Beber água ajuda a prevenir a formação de pedras nos rins

Mulher bebendo água

Resumo da matéria -

  • O maior fator de risco para a formação de pedras nos rins é não beber quantidades adequadas de água
  • Pessoas que produzem de 2 a 2,5 litros de urina por dia têm chances 50% menores de desenvolver pedras nos rins
  • Para produzir essa quantidade de urina, normalmente são necessários de 8 a 10 copos de 240 ml de água por dia, mas uma forma mais simples é analisar a cor da sua urina (ela deve ser amarela clara)
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Por Dr. Mercola

Se você nunca sofreu de pedras nos rins, saiba que você provavelmente nunca vai se esquecer da dor... e certamente vai querer evitá-la no futuro. As pedras nos rins podem causar dores intensas nas costas, que podem se espalhar pelo seu abdômen inferior e pela virilha.

Às vezes, as dores vêm em ciclos e, normalmente, quanto maior for a pedra, maiores serão as dores e os sintomas causados por ela. Embora a maioria das pedras nos rins saiam sem causar danos, mais de meio milhão de pessoas são levadas às salas de emergência dos EUA por ano por causa de pedras nos rins.

Hoje em dia, como as taxas de incidência das pedras nos rins continuam a aumentar, estima-se que a doença irá afetar 1 a cada 10 adultos dos EUA em algum ponto de suas vidas, geralmente entre seus 20 e 50 anos de idade.

Quer prevenir o desenvolvimento de pedras nos rins? Então beba mais água

O maior fator de risco para o desenvolvimento de pedras nos rins é não beber quantidades adequadas de água. Se você não bebe água o bastante, sua urina terá maiores concentrações de resíduos, incluindo substâncias que podem formar as pedras.

Mais especificamente, se você urinar com frequência, as substâncias químicas capazes de formar as pedras, como o cálcio, oxalato, urato, cisteína, xantina, e fosfato, terão menos chances de se prender aos seus rins e ao seu trato urinário.

De acordo com os resultados de uma grande metanálise apresentada em março de 2015 no encontro da Fundação Nacional dos Rins dos EUA, em Dallas, Texas, as pessoas que produziram de 2 a 2,5 litros de urina por dia têm chances 50% menores de desenvolver pedras nos rins, se comparadas às pessoas que produziram menos urina.

Para produzir essa quantidade de urina, normalmente são necessários de 8 a 10 copos de 240 ml de água por dia. Kerry Willis, diretor científico da Fundação Nacional dos Rins, explicou:

"As pedras nos rins geram desconfortos e gastos consideráveis, além de ser capazes de contribuir para o desenvolvimento de doenças renais, de modo que a confirmação de que uma melhor hidratação reduz os riscos é uma descoberta importante.”

Ano passado, a organização American College of Physicians (ACP) emitiu novas diretrizes para que as pessoas que já tiveram pedras nos rins também aumentem o consumo de água para produzir pelo menos dois litros de urina por dia, alegando que tal medida pode reduzir pelo menos pela metade as chances de recorrência do problema.

Para tanto, eles recomendam um aumento no consumo de água durante o decorrer do dia e disseram que tanto a água normal quanto a água mineral são eficientes.

Por exemplo, uma pesquisa mostra que, dentre os pacientes com pedras nos rins, aqueles que aumentam o consumo de água para produzir dois litros de urina por dia apresentaram uma taxa de recorrência de 12%, enquanto os pacientes que não aumentaram seus níveis de hidratação apresentaram uma taxa de recorrência de 27%.

A Fundação Nacional dos Rins recomenda beber mais de 12 copos de água por dia, mas uma forma mais simples de descobrir se você está bebendo quantidades adequadas de água é analisar a cor da sua urina: o ideal e que sua urina seja amarela bem clara (urinas mais escuras são mais concentradas).

Quais são os diferentes tipos de pedras nos rins?

Quando sua urina contém mais substâncias formadoras de cristais do que o sua urina é capaz de diluir, pode ocorrer a formação das pedras nos rins. Além disso, a urina de algumas pessoas pode apresentar uma falta de substâncias que ajudam os cristais a se manter unidos, aumentando as chances de formação das pedras.

No entanto, existem vários tipos de pedras nos rins e conhecer esses tipos pode ajudar a descobrir suas causas:

1. Pedras de cálcio — O tipo mais comum, pois a maioria das pedras nos rins são formadas por oxalato de cálcio. O oxalato pode ser encontrado em algumas frutas e vegetais, mas a maior parte dele é produzida pelo seu fígado.

Se você tiver pedras de oxalato, seu médico pode recomendar que você evite alimentos ricos em oxalatos como vegetais de coloração verde escura, nozes, e chocolate, mas beber mais água também pode ajudar.

2. Pedras de estruvita — Encontradas com mais frequência em mulheres, essas pedras quase sempre causam infecções no trato urinário.

3. Pedras de ácido úrico — O ácido úrico é um subproduto do metabolismo das proteínas. Essas pedras normalmente estão relacionadas à gota e podem resultar de fatores genéticos e desordens nos seus tecidos produtores de sangue.

4. Pedras de cistina — Essas pedras correspondem à uma pequena parcela das pedras nos rins. Elas resultam de doenças hereditárias que fazem com que seus rins eliminem grandes quantidades de certos aminoácidos (cistinúria).

Não tem como saber se você tem alguma pedra até que ela entre no ureter, o conduto ligando seus rins à sua bexiga. A dor não é causada pela pressão da pedra, mas sim pela distensão dos tecidos ao redor da mesma, pois ela bloqueia a passagem da urina. Os sintomas mais comuns são:

Dor nas laterais do corpo e nas costas, abaixo das costelas.

Dores com 20 a 60 minutos de duração, de intensidades variáveis.

“Ondas” de dor vindas das suas laterais e das suas costas, alcançando seu abdômen inferior e sua virilha.

Urina acompanhada de sangue, turva ou malcheirosa.

Micção acompanhada de dor.

Náusea e vômito.

“Urgência” (Vontades repentinas e constantes de urinar).

Febre e calafrios (indicando a presença de alguma infecção).

9 fatores que aumentam o risco da formação de pedras nos rins

Se você já teve pedras nos rins, seus riscos de recorrência são maiores. Cerca de 35 a 50% das pessoas que tiveram pedras nos rins terão outro ataque dentro de cinco anos, a não ser que mudem seus hábitos.

Mas além de não beber quantidades adequadas de água, muitos outros fatores também podem aumentar seus riscos de desenvolver sua primeira pedra nos rins. E os maiores deles são:

1. Uma dieta rica em açúcar — Uma dieta rica em açúcar pode causar a formação de pedras nos rins, pois o açúcar perturba as relações entre os minerais do seu corpo ao interferir na absorção de cálcio e magnésio. O consumo de açúcares não saudáveis e refrigerantes por crianças é um grande motivo pelo qual atualmente crianças de 5 anos de idade desenvolvem pedras nos rins.

O açúcar também pode aumentar o tamanho dos rins e causar alterações patológicas no órgão, como a formação das pedras nos rins. De acordo com a Fundação Nacional dos Rins, você deve ficar atento para manter seus níveis de frutose sob controle:

"Consumir muita frutose aumenta os riscos de desenvolver pedras nos rins. A frutose pode ser encontrada no açúcar de mesa e em produtos como o xarope de milho. Em algumas pessoas, a frutose pode ser metabolizada em oxalato.”

2. Beber muito refrigerante — Os refrigerantes são ricos em açúcar, então basta usar o bom senso para saber que seu consumo em grandes quantidades pode aumentar seus riscos de formar pedras nos rins. Mas além do seu teor de açúcar, os refrigerantes podem estar relacionados às pedras nos rins devido ao fato de que o ácido fosfórico neles presente acidifica sua urina, estimulando a formação das pedras.

Um estudo sul americano, por exemplo, descobriu que o consumo de refrigerantes agrava algumas condições na sua urina que levam à formação de pedras de oxalato de cálcio. Então, se você bebe muito refrigerante, é muito importante que você reduza esse hábito. Em um estudo, pessoas com pedras nos rins que cortaram os refrigerantes da alimentação reduziram os riscos de recorrência em cerca de 15%.

3. Não praticar exercícios — Se você estiver de cama, ou sedentário por longos períodos, pode ficar mais suscetível ao desenvolvimento de pedras nos rins, em parte porque a falta de atividade pode fazer com que seus ossos liberem mais cálcio. Os exercícios também ajudam a tratar a pressão alta, doença que dobra os riscos de desenvolver pedras nos rins.

Até mesmo pequenas quantidades de exercícios podem ser eficientes para reduzir seus riscos. Em um estudo envolvendo mais de 84.000 mulheres na pós-menopausa, foi descoberto que aquelas que se exercitavam tinham riscos até 31% menores de desenvolver pedras nos rins, e essa relação continuou existindo até mesmo para pequenas quantidades de exercícios físicos.

Mais especificamente, a pesquisa demostrou que apenas três horas de caminhada por semana, ou quatro horas de jardinagem, ou apenas uma hora de corrida moderada, podem reduzir os riscos da formação de pedras nos rins. Aqui, você pode encontrar minhas recomendações sobre exercícios, incluindo um guia sobre como fazer o exercício intervalado de alta intensidade (HIIT).

4.Comer demais — Mulheres que consomem mais de 2.200 calorias por dia aumentam seus riscos de desenvolver pedras nos rins em até 42%, e a obesidade também aumenta os riscos. É importante saber que, apesar da obesidade aumentar os riscos do desenvolvimento de pedras nos rins, cirurgias de emagrecimento que alteram seu trato digestivo podem torná-las ainda mais comuns, pois após esses procedimentos, os níveis de oxalato normalmente ficam muito altos (o oxalato é o tipo de cristal formador de pedras nos rins mais comum).

5. Beber água fluoretada — Existe uma relação entre o alto nível de fluoreto na água com a formação de pedras nos rins. A doença é quase cinco vezes mais comum em regiões com altas quantidades de fluoreto na água (de 3,5 a 4,9 partes por milhão, ou ppm) do que em regiões similares com baixos níveis de fluoreto.

E, no geral, a prevalência das pedras nos rins na região com alto nível de fluoreto foi quase duas vezes maior em pessoas com fluorose. Um sistema de tratamento de água por osmose reversa pode remover o fluoreto da sua água.

6. Tomar certos medicamentos — LASIX (furosemida), Topomax (topiramato), Xenical e outros medicamentos, conhecidos por aumentar os riscos de desenvolvimento de pedras nos rins.

7. Consumir soja não fermentada — A soja e os alimentos à base de soja podem estimular a formação de pedras nos rins em pessoas suscetíveis, pois podem conter altos níveis de oxalatos, os quais podem se juntar ao cálcio nos seus rins, formando as pedras. A soja não fermentada pode ser encontrada em leites de soja, hambúrgueres de soja, sorvetes de soja, e até mesmo no tofu.

8. Não consumir quantidades adequadas de alimentos ricos em cálcio — O que é irônico, considerando que a maioria das pedras nos rins são feitas de cálcio. A Faculdade de Saúde Pública de Harvard conduziu um estudo envolvendo mais de 45.000 homens, e foi descoberto que os homens cujas dietas eram ricas em cálcio apresentaram riscos um terço menor de desenvolverem pedras nos rins do que os homens cujas dietas eram pobres no mineral.

Parece que uma dieta rica em cálcio bloqueia a ação química que causa a formação das pedras. O cálcio se prende aos oxalatos (adquiridos através da alimentação) no seu intestino, o que previne que ambos sejam absorvidos pelo seu sangue e transferidos para seus rins.

Então, os oxalatos urinários podem contribuir mais para a formação das pedras nos rins do que o cálcio urinário. Mas é importante saber que é o cálcio dos alimentos que reduz os riscos de pedras nos rins, e não o cálcio de suplementos, os quais demostraram aumentar os riscos de pedras nos rins em 20%.

9. Deficiência de Magnésio — Há uma relação entre a deficiência de magnésio e as pedras nos rins, e estima-se que 80% da população dos EUA são deficientes, de forma que este pode ser um grande fator de risco para a doença. O magnésio é muito importante para a absorção e assimilação do cálcio pelo seu corpo, e se você consumir muito cálcio sem possuir quantidades adequadas de magnésio, o cálcio em excesso pode se tornar tóxico e contribuir para doenças como as pedras nos rins.

O magnésio ajuda a prevenir que o cálcio se junte ao oxalato, o que, como já mencionado, forma o tipo de pedra dos rins mais comum. Vegetais com folhas verdes, como o espinafre e a acelga, são fontes excelentes de magnésio, e uma das maneiras mais simples de se certificar de que você está consumindo quantidades adequadas é preparando sucos com vegetais.

O suco de vegetais é outra fonte excelente de magnésio, assim como alguns feijões, amêndoas, e sementes, como as sementes de abóbora, sementes de girassol, e sementes de gergelim. Os abacates também são uma boa fonte, e o magnésio também está disponível em forma de suplemento.

Quando você deve procurar atendimento médico para suas pedras nos rins?

Já que as pedras nos rins podem variar em tamanho, de um grão de areia até maiores que uma bola de tênis de mesa, é muito importante buscar auxílio médico, especialmente se você estiver sentindo muita dor. Na maioria dos casos, a pedra vai sair sozinha, e apesar de existirem vários procedimentos médicos e técnicas cirúrgicas que podem ser usadas para tratar essas pedras, os riscos são altos o bastante para que os médicos normalmente os evitem, a não ser que não haja outra escolha.

As pedras nos rins podem levar dias ou até mesmo semanas para saírem, mas se uma delas não conseguir passar, pode causar danos permanentes ao seu trato urinário. Felizmente, hoje em dia existem opções mais avançadas além da cirurgia, como a litotripsia extracorpórea para ondas de choque.

Esse tratamento consiste na submersão do indivíduo em um tubo de água, no qual ondas de som transmitidas pela água quebram as pedras, as quais saem, como se fossem grãos de areia, pela sua urina em alguns dias, ou semanas.

Você também deve beber muita água durante um ataque de pedras nos rins para ajudar a eliminar a pedra, mas lembre-se que beber água regularmente é uma das melhores formas de prevenir a formação das pedras. Mas você não deve exagerar no seu consumo de água, pois isso pode causar hiponatremia, que consiste na diluição dos níveis de sódio do seu sangue.

O seu objetivo deve ser beber água de forma saudável, o bastante para que sua urina fique com uma coloração amarela bem clara. O ideal é beber água durante o dia inteiro, em pequenas quantidades, e não beber vários copos de uma vez só, pois isso pode simplesmente fazer com que você urine em maiores quantidades, sem dar ao seu corpo a chance de absorver a água.

Finalizando, a planta tropical Phyllanthus niruri, disponível em forma de suplemento, também demostrou ser capaz de ajudar a tratar e prevenir a formação de pedras nos rins. A planta, conhecida como “quebra-pedra”, interfere em vários estágios da formação das pedras, reduzindo a aglomeração dos cristais e modificando seus estruturas e composições.