Os benefícios da moringa oleífera comparados aos do brócolis

Moringa oleífera

Resumo da matéria -

  • A moringa oleífera proporciona vários benefícios similares aos do brócolis, e provavelmente é tão poderosa quanto o sulforafano. Praticamente todas as partes dessa planta são comestíveis. Acredita-se que suas folhas contenham uma quantidade equilibrada de aminoácidos, ácidos graxos, sais minerais e vitaminas
  • A moringa oleífera é uma fonte excelente de proteínas, ácidos graxos, betacaroteno, fenólicos, zeatina, quercetina, beta-sitosterol, kaempferol, flavonoides e isotiocianatos
  • As folhas, raízes, sementes, cascas, frutas e flores da moringa oleífera têm propriedades antitumorais, antiepilépticas, anti-inflamatórias, antiulcerativas, antiespasmódicas, diuréticas, anti-hipertensivas, antioxidantes, antidiabéticas, hepatoprotetoras, antibacterianas, antivirais e de redução do colesterol
  • Assim como o brócolis, a moringa oleífera tem propriedades antibióticas contra uma grande variedade de patógenos, como a Escherichia coli, Salmonella typhimurium, Candida e Helicobacter pylori
  • Embora o brócolis e a moringa sejam muito similares e ofereçam praticamente os mesmos benefícios, a segunda é superior em termos de economia: Ela é muito mais simples de cultivar, o que a torna uma opção excelente para áreas afetadas pela seca e outras condições ambientais desafiadoras
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Por Dr. Mercola

A ciência já provou que os alimentos podem ser medicamentos poderosos. Por exemplo, há um forte embasamento científico demostrando que o brócolis é um dos alimentos saudáveis mais valiosos. Embora contenha vários compostos benéficos para a saúde, é um dos mais estudados é o isotiocianato de sulforafano.

Talvez as propriedades de combate ao câncer do sulforafano sejam as mais conhecidas, mas o composto já demostrou benefícios para o coração e o cérebro, melhorando a desintoxicação e ajudando a prevenir e/ou tratar a pressão alta, mal de Alzheimer e até mesmo o autismo e a esquizofrenia.

Moringa oleífera: mais uma hortaliça brássica considerada um superalimento

muda de moringa

Outra planta que proporciona benefícios semelhantes é a Moringa oleifera, também conhecida como acácia-branca. Embora ela não se pareça em nada com o brócolis, a Moringa oleífera também faz parte da família Brassicaceae e é considerada um vegetal, apesar de crescer como uma árvore.

Recentemente, eu plantei centenas de sementes orgânicas de moringa oleífera no meu jardim. Não pretendo deixá-las crescer até se tornarem árvores, pois quero plantá-las em grande quantidade e usá-las como micro-verduras em minhas saladas. As sementes orgânicas de moringa oleífera podem ser obtidas facilmente em sites de comércio eletrônico, como a Amazon, mas elas só crescem em climas subtropicais.

Praticamente todas as partes da planta são comestíveis e apresentam propriedades medicinais, e a maioria delas pode ser consumida crua ou cozida. As folhas, raízes, vagens e flores da moringa oleífera são as partes mais consumidas mundialmente. Você também pode colher a planta como micro-verdura, assim como eu planejo fazer.

De acordo com a pequena revisão “Os Benefícios da Moringa Oleifera à Saúde”, publicada na revista Asian Pacific Journal of Cancer Prevention (APJCP) em 2014:

“A Moringa oleifera é uma planta herbácea multiuso, usada mundialmente como alimento e como uma alternativa aos tratamentos medicinais. Os pesquisadores a identificaram como uma planta que proporciona vários benefícios à saúde, incluindo benefícios nutricionais e medicinais.

A planta contém aminoácidos essenciais, carotenoides em suas folhas e componentes com propriedades nutracêuticas... Um fator importante a ser levado em conta para os usos medicinais da Moringa oleífera é a sua grande variedade de antioxidantes, antibióticos e nutrientes vitais, incluindo vitaminas e sais minerais. Quase todas as partes da planta podem ser utilizadas como fontes de nutrientes e de outros benefícios.”

A moringa oleífera é uma fonte excelente de proteínas (suas folhas secas contêm 30,3% de proteína bruta e 19 aminoácidos), ácidos graxos (dos quais 44,57% correspondem ao ácido alfa-linolênico), betacaroteno, fenólicos, zeatina, quercetina, beta-sitosterol, kaempferol, flavonoides e isotiocianatos.

De acordo com um artigo de 2011 sobre a composição nutricional das folhas de moringa oleífera, “seus valores de aminoácidos, ácidos graxos, sais minerais e vitaminas mostram um equilíbrio nutricional desejável”. Já um artigo de 2007, publicado na revista Phytotherapy Research, descrevendo os benefícios da planta, explicou que:

“… Suas folhas, raízes, sementes, cascas, frutas, flores e vagens imaturas agem como estimulantes cardíacos e circulatórios, e possuem propriedades antitumorais, antipiréticas, antiepilépticas, anti-inflamatórias, antiulcerativas, antiespasmódicas, diuréticas, anti-hipertensivas, antioxidantes, antidiabéticas, hepatoprotetoras, antibacterianas, antifúngicas e de redução do colesterol, sendo empregadas por povos indígenas no tratamento de várias doenças...”

Outros estudos relatam que a moringa oleífera pode ajudar a proteger a saúde do fígado, rins, coração, testículos e pulmões, pois tem propriedades analgésicas e antiulcerativas, oferece proteção contra radiação e ajuda a melhorar seu sistema imunológico. Uma pesquisa também confirmou que o consumo da planta apresenta um alto grau de segurança, mas grandes dosagens do extrato das suas sementes, especificamente, podem ter efeitos tóxicos.

Assim como o brócolis, a moringa oleífera contém poderosos compostos anticancerígenos

Estudos já demostraram que o sulforafano encontrado no brócolis estimula a normalização do funcionamento e da divisão celular, além de promover a apoptose (morte celular programada) em células de câncer colorretal, de fígado, de próstata, de mama, e de pulmão induzido por tabaco.

De forma similar, muitos dos benefícios da moringa oleífera, que incluem a prevenção e tratamento de doenças inflamatórias, doenças neurodisfuncionais, diabetes e câncer, também são atribuídos ao glucosinolato e isotiocianato presentes na planta. O isotiocianato presente na moringa oleífera é chamado de moringina.

Um artigo de 2018 publicado na revista Scientific Reports revisou os glucosinolatos quimioprotetores encontrados em 12 espécies de moringa oleífera e explica que:

“Os glucosinolatos (GS) são metabolizados em isotiocianatos, os quais são capazes de aumentar a longevidade humana, pois protegem contra várias doenças crônicas...

Avaliamos o teor de GS nas folhas, sementes, caules e exsudado das folhas de 12 das 13 espécies conhecidas de moringa oleífera... identificamos uma grande capacidade quimioprotetora em 11 das 12 espécies, e medimos a atividade citoprotetora de 6 GS purificados em várias linhagens celulares. Alguns desses GS foram classificados como os indutores de resposta citoprotetora de fase 2 mais fortes de que se tem conhecimento atualmente.

Apesar de os extratos da maioria das espécies induzirem uma robusta resposta citoprotetora de fase 2 em células desenvolvidas em cultura, um induziu muito pouco (M. longituba), e o melhor, de longe, foi M. arborea, uma espécie muito rara e pouco conhecida...

No geral, a capacidade de indução de enzimas citoprotetoras de 11 dos 12 extratos de folhas de moringa oleífera são comparáveis às observadas em sementes de brócolis, que são as fontes vegetais mais poderosas dessas atividades.”

Como foi explicado no artigo da Scientific Reports, os glucosinolatos são metabolizados em isotiocianatos ativos por uma enzima chamada mirosinase. Essa enzima também produz o isotiocianato moringina,um composto da moringa oleífera também conhecido como 4RBITC, devido a seu nome químico 4-(alpha-L-rhamnopyranosyloxy)benzyl isothiocyanate.

Assim como o sulforafano no brócolis, a moringina apresenta grandes efeitos anti-inflamatórios e citoprotetores. Os benefícios à saúde relacionados ao isotiocianato de vegetais crucíferos como o brócolis e a moringa oleífera podem ser, então, amplificados se consumidos com um alimento que contenha a enzima mirosinase, como as sementes de mostarda (as mais fortes), rabanete branco, wasabi, rúcula ou salada de repolho.

A moringa oleífera também conta com uma forte propriedade antibiótica

Assim como o brócolis, a moringa oleífera também demostrou fortes propriedades antibióticas contra uma grande variedade de patógenos, como Escherichia coli, Salmonella typhimurium, Candida e Helicobacter pylori (H. pylori).

Mas uma vantagem considerável da moringa oleífera sobre o brócolis é a sua viabilidade econômica. Enquanto o brócolis é difícil de cultivar, a moringa oleífera é extremamente resistente e de fácil cultivo, pois resiste a secas.

Dessa forma, a planta é valiosa para povos carentes do mundo todo, com pouco acesso à assistência médica e à medicina ocidental, até mesmo para conseguir medicamentos básicos como os antibióticos. O artigo da Scientific Reports explica:

“…(4RBITC), o isotiocianato criado pela hidrólise da ‘glucomoringina’... da planta M. oleífera é um antibiótico forte e seletivo contra a H. pyroli.

Outos estudos já demostraram que a atividade antibiótica do 4RBITC da M. oleífera também é forte e seletiva contra outros patógenos humanos importantes, como Staphylococcus aureus e Candida albicans. Aparentemente, também é eficiente para controlar certas manifestações de ELA (esclerose lateral amiotrófica) e esclerose múltipla em camundongos.

Cada vez mais estudos epidemiológicos, clínicos e em animais, relacionam o consumo alimentar de glucosinolato e seu cognato isotiocianato à proteção contra doenças crônicas, incluindo vários tipos de câncer, diabetes e transtorno do espectro autista através da indução das enzimas citoprotetoras de fase 2 pela via de sinalização Keap1/Nrf2/ARE.

A regulagem positiva na via Nrf2 realizada por esse grande grupo de enzimas é responsável pela importante atividade antioxidante dos isotiocianatos.”

Um estudo de 2005, publicado na revista Planta Medica, comparou a eficiência de vários isotiocianatos diferentes para identificar qual deles ofereceria a melhor proteção contra a H. pyroli. Dos isotiocianatos avaliados, o sulforafano e a moringina (4RBITC) foram considerados os mais eficientes. Os autores do estudo explicaram:

“Nós demostramos pela primeira vez que um ITC (isotiocianato) além do sulforafano também mostrou ser muito eficiente contra a H. pylori... dentre os compostos testados no presente estudo, o 4RBITC e o sulforafano exibiram a maior atividade inibidora contra a H. pylori.”

Moringa oleífera, um ótimo remédio para a gripe

Outro componente que a moringa oleífera tem em comum com o brócolis é a quercetina, um flavonol vegetal muito bom contra infecções virais, que combate inflamações e age como um anti-histamínico natural. A quercetina (também disponível na forma de suplementos) já foi usada para tratar obesidade, diabetes tipo 2, doenças circulatórias, inflamação crônica e transtornos do humor.

Como explicado em um artigo, “a característica mais óbvia da quercetina é a sua forte atividade antioxidante, o que permite a eliminação dos radicais livres das formações de radicais fenoxil estabilizados por ressonância”.

Vários estudos também destacaram a capacidade da quercetina de prevenir e tratar o resfriado e a gripe, tornando-a uma alternativa segura à medicamentos antivirais como o Tamiflu (um remédio perigoso, que não reduz a transmissão viral e não reduz os riscos de complicações originadas pela gripe, como a pneumonia).

Por exemplo, um estudo de 2010 em animais descobriu que a quercetina inibe os vírus influenza A e B. Os pesquisadores também descobriram que os vírus foram incapazes de desenvolver qualquer resistência contra a quercetina.

Além disso, quando utilizada em conjunto com outros medicamentos antivirais (amantadina ou oseltamivir), seus efeitos foram amplificados consideravelmente, além de prevenir o desenvolvimento de resistência às drogas por parte dos vírus. A quercetina também demostrou ser eficiente contra:

  • “Gripe aviária” (H5N1);
  • “Gripe suína” (H1N1 e H3N2);
  • Herpes simplex tipo 1, poliovírus tipo 1, vírus parainfluenza tipo 3 e vírus sincicial respiratório;
  • Hepatite B e C;
  • Dengue

Moringa oleífera: talvez até melhor que o brócolis?

Embora o brócolis e a moringa oleífera compartilhem várias semelhanças e ofereçam muitos dos mesmos benefícios à saúde, a moringa é melhor em termos econômicos. Ela é muito mais fácil de cultivar, até mesmo sob condições desafiadoras, tornando-a uma opção excelente para regiões afetadas pela seca ou outras condições ambientais.

O fato de poder consumir a planta praticamente inteira, de várias formas diferentes, também é bem atrativo. Suas vagens longas são consideradas alimentos básicos na culinária indiana. Para mais informações e algumas receitas, acesse o site da plataforma NDTV Food.

Como mencionado anteriormente, também é possível colher as sementes da moringa oleífera, plantá-las e colhê-las como micro-verduras, quando germinarem em pequenos brotos. Para aprender rapidamente como fazer esse processo, assista ao vídeo abaixo. E para informações sobre como cultivar moringa oleífera, leia meu outro artigo, “Como cultivar uma moringa oleífera”.

(Video disponível apenas em Inglês)
+ Recursos e Referências