Uma barriga grande pode causar o encolhimento do cérebro

medindo uma barriga grande

Resumo da matéria -

  • O excesso de gordura visceral concentrado na cintura pode afetar a saúde cerebral, causando uma diminuição preocupante no volume do cérebro
  • O encolhimento cerebral aumenta o risco de perda de memória e outros problemas cognitivos
  • Os participantes com um IMC e uma relação cintura-quadril (RCQ) em uma faixa saudável tinham um volume cerebral de massa cinzenta de 798 centímetros cúbicos, caindo para 786 centímetros cúbicos entre aqueles com IMC e RCQ altos
  • Em 2010, pesquisadores também descobriram que a gordura acumulada na cintura também está associada à diminuição do volume cerebral entre adultos de meia-idade
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Por Dr. Mercola

A gordura da barriga, também conhecida como gordura visceral, é comumente entendida como um problema estético, mas o peso extra nessa parte do corpo pode trazer vários riscos de saúde.

O excesso de gordura visceral tem um papel conhecido e importante no desenvolvimento de doenças crônicas como doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Mesmo em pessoas que não são obesas, ele aumenta o risco de morte por problemas cardiovasculares. E os riscos do excesso de gordura na barriga não param por aqui.

Pesquisadores da Universidade de Loughborough, na Inglaterra, também revelaram que o excesso de gordura subcutânea e visceral na região do tronco pode afetar a saúde do cérebro, levando a um declínio relativo no volume cerebral. O encolhimento do cérebro, por sua vez, aumenta o risco de perda de memória e outros problemas cognitivos.

A gordura abdominal está relacionada ao encolhimento do cérebro

Este estudo envolveu 9.652 participantes com idade média de 55,4, com 7,5 anos para mais ou para menos, que receberam pontuações tanto para índice de massa corporal (IMC), uma fórmula que divide o peso pelo quadrado de altura, e a relação cintura-quadril (RCQ).

A relação cintura-quadril é um indicador mais confiável do seu risco futuro de doenças do que o IMC, uma vez que uma maior proporção sugere que você tem mais gordura visceral — um fator que não é considerado pelo IMC.

Os participantes passaram por uma ressonância magnética que gerou imagens de seus cérebros, permitindo que os pesquisadores medissem os volumes de massa cinzenta e substância branca dos cérebros dos participantes. Após considerarem outros fatores de risco, como o hábito de fumar e a prática de exercícios, os pesquisadores descobriram uma pequena relação entre o IMC e a redução do volume da massa cinzenta.

No entanto, essa relação foi muito maior em pacientes com IMC e RCQ altos. “A combinação da obesidade geral com a obesidade central foi associada a menores volumes de massa cinzenta, em comparação a adultos magros”, disseram os pesquisadores.

Os participantes que tinham IMC e RCQ saudáveis apresentaram uma média de volume de massa cinzenta de 798 cm³. Nos pacientes com IMC e RCQ altos, esse número caiu para 786 cm3.

Para os propósitos do estudo, foram consideradas obesas pessoas com IMC acima de trinta com uma relação cintura-quadril acima de 90 para homens e 85 para mulheres. O autor do estudo, Mark Hamer, Ph.D., disse em uma conferência de imprensa:

"Embora nosso estudo tenha descoberto que a obesidade, especialmente a gordura visceral, está associada à diminuição da massa cinzenta, não está claro se alguma anormalidade no cérebro causa a obesidade ou se é a obesidade que causa as alterações no cérebro.

Também descobrimos relações entre a obesidade e o encolhimento de regiões específicas do cérebro. Mais pesquisas serão necessárias, mas é possível que, um dia, uma medição comum de IMC e da relação cintura-quadril possa determinar a saúde cerebral".

Por que a gordura visceral pode encolher seu cérebro?

O estudo em questão não foi o primeiro no qual se falou sobre a ligação entre a gordura visceral e o encolhimento do cérebro. Em 2010, pesquisadores também descobriram que a gordura visceral estava associada a um volume cerebral reduzido entre adultos de meia-idade. Sobre o motivo para essa associação, os pesquisadores especularam os seguintes mecanismos:

  • Inflamação — A obesidade causa inflamações, que podem aumentar os riscos de demência. Além disso, altos níveis de inflamação estão associados a uma redução do volume cerebral, incluindo “uma atrofia cerebral maior do que o esperado para a idade”.
  • Diabetes e resistência à insulina — Ambos os fatores não apenas estão ligados à obesidade, mas a diabetes e níveis altos de glicose também foram associados a um volume cerebral menor.
  • Hormônios — Um dos perigos da gordura visceral é que ela está relacionada com a liberação de proteínas e hormônios que podem causar inflamação, danificar artérias e penetrar no fígado, afetando a forma como o corpo quebra as gorduras e açúcares.

De acordo com um estudo publicado nos Anais de Neurologia: “Os hormônios do tecido adiposo, como adiponectina, leptina, resistina ou grelina, também podem influenciar a relação entre o tecido adiposo e a atrofia cerebral".

Em geral, sugere-se que a própria atrofia cerebral possa ser a principal razão por trás da associação entre o aumento da gordura visceral, do declínio cognitivo e da demência.

A obesidade também está associada ao envelhecimento cerebral

O excesso de peso corporal também é conhecido por influenciar a saúde cerebral. Por exemplo, um estudo publicado no periódico Neurobiology of Aging também descobriu alterações estruturais no cérebro de pessoas acima do peso e obesas, principalmente em pessoas bem mais velhas. Nesse caso, foi o volume de substância branca que diminuiu por conta da obesidade, em uma proporção que corresponde ao envelhecimento cerebral de 10 anos.

Em suma, a obesidade pode aumentar o risco de neuro-degeneração, possivelmente devido ao aumento dos agentes inflamatórios produzidos. Outras pesquisas também associaram a obesidade ao declínio cognitivo. Por exemplo:

  • Em 2008, uma pesquisa revelou que a obesidade central (gordura abdominal) está associada a um risco aumentado de demência.
  • Outra pesquisa publicada em 2011 encontrou uma forte correlação entre o IMC e altos níveis de beta-amiloide, a proteína que tende a se acumular no cérebro de pacientes de Alzheimer, causando acúmulo de placa. Acredita-se que o beta-amiloide destrói as células nervosas, contribuindo para os problemas cognitivos e comportamentais típicos da doença.
  • Um estudo conduzido por 14 anos, publicado em julho de 2016, constatou que entre as pessoas que desenvolveram a doença de Alzheimer, aquelas com excesso de peso ou obesas aos 50 anos desenvolveram sintomas quase sete meses mais cedo do que aquelas que tinham um peso saudável.
  • Além disso, o início dos sintomas variou 6,7 meses para cada ponto de IMC. Os participantes com IMC alto também eram mais propensos a ter maiores quantidades de proteínas amiloides em seu cérebro.

A gordura visceral está associada a certos problemas de saúde mental

Sua saúde mental pode ser prejudicada pelo excesso de gordura na barriga, que está associado a doenças como ansiedade e depressão.

Mulheres na pós-menopausa com obesidade abdominal têm uma probabilidade consideravelmente maior de sofrer de depressão do que as que têm um peso saudável (37,6% versus 27,5% respectivamente), levando os pesquisadores a concluir que "o acúmulo de gordura visceral é um fator independente, associado consideravelmente à presença de sintomas de depressão".

Entre mulheres, a relação cintura-quadril também está associada à ansiedade. Dados de 5.580 mulheres latino-americanas com idade entre 40 e 59 foram avaliados. Em geral, aquelas com relações cintura-quadril consideravelmente altas corriam mais risco de ter ansiedade, quando comparadas àquelas com menos gordura abdominal.

As mulheres com o maior acúmulo de gordura abdominal também são mais propensas a exibir sinais externos de ansiedade. De modo geral, uma mulher é considerada obesa se a medida de sua cintura for superior à metade de sua altura.

Perder gordura visceral é a chave para melhorar sua saúde corporal e cerebral. As mortes cardiovasculares também se mostraram 2,77 vezes mais altas nas participantes com peso normal e barriga grande, quando comparadas àquelas com um IMC normal e uma relação cintura-quadril normal. Também é importante reconhecer que monitorar a gordura visceral pode ser ainda mais importante do que controlar o IMC.

Estratégias para diminuir a gordura abdominal

Ao contrário da crença popular, exercícios abdominais não são a chave para diminuir a gordura localizada. Embora ajudem a aumentar a força dos músculos centrais do corpo, mudanças nutricionais são imprescindíveis para queimar a gordura visceral. Dito isso, o exercício mais apropriado para essa tarefa é o treino intervalado de alta intensidade.

Uma das grandes vantagens dos exercícios é que eles ajudam a queimar gordura enquanto beneficiam o cérebro. O exercício físico ajuda a desenvolver um cérebro que não apenas resiste ao encolhimento, mas também aumenta as habilidades cognitivas ao promover a neurogênese, ou seja, a capacidade do seu cérebro de se adaptar e desenvolver novas células cerebrais.

Outros fatores associados à gordura abdominal e à saúde cerebral incluem:

Sono — Problemas como insônia têm um impacto considerável no cérebro, fazendo com que ele se encolha mais rapidamente, comparado ao cérebro de pessoas que dormem bem. Além disso, dormir menos de cinco horas por noite aumenta o ganho de gordura abdominal por cinco anos. Caso não esteja dormindo bem, confira estas dicas para ter uma boa noite de sono.

Estresse — Altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, podem prejudicar tanto seu raciocínio quanto sua memória. Pesquisas associaram o estresse crônico ao encolhimento do cérebro, comprometimento da memória e ao aumento do risco de desenvolvimento precoce da doença de Alzheimer.

O estresse crônico também pode aumentar seu ganho de gordura visceral com o passar do tempo, o que significa que lidar com seus níveis de estresse é imperativo tanto para seu cérebro quanto para perder gordura.

A dieta cetogênica queima gordura e melhora a saúde cerebral

Um dos fatores mais importantes é sempre prestar atenção na sua alimentação. Embora seja essencial reduzir a ingestão de alimentos processados e eliminar o excesso de açúcares, recomendo dar um passo além e adotar a dieta cetogênica para proteger a saúde do seu cérebro.

Quando seu corpo queima a gordura como principal combustível, cetonas são criadas, as quais não só se queimam com muita eficiência e são um combustível superior para o cérebro como também geram menos espécies reativas de oxigênio (ERO) e menos danos associados aos radicais livres.

Um tipo de cetona chamada beta-hidroxibutirato também é um importante agente epigenético, tendo efeitos consideráveis na expressão do DNA, aumentando as vias de desintoxicação e a produção de antioxidantes do próprio corpo. O beta-hidroxibutirato também estimula receptores específicos nas células, chamados Proteínas G.

Quando esses receptores se ligam ao beta-hidroxibutirato durante a cetose leve, eles ajudam a reduzir a ativação de vias que levam à inflamação, o que é um fator determinante na maioria das doenças crônicas, incluindo o mal de Alzheimer.

Para melhores resultados, eu recomendo combinar a cetose nutricional com o jejum intermitente. A dieta cetogênica fornece para a saúde muitos dos mesmos benefícios associados ao jejum e ao jejum intermitente, mas quando combinados, a maioria das pessoas observa melhoras significativas em sua saúde.

Você pode saber mais detalhes no meu livro "Fat for Fuel", but confira aqui um resumo de como implementar essas duas estratégias em um programa coeso de saúde. O livro "Ultimate Ketogenic Diet Beginner's Guide" também é uma leitura excelente caso você esteja procurando uma nova forma de se alimentar.

Caso não saiba se está com excesso de peso na região abdominal, o primeiro passo é determinar sua relação cintura-quadril. Para fazer isso, pegue uma fita métrica e confira a circunferência da sua cintura e do seu quadril. Em seguida, divida a circunferência da cintura pela circunferência do quadril.

Para ver uma demonstração, confira o vídeo abaixo. Caso esteja na zona de risco, implementar as estratégias acima pode ajudá-lo a não apenas perder gordura, mas também a melhorar significativamente sua saúde.

Relação cintura-quadril Homens Mulheres

Ideal

0.8

0.7

Baixo risco

<0.95

<0.8

Risco moderado

0.96 a 0.99

0.81 a 0.84

Alto risco

>1.0

>0.85