'Legado toxico' - Como o glifosato destrói a sua saúde

Fatos verificados
glifosato

Resumo da matéria -

  • O glifosato é um quelante de metal muito eficiente. Isso, por sua vez, perturba a microbiota intestinal tornando os minerais indisponíveis para os microorganismos presentes no trato intestinal. Os microorganismos do seu intestino precisam desses minerais, uma vez que suas enzimas dependem deles para funcionar de maneira adequada
  • Há uma forte correlação entre o aumento de casos de doença celíaca ao longo do tempo e o aumento do uso de glifosato no trigo, que é o principal culpado pela doença celíaca
  • Culturas não transgênicas, como aveia, trigo, cevada e leguminosas como grão-de-bico e lentilhas tendem a ser muito ricas em glifosato, porque são pulverizadas com glifosato logo antes da colheita como um dessecante para acelerar o processo de secagem
  • O glifosato também perturba a via do chiquimato, tanto em plantas quanto em micróbios, e micróbios benéficos são muito sensíveis ao glifosato

Por Dr. Mercola

Stephanie Seneff, Ph.D., pesquisadora sênior do MIT, publicou um novo livro, "Toxic Legacy: How the Weedkiller Glyphosate Is Destroying Our Health and the Environment" - sem dúvida o melhor livro já escrito sobre o glifosato, o ativo ingrediente no Roundup e muitos outros herbicidas tóxicos.

Neste livro, que tem sido um trabalho de amor na última década, Seneff explica como e por que o glifosato representa uma ameaça existencial para a humanidade e por que é tão importante evitá-lo se você se preocupa com sua saúde e a saúde de sua família.

“Por uma década, descobri tudo o que pude sobre o glifosato”, afirmou Seneff. “Quando soube disso, pode se dizer que larguei tudo o que estava fazendo porque estava muito confiante de que havia encontrado a resposta para a epidemia de autismo. Era isso que eu estava buscando. Em 2012, ouvi uma palestra de duas horas de Don Huber que mudou meu foco por completo.

Eu já entendia os sintomas do autismo, uma doença muito complexa - muitos problemas intestinais e problemas com minerais - e tudo se encaixou durante aquela palestra. Durante a noite, comecei a examinar todas as pesquisas que pude encontrar.

Pouco depois encontrei o artigo do Séralini, que ainda não havia sido retratado na época. Mais tarde, o artigo de Séralini, um toxicologista francês que havia demonstrado que doses muito baixas de glifosato ao longo da vida de um rato podem causar muitos danos, foi republicado.

Ele ressaltou que depois de três meses, tudo parecia bem, então é uma morte lenta. Isso é algo que enfatizo em meu livro. O glifosato é sutil, e isso é um grande problema porque as pessoas não [fazem a conexão]. Diabetes, obesidade, autismo, Alzheimer. A lista é muito longa, todos os problemas intestinais.

Os microorganismos do intestino estão sendo perturbados pelo envenenamento crônico com glifosato, e então o intestino se torna um ponto de partida central para muitas doenças, incluindo doenças neurológicas e artrite. Então, você vê que os problemas do intestino, e o glifosato pode causar as mesmas coisas que estamos vendo.”

Contaminação por glifosato em produtos comuns

Antes de se estudar mais sobre o glifosato, Seneff passou cinco anos focando nas potenciais toxicidades das vacinas. Ela ainda acredita que as vacinas podem desempenhar um papel nas doenças crônicas que estamos observando, incluindo o autismo.

No entanto, o glifosato pode, na verdade, desempenhar um papel mais relevante. Seneff acredita que ele contribui e agrava os danos causados ​​pelas vacinas, em parte porque se liga de forma muito eficiente ao alumínio usado como adjuvante em certas vacinas. E também pode se ligar a vários outros metais tóxicos.

A teoria é que, por serem envoltos em moléculas de glifosato, os metais podem penetrar de maneira mais fácil em várias barreiras do seu corpo. Isso ocorre porque o glifosato faz com que essas barreiras, como a barreira intestinal e a barreira hematoencefálica, se tornem mais porosas. E, conforme o intestino ou o cérebro são permeados por essas substâncias, os metais tóxicos são transportados com o glifosato.

Por incrível que pareça, Anthony Samsel, um cientista pesquisador de saúde pública, e Zen Honeycutt, fundador e diretor da Moms Across America, descobriu, de forma independente, a contaminação por glifosato em vacinas de vírus vivos que não contêm adjuvante de alumínio.

Seneff suspeita que o glifosato pode ser um contaminante em muitas drogas também, em particular drogas produzidas por engenharia genética de E. coli ou fungos. Eles também encontraram glifosato em absorventes, que pode ser absorvido pela parede uterina.

Seneff também levanta a hipótese de que, uma vez que o glifosato é encontrado em muitas gorduras de base vegetal, como óleo de canola e soja, as pesquisas que comparam os efeitos das gorduras na saúde podem ser comprometidos, uma vez que nunca consideram os efeitos do glifosato. Embora não seja solúvel em gordura, o glifosato ainda pode entrar nas gorduras (e é encontrado nos óleos vegetais mencionados acima).

Samsel suspeita que o glifosato atua como um análogo do fosfato, porque tem uma unidade fosfonato, e as gorduras têm fosfatos (fosfolipídios). Isso é algo que ele está investigando agora, então, no futuro, poderemos aprender mais sobre esse mecanismo.

O glifosato e o aumento da doença celíaca

Em seu livro, Seneff detalha o aumento dramático no uso do glifosato desde sua introdução em meados da década de 1970. As estimativas sugerem que meio quilo de glifosato é aplicado todos os anos para cada homem, mulher e criança nos EUA, o que é uma quantidade impressionante. Nem mesmo comprar produtos não-OGM é o suficiente, já que muitos itens não-OGM apresentam alguns dos níveis mais altos de glifosato.

Aveia, trigo, cevada e leguminosas como grão-de-bico e lentilha tendem a ser muito ricas em glifosato porque essas culturas são pulverizadas com glifosato antes da colheita como um dessecante para acelerar o processo de secagem.

Um estudo de caso de uma mulher americana que tentou suicídio bebendo glifosato revelou alguns dos efeitos do produto químico. Ela desenvolveu um intestino paralisado, e isso pode muito bem ser o que está acontecendo com muitas pessoas, em uma escala de baixo grau. Em essência, o intestino das pessoas fica semi-paralisado pelo glifosato da dieta, o que causa crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado (SIBO).

As bactérias começam se deteriorar na parte superior do intestino porque o peristaltismo não está funcionando de maneira adequada, então os restos de comida ficam presos. Também foi descoberto que o glifosato se acumula no cérebro e estudos em animais mostram que causa neuro excitotoxicidade devido ao excesso de glutamato no cérebro. Isso, por sua vez, “está conectado ao autismo”, diz Seneff.

Em seu livro, Seneff também discute a importância do enxofre para a saúde ideal, como a deficiência de sulfato está conectada ao autismo e como o glifosato pode causar deficiência de sulfato.

Como o glifosato afeta seu intestino e sua autoimunidade

Parte do que torna o glifosato tão tóxico tem a ver com o fato de ele ser um quelante de metal muito eficiente. Ele liga metais e minerais muito bem. Por exemplo, o glifosato é um milhão de vezes mais eficaz na quelação do alumínio do que o EDTA, um agente quelante usado no tratamento de quelação de metais pesados.

Isso, por sua vez, perturba a microbiota intestinal tornando os minerais indisponíveis para os microorganismos presentes no trato intestinal. Os microorganismos do seu intestino precisam desses minerais, uma vez que suas enzimas dependem deles para funcionar de maneira adequada. O glifosato também perturba a via do chiquimato, em plantas e em micróbios, e microorganismos benéficos são muito sensíveis ao glifosato

Quando os lactobacilos morrem em seu intestino, sua capacidade de digerir glúten e caseína (proteína do leite) é prejudicada, pois essa bactéria carrega várias enzimas que seu corpo não possui e que se especializam em quebrar a prolina, um aminoácido encontrado no glúten e na caseína.

O glifosato é uma toxina biológica

Seu efeito na via do chiquimato é um mecanismo fundamental pelo qual o glifosato causa danos biológicos em humanos. O corpo humano não possui esta via - um fato usado pela Monsanto para argumentar que o glifosato é seguro. Mas os microorganismos em seu corpo têm. A pesquisa mostrou que mais da metade dos microorganismos, em média, em seu intestino têm a via do chiquimato, portanto, podem ser dizimados pelo glifosato.

Isso inclui lactobacilos e bifidobactérias, que usam a via do chikimato para produzir os aminoácidos aromáticos triptofano, tirosina e fenilalanina, aminoácidos codificadores cruciais que entram em todas as proteínas do corpo. Eles são essenciais para a criação de proteínas, e seu corpo deve contar com sua dieta e microorganismos intestinais para produzir quantidades adequadas desses aminoácidos, já que seu corpo não pode produzi-los de outra forma.

Quando seus microorganismos intestinais são prejudicados, isso pode resultar em uma deficiência de triptofano, tirosina e fenilalanina. Esses aminoácidos também são precursores de muitas outras moléculas ativas do ponto de vista biológico importantes. Por exemplo, o triptofano é um precursor da melatonina e da serotonina. A tirosina é um precursor do hormônio tireoidiano, dopamina e adrenalina.

A glicina pode ajudar a neutralizar os efeitos adversos do glifosato

Um remédio simples que pode ajudar a diminuir os danos causados pelo glifosato é tomar um suplemento de glicina. Como explica Seneff, a forma como o glifosato interrompe a via do chiquimato é afetando uma enzima chamada EPSP sintase. Essa enzima se liga a uma molécula chamada fosfoenolpiruvato (PEP). O “fosfo” nesse nome significa fosfato.

No local onde a EPSB sintase se liga ao PEP, há uma molécula de glicina. É uma glicina conservada na enzima. Se essa glicina for trocada por alanina, um aminoácido muito semelhante, a enzima EPSB sintase torna-se insensível ao glifosato.

A propósito, é assim que os cientistas agrícolas criam safras OGM resistentes ao glifosato. Eles transformam a molécula de glicina em alanina, tornando a planta impermeável ao glifosato.

Quando o glifosato entra no seu sistema, ele pode tomar o lugar da molécula de glicina. Mesmo sendo semelhante, (o "gli" no glifosato significa glicina) mas não é idêntica e não funciona do mesmo modo que a glicina. Portanto, essa substituição causa todos os tipos de problemas.

Ao tomar um suplemento de glicina, você pode neutralizar essa cadeia de eventos, garantindo que haja glicina suficiente no seu organismo para reabastecer suas necessidades. Como observa Seneff, “Se houver muita glicina no seu corpo, será muito menos provável que você absorva o glifosato”.

É importante ressaltar que o glifosato suprime a glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), uma enzima muito importante nas hemácias que mantém o NADPH em sua forma reduzida. Se você tem níveis reduzidos de NADPH, corre um risco maior de desenvolver doenças crônicas, pois sua capacidade de se reabastecer de antioxidantes está prejudicada. Este é mais um mecanismo pelo qual o glifosato contribui para várias doenças.

O impacto do glifosato no colágeno

O colágeno é outra proteína com alto teor de glicina, a proteína primária do tecido conjuntivo. Que constitui cerca de um quarto das proteínas do seu corpo. Devido à presença de glicina, o glifosato também tem a capacidade de prejudicar o colágeno.

“Tenho confiança de que o glifosato está prejudicando o colágeno”, diz Seneff. “O colágeno tem uma estrutura em hélice tripla, o que lhe confere propriedades muito especiais de resistência à tração e flexibilidade para reter água. O colágeno tem longas sequências chamadas GXY, GXY, GXY, onde cada terceiro aminoácido é uma glicina. Essas glicinas se ligam para formar essa hélice tripla.

Existem pessoas que têm mutações nessas glicinas que causam doenças nas articulações e nos ossos, e acredito que o glifosato seja a causa disso. A síndrome de Ehlers-Danlos está associada a mutações da glicina no colágeno e há um aumento na prevalência dessa síndrome nos últimos tempos.

Claro, temos muito mais pessoas fazendo cirurgia de substituição do quadril, e as pessoas têm problemas na coluna, dores nas costas e cirurgias nos ombros, problemas nos joelhos e pés. Todos esses problemas em articulação, como eu suspeito, estão sendo causados ​​por colágeno dobrado de forma incorreta por causa do glifosato que está causando muitos problemas.”

O impacto do glifosato em seu sistema vascular

Outro mecanismo de ação envolve a supressão do óxido nítrico (NO), por meio da supressão do óxido nítrico endotelial (eNOS), que é uma das três maneiras pelas quais seu corpo produz NO. O eNOS é um parente próximo das enzimas do citocromo 450 que, como mencionado, são dizimadas pelo glifosato.

“O NO atua junto com o dióxido de enxofre para controlar a viscosidade do sangue”, afirma Seneff. “O NO se transforma em nitrato ... E o dióxido de enxofre se transforma em sulfato ... O nitrato é um caótropo e o sulfato é um cosmótropo. Os cosmótropos são moléculas muito interessantes que controlam a viscosidade do sangue. Ela atua na estruturação da água, coisas sobre as quais Gerald Pollack fala.

Os cosmótropos tornam a estrutura da água mais parecida com um gel e os caótropos a tornam mais fluida, líquida. Eles trabalham um contra o outro para manter a viscosidade correta do sangue enquanto outras coisas acontecem. Se você colocar um monte de partículas de lipídios no sangue, ele ficará mais viscoso, então você terá que torná-lo menos viscoso adicionando NO.

Portanto, há um equilíbrio entre o NO e o dióxido de enxofre que é regulado pelo eNOS. Essa é uma teoria que tenho e faz muito sentido. Eu continuei a coletar evidências que apoiam essa teoria.

Se o glifosato Altera o eNOS, então ele reduz a capacidade do sangue de manter a viscosidade adequada, o que significa que seu sangue pode ficar muito fluido. E você pode ter uma hemorragia. Ou muito espesso e não circular da maneira correta, nesse caso, você pode ter coágulos sanguíneos.”

+ Recursos e Referências