A Dieta Cetogênica Previne o Mal de Alzheimer, mantendo seu Cérebro Saudável e Jovem

Dieta Cetogênica

Resumo da matéria -

  • Pesquisas recentes em animais mostram que uma dieta cetogênica aprimora a função neurovascular, graças, em parte, à melhora no seu microbioma intestinal
  • Em comparação com animais que receberam ração comum, os roedores que foram alimentados por meio de uma dieta cetogênica ao longo de 16 semanas apresentaram aumento significativo na circulação sanguínea cerebral, melhorando também a depuração de beta-amilóide e redução da ativação de mTOR
  • Roedores alimentados com uma dieta cetogênica também apresentaram maior quantidade de bactérias intestinais benéficas e quantidades reduzidas de micróbios pró-inflamatórios, aumento dos níveis de cetona, redução do nível de glicose no sangue e redução de peso – todas estas repercussões melhoram a função neurológica e reduzem o risco de Alzheimer
  • A resistência à insulina é fortemente ligada ao mal de Alzheimer, a forma mais severa de demência. O Alzheimer é, às vezes, chamado de Diabetes Tipo 3
  • Uma dieta cetogênica é rica em gorduras saudáveis e possui baixo teor de carboidratos líquidos, o que permite ao seu organismo queimar a gordura usando-a como fonte primária de energia, ao invés do açúcar, o que ajuda a aprimorar a função mitocondrial e a regeneração biológica
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O mal de Alzheimer — a forma mais severa de demência — está mostrando ser incrivelmente resistente aos tratamentos (remédios) convencionais. Mais de 190 testes com drogas humanas acabaram falhando e, apesar da crescente epidemia, os melhores medicamentos disponíveis no mercado só são capazes de amenizar os sintomas enquanto, ao mesmo tempo, acrescentam outros riscos à saúde.

No momento, o melhor que a medicina convencional pode esperar é o diagnóstico aprimorado, e essa é a razão pela qual a prevenção é tão crucial. A pesquisa de montagem sugere que a sua dieta é, de fato, um elemento fundamental para essa doença e uma efetiva estratégia de prevenção.

Talvez, o fator dietético mais importante no impacto a seu risco de Alzheimer é a quantidade de carboidratos líquidos (o total de carboidratos menos a fibra) que você consome de forma regular. Uma dieta cheia de açúcar acaba desencadeando uma resistência à insulina — que, atualmente, acredita-se afetar oito dentre dez estadunidenses — e há uma forte relação entre a resistência à insulina e o Alzheimer.

Por exemplo, um estudo longitudinal publicado no jornal Diabetologia, em janeiro de 2018, feito com aproximadamente 5.190 pessoas ao longo de uma década, concluiu que, quanto maior o nível de açúcar no sangue, mais rápido é o nível de declínio cognitivo do indivíduo.

Até mesmo uma leve elevação no nível de açúcar no sangue e uma pequena resistência à insulina são fatores associados a um elevado risco de demência. Sabe-se também que o diabetes e a doença cardíaca elevam esses riscos, e ambos estão enraizados na resistência à insulina.

Um dos estudos mais impressionantes sobre os carboidratos e sobre a saúde cerebral revelou que dietas ricas em carboidratos aumentam o risco de demência em 89%, enquanto dietas ricas em gorduras diminuem essa taxa para 44%. De acordo com os autores:

Um padrão dietético com uma ingestão calórica a partir de carboidratos relativamente alta e uma baixa ingestão calórica oriunda de gorduras e proteínas podem elevar o risco de comprometimento cognitivo leve ou de demência em pessoas mais velhas.

A Cetose Nutricional Protege e Ajuda no Funcionamento Saudável do Cérebro

Uma dieta cetogênica é rica em gorduras saudáveis e pobre em carboidratos líquidos, e um dos benefícios primários oriundos dessa dieta é que ela permite ao seu corpo queimar gordura como fonte de energia primária, ao invés do açúcar.

Quando seu corpo queima gordura como fonte primária de energia, as cetonas são criadas, cetonas que não só se queimam muito eficientemente e funcionam como uma energia superior para o seu cérebro, mas que também geram menos espécies reativas de oxigênio (ERO) e menos danos de radicais livres.

Um tipo de cetona chamada de beta-hidroxibutirato também é um importante agente epigenético, tendo efeitos significativos na expressão do DNA, aumentando os caminhos de desintoxicação e a produção antioxidante do seu próprio organismo.

Quando esses receptores são marcados por esse beta-hidroxibutirato durante uma cetose leve, ele ajuda a reduzir a ativação de caminhos que levam à inflamação, que é um fator condutor em quase todas as doenças crônicas como o Alzheimer, as doenças cardíacas, o diabetes e o câncer.

Uma dieta cetogênica também ajuda a alterar seu metabolismo. Os benefícios da cetose nutricional para o cérebro saudável foram, mais uma vez, demonstrado em dois artigos recentes — um estudo com animais e uma análise científica.

No primeiro artigo, os pesquisadores descobriram que esse tipo de dieta aprimora a função neurovascular, em parte por melhorar o microbioma intestinal. No segundo artigo, eles concluíram que a dieta cetogênica agia como uma verdadeira “fonte da juventude” em roedores envelhecidos, aumentando significativamente as funções neurovasculares e metabólicas nos animais, em comparação àqueles que se alimentavam com uma dieta irrestrita.

Como a Dieta Cetogênica Previne o Mal de Alzheimer

No primeiro estudo, publicado na Scientific Reports, “a integridade neurovascular, incluindo a circulação sanguínea cerebral e a função da barreira hematoencefálica, desempenha um papel importante na determinação da capacidade cognitiva”.

Mais especificamente, uma função neurovascular pobre é fortemente associada a perda de linguagem, memória e atenção, enquanto uma circulação sanguínea cerebral reduzida aumenta seus riscos de depressão, ansiedade e demência. A função da barreira hematoencefálica prejudicada também tem sido associada a inflamação cerebral, disfunção das sinapses, deterioração da depuração de placas de beta-amilóide, desordens psiquiátricas e demência.

“Intervenções que mantêm o microbioma intestinal e a integridade neurovascular podem, assim, ser cruciais na prevenção de desordens neurológicas”, afirma Ai-Ling Lin e suas colegas no Sanders-Brown Center on Aging [Centro de Envelhecimento Sanders-Brown] na University of Kentucky [Universidade de Kentucky].

Estudos recentes demonstraram que seu microbioma intestinal pode desempenhar um papel significativo na integridade neurovascular. Assim, eles buscaram determinar se uma dieta cetogênica pode ter um impacto benéfico no microbioma intestinal, ampliando, assim, as funções neurovasculares e reduzindo o risco de neurodegeneração em roedores.

Estudos anteriores também demonstraram que uma dieta cetogênica pode beneficiar aqueles que sofrem de lesão cerebral traumática, acidentes vasculares cerebrais isquêmicos e autismo, provavelmente por intermédio de uma alteração no seu microbioma intestinal.

O presente estudo apoia essa hipótese. Comparados a animais nutridos com comida regular, roedores alimentados com uma dieta cetogênica ao longo de 16 semanas apresentaram:

Aumento significativo da circulação sanguínea cerebral

Aumento significativo do transporte de glicoproteína-P na barreira hematoencefálica

Alvo mecanicista da rapamicina (mTOR) reduzido

Aumento de expressão da proteína do óxido nítrico sintase endotelial (eNOS)

Aumento da abundância relativa de microbiota intestinal benéfica

Redução da abundância de micróbios pró-inflamatórios

Aumento dos níveis de cetona no sangue

Redução dos níveis de glicose no sangue

Perda de peso corporal

De acordo com os autores, “nossas descobertas sugerem que uma intervenção dietética cetogênica iniciada num estágio primário pode aprimorar a função vascular cerebral, aumentar a microbiota intestinal benéfica, aprimorar o perfil metabólico e reduzir o risco de doença de Alzheimer”.

A Neuroimagem lança luz sobre o modo como a dieta cetogênica afeta o cérebro

Num artigo de acompanhamento publicado no jornal Frontiers in Aging Neuroscience (“Fronteiras na Neurociência do Envelhecimento”), a equipe de Lin discute os efeitos neuroprotetores da inibição de mTOR na prevenção do mal de Alzheimer e do envelhecimento ao pesquisar, em estudos recentes, o uso das técnicas de neuroimagem para avaliar os efeitos de três intervenções —a rapamicina (uma inibidora do mTOR), a dieta cetogênica e uma simples restrição calórica — no cérebro em funcionamento.

Tanto a administração de rapamicina quanto a restrição calórica demonstraram, anteriormente, a capacidade de inibir a mTOR e, assim, aumentar a saúde e a longevidade em um certo número de diferentes espécies.

A inibição da mTOR também mostrou proteção contra a neurodegeneração relacionada à idade — e à doença — ao aprimorar a função mitocondrial e inibir a retenção de beta-amilóides no cérebro. “Notavelmente, a rapamicina reduz as placas de beta-amilóide e os emaranhados neurofibrilares tau e melhora as funções cognitivas nos ratos que moldam a doença do Alzheimer nos humanos”, diz o autor.

Lin e seus colegas estão, agora, projetando um teste clínico para investigar mais profundamente o modo como o microbioma intestinal humano influencia a disfunção neurovascular, que é um conhecido fator de risco para o Alzheimer.

O Açúcar Atrofia seu Hipocampo, Prejudicando a Memória

Uma pesquisa publicada em 2013 mostrou que o açúcar e outros carboidratos podem perturbar sua função cerebral, mesmo que você não seja diabético(a) ou mesmo que não apresente sinais de demência.

Aqui, marcadores de glicose de curto e longo prazos foram avaliados em idosos saudáveis e não-diabéticos, que não possuem demência. Por meio de testes de memória e imagens cerebrais, os resultados revelaram que, quanto maiores as duas medidas de glicose no sangue, menor era o hipocampo e mais comprometida sua estrutura, e pior era a memória do indivíduo.

Os resultados sugerem que a glicose contribui diretamente para a atrofia do hipocampo, o que significa que, mesmo que você não tenha resistência à insulina ou não seja diabético(a), o excesso de açúcar ainda pode afetar negativamente sua memória.

Um estudo similar publicado em 2014 concluiu que diabéticos do tipo 2 perdem mais matéria cinzenta durante o envelhecimento do que o esperado, e que essa atrofia do cérebro também ajuda a explicar o motivo de diabéticos apresentarem um maior risco de desenvolver demência, desenvolvendo-a mais cedo do que os não-diabéticos.

A Prevenção e a Detecção Rápida são Fundamentais para Deter a Onda de Demência que Está Prestes a Atingir-nos

A detecção prévia pode certamente ser útil, e passos estão sendo dados rumo ao desenvolvimento de testes sanguíneos para detectar o Alzheimer. Numa experiência recente, o teste teve 90% de precisão em detectar a doença num grupo de 370 participantes.

Se você for diagnosticado(a) com sinais de alerta antecipados, isso ainda significa que você está a caminho do Alzheimer, e não há necessidade de chegar a esse destino, em primeiro lugar.

Como no caso do câncer, o diagnóstico precoce não deve ser confundido com a prevenção, pois o diagnóstico não te impede de ter de descobrir como reverter os danos. Com base naquilo que sabemos atualmente, parece incrivelmente tolo ignorar os fatores dietéticos, e uma consideração importante é reduzir o consumo de carboidratos e aumentar a ingestão de gorduras saudáveis.

De acordo com o Dr. David Perlmutter, neurologista e autor dos livros “Grain Brain” [“Grãos do Cérebro”] e “Brain Maker” [“Fabricante de Cérebro”], qualquer coisa que promova a resistência à insulina vai, em última análise, elevar seus riscos de desenvolver Alzheimer. Como regra geral, você deve manter seu nível de insulina em jejum abaixo de 3 uIU/mL (como intervalo de referência, o nível de glicose em jejum correspondente a esse número seria inferior a 75 mg/dL).

Baseado nas evidências, acredito que a dieta cetogênica cíclica pode apresentar imenso potencial para prevenir a degeneração neurológica, otimizando sua função mitocondrial e a regeneração biológica.

Outras Estratégias de Prevenção Úteis

Além de adotar uma dieta cetogênica cíclica, focada em alimentos integrais (ao invés de alimentos processados), há, abaixo, uma relação de várias outras estratégias de estilo de vida que, creio eu, são úteis e importantes quando se trata de prevenir a neurodegeneração associada ao Alzheimer:

Otimize seu nível de ômega 3 — a alta ingestão de ômega 3 e gorduras EPA e DHA ajuda a prevenir danos celulares causados pela doença de Alzheimer, diminuindo, assim, sua progressão e reduzindo o risco de desenvolver o distúrbio.

Otimize sua flora intestinal — evite ingerir alimentos processados, antibióticos e produtos antibacterianos, água fluoretada e clorada, e certifique-se de comer alimentos tradicionalmente fermentados e cultivados, juntamente com um probiótico de alta qualidade, se necessário.

Jejum Intermitentemente — o jejum intermitente é uma ferramenta poderosa para estimular o seu corpo a memorizar o modo como deve queimar a gordura e reparar a resistência à insulina/leptina, que é um fator contribuinte principal para o desenvolvimento do Alzheimer.

Exercite-se regular e consistentemente ao longo do dia — a atividade física pode desencadear uma mudança na forma como a proteína precursora da amiloide é metabolizada, diminuindo, assim, o início e a progressão do mal de Alzheimer.

Otimize seu nível de magnésio — pesquisas preliminares sugerem uma diminuição dos sintomas relacionados ao Alzheimer por meio do aumento dos níveis de magnésio no cérebro. O único suplemento de magnésio que parece ser capaz de atravessar a barreira hematoencefálica é o treonato de magnésio.

Otimize a sua vitamina D (idealmente, por meio da exposição ao sol) — a vitamina D é obrigatória para o funcionamento adequado do seu sistema imunológico, capacitando-o a combater a inflamação associada à doença de Alzheimer. Se você não conseguir uma exposição ao sol adequada, tome vitamina D3 suplementar diariamente.

Evite e elimine o mercúrio do seu organismo — as obturações dentárias de amálgama são uma das principais fontes de toxicidade de metais pesados; no entanto, você deve estar saudável antes de removê-las.

Evite e elimine o alumínio do seu corpo — as fontes comuns de alumínio incluem antitranspirantes, panelas antiaderentes e adjuvantes de vacinas.

Evite vacinas contra a gripe — a maioria das vacinas contra gripe contém mercúrio e alumínio.

Evite estatinas e drogas anticolinérgicas — drogas (determinados analgésicos noturnos, anti-histamínicos, auxiliares para o sono, certos antidepressivos, medicamentos para controlar a incontinência e certos analgésicos narcóticos) que bloqueiam a acetilcolina já demonstraram indícios de aumentar o risco de demência.

Limite a sua exposição a EMFs perigosos (telefones celulares, roteadores e modems Wi-Fi) — Radiação de telefones celulares e outras tecnologias sem fio acionam a produção excessiva de peroxinitritos, uma espécie reativa de nitrogênio altamente prejudicial.

Otimize seu sono — a privação de sono causa a interrupção de certas conexões sinápticas que podem prejudicar a capacidade de aprendizado do seu cérebro, a formação da memória e outras funções cognitivas. O sono insuficiente também acelera o aparecimento do mal de Alzheimer. A maior parte dos adultos precisa de sete a nove horas diárias de sono ininterrupto.

Desafie sua mente diariamente — o estímulo mental, especialmente por meio do aprendizado de algo novo, como aprender a tocar um instrumento ou um novo idioma, está associado a um risco reduzido de demência e de desenvolver o mal de Alzheimer.

+ Recursos e Referências