos positivos, uma vez que se verificou que:

  • Inibe o fator ativador de plaquetas, o que resulta na coagulação sanguínea dentro das paredes arteriais, evitando a formação de placas.
  • Aumenta a produção de óxido nítrico nos vasos sanguíneos, o que promove uma função endotelial saudável e um efeito positivo subsequente no fluxo sanguíneo cerebral e periférico.
  • Inicia a captação sinaptossomal de dopamina para melhorar a função cognitiva e a 5-hidroxitriptamina (serotonina), um neurotransmissor conhecido por mobilizar o cérebro e o corpo para ação, ligado a efeitos positivos na cognição e atenção.
  • Modula diferentes sistemas neurotransmissores e inibe a monoamina oxidase A, uma enzima que pode eliminar a norepinefrina, a serotonina e a dopamina do cérebro.
  • Exerce a atividade de eliminação dos radicais livres, pois tem propriedades neuroprotetoras e antiapoptóticas, como inibir a neurotoxicidade β-amilóide e proteger contra os desafios hipóxicos, podendo ser particularmente benéfico contra a doença de Alzheimer.

Como suplemento, o ginkgo biloba provocou muita discussão e até controvérsia sobre suas possibilidades terapêuticas, mas o estudo lista uma série de formas pelas quais os pesquisadores descobriram que ele é viável, motivo pelo qual seus dados apoiam seu uso por pacientes com demência e esquizofrenia especificamente.

Em sua revisão de 1.109 publicações clínicas com o objetivo de verificar o uso de ginkgo biloba, os pesquisadores relataram seu uso como "igual" ao de um medicamento chamado donepezil, usado para tratar a demência e auxiliar contra perda de memória, incluindo casos graves de Alzheimer, em dois testes diferentes.

Em suma, o estudo concluiu que "as evidências disponíveis são suficientes para apoiar o uso de ginkgo biloba em pacientes com demência ou como suporte terapêutico para pacientes com esquizofrenia. Entretanto, resultados promissores para outras condições neuro-psiquiátricas, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade, depressão, dependência e autismo, não foram verificados.

Outros benefícios do ginkgo biloba incluem melhora da visão, função sexual, saúde reprodutiva, zumbido e ansiedade. Um estudo com 332 indivíduos descobriu que pessoas com glaucoma de tensão normal tiveram melhora após tomar 80 miligramas de extrato de folhas de ginkgo biloba em forma de comprimidos duas vezes ao dia.

Como o ginkgo biloba sobreviveu a todos esses milênios?

Um paradoxo interessante sobre o ginkgo biloba é que sua composição genética inclui tanto resistência quanto tolerância a insetos e outros predadores. Ao mesmo tempo, há evidências de que a árvore era alimento para certas espécies de dinossauro.

No livro "Ginkgo Biloba" Teris A. van Beek explica que essas árvores podem ter se proliferado devido ao "odor de carne em putrefação" que supostamente atrairia animais para comer as sementes e defecar as nozes intactas. Um artigo da BBC pode ajudar a explicar o significado das descobertas de um estudo publicado em 2016 pela GigaScience:

"Sua resiliência é lendária: foi um dos poucos seres vivos a sobreviver à explosão da bomba atômica na cidade japonesa de Hiroshima em 1945. O ginkgo biloba é famoso por produzir substâncias químicas intragáveis para os insetos que tentam comê-lo e que podem combater os fungos e bactérias que tentam atacá-lo.

Hoje em dia, os pesquisadores podem identificar mais facilmente os mecanismos por trás dessas habilidades. As espécies específicas sequenciadas no estudo… revelam que o genoma da árvore é enorme, compreendendo cerca de 10,6 bilhões de “letras” de DNA. A título de comparação, o genoma humano contém apenas três bilhões de letras.

No código de DNA do ginkgo biloba, há aproximadamente 41.840 genes previstos, os "moldes" que as células da árvore usam para fazer as complexas moléculas de proteína que constroem e mantêm o organismo."

O que fazer com a pesquisa e notas de aviso

Huang não demora a avisar sobre o consumo de ginkgo biloba, seja das folhas ou das sementes. A nota de advertência decorre do fato de que o primeiro autor do estudo, François Chassagne, enfatizou que o ácido ginkgólico concentrado C15:1 é realmente tóxico para a pele, o que é irônico, já que os extratos de ginkgo em outras concentrações são benéficos para a pele.

No entanto, os ginkgosídeos são flavonóides tão poderosos que podem afetar positivamente até mesmo os microcapilares menores, levando a benefícios generalizados em todos os órgãos do corpo, especialmente no cérebro.

Huang acrescenta que, embora ela tenha comido sementes de ginkgo biloba cozidas quando era criança, seus pais sempre enfatizavam a importância de não comer mais do que cinco de cada vez. O Ben Cao Gang Mu original também diz que o consumo das sementes deve ser moderado.

Como é geralmente o caso, os cientistas envolvidos no estudo em destaque dizem esperar que sua pesquisa resulte no desenvolvimento de drogas à base de ginkgo biloba, que serão ainda melhores no combate às bactérias nocivas. De acordo com Chassagne:

"Uma possível estratégia na busca por novos antibióticos seria investigar maneiras de modificar a estrutura do ácido ginkgólico específico ligado à atividade antibacteriana, para tentar melhorar sua eficiência e também reduzir sua toxicidade para as células da pele humana."

Sempre que você consumir qualquer suplemento, é importante observar a resposta do corpo. O mesmo é válido ao consumir ginkgo biloba. Embora ele ofereça benefícios para a pele, cérebro e muito mais, caso você tenha algum sintoma desagradável decorrente do uso, é melhor evitar o ginkgo biloba ou encontrar outra alternativa.

Sintomas podem incluir dores moderadas no estômago ou dores de cabeça leves que podem surgir alguns dias após tomar suplementos com ginkgo biloba. Em casos de indivíduos que ingeriram doses maiores, os sintomas foram mais intensos e incluíram episódios de tontura, náusea ou diarreia. Busque o aconselhamento do seu médico caso algum dos sintomas acima ocorra.

Pessoas com epilepsia não devem tomar ginkgo biloba, pois ele pode causar convulsões. O consumo também deve ser evitado por gestantes e lactantes. Além disso, as pessoas que são particularmente suscetíveis à hera venenosa e outras plantas devem evitar o ginkgo biloba devido aos alquilfenóis de cadeia longa nas folhas, que o tornam um alérgeno.