Saiba o quão Anti-Higiênicas são Suas Lentes de Contato

Lentes de contato

Resumo da matéria -

  • A microbiota de quem usa lentes de contato é diferente da de quem não usa
  • O microbioma ocular de usuários de lentes de contato assemelha-se mais ao da pele que ao dos olhos, tendo o triplo de certos tipos de micróbios
  • Alguns dos micróbios em número mais elevado estão relacionados a inflamações nos olhos como a conjuntivite, a ceratite (infecção da córnea) e a endoftalmite
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Por Dr. Mercola

Você não é apenas um ser humano… Você é um ser microbiano que abriga quase 100 trilhões de bactérias, fungos, vírus e outros microrganismos que compõem a microbiota do seu corpo. O avanço da ciência tornou claro que esses organismos desempenham um papel importante em sua saúde, tanto mental quanto física.

Uma boa parte das pesquisas realizadas até hoje concentrou-se no papel dos micróbios na saúde do intestino e da pele, mas isso é apenas o começo. Os olhos também possuem um microbioma, o qual tem sido tão negligenciado pelos pesquisadores que suas funções permanecem desconhecidas.

Entretanto, um novo estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Microbiologia começou a juntar as peças do quebra-cabeça por meio do exame das colônias de bactérias que vivem nos olhos de quem usa lentes de contato e de quem não usa. Suas descobertas somam-se ao crescente entendimento de que o estilo de vida moderno está alterando nossos microbiomas… com efeitos potencialmente perigosos.

Usar Lentes de Contato Altera o Microbioma Ocular

Após comparar a quantidade e os tipos de bactérias na superfície dos olhos de usuários e não usuários de lentes de contato, os usuários apresentaram uma maior diversidade microbiana. Seu microbioma ocular assemelhava-se mais ao da pele que ao do olho, com o triplo dos seguintes organismos:

  • Methylobacterium, encontrado no solo, esgoto e folhas
  • Lactobacillus, encontrado no trato digestivo e urinário
  • Acinetobacter, encontrado no solo e na água (e tido como responsável pela maioria das infecções)
  • Pseudomonas, amplamente encontrado no ambiente e que pode provocar infecções no ouvido e outros problemas graves, incluindo infecção da córnea.

Essa é uma notícia importante para os 71 milhões de usuários de lentes de contato em todo o mundo, uma vez que alguns dos micróbios encontrados em maior quantidade estão relacionados a condições inflamatórias dos olhos, como conjuntivite, ceratite (infecção da córnea) e endoftalmite.

Esse pode ser um dos mecanismos pelos quais o uso de lentes aumenta o risco de doenças e infecções oculares. Acredita-se que a alteração do microbioma seja resultado do frequente contato dos dedos com os olhos, transferindo micróbios que normalmente não existiriam em números tão altos.

Isso também poderia ser causado por alterações do sistema imunológico ocular devido à pressão direta da lente sobre o olho. Uma outra alternativa é que as lentes de contato podem favorecer o aparecimento de bactérias como as da pele nos olhos.

Maria Gloria Dominguez-Bello, pesquisadora sênior do estudo e microbiologista do NYU Langone Medical Center, afirmou:

“Nossa pesquisa mostra claramente que colocar um objeto estranho como uma lente de contato no olho não é uma ação neutra.”

O Microbioma Ocular Está Relacionado à Secura dos Olhos?

Embora o microbioma ocular esteja apenas começando a ser compreendido, existem razões para se acreditar que ele pode ter um papel significativo na saúde dos olhos. De acordo com um estudo proposto, patrocinado pelo Centro Nacional de Olhos de Cingapura:

“Ao longo da evolução, vários micróbios, principalmente bactérias, vieram a colonizar a superfície ocular como comensais. Os comensais têm a função de manter a homeostase da superfície ocular.

A imunidade inata da superfície ocular é muito ativa e consiste em mecanismos ativos para suprimir a inflamação. Por exemplo, existem macrófagos, células dendríticas, células supressoras, células reguladoras, células B, IgA, lisozima, peptídeos antimicrobianos e barreiras contra agentes externos.

Os comensais normais da superfície ocular mantêm um nível basal de ativação da defesa inata pela estimulação dos receptores de reconhecimento de padrões das células epiteliais da superfície ocular.

Essa composição normal de micróbios é importante uma vez que haverá inflamação e infecção caso seja introduzida uma cepa patogênica que supere a flora ou se uma cepa dominante secretar produtos imunogênicos em excesso”.

O estudo proposto deseja determinar se a secura ocular pode, de fato, ter origem microbiana. “Dado que a secura dos olhos é uma doença inflamatória conhecida da superfície ocular, essa é uma forma pela qual os micróbios podem contribuir para a patologia”, observam eles.

O Projeto do Microbioma Ocular

O Projeto do Microbioma Humano, que teve início em 2008 e foi financiado pelo Instituto Nacional da Saúde dos EUA, teve como objetivo “caracterizar comunidades microbianas encontradas em diversos locais do corpo humano e buscar correlações entre mudanças no microbioma e a saúde humana”.

Infelizmente, essa iniciativa multimilionária não incluiu a superfície ocular. Assim, em 2009, pesquisadores do Bascom Palmer Eye Institute, nos Estados Unidos, iniciaram o Projeto do Microbioma Ocular.

Enquanto já se acreditou que a superfície ocular fosse relativamente desprovida de vida microbiana porque as lágrimas e o ato de piscar a “limparia”, foi observado na pesquisa do Bascom Palmer Eye Institute que, pelo contrário, a superfície é “densamente povoada“ não apenas por bactérias (cerca de uma dúzia de diferentes tipos eram dominantes), mas também por vírus.

“As pessoas podem ter uma enorme variação em sua microbiota e, ainda sim, ter olhos saudáveis, o que torna nosso trabalho difícil, mas realmente incrível”, disse o pesquisador Valery Shestopalov à revista The Scientist.

Outro dado interessante é que os cientistas descobriram que apenas cerca da metade das variedades bacterianas estavam presentes em casos de ceratite, uma infecção grave da córnea.

As cepas mais prevalentes foram as Pseudomonas, e as mudanças no microbioma ocorreram muito antes que as infecções oculares fossem diagnosticadas, o que sugere que tais mudanças poderiam ser utilizadas para diagnosticar a infecção precocemente ou, talvez, no futuro, preveni-las.

Nesse caso, os pesquisadores acreditam que os usuários de lentes de contato podem ser mais propensos a infecções porque as lentes fornecem uma superfície que os patógenos podem colonizar. Outros pesquisadores desenvolveram uma lente de contato antimicrobiana que, eles acreditam, neutralizará o problema sem alterar as bactérias comensais normais dos olhos.

Uma Comunidade Microbiana Desequilibrada Pode Originar Muitos Problemas de Saúde

Não são apenas os olhos que podem sofrer com um microbioma alterado. Pesquisadores descobriram que micróbios de todos os tipos desempenham papéis fundamentais no funcionamento do corpo. Por exemplo, já foi mostrado que as bactérias benéficas, conhecidas como probióticos:

  • Combatem a inflamação e controlam o crescimento de bactérias causadoras de doenças
  • Produzem vitaminas, absorvem minerais e eliminam toxinas
  • Controlam a asma e reduzem o risco de alergias
  • Favorecem o humor e a saúde mental
  • Normalizam o peso

As pesquisas estão mostrando atualmente que as complexas interações entre todos esses microrganismos, bacterianos ou não, são literalmente decisivas para a saúde.

Os pesquisadores estão, de fato, começando a reconhecer a microbiota intestinal como um “órgão” negligenciado. Foi sugerido até mesmo que seria mais adequado considerar o corpo um “superorganismo” composto de microrganismos simbióticos.

A natureza benéfica dessa relação simbiótica se estende além das chamadas bactérias “amigáveis”. Mesmo os microrganismos que tipicamente consideramos “ruins” ou patogênicos podem desempenhar um papel fundamental na manutenção da saúde e prevenção de doenças. Além disso:

  • A microbiota influencia a suscetibilidade ao câncer — Microrganismos intestinais parecem até mesmo afetar a eficácia de vários tratamentos contra o câncer.
  • A microbiota influencia o peso — Pessoas obesas e magras tendem a ter diferentes comunidades de microrganismos.
  • A microbiota influencia a saúde mental — Mesmo problemas graves e crônicos de saúde mental, incluindo o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), podem ser eliminados com o uso de certos probióticos.

Quando você consome grãos, açúcares e alimentos processados em excesso, tais alimentos servem como “fertilizantes” para microrganismos e leveduras patogênicos, levando-os a se multiplicarem rapidamente.

A melhor maneira de favorecer a diversidade microbiana é, em vez disso, manter uma alimentação variada, incluindo uma grande quantidade de vegetais ricos em fibras e alimentos fermentados, ao mesmo tempo evitando antibióticos. Sabe-se que mudanças alimentares têm um impacto drástico sobre a diversidade microbiana em apenas duas semanas, mas não se sabe se isso tem algum efeito no microbioma ocular.

Existem Outros Riscos de Saúde Relacionados ao Uso de Lentes de Contato?

O aumento da taxa de infecções é o risco mais conhecido do uso de lentes de contato. A cada ano, usuários de lentes de contato visitam consultórios médicos e salas de emergência aproximadamente um milhão de vezes por causa de infecções oculares, muitas vezes causadas pelo uso indevido das lentes (como dormir com elas ou não limpá-las adequadamente).

Abrasões e úlceras da córnea e até mesmo infecções graves o suficiente para causar cegueira podem ocorrer. Recomenda-se que você limpe e desinfete suas lentes adequadamente e use uma solução nova a cada utilização. Não “complete” ou reutilize a solução de lente. Expor as lentes a qualquer tipo de água não estéril também pode ser problemático, e é recomendável que você as remova antes de nadar ou dormir à noite.

Seu estojo para armazenamento das lentes de contato deve ser substituído a cada três meses.

Lentes de contato e óculos também funcionam como filtro e não permitem que todos os 1.500 comprimentos de onda da luz solar passem para a retina, onde são absorvidos pelo cérebro. Usar óculos ou lentes de contato continuamente pode aumentar potencialmente o risco de depressão, já que seu cérebro será privado de muitas das valiosas frequências que existem na luz do sol.

Melhore Sua Visão com Relaxamento

Se você está tentando decidir entre lentes de contato ou óculos, os últimos serão menos prejudiciais para a saúde dos seus olhos, principalmente no que diz respeito ao seu microbioma. No entanto, mesmo usando óculos, você está essencialmente treinando seus olhos para se esforçarem para ver o dia todo, o que é o oposto daquilo que promove uma visão saudável.

Sua visão não está comprometida porque os músculos dos olhos estão fracos. Eles são fortes o suficiente. Eles estão apenas muito contraídos para funcionar adequadamente, por isso você precisa relaxá-los. O Método Bates é uma estratégia mental que pode ajudar.

O problema é que, quando você começa a usar lentes corretivas, está, na verdade, piorando sua visão. Essa piora progressiva de sua visão pode levar a uma mentalidade derrotista se você não perceber que está criando o problema. Greg Marsh, um coach certificado de visão natural, explica:

“A palavra-chave do Dr. Bates é ‘tensão’. Se você tensiona seus olhos, seus pensamentos e sua visão, esses músculos começarão a ficar rígidos. A tensão é a essência de tudo. Imagine que você está andando em uma corda bamba e sentindo o caminho à sua frente.

É assim que os olhos querem trabalhar. Se você ficar tenso em uma corda bamba, você está morto, certo? Em vez de pensar nisso como exercícios, você tem que começar de maneira sutil; é mais uma meditação”.

Experimente criar um pequeno buraco com a mão e se surpreenda com quão bem você enxerga sem usar lentes corretivas. Basta dobrar os dedos criando um pequeno buraco entre as pregas cutâneas. Leve então o buraco até um dos olhos e observe como tudo o que você olha está muito mais focado.

Como se costuma dizer, ver para crer, e essa experiência ajudará muito a convencê-lo de que pode enxergar bem sem lentes corretivas.

Ficar sem Óculos Pode Ajudar a Melhorar a Visão

Idealmente, você deve tirar os óculos (ou lentes de contato) sempre que puder fazê-lo com segurança. Também é importante ter uma iluminação adequada, principalmente para ler.

As duas condições mais comuns de visão que exigem óculos são a miopia (que geralmente aparece na infância ou na adolescência) e a presbiopia (um tipo de hipermetropia que leva ao uso de óculos de leitura na meia-idade). Ambas respondem muito bem ao Método Bates e, de fato, a estratégia é quase idêntica.

Se você tem uma prescrição leve, pode simplesmente passar cada vez mais tempo sem óculos conforme sua visão melhora. Naturalmente, você deve sempre usar seus óculos se eles forem necessários para dirigir até que passe no teste de visão sem eles.

Uma das técnicas mais famosas do método Bates é o palming (empalmar). Olhe ao redor e observe o nível de clareza de sua visão no momento. Em seguida, posicione simplesmente o centro da palma das mãos sobre os olhos. Relaxe os ombros.

Pode ser uma boa ideia inclinar-se sobre uma mesa ou uma pilha de travesseiros para facilitar o relaxamento. Relaxe dessa forma durante, no mínimo, dois minutos. Remova então as mãos, abra os olhos e observe se algo está mais nítido.

Geralmente estará. Lembre-se também que sua mentalidade é importante. Com fé em si mesmo e na capacidade autorregenerativa de seu corpo, o maior obstáculo é aprender a relaxar, para que seus olhos possam funcionar de acordo com seu design natural.