Não Compre Cheerios Para os Seus Filhos

Cheerios

Resumo da matéria -

  • Exames independentes revelaram resíduos de glifosato na proporção de 1,125.3 partes por bilhão (ppb) no cereal Cheerios
  • O glifosato, ingrediente ativo do herbicida da Monsanto (roundup), é um provável agente cancerígeno e pode comprometer o sistema endócrino
  • A aveia, principal ingrediente do cereal Cheerios, bem como outros alimentos cultivados, recebem comumente um tratamento com glifosato antes da colheita para acelerar o processo de ressecamento
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Por Dr. Mercola

O cereal Cheerios é o escolhido de muitos pais para o café da manhã dos filhos. Eles são pequenos, convenientes, fáceis de mastigar e seu site conta até mesmo com uma sessão que convida os pais a usar o cereal para ensinar os filhos a comer com as mãos.

O site ainda declara que crianças de 9 meses já podem consumir o Cheerios, afirmando que "4 em cada 5 pediatras recomendam o produto para acostumar crianças a comer com as mãos". Um outro motivo que pode levá-lo a acreditar que essa é uma boa opção para seu filho é que ele não contém ingredientes modificados geneticamente.

A aveia é o principal ingrediente do cereal (não existe aveia modificada geneticamente), que também contém milho e açúcar não transgênicos. Se é assim, porque ter cuidado com esse produto?

Cheerios e outros populares alimentos processados contêm resíduos de glifosato

Apesar de seu status de não transgênico, testes feitos no Anresco, um laboratório licenciado pelo FDA, encontrou resíduos de glifosato no Cheerios e em outros alimentos muito conhecidos.

O Glifosato, ingrediente ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, ganhou as manchetes dos jornais recentemente por ser o agrotóxico mais utilizado na história e pelo fato de que a Agency for Research on Cancer (IARC) determinou que ele é provavelmente um agente cancerígeno.

Apesar de sua prevalência, não sabemos exatamente quanto glifosato há nos alimentos porque os departamentos de agricultura de muitos países não fazem os testes relevantes.

O Food and Drug Administration (FDA) anunciou em fevereiro de 2016 que começaria a testar a presença de glifosato em alguns alimentos, mas nada havia sido testado até novembro. Enquanto isso, organizações privadas fizeram suas próprias análises.

As últimas, conduzidas pelas organizações sem fins lucrativos Food Democracy Now e The Detox Project, foram conduzidas através da Cromatografia Líquida Acoplada à Espectrometria de Massas, que é o método considerado mais confiável nara análise de resíduos de glifosato.

Vinte e cinco alimentos foram testados e resíduos de glifosato foram encontrados em vários produtos, incluindo Doritos, Oreos, Pita Chips e os seguintes.

  • Cheerios da General Mills (1,125.3 partes por bilhão [ppb])
  • Cookies de chocolate amargo Kashi (275.57 ppb)
  • Ritz Crackers (270.24 ppb)

De acordo com o relatório, essas descobertas deveriam servir de aviso para todos:

"Novas evidências científicas mostram que níveis ultra baixos de glifosato, da ordem de 0,1 partes por bilhão (ppb), podem causar danos à saúde humana. Alimentos populares revelaram níveis por volta de 289.47 ppb, com alguns chegando até 1,125.3 ppb.

... Esses novos estudos revelam que um dos cereais mais icônicos dos Estados Unidos contém glifosato na proporção de 1,125.3 ppb e devem servir de alerta sobre os níveis inaceitáveis de pesticidas em nosso país.

... É importante para os pais e todas as outras pessoas saber que a contaminação por glifosato não pode ser removida na lavagem dos alimentos e nem através do calor da cocção. Os resíduos de glifosato podem continuar estáveis em um alimento por um ano ou manos, mesmo que ele tenha sido congelado ou processado".

A ingestão aceitável diária de glifosato é alta demais

As agências reguladoras americanas afirmaram que a ingestão aceitável diária (ADI, na sigla original) é de 1.75 miligramas por quilo de peso corporal, Na União Europeia, o valor é de apenas 0.3 miligramas.

As últimas pesquisas independentes no campo sugerem que a ADI deve ser de 0.025 miligramas por quilo de peso corporal, o que é 12 vezes menos do que a ADI da Europa e 70 vezes menos do que a dos Estados Unidos. O órgão responsável, Alliance for Natural Health, explica:

"O nível de segurança é determinado com base em testes de glifosato feitos em animais de laboratório adultos.

Os críticos afirmam que os testes podem não ser precisos porque o glifosato pode ser um desregulador endócrino, o que afetaria os hormônios no corpo produziria efeitos adversos em vários estágios do desenvolvimento humano.

Além disso, os testes foram feitos no glifosato isoladamente e não incluíram as formulações comerciais de pesticidas contendo adjuvantes adicionais que podem ser tóxicos ou intensificar a toxicidade do glifosato”.

Resíduos de glifosato foram encontrados em vários alimentos populares de café da manhã

Descobrir a exposição média de uma pessoa ao glifosato pode ser uma tarefa desafiadora, pois há resíduos desse produto químico em vários e vários produtos.

O herbicida foi detectado em uma variedade de alimentos instantâneos com aveia (para bebês, inclusive), incluindo os que têm os sabores de banana, morango, canela e açúcar de bordo. A ANH detectou glifosato em vários alimentos adicionais, como pão, bagel e cereais de trigo.

Dez de 24 alimentos para o café da manhã testados pela ANH têm níveis detectáveis de grifosato. Isso inclui aveia, bagels, creme para café, pão orgânico e até mesmo ovos de animais criados em liberdade e sem ingestão de antibióticos.

Além disso, o grupo Moms Across America enviou 10 amostras de vinho para análise de glifosato. Todas as amostras deram positivo, até as orgânicas, nas quais os níveis eram significativamente inferiores.

Um estudo sobre resíduos de glifosato feito pelo Instituto Ambiental de Monique descobriu glifosato em 14 das mais vendidas cervejas alemãs.

Glifosato foi encontrado até mesmo no complemento alimentar da PediaSure, dado a crianças via tubos de alimentação. Trinta por cento das amostras analisadas continham níveis de glifosato acima de 75 ppb, um valor muito mais alto do capaz de destruir o microbioma intestinal de frangos (0,1 ppb).

Não é de se surpreender que exames de urina e sangue humano também contêm glifosato. Os níveis máximos encontrados em mulheres americanas foram mais de oito vezes maiores do que os encontrados em europeias, de acordo com o laboratório que testou amostras das organizações Moms Across America e Sustainable Pulse.

O glifosato é pulverizado em algumas plantações pouco antes da colheita

Alimentos geneticamente alterados (geralmente tratados com Roundup) estão associados a um aumento dos níveis de glifosato no nosso corpo. Porém, mesmo alimentos que não estão nessa categoria, como o Cheerios, podem conter altos níveis de glifosato como resultado do uso de herbicidas para acelerar o processo de secagem antes da colheita.

Em regiões mais frias, os produtores precisam esperar os grãos secarem antes da colheita. Leva cerca de duas semanas para que isso ocorra naturalmente, mas os agricultores perceberam que pulverizar glifosato acelera muito esse processo.

A secagem do trigo com glifosato é particularmente comum em climas mais úmidos e é cada vez mais prevalente nos estados do centro-oeste dos Estados Unidos, bem como em países como o Canadá e a Escócia (países onde esse processo se originou).

Em alguns casos, alimentos não modificados geneticamente podem estar ainda mais contaminados, pois recebem o tratamento com glifosato antes de se transformarem em cereais, pães, cookies e outros produtos.

Ninguém sabe dizer quantas plantações são pulverizadas com glifosato, o que caracteriza uma política de uma indústria que não quer que façamos muitas perguntas. Além do trigo e da aveia, outras plantações que recebem o tratamento com glifosato incluem:

Lentilhas

Ervilhas

Soja orgânica

Milho

Linho

Centeio e trigo mourisco

Triticale

Canola

Milhete

Beterraba

Batata

Girassol

Por que você deve se preocupar com resíduos de glifosato nos seus alimentos

Por muito tempo, produtores disseram que o glifosato era inofensivo para humanos e para o ambiente, chegando a afirmar que ele era biodegradável. Sua segurança foi amplamente aceita pelos órgãos USDA e FDA, que não monitoram sua utilização nos alimentos.

Porém, desde a descoberta do IARC de que o glifosato é potencialmente cancerígeno (e está ligado ao aumento dos cânceres de mama, tireoide, rins, pâncreas, fígado, bexiga e leucemia mieloide), não é possível usar as palavras "segurança" e "glifosato" na mesma frase.

Uma pesquisa publicada no Entropy, da autoria de Stephanie Seneff, Ph. D, cientista pesquisadora do MIT, e Anthony Samsel, Ph.D, pesquisador, cientista e consultor na área de alimentos, utilizou os dados fornecidos por estudos da Monsanto para revelar alguns mecanismos pelos quais o glifosato pode causar doenças.

O glifosato pode desregular a função e o ciclo de vida dos micróbios do nosso organismo, afetando principalmente bactérias benéficas e permitindo que patógenos se instalem no corpo.

De acordo com o relatório do Entropy, os resíduos "aumentam os danos causados por outros resíduos químicos e toxinas ambientais, desregulando funções normais do corpo e permitindo a aparição de doenças". Isso inclui (mas não se limita a):

Autismo

Doenças gastrointestinais como doença inflamatória intestinal, diarreia crônica, colite e doença de Crohn.

Obesidade

Alergias

Doença cardiovascular

Depressão

Câncer

Infertilidade

Mal de Alzheimer

Mal de Parkinson

Esclerose múltipla

ALS e outras