Os Patógenos Presentes na Boca Podem Acabar Causando Câncer em Outras Partes do Corpo

Saúde oral

Resumo da matéria -

  • Dois novos estudos independente descobriram uma relação de causa entre uma bactéria comumente encontrada na boca (F. nucleatum) e o câncer colorretal; os patógenos presentes na boca podem entrar na corrente sanguínea e colonizar outras partes do corpo
  • Já é de conhecimento geral que essa mesma bactéria patogênica provoca natimortos em ratos, mas recentemente foi descoberto que ela é responsável por infecções intrauterinas em grávidas, resultando na trágica morte do bebê antes do nascimento
  • O papilomavírus humano (HPV), quando deixado sem tratamento, não está associado somente ao câncer cervical; estima-se que 60% a 80% dos cânceres de orofaringe decorram de infecções orais causados pelo HPV
  • O fato é que a higiene oral é ainda MAIS importante do que se imaginava para reduzir os microrganismos patogênicos que podem viajar da boca para outras partes do corpo, causando doenças
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Por Dr. Mercola

A boa higiene oral é mais importante do que se imaginava. Os microrganismos patogênicos e suas toxinas não prejudicam somente a boca; quando eles circulam pela corrente sanguínea, podem causar infecções secundárias e inflamações crônicas por todo o corpo.

Há muito já se sabe que os patógenos orais podem percorrer longos caminhos para outras partes do organismo, causando graves problemas.

Até os dentistas concordam que as bactérias podem passar das gengivas para a corrente sanguínea, chegando ao coração. É por isso que alguns ainda prescrevem antibióticos orais a poucos pacientes com risco especialmente alto de desenvolver endocardite, principalmente quandos eles apresentam casos de gengivite.

Mas parece que o raro caso da endocardite é apenas a ponta do iceberg. Diversos estudos mostram que esses patógenos orais — tanto os vírus quanto as bactérias — podem estar associados a certos tipos de câncer, o que torna ainda mais importante tomar todas as medidas cabíveis para garantir a saúde de seus dentes e de sua gengiva.

A Falta de Saúde Oral é um Fator de Risco Para o Câncer de Orofaringe

O papilomavírus humano (HPV), cujas cepas estão associadas ao câncer cervical quando deixado muito tempo sem tratamento, também está relacionado ao câncer vaginal, de vulva, peniano, anal e de orofaringe (garganta, amídalas e base da língua).

Daí a recomendação ridícula de vacinar garotos com a notória vacina contra HPV, Gardasil, que está repleta de perigosos efeitos colaterais e outros problemas. Um novo estudo publicado no periódico Pesquisa de Prevenção ao Câncer relata:

"A pouca saúde oral, que inclui problemas dentários e doenças gengivais, é um fator de risco independente para a infecção por HPV e, por extensão, também contribui para o câncer oral."

Nesse estudo, participantes com pouca saúde oral apresentaram 56% a mais de risco de desenvolverem uma infecção por HPV do que aqueles que tinham boa saúde oral. O Centro para Controle e Prevenção de Doenças declara que cerca de 60% dos cânceres de orofaringe estão relacionados ao HPV, mas de acordo com o estudo mais recente, pode chegar a 80%.

Pesquisadores especulam que a boa higiene oral possa ajudar a prevenir infecções por HPV, diminuindo assim o risco de câncer de orofaringe, entre outros. O papilomavírus humano é, na verdade, um grupo composto por mais de 100 vírus. Desses 100, cerca de 40 são sexualmente transmissíveis, 15 dos quais são os tipos mais comumente associados ao câncer cervical e às verrugas genitais.

É importante salientar que mais de 90% das mulheres infectadas com HPV se livram da infecção naturalmente dentro de dois anos, quando suas células cervicais retornam ao normal. Apenas quando o vírus do HPV se estende por muitos anos (isto é, torna-se crônico) é que as células cervicais anormais podem se transformar em câncer.

É por isso que a realização de rotina do exame Papanicolau previne as mortes por câncer cervical com muito mais eficiência do que a vacina contra o HPV, pois oferece tempo suficiente para identificar e tratar qualquer anormalidade cervical.

Os Vírus Causam de 15% a 20% de Todos os Tipos de Câncer

É interessante observar que o HPV não é o único vírus relacionado ao câncer — na verdade, estima-se que 15% a 20% de todos os tipos de câncer sejam causados por vírus! Muitos vírus desencadeiam o câncer porque suprimem o sistema imunológico e/ou alteram os genes da pessoa. Os vírus a seguir são conhecidos por desempenharem um papel importante em certos tipos de câncer:

  • O EBV (vírus Epstein-Barr) aumenta o risco de câncer de nasofaringe, de certos linfomas e de estômago
  • Os vírus da hepatite B e C estão relacionados ao câncer de fígado
  • O HIV está associado ao câncer cervical, anal, de linfoma, pulmão, fígado, orofaringe e pele, além de ao sarcoma de Kaposi. Acredita-se que o herpes-vírus humano-8 esteja envolvido com quase todos os casos do sarcoma de Kaposi.

Três Novos Estudos Comprovam que as Bactérias Orais Podem Causar Câncer Colorretal

Existe uma bactéria que vem causando muitos problemas à saúde das pessoas: A Fusobacterium nucleatum, uma bactéria anaeróbica afilada, comumente encontrada na placa dentária. A F. nucleatum existe em abundância na boca e é capaz de se coagregar com outras espécies. Três estudos recentes associaram a F. nucleatum a graves problemas de saúde:

  1. Pesquisadores da Case Western Reserve University descobriram que alguns tumores colorretais malignos são causados pela F. nucleatum.
  2. Pesquisadores de Harvard também estabeleceram uma relação entre a F. nucleatum e o início dos tumores colorretais.
  3. Um estudo da Revista de Obstetrícia e Ginecologia descobriu que a F. nucleatum oral pode levar à infecção intra-uterina e à morte do feto.

Os dois primeiros estudos estabelecem uma relação de causa entre essa bactéria e o câncer colorretal. A bactéria desencadeia a inflamação e também ativa os genes de crescimento do câncer com os sinais necessários para a ocorrrência da angiogênese (suprimento de sangue ao tumor).

Normalmente, a F. nucleatum não predomina no intestino, mas se o equilíbrio da sua microbiota estiver ruim — o que pode acontecer tanto na boca como no intestino — então essa bactéria é capaz de invadir e colonizar o local. A F. nucleatum foi encontrada em biópsias da mucosa intestinal que mostram inflamação e em biópsias de tumores colorretais.

O terceiro estudo discute o caso incomum de uma mãe que teve um bebê natimorto devido a uma infecção intrauterina, diretamente resultante de uma gengivite. A bactéria passou da boca para o útero porque seu sistema imunológico estava enfraquecido por uma infecção respiratória. Outros estudos já haviam demonstrado que essa bactéria provocava natimortos em ratos, mas esse foi o primeiro caso humano a ser documentado.

Todos esses estudos mostram inequivocamente que o desequilíbrio bacteriano e a disbiose podem contribuir para inflamações no corpo e a ativação dos genes do câncer. Portanto, as bactérias da boca merecem tanto cuidado e atenção quanto aquelas presentes no intestino. Não é de se surpreender que ambas estejam inter-relacionadas. Ao melhorar sua microbiota intestinal, a flora oral melhora na mesma proporção.

Outro Perigo: Muito Mercúrio na Boca

Além da higiene oral, que será discutida em breve, existem outras duas preocupações dentárias que você talvez tenha que tratar: os amálgamas de mercúrio e o flúor. Um norte-americano, em média, tem oito obturações com amálgama de mercúrio, falsamente descritos como obturações de "prata".

Esse nome enganador foi usado de propósito para esconder a exata composição das obturações, que na verdade são compostas por 50% de mercúrio. O mercúrio é um metal pesado tóxico que pode envenenar o cérebro, o sistema nervosos central e os rins. Crianças e fetos, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento, correm o maior risco — mas qualquer um pode sofrer seus impactos adversos.

O mercúrio é uma toxina tão potente que apenas uma gota em um lago envenenaria o lago a ponto de a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos proibir a pesca no local. No entanto, muitos afirmam que ter inúmeras obturações de mercúrio na boca não tem efeitos colaterais. Se você tiver esse tipo de obturação, é melhor procurar um dentista holístico, que não trabalhe com mercúrio.

Evite o Flúor de Todas as Formas

Se você usa pasta de dentes com flúor, é melhor pensar duas vezes e substituí-la por uma versão mais segura. De manhã, você pode usar uma pasta de dentes que contenha cálcio e fosfato (sais minerais) ou até hidroxiapatita para ajudar a remineralizar seus dentes.

O bicarbonato de sódio contribui para as bactérias boas de sua boca, neutralizando a acidez que as bactérias patogênicas tanto desejam. Eu utilizo um irrigador bucal com bicarbonato de sódio duas vezes por dia e termino com oil pulling (bochecho) de óleo de coco por 20 minutos.

O flúor traz pouco ou nenhum benefício para os dentes, mas apresenta sérios riscos para a saúde, incluindo disfunção imunológica, perturbação endócrina, aumento do risco de fraturas, artrite, infertilidade e muito mais.

A pasta de dentes não é a única fonte de flúor — essa substância está presente em uma série crescente de alimentos que não são orgânicos devido a resíduos de pesticidas (incluindo o alface). A fluoretação da água tem sido cada vez mais examinada depois que questões de saúde, falta de eficácia na prevenção de cáries e questões éticas da administração de substâncias químicas via fornecimento de água vieram à tona.

Quatro Estratégias Para Melhorar sua Saúde Oral

Estratégias para melhorar sua saúde oral

A última pesquisa a revelar a conexão entre os microrganismos da boca e o câncer deixa muito bem claro que a higiene oral é um pré-requisito necessário para quem quer ser saudável.

Importantes problemas podem se resultar do crescimento oportunista dos patógenos orais, incluindo o câncer de orofaringe, colorretal e, em caso de grávidas, até a tragédia de um bebê natimorto. Além de evitar o flúor e as obturações de mercúrio, minhas principais recomendações para melhorar sua saúde oral são:

  1. Ter uma dieta tradicional: com frutas, legumes e verduras frescos; carnes, ovos e laticínios de animais criados livres e que recebem alimentação natural; sementes e nozes; consumo mínimo de açúcar e de alimentos processados.
  2. Acrescente alguns alimentos de fermentação natural, como chucrute, picles, kimchi (espécie de picles coreano), iogurte e kefir.
  3. Escovação e uso de fio dental da forma correta
  4. Oil pulling (bochecho com óleo)

Uma dieta tradicional é capaz de equilibrar sua flora intestinal e oral, mas pode não ser o suficiente para garantir a saúde oral perfeita. Eu sempre tive problemas com placas bacterianas, mas foi somente quando adicionei alimentos fermentados e a técnica do oil pulling (bochecho com óleo) que comecei a ver progressos contra o problema.

Com a adição dos alimentos fermentados, minha placa diminuiu pela metade, e o restante ficou mais maleável. Com o oil pulling, melhorou ainda mais.

O Oil Pulling é Como uma "Troca de Óleo" Para os Dentes

Trata-se de uma antiga técnica Ayurvédica que remonta há milhares de anos. Em conjunto com as propriedades antimicrobianas do óleo de coco, você tem uma arma poderosa! O alto teor de ácido láurico no óleo de coco o torna um forte inibidor de uma ampla faixa de organismos patogênicos, sejam vírus, bactérias ou protozoários.

Pesquisadores irlandeses descobriram que o óleo de coco tratado com enzimas, num processo semelhante à digestão, inibe intensamente a bactéria Streptococcus, comumente encontrada na boca e que pode levar ao acúmulo de placas, cáries e doenças gengivais.

A técnica do oil pulling pode diminuir a carga tóxica por meio da extração de patógenos e evitando sua propagação para outras áreas do corpo. Quando realizado corretamente, o oil pulling tem um efeito notável na limpeza, desintoxicação e recuperação oral. Os praticantes da técnica relataram um rápido alívio de problemas sistêmicos de saúde como artrite, diabetes e doenças cardíacas.

É costume recomendar o óleo de gergelim, mas ele possui uma concentração relativamente alta de ômega 6. Portanto, acredito que o óleo de coco seja ainda melhor, além de ser mais agradável ao paladar. Mas de uma perspectiva biofísica e mecânica, ambos funcionam.

O oil pulling é simples. Basicamente, consiste em bochechar uma colher de sopa de óleo de coco na boca, como se fosse um enxaguante bucal. O óleo é então agitado na boca, passando por todos os dentes, por um período de 15 minutos.

Se você for meio obsessivo como eu, pode prosseguir com o bochecho de 30 a 45 minutos. Com esse processo, o óleo consegue neutralizar e "extrair" bactérias, vírus e outras sujicidades. Depois de bochechar o óleo por 15 minutos, basta cuspir e enxaguar a boca com água. NÃO engula o óleo, pois ele estará cheio de bactérias e toxinas.

Bruce Fife, um médico naturopata e especialista em óleo de coco, compara os benefícios do oil pulling à troca de óleo para um carro.

"Funciona como o óleo que você coloca no carro. O óleo pega a sujeira. Quando você tira o óleo, ele leva toda a sujeira consigo, deixando o motor relativamente limpo. Consequentemente, o motor funciona melhor e dura mais. Da mesma forma, nós expelimos substâncias nocivas do nosso corpo, nossa saúde é melhorada e nós funcionamos melhor e duramos mais".

Sua Dieta é Fundamental Para Reduzir a Inflamação Crônica

O ponto em comum que liga uma ampla variedade de problemas comuns de saúde, incluindo o câncer, é a inflamação crônica do organismo – não importa que tenha se originado na boca ou não. Está claro que cuidar da saúde oral é um passo importante, mas tudo começa mesmo é com o que você come.

A sua dieta pode fazer bem ou mal para os seus dentes e tem um forte efeito no nível geral da sua inflamação. Portanto, para ter o máximo de saúde e prevenir muitas das doenças listadas acima, é preciso avaliar seu estilo de vida e fazer tudo o que puder para prevenir a ocorrência de inflamação crônica.

Para reduzir ou prevenir a inflamação do seu organismo, você deve evitar os seguintes culpados alimentares:

  • Açúcar/frutose e grãos
  • Colesterol oxidado (colesterol que ficou rançoso, como aquele de ovos mexidos excessivamente cozidos)
  • Alimentos preparados em altas temperaturas
  • Gorduras trans

Além disso, escovar os dentes com bicarbonato de sódio e praticar o oil pulling podem ajudar a equilibrar as bactérias presentes na boca. O fator mais importante, no entanto, é reabastecer sua flora intestinal regularmente com bactérias benéficas, isto é, os probióticos.

Vegetais fermentados e outros alimentos também fermentados são a fonte ideal dessas bactérias. Se você não fizer uso desses alimentos, recomenda-se a suplementação com um probiótico de alta qualidade.