A eficiência do gengibre no alívio de náuseas, vômitos e outros sintomas

gengibre

Resumo da matéria -

  • O gengibre já foi considerado um artigo de luxo, mas, hoje em dia, pode ser encontrado facilmente em qualquer mercado. Basta adicionar algumas fatias em água quente para fazer um chá ou ralar um pouco em cima do seu jantar para começar a usufruir dos seus benefícios, que incluem o alívio de dores, náuseas e vômitos causados por gravidez ou quimioterapia, e também proteção contra danos ao DNA
  • Acredita-se que o alívio das dores está relacionado à inibição da biossíntese de prostaglandina e leucotrieno pelo gingerol, shogaol e outras substâncias estruturais do gengibre
  • Em um estudo, foi descoberto que o extrato do gengibre é capaz de quebrar biofilmes fúngicos, pois apresenta propriedades antifúngicas que são muito úteis contra infecções oportunistas na cavidade oral, causadas pela Candida albicans e Candida krusei
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Por Dr. Mercola

Cerca de 5.000 anos atrás, o gengibre (Zingiber officinale) era considerado um artigo de luxo. A raiz, normalmente utilizada na culinária chinesa e indiana, também era usada na preparação de tônicos para o tratamento de males comuns. Possivelmente nativo do sudeste asiático, o gengibre é uma planta herbácea perene, utilizada nos dias de hoje, assim como era usada no passado, tanto pelo seu gosto, quanto por suas propriedades medicinais.

Levemente picante, o gengibre é normalmente usado desidratado ou em pó, para condimentar molhos, pratos com curry, conservas de vegetais e ginger ale (refrigerantes feitos à base de gengibre, muito populares em outros países). Sua raiz também é utilizada na preparação de chás. Além disso, algumas culturas têm como costume comer pedaços de gengibre entre os pratos de uma refeição, para limpar o paladar.

O gengibre também pode ajudar a combater o mau hálito (halitose). Um estudo realizado em 2018 identificou a presença de um componente químico no gengibre, o 6-gingerol, responsável pela eliminação do mau hálito. Ele permite que uma enzima na sua saliva quebre as partículas dos odores desagradáveis.

O gengibre cresce até atingir pouco mais de meio metro de altura, com folhas que vão de 15 a 60 cm de comprimento. Ele produz uma flor com brácteas sobrepostas verdes, podendo apresentar bordas amareladas. No entanto, é o seu caule subterrâneo, ou rizoma, que é muito valorizado por suas substâncias medicinais.

O gengibre surgiu pela primeira vez na Europa no século I, por meio do comércio entre os romanos com a Índia. Após a queda do império romano, a planta foi levada à Europa pelo explorador Marco Polo, quando este retornou de suas viagens ao oriente. Ela era tão valorizada na idade média que meio grama de gengibre valia o mesmo que uma ovelha.

Apesar de o gengibre ser muito produzido no Caribe, o seu maior produtor no mundo atualmente é a Índia. No entanto, quando se trata de exportações, o primeiro lugar é da China. O gengibre oferece muitos benefícios à saúde, o que pode reduzir a necessidade de consumir alguns medicamentos.

O gengibre pode oferecer proteção contra danos ao DNA

Compostos presentes no alecrim, gengibre e açafrão são muito eficientes no combate a inflamações no corpo. Em um estudo publicado no Diario da Faculdade Americana de Nutrição, pesquisadores tentaram determinar a biodisponibilidade de ervas e temperos após o consumo. Para isso, eles avaliaram a capacidade dos compostos de proteger os linfócitos contra uma lesão oxidativa.

De acordo com a página Nutrition Facts, uma pessoa comum apresenta aproximadamente 7% de danos no DNA. Após análise dos DNAs de pacientes expostos a radicais livres, foi constatado que esse dano aumentou para quase 10%.

No entanto, os pacientes que ingeriram gengibre por pelo menos uma semana antes de serem atacados pelos radicais livres apresentaram um aumento de apenas 1% nos danos em seus DNAs, ao contrário das pessoas do grupo de controle, cujos danos aumentaram em 10%.

Os efeitos antioxidantes e imunomoduladores do gengibre já foram documentados em várias pesquisas e podem ajudar na prevenção e no tratamento de vários tipos de câncer, incluindo o câncer de mama, o câncer colorretal e o câncer de próstata, através, principalmente, da indução da apoptose, inibindo a proliferação das células cancerígenas e tornando os tumores sensíveis à radioterapia e à quimioterapia.

O gengibre pode prevenir e reduzir náuseas durante a gravidez e durante a quimioterapia

O alívio dos sintomas de náuseas e vômitos é um dos usos mais comuns do gengibre. Em um estudo, foi constatado que, para tratar enjoos causados pelo mar, a raiz do gengibre apresenta um desempenho tão bom quanto outras drogas indicadas para tal finalidade.

Outra pesquisa demonstrou que uma dose fixa de 1 grama de gengibre é mais eficiente na prevenção de náuseas e vômitos pós-operatórios do que um placebo, e o gengibre também é muito recomendado pelos pesquisadores como um meio eficiente de redução desses sintomas.

Em outros estudos, foram avaliados a eficácia e os possíveis benefícios do uso do gengibre na redução de náuseas durante a gravidez. Esse sintoma, também conhecido como enjoo matinal, afeta cerca de 80% das grávidas durante o primeiro trimestre. Há uma pequena chance, no entanto, de os sintomas persistirem, podendo resultar em desidratação, distúrbios eletrolíticos e redução do peso corporal.

Por mais que muitas medicações estejam disponíveis, cada uma apresenta uma lista de efeitos colaterais. Uma metanálise dos estudos já realizados sobre o caso mostrou que as fórmulas e dosagens do gengibre eram previsilvelmente varíaveis.

Ainda assim, mesmo com variações na dosagem e na duração do tratamento, a análise demonstrou que o gengibre é mais eficiente do que um placebo, quando administrado em doses de aproximadamente 1 grama a cada quatro dias.

Também foram incluídos na metanálise estudos que avaliam a causa de náuseas e vômitos pela quimioterapia, um efeito colateral muito comum sofrido por pacientes com câncer. Foram avaliados sete casos clínicos, dos quais cinco relataram resultados favoráveis, enquanto os outros dois foram infavoráveis.

Os resultados diferentes podem ser explicados tanto pelo uso não padronizado do gengibre em cada caso, quanto pelas metodologias inconsistentes empregadas nos estudos. Os pesquisadores recomendaram, então, um novo plano melhorado de testes clínicos, para melhor avaliar a eficiência do gengibre na prevenção e no tratamento de náuseas e vômitos.

As propriedades anti-inflamatórias do gengibre podem ajudar em muitos tratamentos

Em uma pesquisa publicada no Diário Internacional de Medicina Preventiva, foi feita uma metanálise para revisar todas as evidências atuais dos efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes do gengibre.

De acordo com os pesquisadores, a inibição da biossíntese de prostaglandina e leucotrieno resultou da presença do gingerol, shogaol e outras substâncias estruturais do gengibre. Esses efeitos anti-inflamatórios podem ser a razão da eficiência do gengibre na redução de dores.

Uma pesquisa feita na Universidade de Miami demonstrou que o gengibre apresenta o potencial de substituir os remédios anti-inflamatórios futuramente, com exceção dos esteroides. Os efeitos de um extrato de gengibre com alto nível de purificação e padronização foram comparados aos de um placebo, ao serem administrados a 247 paciente com osteoartrite no joelho. 63% dos pacientes que receberam o gengibre relataram redução na dor e rigidez dos joelhos.

Em uma pesquisa publicada no Diário da Sociedade Torácica Americana, os pesquisadores descobriram que 40% das pessoas com asma usam remédios feitos com ervas para aliviar seus sintomas.

Os resultados comprovam que a hipótese de que o gengibre pode modular o cálcio intracelular e induzir a broncodilatação dos músculos das vias aéreas é verdadeira, levando os pesquisadores a concluir que as substâncias presentes no gengibre podem ser usadas como uma opção terapêutica no tratamento de asma.

O gengibre também já demonstrou sua eficiência contra cólicas menstruais fortes. Cerca de 10% das mulheres têm cólicas tão intensas que ficam impossibilitadas de manter suas rotinas diárias por um ou dois dias a cada mês.

Uma pesquisa publicada no Diário de Medicina Alternativa e Complementar concluiu que “O gengibre é tão eficiente quanto o ácido mefenâmico e o ibuprofeno no alívio das dores em mulheres com dismenorreia primária.”

Além de tudo, o gengibre também pode ser eficiente contra dores musculares provenientes de exercícios físicos. Em uma pesquisa, participantes tomando 2 gramas de gengibre por dia, durante 11 dias, relataram redução nas dores sentidas após fazerem exercícios. Nesse caso, o uso do gengibre não parece causar um efeito imediato, mas apresenta um aumento da sua eficiência com o passar do tempo.

O gengibre também apresenta propriedades antifúngicas e antibacterianas

As propriedades antifúngicas e antibacterianas do gengibre podem ajudar a prevenir e tratar várias doenças. Em um estudo, foi descoberto que o extrato de gengibre é capaz de quebrar biofilmes fúngicos e apresenta propriedades antifúngicas úteis contra a Candida albicans e Candida krusei. Tratam-se de infecções fúngicas oportunistas na cavidade oral.

Em outra pesquisa, os pesquisadores descobriram que suas fortes propriedades antifúngicas foram promissoras na inibição do crescimento do fungo patogênico que estava destruindo azeitonas chinesas. Ainda outra pesquisa descobriu que o gengibre é muito eficiente na criação de solventes utilizados contra o fungo Fusarium oxysporum, conhecido por causar uma doença devastadora nas plantações de tomate.

Estudos também demonstraram a eficiência do extrato de gengibre contra o fungo Aspergillus flavus, que produz aflatoxina, um carcinogênico muito forte que ataca grãos, legumes e nozes de árvores. O extrato de gengibre também demonstrou propriedades antibacterianas que podem ser úteis no tratamento de doenças periodontais.

Em uma pesquisa feita em um tubo de ensaio, substâncias encontradas no gengibre foram capazes de inibir o crescimento de patógenos orais e, em outra pesquisa, o extrato de gengibre demonstrou uma forte atividade antibacteriana contra um patógeno clínico resistente a muitos tipos de drogas.

O gengibre também alivia enxaquecas

O gengibre é muito utilizado no tratamento de dores de cabeça na medicina Ayurvédica e também foi estudado em um ensaio clínico duplo-cego, randomizado, com 100 pacientes com histórico de enxaquecas agudas sem aura.

Os pacientes foram escolhidos aleatoriamente para receberem gengibre em pó ou sumatriptano. Então, os pesquisadores analisaram o começo da dor de cabeça, sua intensidade e o intervalo entre a administração do remédio até o surtimento de seu efeito. Dessa forma, foram coletados dados de cinco ataques de enxaqueca por paciente. Nos dois grupos, a intensidade das dores diminuiu drasticamente após duas horas.

Também pareceu não haver diferenças na satisfação dos pacientes com relação aos dois tipos de tratamento. Então, estatisticamente, o tratamento com gengibre se mostrou comparável ao tratamento com sumatriptano. No entanto, também apresentou um resultado muito melhor no tratamento dos efeitos colaterais, pois apenas um pequeno grupo de participantes que receberam gengibre sofreu dores de estômago.

A redução da inflamação sistêmica também afeta o nível de glicemia, o peso, e as funções do fígado

A capacidade do gengibre de reduzir a inflamação sistêmica também pode ser útil para melhorar o controle de glicemia do corpo, administrar o peso corporal e reduzir riscos de esteatose hepática não alcoólica.

Em um estudo realizado para investigar os efeitos do gengibre nos níveis de glicemia em jejum, foram coletados dados de um ensaio clínico duplo-cego, randomizado, com 41 pacientes com diabetes tipo 2.

Um grupo recebeu um suplemento com 2 gramas de gengibre em pó por dia, e o grupo de controle recebeu 2 gramas de lactose por dia, por 12 semanas. Os pesquisadores mediram seus níveis de glicemia, hemoglobina A1C e muitos outros fatores antes e depois do ensaio.

Os dados coletados mostraram que os suplementos de gengibre reduziram de forma considerável o nível de glicemia em jejum e as aferições de A1C, se comparados aos dados coletados antes do ensaio e aos resultados obtidos pelo grupo de controle. Em uma segunda pesquisa, os pesquisadores conduziram outro ensaio clinico duplo-cego, dessa vez em 70 pacientes com diabetes tipo 2. O grupo experimental tomou 1.600 miligramas de gengibre diariamente, por 12 semanas.

O grupo que recebeu gengibre apresentou uma redução na glicemia plasmática de jejum e nas hemoglobinas A1C, e também nos níveis de insulina, triglicerídeos e colesterol total, se comparados ao grupo que recebeu placebo. Dessa forma, os pesquisadores concluíram que o gengibre pode ser considerado um tratamento eficiente na prevenção de complicações provenientes do diabetes.

Como o próprio nome sugere, a esteatose hepática não alcoólica representa um acúmulo de gordura no fígado não relacionado ao consumo de álcool. É uma das doenças crônicas do fígado mais comuns do mundo. Em um ensaio clínico duplo-cego, randomizado, os pesquisadores concluíram que o grupo que recebeu 2 gramas de suplemento de gengibre por 12 semanas apresentou efeitos benéficos em algumas características da doença.

Prepare seu gengibre em casa

Apesar de o gengibre ser um alimento seguro, em alguns casos raros, grandes dosagens podem causar dores de estômago, diarreia, sonolência, inquietação ou até mesmo azia. Ingerir o gengibre junto com outras comidas normalmente alivia esses problemas.

O gengibre pode também interagir com medicamentos como anestesia, anticoagulantes e analgésicos, podendo retardar a cicatrização de feridas e provocar sensibilidade ao sol, irregularidades nos batimentos cardíacos, sangramentos e sedações prolongadas.

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